• No results found

Os problemas dos PCTs mencionados pelos autores estão relacionados com a sua implantação, desenvolvimento e consolidação. Gargione e Lourenção (2005), por exemplo, apontam que a falta e a demora na liberação de recursos para investimento, a lentidão nas decisões e a baixa qualidade na prestação dos serviços são problemas enfrentados por algumas inciativas de PCTs. As pesquisadoras Vedovello, Judice e Maculan (2006) apontam para dificuldades metodológicas relacionadas às interações entre pesquisadores e empresários, à falta de uma forma global de avaliar o desempenho de parques e aos governantes que não sabem aferir com uma certeza relativa, se um parque está desempenhando bem as suas funções.

A pesquisa proposta nesta dissertação sugere processos para identificar e avaliar os FCS de PCTs, como forma de mitigar os problemas acima mencionados. Os fatores competitivos de PCTs serviram como a base para a identificação dos FCS. Elaborou-se uma categorização dos fatores competitivos, assim como itens para cada um deles e uma relação dos autores consultados. Essa categorização foi obtida por meio do método científico de análise categorial, do tipo temática (BARDIN, 2006). De acordo com Bardin (2006), a análise categorial funciona por operações de desmembramento do texto em categorias, de acordo com um reagrupamento de indicadores textuais por meio do

julgamento de um avaliador; e o tipo temático foi utilizado, pois as categorias foram obtidas com base em temas que emergiram do texto.

Alguns autores consultados mencionam as categorias dos fatores competitivos e seus elementos. Outros autores somente mencionam esses elementos, sem uma categorização e outros mencionam as categorias com uma breve explicação. Nesta dissertação, foram reunidos os itens representativos de cada categoria de tais fatores por meio do método de análise categorial. Os elementos repetidos foram mencionados somente uma vez. Essa categorização está representada no Quadro 7.

Quadro 7 – Categorização dos Fatores Competitivos de PCTs

CATEGORIAS FATORES COMPETITIVOS REFERÊNCIAS

Infraestrutura

(1) Infraestrutura que permita fácil acesso, que seja atrativa e sustentável. (VEDOVELLO, 2000; BEIRÃO et al.; 2001; GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; BIGLIARDI et al.; 2006; DA POIAN, 2008; MANELLA, 2009; ZAMMAR, 2010)

(2) Infraestrutura tecnológica favorável à difusão do conhecimento e que seja compartilhada com a universidade e institutos de pesquisa.

(3) Infraestrutura que forneça uma rede de serviços auxiliares, como: restaurante, posto médico, bancos, farmácia, etc. e que proporcione qualidade de vidas para as pessoas.

Ambiente de inovação e empreendedorismo

(1) Presença de empresas incubadas dentro do parque. (VEDOVELLO, 2000; GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; KHARABSHEH, 2012)

(2) Espírito de cultura de risco e empreendedorismo que produza inovação e propriedade intelectual. (3) Espírito de dinamismo focado em mudanças de cunho tecnológico e comportamental.

Gestão e governança do

parque

(1) Gerir o parque como um negócio com foco voltado para as necessidades das empresas e controlando situações inesperadas.

(GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; BIGLIARDI et al.; 2006; DA POIAN, 2008; MAGALHÃES, 2009; ZAMMAR, 2010; KHARABSHEH, 2012)

(2) Ter um conselho de gestores experientes para definir o planejamento e a estratégia do parque ao longo prazo e que tenha agilidade, independência, dinamicidade, criatividade, autonomia e rapidez nos processos de tomada de decisão.

(3) Integrar o parque nos planos de desenvolvimento da região e com o meio ambiente.

(4) Gestão com processos administrativos padronizados.

(5) Ter um modelo de gestão com destaque para a responsabilidade social do empreendimento.

CATEGORIAS FATORES COMPETITIVOS REFERÊNCIAS

Fatores econômicos e

financeiros

(1) Captação de recursos financeiros via agências de fomento em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação. (VEDOVELLO, 2000; GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; DA POIAN, 2008 MANELLA, 2009) (2) Disponibilização de recursos financeiros por

parte do setor privado por meio de venture capital,

angel capital e capital seeds.

(3) Modelo de viabilidade econômica e financeira compatível com os riscos assumidos pelo empreendedor do parque ao gerar recursos para reinvestimento no parque.

Serviços técnicos especializados

(1) Disponibilidade de mão de obra, especializada ou não, em longo prazo.

(VEDOVELLO, 2000; GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; BIGLIARDI et al.; 2006; DA POIAN, 2008; MANELLA, 2009; MAGALHÃES, 2009; ZAMMAR, 2010; KHARABSHEH, 2012;)

(2) Presença de programas de treinamento e desenvolvimento professional.

(3) Oferta de recursos humanos e empregos qualificados.

(4) Apresentar núcleos especializados em serviços de tecnologia e inovação.

(5) Apresentar consultorias em planejamento estratégico, planos de negócios, gestão empresarial em marketing, vendas, finanças e administração de recursos humanos.

Interação Universidade- Empresa-Governo

(1) Presença de universidades e institutos de pesquisa que desenvolvam pesquisas de relevância empresarial. (VEDOVELLO, 2000; BEIRÃO et al.; 2001; GARGIONE, LOURENÇÃO; PLONSKI, 2006; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; BIGLIARDI et al.; 2006; DA POIAN, 2008; MAGALHÃES, 2009; KHARABSHEH, 2012)

(2) Acesso das empresas à base de conhecimento da universidade para desenvolver pesquisas e projetos em conjunto e promover a captação de conhecimento acadêmico para as empresas.

(3) Acesso das empresas aos pesquisadores, professores e à mão de obra proveniente da universidade e das instituições de ensino e pesquisa; (4) Laboratórios e equipamentos da universidade compartilhados com a empresa de forma a evitar investimentos duplicados por parte das empresas ou facilitar a acesso para as empresas.

(5) Promover e formar redes de cooperação entre empresas e empresas-universidade para pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica.

Mercadológicos

(1) Oportunidades de negócio. (MANELLA, 2009; MAGALHÃES, 2009; ZAMMAR, 2010;)

(2) Conhecimento sobre o mercado, os concorrentes e o ambiente local;

(3) Presença de mercado consumidor local de fácil acesso;

Aspectos comportamentais e

pessoais

(1) Ser um ator global com raízes locais (BEIRÃO et al.; 2001; DA POIAN, 2008;

MAGALHÃES, 2009; MANELLA, 2009)

(2) Valores culturais, linguísticos e de colonização como crenças, percepções, opiniões e atitudes. (3) Comprometimento com as pessoas e com o meio ambiente.

Fonte: Baseado em Vedovello (2000); Beirão et al. (2001); Gargione, Lourenção e Plonski (2006); Vedovello, Judice e Maculan (2006); Bigliardi et al. (2006); Da Poian (2008); Manella (2009); Magalhães (2009); Zammar (2010) e Kharabsheh (2012).

Uma vez reunidos os fatores competitivos de PCTs, este estudo menciona as contribuições teóricas do contexto de competitividade organizacional que serviu de base para a identificação dos FCS.