Muitas são as definições possíveis e apresentadas, mas há um consenso mínimo em torno da ideia de que EaD é a modalidade de edu- cação em que as atividades de ensino-aprendizagem são desenvolvidas majoritariamente (e em bom número de casos exclusivamente) sem que alunos e professores estejam presentes simultaneamente no mesmo lugar (ABRAEAD, 2006).
De acordo com Moore e Kearsley (1996, p. 2) a EAD pode ser entendida como:
o aprendizado planejado que normalmente ocorre em diferentes locais através do ensino e os resul- tados provém de técnicas especiais no design do curso, técnicas instrucionais especiais, métodos especiais de comunicação através da eletrônica, bem como uma organização especial e arranjos administrativos.
A aprendizagem aberta também representa uma abordagem mais centrada no estudante, permitindo maior flexibilidade e opção de conteúdo como também de organização do programa e aprendizagem (UNESCO, 1997).
Destaca-se o conceito de EaD norteador dessa pesquisa, que de- fine que a educação a distância se define como: educação formal, basea- da em uma instituição na qual o grupo de aprendizagem se separa e na qual se utilizam sistemas de telecomunicações interativos para conectar estudantes, recursos e instrutores (SIMONSON, 2006).
Essa definição tem quatro componentes principais, de acordo com Simonson, (2006). O primeiro, o conceito de que a educação a
distância se baseia em uma instituição. Essa característica diferencia a educação a distância do auto-estudo. Ainda que a instituição à qual se faz referência nessa definição poderia ser uma escola ou um colégio educativo tradicional, cada vez surgem mais instituições não- tradicionais que oferecem educação aos estudantes a distância. Muitos educadores e formadores estão advogando pelo credenciamento de insti- tuições que oferecem educação a distância para adicionar credibilidade, melhorar a qualidade e eliminar as fábricas de diplomas.
O segundo componente da definição de educação a distância é o conceito de separação entre professor e estudante. Em geral, se pensa na separação em termos geográficos: os professores estão em um lugar e os estudantes em outro. A definição também implica a separação de profes- sores e estudantes no tempo. A educação a distância assíncrona faz refe- rência à instrução que é oferecida e os estudantes a acessam em mo- mentos diferentes ou em qualquer momento que lhes seja cômodo. Fi- nalmente, cabe destacar a importância da separação intelectual entre os professores e os estudantes. Obviamente, os professores compreendem os conceitos apresentados em um curso que os estudantes não possuem. Neste caso, a redução da separação é um objetivo do sistema de educa- ção a distância (SIMONSON, 2006).
Em seguida, tem-se as telecomunicações interativas que repre- sentam o terceiro componente da definição de educação a distância. A interação pode ser síncrona ou assíncrona, ou seja, pode produzir-se ao mesmo tempo ou em tempos diferentes. A interação é crítica, mas não às custas do conteúdo. Dito de outra maneira, é importante que os estudan- tes possam interagir entre eles, com os recursos didáticos e com seu professor. A interação, no entanto, não teria que ser a característica pri- mária da instrução, ainda que deveria estar disponível de maneira habi- tual e relevante. As telecomunicações se definem como “comunicante a distância”. Essa definição inclui a comunicação com o sistema postal como no estudo por correspondência e outros métodos não eletrônicos para a comunicação. Obviamente, à medida que os sistemas de teleco- municações eletrônicos melhorem e estejam cada vez mais generaliza- dos, é provável que passem a ser pilares dos sistemas modernos de edu- cação a distância. No entanto, os sistemas de telecomunicação mais antigos e menos sofisticados continuarão sendo importantes (SIMON- SON, 2006).
Finalmente está o conceito de conectar os estudantes, recursos e instrutores. Esse ponto faz referência que há instrutores que interagem com os estudantes e que há recursos disponíveis que permitem que haja aprendizagem. Os recursos deveriam estar sujeitos aos procedimentos
de desenho didático que os organizem em experiências de aprendiza- gem, as quais incluem os recursos que se pode observar, ouvir, falar e aprender (SIMONSON, 2006). Esses componentes podem ser visuali- zadas na ilustração 5. Baseada em uma instituição Telecomunicações interativas Separação entre professor e aluno Se compartilham dados, voz e vídeo
(experiências de aprendizagem)
Ilustração 5: Componentes principais da Educação a distância Fonte: Simonson (2006)
Rumble (2003) oferece a seguinte definição da educação a dis- tância, processo de educação em que é necessário que haja: um profes- sor, um ou mais estudantes; um cursou ou currículo que o professor seja capaz de ensinar e o estudante esteja tentado a aprender; e um contrato, implícito ou explícito, entre o estudante e o professor ou a instituição que contratou o professor que reconhece os papéis respectivos de ensi- no-aprendizagem.
Simonson (2006) destaca o estudo de Keegan que identificou cinco elementos principais das definições de EaD, que utilizou para formar uma definição integral da educação a distancia:
a) a separação quase permanente de professor e aluno durante toda a duração do processo de aprendizagem (essa característica a distingue da educação presencial convencional);
b) a influência de uma organização educativa no planejamen- to e preparação de materiais de aprendizagem e na oferta de serviços de apoio ao estudante (isso o distingue dos programas de ensino particular e autodidatas);
c) o uso de meios técnicos (material impresso, áudio, vídeo ou material informático) para unir professor e aluno e fazer chegar o conteúdo do curso;
d) a provisão de comunicação bidirecional para que o estu- dante possa beneficiar ou inclusive iniciar o diálogo (isto o dis- tingue de outros usos da tecnologia na educação); e
e) a ausência quase permanente do grupo de aprendizagem durante a duração do processo de aprendizagem de maneira que os estudantes sejam normalmente ensinados de modo individual e não em grupos, com a possibilidade de fazer reuniões ocasio- nais com objetivos didáticos e de socialização.
Após a exposição dos conceitos, faz-se necessário analisar as vantagens dessa modalidade.
Dentre os benefícios decorrentes da modalidade a distância, po- de-se citar os oferecidos aos empregadores, os quais oferecem alta qua- lidade de ensino e, muitas vezes também, a promoção profissional ao menor custo possível, no próprio local de trabalho. Permite ainda o aper- feiçoamento de habilidades, o aumento da produtividade e a promoção de uma nova cultura de aprendizagem, além de significar, para o empre- gador, uma divisão de custo, de tempo de treinamento e mobilidade maior do treinamento (UNESCO, 1997).
Em complemento às vantagens para as empresas, Rumble (2003) afirma que estas podem economizar com a adoção de parcerias na modalidade a distância, porque os custos de formação, como o tempo do funcionário, são transferidos da empresa ao empregado, como por exemplo o fato de que os funcionários podem estudar sem a necessidade de se afastar do trabalho.
Para os governos, o potencial da EaD reside no aumento da ca- pacidade dos sistemas de educação e treinamento, na possibilidade de alcançar grupos-alvo com acesso limitado à educação e ao treinamento convencional, na possibilidade de apoiar e melhorar a qualidade e rele- vância de estruturas educacionais existentes, na possibilidade de obter maior eficiência financeira na educação e no treinamento e de promover inovações e oportunidades de aprendizagem permanente (UNESCO, 1997).
Também há as vantagens para o estudante, que passa a ter um acesso mais fácil e uma maior flexibilidade na educação, bem como a
possibilidade de conciliar trabalho e educação. Pode significar ainda, um enfoque mais centrado no aprendizado, no seu aprimoramento, na maior qualidade e em novas maneiras de interação (UNESCO, 1997).
Outra vantagem apresentada pela modalidade a distância diz respeito ao seu alcance, mais democratizado, pois pelo fato de serem mais flexíveis e mais individualizados à diversidade da demanda, ofere- cem oportunidade de continuação de estudo aos alunos situados em regiões distantes dos centros de ensino ou portadores de necessidades especiais, temporárias ou permanentes, e também aos adultos (RUM- BLE, 2003).
A aprendizagem aberta e a distância cumpre a função de com- partilhamento de custos porque pode estar correlacionada com o traba- lho e aumentar a produtividade e, até certo ponto, possibilita o aprovei- tamento do tempo disponível fora do horário de trabalho ou, em alguns casos, parte do horário de expediente que, de outra forma, teria pouco valor produtivo. Por fim, é relevante tanto para a sociedade como para as empresas considerarem as possibilidades de aproveitar a infra- estrutura tecnológica já disponível ou prevista para a aprendizagem aberta e à distância. Esta atitude pode gerar valor agregado pelo múltiplo uso de organizações e da infra-estrutura existentes (UNESCO, 1997).
Embora tenha vantagens, a EaD apresenta também algumas desvantagens como: pouca interatividade entre professores e alunos, a retro alimentação pode ser muito lenta, é mais difícil a retificação de erros nos materiais, avaliações, há mais abandonos que no ensino pre- sencial, entre outros. (RODRIGUEZ; CARO, 2002).
Após esta exposição das vantagens e desvantagens em EAD, procurou-se analisar as características dessa modalidade.