Frente aos resultados da aplicação dos métodos DRASTIC e GOD para os dois casos estudados, procurou-se num primeiro momento comparar os mesmos.
Embora os dados usados, em sua maioria, tenham sido obtidos dos estudos existentes para as áreas dos postos, sendo criteriosamente aplicados para aproximar-se da realidade local, alguns parâmetros requereram estimativas.
Algumas discussões acerca dos resultados dos índices de vulnerabilidade são tecidas a seguir:
a) Observando-se as características dos dois empreendimentos, nota-se similaridade na maioria dos parâmetros, com maior divergência na característica do aquífero, tipologia do solo e no material da zona não saturada. Essa diferença decorre da variação geológica das áreas dos postos, pois enquanto xistos
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compõem a subsuperfície do Posto Morada Nova, rochas gnáissicas estavam presentes na área do Posto Santa Rosa;
b) Nas investigações realizadas nos dois postos de combustíveis verificou-se que os maiores valores registrados de contaminação foram próximos às ilhas de abastecimento, portanto, a causa provável de contaminação deve estar relacionada aos vazamentos dos tanques de combustíveis;
c) A baixa profundidade do nível freático (< 1,5m) nos dois postos de combustíveis aumenta a vulnerabilidade a poluentes, uma vez que a reduzida espessura da zona não saturada reduz a capacidade de retardamento dos poluentes, que podem vir a atingir a zona saturada. Em países tropicais, como o Brasil, a situação pode ser agravada pela maior infiltração de água como consequência da alta pluviosidade;
d) O solo do Posto Morada Nova, por apresentar uma granulometria mais grossa na zona não saturada, o que ocasiona maior condutividade hidráulica, é mais vulnerável ao transporte dos contaminantes considerando-se este parâmetro. Em geral, quanto maior o tamanho do grão, mais permeável o solo e mais baixa a capacidade de atenuação de contaminantes do aquífero;
e) A aplicação dos métodos DRASTIC e GOD mostraram uma maior vulnerabilidade para o Posto Morada Nova em relação ao Santa Rosa, a qual também foi verificada nos estudos de campo;
f) Houve divergências nas faixas de classificação da vulnerabilidade para os dois métodos. Assim, o método GOD mostrou uma vulnerabilidade alta para o Posto Morada Nova e média para o Santa Rosa. Já com o método DRASTIC, a vulnerabilidade para a região dos dois postos foi moderada. Isto mostra que o método GOD é mais conservador em relação ao DRASTIC;
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torna-se expressivo para um monitoramento de uma área, uma vez que possibilita descrever melhor o grau de vulnerabilidade, mesmo com um número mais restrito de parâmetros;
h) Como era sabido, a aplicação do método GOD demandou um número menor de parâmetros, que foram obtidos com mais facilidade dentro dos casos, o que conferiu maior facilidade e rapidez para a obtenção do índice de vulnerabilidade. Isto possivelmente se traduz em menor custo;
i) Para o método DRASTIC, o valor da recarga do aquífero foi o parâmetro mais complicado de obter, devido à restrita disponibilidade de dados hidro- metereológicos. A dificuldade de obtenção deste parâmetro pode muitas vezes comprometer seu emprego, apesar da sua importância no transporte de um poluente na zona não saturada e a disponibilidade de água para processos de dispersão e diluição nas zonas não saturada e saturada.
j) Outra consideração que se deve fazer sobre o parâmetro “recarga” se refere ao seu peso no método DRASTIC (quatro). Em se tratando de regiões de alta pluviosidade, como no caso da região metropolitana de Belo Horizonte, haverá sempre um aumento do índice de vulnerabilidade devido ao mesmo, como demonstrado no item 6.1.1. Talvez fosse melhor ampliar os seus valores com respectivo peso para os casos como o Brasil que apresentam os índices de pluviosidade na maioria das regiões sempre altos (faixa tropical). Cabe ainda salientar que apesar do método da Curva Número (CN) levar em conta a pavimentação do terreno, percebe-se ainda um valor significativo da recarga anual encontrado para o período 2009 a 2010 nessas áreas que são cobertas e pavimentadas.
k) Devido à presença de aquíferos livres nos dois casos, tem-se que o parâmetro do material da zona não saturada (I) corresponde à própria característica do solo (S). Acontece que em relação ao método DRASTIC estes dois parâmetros tem pesos diferentes, sendo o valor de I = 5 e S = 2, o que não parece ser coerente,
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tendo em vista que se trata da mesma propriedade;
l) Os resultados obtidos por meio dos ensaios de recuperação do tipo Slug Test (HVORSLEV, 1951) nos solos dos postos, revelaram condutividades hidráulicas da ordem de 10-5 cm/s, caracterizando o solo de alteração como pouco permeável. No entanto, a análise dos perfis descritivos dos poços do Posto Morada Nova revelou a presença de material arenoso na zona não saturada, fato que confere certa incoerência aos resultados dos ensaios;
m) Os furos de sondagens instalados nas áreas dos estudos de caso, apesar da pequena profundidade, não apresentaram nenhuma informação sobre as características estruturais das rochas subjacentes. Considera-se este fator importante, pois favorece o fluxo subterrâneo e o transporte de poluentes;
n) Talvez a inserção de um fator relativo à fonte, F, por exemplo, nos índices de vulnerabilidade calculados pelos métodos DRASTIC e GOD pudesse exprimir melhor a capacidade do meio em suportar cargas poluentes.
o) Com o cálculo da vulnerabilidade destes empreendimentos é possível tomar medidas preventivas de proteção e monitoramento da água subterrânea, sendo que essas medidas deveriam ser mais restritivas para o Posto Morada Nova, que apresentou valores maiores índices de vulnerabilidade, apesar de serem empreendimentos que devam sempre ter maiores cuidados com o risco de contaminação da água subterrânea pelas características dos mesmos.
p) Os estudos utilizados, conforme relatado no capítulo 5, foram contratados pelos proprietários dos postos de gasolina. Por ora as empresas que executaram o serviço são especializadas no ramo, sendo que em todos os trabalhos havia anotação de responsabilidade técnica de um profissional. Portanto, os dados utilizados nessa pesquisa além de serem repassadas para os órgãos licenciadores do Estado e para o Ministério Público, existem ainda a responsabilidade técnica.
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A Tabela 6.7 resume as principais diferenças observadas na aplicação dos métodos DRASTIC E GOD.
Tabela 6.7. Resumo Comparativo da Aplicação dos Métodos DRASTIC e GOD.
DRASTIC GOD
Redundância de parâmetro para o caso de
aquífero livre. Mais rapidez na aplicação. O parâmetro de recarga, devido às
características regionais, não se mostrou muito importante para este estudo.
Melhor definição na classificação da vulnerabilidade.
A disponibilidade de dados e a quantidade de parâmetros torna-se o método muito
difícil de aplicar no Brasil.
Considera a diferença do aquífero.
Não se reportam às condições estruturais dos maciços rochosos locais, mas somente à condutividade hidráulica.
Não consideram fatores relativos às fontes contaminadores, principalmente a proporção e a persistência do contaminante.
O valor menor do índice para o Posto Santa Rosa não significa que não possa ocorrer contaminação, apenas que a mesma será menos provável do que no
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