Frafall og representativitet
6.2. Strukturelle faktorer
A primeira etapa da pesquisa foi a adequação do formulário original para a pesquisa atual (CERVENY & BERTHOUD, 1997). Realizamos um encontro com o grupo de pesquisa da Universidade de Taubaté (UNITAU), coordenado pela Prof.ª Dr.ª Adriana Lêonidas de Oliveira, que estavam realizando uma pesquisa de atualização sobre o ciclo vital da família paulista. Nesta oportunidade, uniformizamos o instrumento para uma futura comparação de dados.
O formulário utilizado (Anexo I) consta com 99 questões categorizada conforme os seguintes itens: dados de identificação, sobre relacionamento do casal, sobre a vida em família, sobre os filhos pequenos, sobre os filhos adolescentes, sobre os filhos adultos, sobre aposentadoria, sobre viuvez e sobre a vida em comunidade.
Os entrevistados deveriam responder conforme a fase do ciclo vital em que estava inserido, sendo assim, dados referentes à identificação, relacionamento do casal, sobre a vida em família e sobre a vida em comunidade era comum a todos os participantes. O item sobre os filhos pequenos era referente às famílias em fase de aquisição, sobre os filhos adolescentes referente às famílias adolescentes, sobre filhos adultos às famílias em fase madura. As famílias em fase última responderam, além dos itens comuns a todos, sobre os filhos adultos, sobre aposentadoria e sobre viuvez.
Após a adequação e atualização do formulário, entramos em contato com a Prof.ª Dr.ª Clarisa Terezinha Guerra, docente do curso de psicologia, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Rondonópolis, para solicitar colaboração com a pesquisa. A docente possibilitou uma aproximação com os alunos do terceiro ano de psicologia e propôs que os alunos realizassem a coleta de dados como parte da disciplina “Psicologia e Contextos Educativos”.
Realizamos um primeiro encontro com os alunos, no qual fizemos uma apresentação dos conceitos teóricos sobre os quais a pesquisa está embasada. Discutimos sobre conceito e fases do ciclo vital desenvolvido por Cerveny (1997). Apresentamos, ainda, nosso projeto de pesquisa; o instrumento de coleta de dados; e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
No segundo encontro, os alunos realizaram um role playing com a pesquisadora e receberam instruções por escrito. Nesta ocasião, ainda realizamos uma roda de conversa para discutir dúvidas e considerações sobre a coleta de dados.
O grupo era constituído de 29 alunos e cada um ficou responsável por realizar oito entrevistas: duas entrevistas de cada fase do ciclo vital, durante um período de dois meses – que foi estendido para quatro meses a pedido da prof.ª Clarisa e dos alunos.
Ao final, nem todos os alunos conseguiram realizar as 8 entrevistas e recebemos 213 formulários; 24 precisaram ser desconsiderados por terem tido falhas na aplicação.
6.4 – PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS
Após a coleta de dados, realizamos a tabulação de dados utilizando o software Excel. Por se tratar de uma pesquisa descritiva utilizamos como critério de análise apenas a frequência das respostas em termos de cálculos percentuais, que permitem a caracterização dos dados mais relevantes para a amostra (MARCONI e LAKATOS, 2002).
Todos os questionários foram analisados e classificados em: Fase de Aquisição, Fase Adolescente, Fase Madura e Fase Última, conforme a classificação proposta por Cerveny (1997), utilizando tempo de união e idade do primeiro filho como critérios
Fase de Aquisição:
o Famílias com tempo de união de 0 a 10 anos; ou o Primeiro filho com idade semelhante (0 a 10 anos) Fase Adolescente
o Famílias com tempo de união de 11 a 20 anos; ou o Primeiro filho com idade semelhante (11 a 20 anos) Fase Madura
o Famílias com tempo de união de 21 a 35 anos; ou o Primeiro filho com idade semelhante (21 a 35 anos) Fase Última
o Famílias com tempo de união acima de 35 anos; ou o Primeiro filho com idade semelhante (acima de 35 anos)
Após a classificação, realizamos a análise de todos os questionários com intuito de caracterizar a família rondonopolitana e posteriormente a análise de cada fase do ciclo vital da família, de acordo com nossos objetivos específicos.
As variáveis analisadas foram a estrutura familiar, a dinâmica familiar e os valores familiares. Em estrutura familiar, consideramos os dados objetivos que permitiram caracterizar o grupo familiar. Os dados analisados foram: número de componentes; idade; Estado de origem do casal; tipo de moradia; religião; tipo e tempo de união; escolaridade; profissão; e nível econômico das famílias.
Em dinâmica familiar – ou modo de funcionamento da família –, buscamos compreender os ideais que permeiam as relações familiares, os papéis familiares que cada membro desempenha e como são estabelecidas as relações hierárquicas dentro da família rondonopolitana de classe média.
Quanto aos valores familiares, entendemos como “aspectos da vida individual e coletiva que são passados de forma implícita ou explícita entre os componentes do sistema, ou seja, é a ideologia implícita no sistema familiar” (CERVENY, 1997, p.141). Englobaram os segredos familiares, os tabus, mitos e crenças, rituais e cerimônias realizadas.
6.5 – CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
Nosso estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sob o protocolo número 34662714.2.0000.5482, em 09 de setembro de 2014.
Na roda de conversa com os entrevistadores, foi enfatizado os aspectos éticos da pesquisa, conforme a resolução CNS 466/12. Assim, ao aplicar os formulários, os entrevistadores foram instruídos a lerem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo II) e sanar quaisquer dúvidas dos participantes. O TCLE foi assinado em duas vias, uma para o entrevistado e outra para os alunos que foram devidamente entregues à pesquisadora. Todos os formulários analisados estavam com o TCLE assinados.