Principais áreas de actividade económica do bairro
Castelo, lojas artesanato, restauração, turismo, pequeno comércio – drogarias e mercearias mas que estão a desaparecer. Lojas de artesanato urbano, renovação do comércio tradicional. Está-se a assistir a uma substituição progressiva.
Principais áreas de actividade a nível cultural/criativo
Castelo, Chapitô, arco, teatro garagem, Santiago alquimista, ateliers, agrupamento escolas castelo. Temos um protocolo com o ARCO.
Existe uma identidade própria do bairro?
Ainda há na altura das marchas mas que é algo postiço por ter a ver com o antigo regime. De qualquer maneira o espírito nessas alturas vem ao de cima. Mas isso só não chega. É muito importante investir nas actividades culturais e nas instituições que envolvem a população. A mudança do bairro também vem tirar o seu sentido mais popular. Corre-se o risco de fazer condomínios privados e isolar as pessoas e serviços.
Esta zona pode ser considerada um bairro cultural?
Dentro dos bairros históricos talvez seja o mais cultural pelas instituições que tem: sendo o Príncipe Real e bairro alto mais de lazer.
Quais as vantagens em desenvolver actividade neste bairro
Interessou-nos o facto de estarmos num bairro histórico que precisa deste tipo de instituições para ser dinamizado. Este era um antigo teatro de bairro e isso tem a ver com a nossa postura: de intervir no bairro, na comunidade.
Principais dificuldades/problemas existentes no bairro e que sejam prejudiciais às actividades aí existentes
Estacionamento. Acesso: não existem transportes nesta parte da rua. O eléctrico 12 que passa perto acaba às 20h30. As pessoas encontram-se isoladas. Os mais novos não circulam tanto e os mais velhos também têm receio de andar na rua. Degradação do edificado e ruas. Toda a entrada do Castelo é degradante. Má sinalização. Falta de limpeza e de Segurança.
Intervenção Pública em relação às actividades criativas e ao bairro em geral
A CML está a fazer o processo de revitalização da Mouraria que será importante para o Castelo. O trabalho das Juntas é visível a nível social mas peca por falta de intervenção no bairro. A EMEL trabalha mal, é inflexível.
Factores importantes para um desenvolvimento sustentável das actividades criativas no bairro
É urgente resolver as questões de estacionamento para que se possam fixar pessoas aqui e actividades. Reabilitação. Queremos ter uma placa no Largo Rodrigo de Freitas. Os bairros históricos carecem de informação. O bairro ficará valorizado pela população que conseguir cativar! Melhorar a segurança com a introdução de rondas de polícia a pé. Reabilitar o piso. Investir nos transportes, nos horários e repensar os projectos de acessos como
elevadores, escadas rolantes.
A morfologia do espaço condiciona o tipo de actividade que se desenvolve no bairro?
Sim. Nisso há que referir o papel da CML que
disponibiliza às escolas transporte para vierem aos bairros históricos. Mas muito mais do que a morfologia a falta de acessos é que condiciona a existência ou não de mais actividades. É um desafio também. É a morfologia que torna atraente este espaço!
LXXIV
53Teresa Ricou, Presidente do Chapitô – Chapitô, Castelo
O Chapitô instalou-se neste sítio há 31 anos – que era o Tribunal titular de menores, através de um convite do Ministério da Justiça com quem comecei a trabalhar através do Instituto de Reinserção social. Somos uma organização não- governamental, de utilidade públicaTemos apoios de algumas instituições como Ministério da Justiça (que nos cede o espaço onde estamos), do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura, Segurança Social, da CML, da Fundação Calouste Gulbenkian e de outras fundações. Fazemos acção social e cultural. Trabalhamos no âmbito da economia social. Praticamos a polivalência de espaços e exploramos um restaurante, um bar e uma loja (de objectos reciclados feitos por alunos e outros artistas), com fins lucrativos para financiar a nossa actividade de educação pela arte.
Principais traços descritivos do bairro
Há 31 anos e hoje ainda é um bairro maltratado pelas autoridades. Falta sinalética, iluminação, cuidar dos passeios e arruamentos. Estamos numa zona histórica, num bairro que é um ex-libris da cidade e quer a população local quer os turistas merecem que se tarte melhor este espaço.
Mudanças no bairro para melhor e pior nos últimos 5-10 anos
Há 31 anos este era um bairro desconhecido. Hoje é conhecido mas não lhe é reconhecido o devido valor. Há menos assaltos do que havia há una anos atrás mas
continua a faltar policiamento. A EMEL fechou o bairro ao trânsito o que é uma boa medida mas que foi mal
implementada pois não contempla os cidadãos que aqui vivem. Houve uma aposta também na reabilitação dos edifícios mas mesmo assim insuficiente na imagem global do bairro.
Quando o Chapitô vem para o bairro vem trazer uma nova dinâmica durante o dia, de formação/educação mas também de animação nocturna. Com esta actividade desapareceu um pouco a pequena criminalidade. O ruído da insegurança foi substituído pelo ruído cultural. O Chapitô trouxe uma transumância de públicos: idosos, freaks, classe média/alta que vive no castelo, alunos de outras proveniências, turistas, etc). Tornou-se um contraponto interessante: um espaço contemporâneo por contraposição ao Castelo, um espaço milenar. Neste bairro temos a característica de proporcionar inserção social através da educação/inclusão pela arte Praticamos uma cidadania activa e somos um espaço aberto a público, que tem a possibilidade de perceber como funcionamos, a nossa especificidade.
Porque é que tem actividade neste bairro?
O Ministério da Justiça disponibilizou-nos um local para realizarmos o trabalho de reinserção de jovens presidiários e escolhi este sítio pela sua beleza.
Principais áreas de actividade económica do bairro
Espaços de hotelaria em contraposição: Pensão Ninho das águias vs Palácio Belmonte. Uma mistura entre coisas mais populares e coisas mais sofisticadas. Temos restauração,