A história escrita do Brasil leva a entender que os primeiros professores de música que entraram no país, foram os Jesuítas que desembarcaram com o primeiro Governador Geral, Tomé de Souza, em 1549 e que este aprendizado estava voltado a servir os interesses da Igreja e da Coroa de Portugal.
O professor Alvares (2010), ph.D em ensino musical, destacou em seu artigo, “500 anos de educação musical no Brasil”, os caminhos deste aprendizado. Seguem algumas curiosidades extraídas deste documento.
De acordo com Neves (apud ALVARES, 2010) as colonizações portuguesa e espanhola, ao oposto da americana puritana, deram ênfase ao processo de exploração das atividades artísticas e culturais. Ramos (apud ALVARES, 2010) confirma a participação do negro no Brasil exibindo talento na pintura, dança, folclore, religião, arte, e especialmente na música. A interação racial e cultural do branco, negro e índio foi intensa, e propiciou um processo de aculturação musical que contribuiu na formação de uma imensa variedade de estilos musicais, constituindo uma fonte riquíssima para o estudo da educação musical.
De 1552 a 1555, alguns acontecimentos marcaram o século XVI, como a chegada do Mestre de Capela Francisco, a formação da primeira escola da Companhia de Jesus, a realização da primeira peça musical brasileira, e a fundação do primeiro teatro no Rio de Janeiro.
Foi em 1808 com a chegada de Dom João VI e sua corte, que se iniciou uma época de prosperidade e desenvolvimento artístico e cultural, culminando na primeira lei oficial que criou um curso de música em 1818.
estabelecendo o conteúdo do ensino musical nas escolas primárias e secundárias (MELLO apud ALVARES, 2010)
Durante o período colonial, a música e as outras artes alcançaram notável esplendor, porém a educação musical estagnou durante o Império. No começo do século XX, a necessidade de formalizar e sistematizar o ensino e a aprendizagem musical partiu como conseqüência de tendências sistemáticas em outras áreas.
Seguindo a Primeira Guerra Mundial, o Brasil começou o processo de industrialização, e as artes tomaram novas direções, como conseqüência do desenvolvimento tecnológico. Anísio Teixeira, em 1932, fundou a Superintendência de Educação Musical e Artística – SEMA - com o objetivo de aprimorar a educação musical nas escolas primárias e secundárias, e convidou Villa-Lobos para o cargo de Diretor do SEMA.
Villa-Lobos sabia que o objetivo de sua posição era desenvolver a educação artística da criança. Sua proposta incluía o início precoce e a inclusão não só dos compositores clássicos, mais também a pesquisa e estudo do material folclórico brasileiro. Suas idéias tiveram grande aceitação no Brasil e repercussão internacional em países da América do Sul (VILLA-LOBOS apud ALVARES, 2010).
Em meados da década de trinta, o educador Antônio Sá Pereira propunha uma educação musical servida de atividades espontâneas, envolvendo atividades de grupo, dança e conjunto de percussão, a fim de propiciar amplas oportunidades para vivência e experiência do fenômeno musical e das relações entre sons e sonoridades.
Assim como Villa-Lobos e Antônio de Sá, muitos outros nomes deixaram suas marcas na história da educação musical no Brasil. Entre aquelas deixadas por alguns filósofos e educadores, destacam-se a associação entre o aprendizado musical com uma iniciação musical lúdica, mostrar que a música deve aproximar a escola da realidade social, que a música serve de base para a organização das emoções humanas, promovendo o fortalecimento dos laços entre escola e a família. Dos grandes influenciadores modernos, o psicólogo Gardner mostra que a música é uma das 7 faces da inteligência humana. Em seu conceito de múltipla inteligência ele destaca as seguintes dimensões: lingüística, lógico-matemática, intrapessoal, interpessoal, espacial, musical, e físico-atlética.
A história da educação musical no mundo e no Brasil revela um padrão cíclico de desenvolvimento, onde bons tempos se revezam com tempos difíceis, e mostra que o declínio no desenvolvimento artístico e
cultural são geralmente seguidos por reformas educacionais.
A recente aprovação do projeto de lei 2732/2008, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), vem de encontro a este momento de reforma destacado por Alvares (2010). A LDBEN instituída em 1996, indicava a obrigatoriedade do ensino de artes nas escolas. No entanto, isto dava margens à várias interpretações, uma vez que a arte não se limita à música. Diante desta situação, as escolas foram distanciando a música de seu seus currículos obrigatórios, ocasionando assim uma perda musical considerável para o indivíduo e a sociedade. Com a reforma da lei, cujo projeto já foi aprovado, a música passa a ser conteúdo obrigatório do currículo escolar, o que certamente refletirá em toda a sociedade.
“Estudos e pesquisas mostram que a aprendizagem musical contribui para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor, emocional e afetivo e, principalmente, para a construção de valores pessoais e sociais de crianças, jovens e adultos. A educação musical escolar não visa a formação do músico profissional, mas o acesso à compreensão da diversidade de práticas e de manifestações musicais da nossa cultura bem como de culturas mais distantes” (QUERO EDUCAÇÃO MUSICAL NAS ESCOLAS, 2010).
As recentes movimentações da sociedade, em busca de uma maior e melhor educação musical nas escolas, têm refletido de forma positiva para as escolas particulares de música. Não existem ameaças consideráveis para estas organizações, ao contrário, é de extrema importância para o negócio das escolas de música que alunos e pais aprendam no ensino fundamental os benefícios deste estudo para o ser humano.
As constantes discussões sobre a importância desta arte, para a formação do indivíduo, tem provocado nas pessoas a procura por sanar esta carência de ensino musical. Outro aspecto a ser considerado relativo à esta lei, é que a escola fundamental proporcionará ao aluno a iniciação ao universo da música. Entretanto, é o indivíduo que optará por aquilo que lhe despertará maior interesse, permitindo assim, a procura por escolas especializadas que aprimorem o seu aprendizado.
3 METODOLOGIA
A metodologia de uma pesquisa, segundo Roesch (1999) tem como fim orientar o pesquisador por meio da apresentação de diversos caminhos para uma exploração e análise dos dados mais completa. O presente trabalho teve como objetivo a elaboração de um planejamento estratégico, para uma empresa prestadora de serviços na área da educação musical. O presente capítulo descreverá como o projeto foi realizado.