A avaliação das aprendizagens sempre foi considerada como uma das principais ferramentas exigidas às instituições, pela sociedade. Como disse Zabalza (1995, citado por Ferreira, 2007) “a primeira coisa a salientar é que a escola é o mundo da avaliação” (p. 12). Para Ferreira (2007), a mesma surge, apenas em parte, como uma propriedade da escola, pois pertence ainda à socidade, à política e ao poder.
Ferreira (2007) profere que a sociedade considera, de um modo geral, que a avaliação está relacionada com a aprendizagem, sendo intrínseca à mesma. Esta conceção é, segundo Crahay (1999, citado por Ferreira (2007) justificada pela frequente presença de avaliações nas escolas e pela importância dada à mesma na educação e
formação das crianças. É notório que estas estão em constante avaliação, quer pelas suas atitudes na sala, quer pelo seu desempenho nos trabalhos realizados dentro e fora desta. Ferreira (2007) refere, também, que a avaliação é elaborada pela sociedade podendo ser encontrada em documentos oficiais, nomeadamente nos conteúdos programáticos, nos normativos da avaliação, nos objetivos anuais e nas competências a adquirir em cada grau de escolaridade.
Durante algum tempo, a avaliação das aprendizagens esteve, apenas, ligada a pressupostos de objetividade, rigor e com o foco nos resultados da aprendizagem a curto prazo, algo fácil de quantificar, de atribuir uma classificação. Os docentes realizavam fichas de avaliação para avaliar o desempenho dos alunos, atribuíam uma cotação às perguntas, e, consoante as respostas destes, alcançavam uma determinada classificação (Ferreira, 2007). Esta avaliação era descontextualizada e, muitas vezes, servia para punir aqueles que não conseguiam transmitir as suas aprendizens no papel, acabando por excluí-los e formar grupos de elite (Ferreira, 2007).
A partir do século XX, precisamente nos anos 60, surge uma nova abordagem da avaliação, em termos teóricos, seguindo um paradigma qualitativo. Segundo Ferreira (2007), esta assenta nos desígnios da intersubjetividade e da compreensão, sendo o seu foco o processo, os resultados a longo prazo, as conjunturas individuais e concretas. Este aponta que avaliação das aprendizagens, constitui um parte integrante do currículo no processo de ensino-aprendizagem.
Zabalza (1992, nomeado por Ferreira 2007) partilha da mesma visão de que a avaliação é um processo intregado e sistémico da aprendizagem, afirmando que o seu papel é facultar informação acerca da forma como está operando cada componente desse sistema e o agrupado de todos estes como um todo. O autor declara ainda que esta advém de uma psicologia construtivista e socioconstrutivista, assumindo um papel de regulação do ensino e da aprendizagem com vista à qualidade do mesmo.
Assim, na sociedade moderna e no ensino atual, a avaliação das aprendizagens assume outros papéis e importância, designadamente a função pedagógica, social, de controlo e crítica (Ferreira, 2007). No que concerne à função pedagógica, podemos referir que a avaliação das aprendizagens acaba por hierarquizar os alunos em função das suas competências e dos seus méritos. Apresenta imparcialidade, pois recompensa o empenho na aquisição de melhores resultados e maior conhecimento. Em termos
pessoais, é uma ferramenta profícua para os docentes e alunos, na medida em que os primeiros são capazes de observar a evolução e as suas dificuldades dos últimos, do modo a auxilia-los. A função social diz respeito à certificação que a escola deve ter em relação às aprendizagens dos alunos e a sua evolução académica e pessoal. A função de controlo é realizada pelo professor e serve para controlar a sua turma e manter o respeito e a ordem para que haja um bom ambiente de trabalho entre ambos. Já a função crítica baseia-se na observação dos processos de avaliação e de evolução do currículo com o intuito do seu aperfeiçoamento, através da autoavaliação. Desempenha, assim, um papel de orientação da avaliação dos programas, tentando adequá-lo às necessidades individuais de cada criança com vista ao seu progresso. Através destes fatores, na avaliação dos alunos, há a criação de um ambiente estimulante à crítica construtiva, onde o docente poderá tomar medidas para melhorar a produtividade e a aprendizagem dos educandos.
Importa referir que a avaliação das aprendizagens é um processo crucial no crescimento e na formação do pensamento e da consciência dos alunos nas aulas. Através da avaliação, os professores terão uma melhor consciência sobre as individualidades de cada estudante, assim como, quais as estratégias a adotar para melhorar a aprendizagem deste, em termos quantitativos e qualitativos. Não é apenas importante melhorar a seu desempenho qualitativo, mas aperfeiçoar as suas capacidades.
A avaliação que, atualmente, é muito enfatizada, devido às suas vantagens, é a avaliação formativa. A avaliação formativa foi um conceito que apareceu a partir de 1967, quando Scriven (1967, citado por Ferreira, 2007), divulgou o artigo The
methodology of evaluation. Este surgiu numa época de reforma da educação e do
currículo nos Estados Unidos da América, resultante dos confrontos com a Ex-União Soviética, na sequência do lançamento do primeiro satélite artificial. Este acontecimento fez despoletar uma série de questões nos Estados Unidos da América e em todo o mundo acerca do ensino e do tipo de formação necessária para os docentes e crianças. Este tipo de avaliação enquadra-se nos desígnios construtivistas, uma vez que assenta num pressuposto de que a avaliação tem a função de averiguação do cumprimento dos objetivos preestabelecidos e de progresso das competências do aluno em todas vertentes (Ferreira, 2007). Tem como intuito a observação e a recolha de informação da evolução dos alunos, durante a sua aprendizagem.
A avaliação formativa deve ter em atenção uma situação que já foi explorada anteriormente e que todas as escolas e os docentes precisam ter em consideração durante a sua prática. Atualmente, o acesso à informação e ao conhecimento é acessível a todos, daí que este seja um fator a ter em conta acerca das individualidades dos alunos. Estes provêm de meios e famílias distintos, com vivências também desiguais, que faz com não tenham acesso ao mesmo tipo nem quantidade de conhecimento. Estas condicionantes devem ser tidas em consideração no desempenho docente, visto exigirem uma diferenciação pedagógica e diversificação de estratégias. Deste modo, é visível uma discrepância entre a avaliação sumativa, que se baseia nos resultados (produto) em determinadas situações e a avaliação formativa, executada em variados momentos consoante a evolução e cuja maior importância incide sobre o processo (Ferreira, 2007). No entanto, não podemos descurar a importância da avaliação sumativa que permite avaliar as aprendizagens adquiridas, no final de um conteúdo.
A observação de que cada aluno é diferente terá, repercussão na escolha das estratégias a adotar pelo docente. Este precisa entender e adequar as suas estratégias e cada aluno e ao tipo de avaliação que irá optar, de preferência diária e do tipo formativa (contínua e cujo foco é o processo e a evolução). Para que a avaliação formativa possa ser desenvolvida na sua plenitude e com sucesso é muito importante que haja comunicação entre os intervenientes. O docente deve promover sessões de partilha de informação e de avaliação em conjunto com os alunos. Deve ser-lhes dada a oportunidade de darem a sua opinião e de serem ouvidos acerca do que conhecem e pensam sobre o tipo de avaliação e a forma como a sua formação está a decorrer. Isto é fundamental para que conheçam os critérios pelos quais serão avaliados e entendam melhor as suas dificuldades, podendo melhorar nesses aspetos (Ferreira, 2007).
Na avaliação formativa a opinião dos alunos é valorizada e a sua implementação, segundo Allal (1986, aludido por Ferreira, 2007) abarca três fases, especificamente: a coleta de dados sobre os processos e as limitações na aprendizagem vividas pelos estudantes, a interpretação destes segundo alguns critérios e o ajuste das estratégias de ensino-aprendizagem consoante esta decifração. Por outras palavras, o docente necessita, primeiramente, realizar um levantamento das dificuldades sentidas pelos alunos, encontrar estratégias que vão ao encontro da resolução desses problemas e, numa fase final, avaliar se a estratégias utilizadas foram as mais corretas e se
produziram os efeitos desejados ou se é necessário reformulá-las. Este é um processo contínuo e em constante transformação consoante as dificuldades de cada dia.
Ferreira (2007) destaca a observação alargada e sistemática na sala de aula, as fichas de avaliação individual, os trabalhos de grupo, as atividades realizadas em conjunto, os trabalhos de casa, entre outras, como estratégias de avaliação formativa.
Os docentes precisam escolher as estratégias, mas por vezes, a solução poderá passar por utilizar várias. Para ultrapassar os problemas decorrentes destas estratégias e colmatar as dificuldades de aprendizagem dos alunos, os professores podem recorrer à estratégia behaviorista, promovendo atividades de interajuda com partilha de opiniões e saberes e de manipulação de objetos. Outra estratégia a adotar poderá ser a baseada na utilização de opções metodológicas dirigidas a cada criança e adequadas às suas características e especificidades, designadamente de perspetiva cognitivista (Ferreira, 2007). O autor salienta, novamente, que o professor não se deve restringir apenas a uma das estratégias mencionadas. Caso ache necessário e benéfico para aprendizagem dos seus alunos combinar as duas, poderá e deverá fazê-lo.
A avaliação formativa está presente nas escolas e é um assunto debatido entre os professores. A sua principal finalidade é recolher informação diária e constante/contínua que lhes permita terem uma noção do nível de compreensão dos alunos em relações aos conteúdos lecionados e avaliá-los de forma correta e global. Existem diversos planos de ação que os mesmos poderão utilizar e, à partida, nenhum é infalível, dependendo muito da situação em que é usada. A perceção do grau de eficácia e de sucesso de uma estratégia, consoante a turma (e individualidades dos alunos), deve ser realizada constantemente pelo docente. Assim, o derradeiro objetivo da avaliação formativa é melhorar as aprendizagens dos alunos e tornar a sua avaliação o mais significativa possível.