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4. Analyse av data

5.2 Spørsmål til kommunene:

Este item trata especificamente das cores, pela sua importância dentro de um sistema de identidade corporativa e porque as cores têm significativa relevância para a pedagogia Waldorf – em especial, a teoria de cores de Goethe: “A teoria das cores encontrará, através de Rudolf Steiner, um resgate e uma sustentação explícita na reafirmação e na aplicação plena e metódica dentro da pedagogia Waldorf”

(POSSEBON, 2009, p.31). Encontra-se esta afirmação também em Barros (2006, p.308): “As ideias de Steiner sofreram forte influência dos trabalhos de Goethe, entre os quais a sua teoria das cores”.

Esta importância para as cores é perceptível nos trabalhos dos alunos, como também na aplicação em diversos ambientes das escolas, que se reflete em suas identidades visuais. Principalmente, porque não existe uma cor-código Waldorf, que possa ser lembrada, nem mesmo um conjunto de cores ou um sistema de cores que confiram identidade. Mas existe um processo de utilização das cores, com uma gama de significados que tem relação com a teoria de cores de Goethe, que lhes conferem identidade, como se verá nos resultados e nas conclusões.

As cores têm significativa importância para a pedagogia Waldorf porque a arte desempenha um papel fundamental nestas escolas, não só como disciplina

autônoma, mas como mediadora de todos os conteúdos de ensino. Segundo Possebon (2009, p.31), é através da arte que os conteúdos são transmitidos de forma viva, orgânica e adequada para cada faixa etária. O objetivo não é a formação de artistas, mas sim de propiciar aos alunos que o aprendizado seja permeado pelo elemento artístico: “combinadas com os trabalhos de pintura, subjazem intenções e propostas que são derivadas ou inspiradas pela teoria goetheana”.

Possebon (2009, p.30) escreve que a obra das cores de Goethe causou polêmica com a teoria oficial desde o princípio: “Provocou uma cadeia de reações, explícitas ou dissimuladas, na sua época”. Com o tempo, acabou relegada a um plano histórico e documental, permanecendo desconsiderada até à atualidade, em termos científicos.

A polêmica está relacionada com as afirmações de que as cores têm caráter próprio, com uma atuação característica sobre o psiquismo humano. Goethe afirmava que: “Elas nos causam estados anímicos específicos e provocam em diferentes indivíduos sensações, reações e comportamentos similares”

(POSSEBON, 2009, p.27). Na atualidade, essas afirmações não causam estranheza, pelo contrário, as cores são exploradas neste sentido por diversos profissionais. Mas, para o pensamento racionalista dominante da época, eram afirmações subjetivas. Heller (2013, p.285) escreve: “Mas Goethe não convenceu a ciência. Apesar da adoração que lhe era dedicada como poeta, sua Teoria das Cores esbarrou em gélida rejeição”.

Esta polêmica contrapôs Goethe com Newton, que Heller define como a metafísica contra a física:

O que Johan Wolfgang von Goethe queria, com sua Teoria das Cores, era derrubar o físico festejado como o cientista mais genial de todos os tempos. Goethe viveu de 1749 a 1832, Newton de 1643 a 1727, quase que exatamente um século antes. Newton havia comprovado cientificamente como as cores resultam da luz do Sol. Sua obra Óptica: tratado das reflexões, refrações, inflexões e cores da luz (Optics) foi publicado em 1704. Goethe, o consagrado príncipe dos poetas, desejava obter também fama como cientista, o que, pelos valores da época, constituía a mais elevada glória (HELLER, 2013, p.283)

Apesar de que a teoria das cores de Goethe tenha ficado no esquecimento em termos científicos, como afirmado anteriormente, no campo das artes, não foi isso que aconteceu.

Por outro lado, no domínio da arte, pode-se dizer que esta obra vem percorrendo uma trajetória silenciosa e deixando o seu legado de influências sobre importantes artistas, sobre procedimentos

pedagógicos, sobre o desenvolvimento de uma psicologia das cores e sobre o estudo da cor de modo geral (POSSEBON, 2009, p.30).

Esta trajetória passa pela Bauhaus com Itten, Kandinsky, Paul Klee e Joseph Albers, os quais assimilaram e incorporaram este conhecimento de forma consciente em seus trabalhos pessoais: “A sistemática pedagógica, as proposições teóricas e os exercícios de criatividade propostos por esses artistas e professores demonstram de forma inequívoca como eles assimilaram Goethe” (POSSEBON, 2009, p.30). Cada qual desenvolveu um método a seu modo, com procedimentos de trabalho e exercícios de harmonização cromática, através dos quais ensinavam.

Em Barros (2006), encontra-se a afirmação de que a teoria das cores de Goethe exerceu influência direta nas teorias de cores desenvolvidas na Bauhaus, através de seus próprios mestres, Itten, Kandinsky, Klee e Albers. Também sofreu influência indireta através do trabalho desenvolvido por Adolf Hölzel, que foi

professor de Itten. Hölzel era defensor declarado da teoria cromática de Goethe.

Na época em que Kandinsky viveu em Munique, conheceu uma figura que se destacava entre os movimentos ocultistas. Rudolf Steiner deixou a sociedade teosófica para fundar sua própria doutrina espiritualista, em 1913. A antroposofia (do grego “sabedoria

humana”) propunha um conhecimento oculto que não dependesse de revelações externas, mas do poder do próprio homem de penetrar nos domínios espirituais [...] Dessa forma, a influência da Doutrina das cores de Goethe sobre Kandinsky encontrou eco nas

interpretações de Steiner, levando o pintor a reforçar suas

convicções sobre a expressão da necessidade interior por meio das cores (BARROS, 2006, p.308).

Chegando à atualidade, a psicologia das cores e a cromoterapia esclarecem muito acerca do comportamento e reação das pessoas quando submetidas à exposição de determinadas cores. De maneira que estes conceitos não são mais polêmicos, pelo contrário, são largamente utilizados.

Mas Possebon (2009, p.27) afirma que foi Goethe quem primeiro pesquisou as cores nesse sentido, que foi ele “o primeiro pesquisador das cores a estudar seus ‘efeitos sensíveis-morais’ e deixar sistematizado os resultados de suas

investigações”.

Goethe introduz afirmações sobre as cores no sentido de que elas têm caráter próprio, que cada cor tem uma atuação característica sobre o psiquismo humano: elas nos causam estados anímicos específicos e provocam em diferentes indivíduos sensações, reações e comportamentos similares. E ainda que se possa tomar a cor (na pintura, por exemplo) sob uma perspectiva simbólica, uma análise mais aprofundada revelará sempre um elemento objetivo, que é o caráter de cada cor, combinado ao simbólico denotado.

A B

Figura 76 - Goethe e seu círculo cromático.

Fonte: (A) <http://www.antroposofy.com.br/wordpress/a-teoria-das-cores-de-goethe/>, (B) <http://www.proyectacolor.cl/teoria-de-los-colores/circulo-cromatico/>. Acessos em 18 jan. 2015.

Figura 77 - Goetheanum: (A) corredor da área administrativa, (B) corredor e janela azul, (C) escadaria da ala sul, e (D) vista a partir da galeria do palco e da pintura do teto.

A figura 77 mostra o interior do Goetheanum, sede da Sociedade Antroposófica Universal, localizada na cidade de Dornach, na Suíça, com a aplicação da teoria das cores de Goethe nas paredes do corredor da área administrativa (imagem A), do corredor da janela azul (B) e nas paredes da escadaria da ala sul, como na pintura exuberante do teto do Grande Salão.