3. Komiteens merknader
3.3 Strategiske kapasiteter
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Roseli Bernardete Dahlem Pacheco1 Luciana Mello Ribeiro2
Resumo: A elaboração da Política Municipal de Educação Ambiental (PMEA) vem sendo tema abordado pelo Coletivo Educador de Foz do Iguaçu. Com este foco e ancorados nos princípios e diretrizes da EA, decidimos realizar diagnóstico da percepção ambiental dos moradores do município, no formato de pesquisa- participante. Buscou abarcar os diferentes espaços do município, para isso utilizando três diferentes instrumentos. A intenção foi estruturar a PMEA a partir da realidade vivida e percebida pelos diferentes atores sociais de Foz. Neste momento, os dados do diagnóstico estão sendo analisados, porém já nos permitiram identificar potenciais temas geradores e algumas necessidades de aprendizagem.
Palavras-chave: Cartografia social; Diagnóstico participativo; Coletivo educador.
INTRODUÇÃO
A elaboração da PMEA surge de um movimento do Coletivo Educador de Foz do Iguaçu e se operacionalizou por meio de um projeto de Extensão do IFPR, que organizou encontros de estudos preparatórios envolvendo ativamente os membros do Coletivo. Nesse processo, evidenciou-se a necessidade de elaborar um Projeto Político Pedagógico (PPP) para a EA do município e, para isso, o ponto de partida foi a realização do diagnóstico local.
No início de 2018, o Coletivo Educador considerou necessário compreender de que modo os moradores locais entendem e lidam com os problemas de sua comunidade; se, e quais, práticas cuidadoras do ambiente realizam; e, quais
1 Doutora em Geografia pela UNESP Rio Claro. Docente do Instituto Federal do Paraná (IFPR)
Campus Foz do Iguaçu. Fazendo Estágio de Pós Doutorado junto ao Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da UNILA, [email protected]
2 Doutora em Educação Brasileira. Docente da Universidade de Integração Latino-Americana
(UNILA). Orientadora do Estágio de Pós Doutorado junto ao Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da UNILA. [email protected].
soluções propõem. Para levar essa ação à frente foi elaborado um projeto de pesquisa de Percepção Socioambiental que envolveu, para sua execução, membros do Coletivo Educador e, em especial, voluntários do Observatório Educador Ambiental Moema Viezzer - OEAMV (programa de extensão da UNILA).
METODOLOGIA
Para dialogar com a comunidade foram definidas as seguintes estratégias: a) Entrevista presencial – foram ouvidos 72 moradores de 36 microbacias presentes no município, sempre dialogando com um homem e um mulher por microbacia e considerando idades variadas para garantir a diversidade de olhares. Nessas entrevistas buscou-se descobrir qual a ideia de natureza, de ambiente e de educação ambiental que cada um traz, se conhecem conflitos ou problemas ambientais no lugar onde moram e se tem alguma sugestão de como resolvê-los. Outro ponto importante dessa entrevista foi a identificação de boas práticas socioambientais na comunidade, bem com a existência de grupos locais mobilizados nessas práticas, como escoteiros, igrejas, clubes de mães, grupos esportivos e o grau de envolvimento do entrevistado com eles.
b) Questionários on-line – buscando incluir mais pessoas na pesquisa, independente do local de moradia, foi disponibilizado um questionário on line com perguntas similares às da entrevista. Para ganhar adesão de mais respondentes, o Coletivo utilizou redes sociais, jornais e o programa semanal de rádio do Coletivo Educador, junto à Rede Comunicadora Iguassu (RCI).
c) Oficinas de Cartografia Social – foram propostas seis Oficinas de Cartografia Social. Pudemos conhecer moradores dessas comunidades e saber problemas ambientais de cada lugar, identificando nos mapas onde estão acontecendo. Também descobrimos ações e projetos que as pessoas estão fazendo na comunidade, buscando fortalecer as relações entre os moradores das microbacias.
Destaca-se que para a realização das entrevistas e das Oficinas de Cartografia Social, o Coletivo Educador optou por trabalhar com o recorte espacial
das bacias hidrográficas, por ser esse um espaço territorial onde as relações causa- efeito na área ambiental se mostram de forma bastante explícita. Para isso, o primeiro desafio do Coletivo Educador foi identificar os principais cursos d’água presentes no território, conhecendo seu trajeto e suas respectivas comunidades vizinhas. Resultaram 36 microbacias. Com esse movimento de reconhecimento territorial, o Coletivo entendeu não haver possibilidades técnicas (prazo, pessoal, estrutura) para fazer encontros em cada uma dessas 36 microbacias e por isso estas foram reagrupadas em seis grandes áreas, considerando sua proximidade física e a área de deságue dos afluentes em seu rio principal.
DADOSPRELIMINARES
As informações levantadas com as entrevistas, questionários e oficinas estão sendo organizadas e analisadas. Até o momento, foi possível identificar elementos relevantes para futura proposição de trilhas e cardápios de aprendizagem, como interesses e preocupações locais e o perfil das comunidades, incluindo potenciais parceiros para a implantação da PMEA.
Em relação às comunidades, foram envolvidos 72 homens e mulheres das microbacias por meio das Entrevistas Presenciais. Foram respondidos 335 questionários online até o mês de junho de 2019. Participaram 83 pessoas nas Oficinas de Cartografia Social - 40 homens (nove jovens, 27 maiores de 30 anos e quatro idosos), 42 mulheres (sete jovens, 30 maiores de 30 anos e cinco idosas) e uma criança.
Entre os potenciais parceiros para a PMEA, além das instituições e pessoas já atuantes no Coletivo Educador, foram identificadas em diversas comunidades pessoas atuantes em projetos e atividades socioambientais, dispostas a colaborar, seja ampliando o alcance de sua atuação, seja colocando seus conhecimentos à disposição.
Quanto às preocupações das comunidades, observamos a recorrência das temáticas água, lixo e desmatamento, em todas as Oficinas, provavelmente bons temas geradores para a PMEA.
CONSIDERAÇÕESFINAIS
Dar voz aos moradores de Foz do Iguaçu foi experiência gratificante para todos os envolvidos: a comunidade pode expressar suas preocupações e contar sobre boas práticas existentes e os membros do Coletivo Educador e demais voluntários puderam aproximar-se da realidade dos moradores do município. O diagnóstico participativo comunitário é um dos principais elementos para a elaboração da PMEA. Juntamente com os documentos e orientações nacionais e internacionais de Educação Ambiental e com as práticas já realizadas e enraizadas no município, contribuirá para consolidar a Educação Ambiental em Foz, a partir da aprovação de sua política pública municipal.
REFERÊNCIAS
ACSELRAD, Henri (Org.). Cartografia Social, terra e território. Rio de Janeiro: IPPUR/UFRJ. 2013.
FERRARO, Luiz Antônio. SORRENTINO, Marcos. Coletivo Educadores. in MMA,
Encontros e Caminhos: Formação de Educadoras(es) Ambientais e Coletivos Educadores. Brasília: 2005. Disponível em
http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/encontros.pdf. Acesso em 17out2018. LEFF, Enrique (1999). Educação ambiental e desenvolvimento sustentável. In: MAZZOTTI, Tarso B. (1997). Representação social de “problema ambiental”: uma contribuição à
educação ambiental. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília: v.78, n.188/189/190, p. 86-123, jan./dez.
RIBEIRO, Luciana Mello. O papel das representações sociais na Educação Ambiental. Rio de Janeiro: PUC (dissertação), 2003.
VIEZZER, Moema L (org). Círculos de aprendizagem para a sustentabilidade:
caminhada do coletivo educador da Bacia do Paraná III e entorno do Parque Nacional do Iguaçu 2005/2007. Foz do Iguaçu: Itaipu Binacional; Ministério do Meio ambiente, 2007.