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O trabalho desenvolvido com os adolescentes que participam do Programa PROJO- VEM, foi realizado junto ao CRAS II, situado no Parque Lívia, no município de Erechim/RS. O CRAS é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) (BRASIL, 2009). Desenvolve ações complementares da Bolsa Família e estabelece as devidas interfaces com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e com progra- mas de inclusão produtiva, geração de trabalho e renda, dentre outros, por meio de políticas de capacitação e qualificação que respeitem as capacidades locais e recuperem a auto-estima. (BRASIL, 2007).

O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Adolescentes e Jovens (Projovem). No CRAS do Parque Lívia, participam do Projovem nove adolescentes com faixa etária entre 15 e 17 anos em situação de risco pessoal e social, encaminhados pelos serviços de Proteção Social Especial ou pelos órgãos do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. Estes adolescentes identificam seu Coletivo pelo nome “Espaço PF (Para o Futu- ro)” e participam de atividades que totalizam uma carga horária de 12h30min semanais.

Estas atividades desenvolvidas durante o projeto de intervenção fazem parte de um Cur- so, que tem dois anos de duração e carga horária de 1200 horas. O trabalho realizado aconteceu na forma de oficinas pedagógicas semanais, com duração de 2h cada uma, organizadas a partir dos três momentos pedagógicos, propostos por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O trabalho desenvolvido com o grupo do Projovem atendido pelo CRAS II ocorreu no período de março a julho de 2014, apresentando como temática central alimentação saudável x saúde ambiental.

Durante as reuniões entre a Coordenação do CRAS II, equipe pedagógica e estudantes voluntárias do Curso de Ciências Biológicas da URI, foram identificadas as necessidades do Programa. Na seqüência foram realizadas visitas no CRAS, quando aconteceu o diálogo inicial com o grupo de adolescentes e foi estabelecido um planejamento inicial de intervenção, com encontros semanais, na forma de oficinas pedagógicas.

O trabalho planejado com o apoio do Grupo de Trabalho Interinstitucional do Programa Saúde na Escola do município de Erechim e do Programa Institucional de Iniciação à Docência – PIBID Biologia URI enfatizou o estudo sobre: características de uma alimentação saudável; alimentação orgânica; a produção caseira de alimentos; segurança alimentar e nutricional; ali- mentos regionais; elaboração de cardápios saudáveis.

O trabalho foi desenvolvido na forma de oficinas pedagógicas, cada uma delas constituí- das por três momentos (DELIZOICOV, ANGOTTI, PERNAMBUCO, 2011).

No Primeiro Momento, denominado de Problematização Inicial foram apresentadas questões e/ou situações para discussão com os alunos. Mais do que simples motivação para se introduzir um conteúdo específico, a problematização inicial visa à ligação desse conteúdo com situações reais que os alunos conhecem e presenciam, mas que não conseguem interpretar com- pletamente ou corretamente porque provavelmente não dispõem de conhecimentos científicos suficientes. Tais questões são chamadas de questões problematizadoras.

Num Segundo Momento, os conhecimentos necessários para a compreensão do tema central e da problematização inicial serão sistematicamente estudados nesse momento, sob a orientação do professor. As atividades desenvolvidas no Segundo Momento tiveram caráter prático-reflexivo, favorecendo o envolvimento dos jovens na discussão sobre a temática, sem- pre associado ao cotidiano. Algumas atividades desenvolvidas mereceram destaque: leitura e discussão de textos, observações e experimentações, visualização e discussão do conteúdo de vídeo documentário, produção de alimentos e organização de cardápios.

O Terceiro Momento destinou-se a abordar sistematicamente o conhecimento que vem sendo incorporado pelo aluno para analisar e interpretar tanto as situações iniciais que deter- minaram o seu estudo, como outras situações que não estejam diretamente ligadas ao motivo inicial, mas que são explicadas pelo mesmo conhecimento.

Com o objetivo de contribuir na realização das oficinas, a Universidade Regional Inte- grada do Alto Uruguai e das Missões – URI, Erechim, disponibilizou inúmeros espaços educa- tivos para a realização da intervenção educacional (laboratórios de Ciências Naturais e Sala de análise sensorial). Para a coordenação do Programa o fato dos jovens estarem se deslocando em grupo para estudar na Universidade foi bastante motivador.

O principal papel das professoras voluntárias foi de estimular a reflexão, a análise crítica e o processo de descoberta (ou redescoberta) pelos jovens. As estratégias educativas adotadas partiram de um modelo de aprendizagem que favorece a (re)construção de conhecimentos me- diante um processo de investigação orientada a partir de situações problemas de interesse aos jovens envolvidos.

O trabalho reforçou a ideia de que a alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos con- sagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população. Neste sentido, enfatizou a discussão sobre a alimentação orgânica, sobre a segurança alimentar e nutricional, destacando que se dá quando a produção, em especial da agricultura tradicional e familiar, aumenta as condições de se comer bem; a biodiversidade é preservada graças ao uso sustentável dos recursos naturais; promove-se a saúde, a nutrição e a alimentação da população; garante-se que os alimentos tenham qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica; quando são estimulados práticas alimentares e estilos de vida saudáveis que respeitam a diver- sidade étnica e cultural da população.

As práticas desenvolvidas valorizaram o consumo de alimentos que são produzidos na região em que vivemos, com base no cuidado com o meio ambiente, nas relações éticas de trabalho e na justiça social. Também estimularam o preparo de cardápios a base de alimentos regionais. O trabalho questionou o uso de agrotóxicos no mundo e na região, por meio da exibi- ção e discussão de videodocumentários. Dados de pesquisas sobre alimentos contaminados por agrotóxicos também foram analisados.

Como atividade final está sendo organizada pelos jovens uma campanha comunitária voltada à valorização da alimentação orgânica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Criando um ambiente acolhedor e respeitando as características de cada jovem, o tra- balho contribuiu para a inclusão social. Durante o processo, os jovens tiveram oportunidade de acesso a locais e informações, construíram conhecimentos e desenvolveram a compreensão sobre uma alimentação saudável. As ações desenvolvidas contribuíram para os jovens aprimo- rarem habilidades importantes para a vida, no exercício de sua cidadania.

Para as estudantes, voluntárias do Curso de Ciências Biológicas da URI – Campus de Erechim, o contato com esse grupo social possibilitou uma reflexão acerca dos desafios e con- dições necessárias para o processo de inclusão social de jovens. A inclusão em educação é um processo de transformação de valores em ação, resultando em práticas e serviços educacionais, em sistemas e estruturas que incorporam tais valores.