4 RESULTATER OG KOMMENTARER
4.2 Sommermålinger i trafikkert gate og bybakgrunn
Por Lexicografia entende-se a ciência, a técnica, a tecnologia ou mesmo a arte de elaborar dicionários. Paralelamente a uma Lexicografia aplicada à elaboração de dicionários, existe uma Lexicografia teórica ou metalexicografia que tem como objecto o estudo crítico de dicionários numa óptica sincrónica, a pesquisa do uso de dicionários e o estudo tipológico e, numa perspectiva diacrónica, o estudo crítico associado à história da Lexicografia. Segundo M. Sousa (1995:253), as reflexões metalexicográficas encontram-se em quatro tipos de publicações:
Em prefácios de dicionários;
Em resenhas ou críticas de dicionários;
Nos verbetes de dicionário ou lexicografia de enciclopédias gerais ou especiais (por exemplo, de linguística);
Em artigos e monografias dedicadas ao assunto.
A grande maioria dos estudos metalexicográficos tem como objecto os dicionários monolingues. Mas recentemente C. A. Murakawa e M. F. Gonçalves (Org.) (2007) apresentam o resultado do seu trabalho na área dos estudos diacrónicos, em particular da Lexicologia, da Lexicografia e da Historiografia linguística. Estes estudos diacrónicos sobre a Língua Portuguesa inscrevem-se no âmbito da (meta)lexicologia e da (meta)lexicografia, no mesmo recorte cronológico, o séc. XVIII.
M. F. Gonçalves, no seu artigo sobre a "A variação lexical no discurso metalinguístico de setecentos: apontamentos sobre o arcaísmo", aborda uma das questões mais recorrentemente debatidas nos discursos metalinguísticos deste período.
58 Compulsando o abundante material setecentista, a autora mostra como se desenvolve a tensão entre as "palavras antigas" e as "palavras modernas" e como a reflexão sobre a variação, enquanto elemento perturbador da homogeneidade normativa ou “factor de degenerescência das línguas (na perda das qualidades primitivas das línguas)” (2007: 237), por oposição à época áurea de quinhentos e parte de seiscentos, acaba por ser responsável pela criação de um precioso repositório da memória linguística e literária em vernáculo, legado dos gramáticos, ortógrafos e académicos de setecentos que urge preservar e tornar acessível.
O texto de C. Murakawa sobre “D. Raphael Bluteau: marco na lexicografia portuguesa de setecentos” centra-se naquela que será talvez a mais relevante obra da produção metalinguística de setecentos: o” Vocabulario portuguez e latino”. Neste artigo de metalexicografia, debruça-se sobre a prática lexicográfica do conhecido dicionarista, sobre os aspectos externos e macro-estruturais, a análise da estrutura dos verbetes, aspecto em que Bluteau se afirma inovador, destacando-se a utilização inédita na Lexicografia portuguesa de então, de um corpus de referência de obras dos séculos XV-XVIII, de diversas áreas do saber, identificadas com uma acribia notável, isto é, com um estilo preciso ou rigoroso, para os padrões da época. A importância da obra de Bluteau não se resume ao imenso volume de informação linguística, particularmente lexicográfica, mas, graças à sua vastíssima erudição, alarga-se também à informação enciclopédica, reflectindo frequentemente a sociedade do seu tempo e assumindo-se como um "repositório da cultura portuguesa e também da cultura universal"(2007: 247).
Este estudo enquadra-se nas áreas da metalexicologia e na metalexicografia que segundo M. F. Gonçalves (2007: 237) constituem os novos campos de investigação da Linguística portuguesa.
O novo termo de metalexicografia designa os estudos críticos sobre os dicionários anteriores. “… thèse que l’on doit à B. Quemada qui dirigera ensuite le Trésor de la langue francaise, s’impose comme une somme à partir de laquelle de
59 nombreuses études vont fleurir sur tel ou tel dictionnaire d’hier. Une nouvelle discipline prend donc naissance: la métalexicographie” J.Pruvost (2005: 9).
Sublinhamos, no entanto que metalexicografia não se confunde com macrolexicografia; este último termo designa o novo estatuto do dicionário que entre 1965 e 1980 alarga o seu uso social (cf. Jean Pruvost, 2005: 9).
É da plena responsabilidade do professor conhecer os diferentes tipos de dicionários para poder orientar e informar os seus alunos, quanto às informações neles contidas e para motivar o uso do dicionário na busca de informações concretas e no momento exacto. Ele leva os discentes a um verdadeiro treino sobre como explorar um dicionário, visando contribuir para a formação dos mesmos e também da sua própria formação pessoal e profissional.
2.3. Lexicologia contrastiva
A Linguística contrastiva tem como objecto a comparação de línguas. Este ramo da Linguística tem como suporte alguns pressupostos teóricos relativos a concepções linguísticas e a concepções sobre a aquisição/aprendizagem das línguas:
1. “Conceptions linguistiques: les langues sont diferentes mais eles peuvent être comparées, ce qui implique qu’il existe un quadre théorique général, suffisamment développé pour permettre la description, puis la comparaison, de toutes les langues.
2. Conceptions sur l’acquisition/apprentissage des langues: cette approche part de l’hypothèse que l’apprentissage d’une L 2 pose des problèmes de nature autre que ceux rencontrés dans l’acquisition d’une L1. L’objectif est d’anticiper et d’expliquer les difficultés dues à l’influence de la langue première (interférences), lá où existent des différences, il y aura des difficultés…” J. P. Cuq (1990: 157).
60 Cronologicamente falando, desde os finais do século XVIII, existiu na Europa uma gramática comparada das línguas indo-europeias. Apareceu, nos Estados Unidos, em 1950, uma disciplina autónoma de Linguística Aplicada ao Ensino que precedeu a Didáctica das línguas; esta disciplina apoiava-se na estrutura da língua, com o objectivo de comparar duas línguas, fonológica, morfossintáctica, lexical e semanticamente, para evidenciar suas diferenças.
A concepção behaviorista da aprendizagem preocupou-se em evitar os erros, mas as investigações em Linguística sobre o bilinguismo e os contactos de línguas vieram esclarecer a importância da primeira língua (língua materna) no processo de ensino-aprendizagem. A influência da primeira língua sobre a aprendizagem de uma língua segunda deixou de ser observada numa óptica de erro, de interferência negativa, mas como um indicador da identidade pessoal e sociocultural do aprendiz ou do aluno, do seu nível de aprendizagem (interlíngua) da língua segunda ou estrangeira.
Assim, a análise contrastiva preocupa-se mais com o ensino do que com a aprendizagem.
A Lexicologia contrastiva tem por objecto o estudo do léxico em contraste de uma ou mais línguas. A Lexicografia contrastiva descreve, contrastando, o léxico de uma ou mais línguas.
Cláudia Xatara (2008) apresenta-nos vários estudos contrastivos no domínio da Lexicologia Contrastiva e da Lexicografia Contrastiva relativos à comparação do léxico de uma ou várias línguas como por exemplo‘Les faux amis portugais du Brésil’.