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Snusmumrikens Mummitroll

In document ENSOMHETENS HUNDRE ANSIKTER (sider 110-115)

5.2 Ensomhetens skuffelse

5.2.3 Den tapte idealforestillingen

5.2.3.2 Snusmumrikens Mummitroll

As traduções empreendidas da obra de Victor Hugo começaram a ser feitas no Brasil ainda no século XIX, ora publicadas em folhetim, ora em formato de livro (LEÃO, 1960; AGUIAR, 1999). Na década de 1950, foram publicadas, pela Editora das Américas, as ditas Obras Completas de Victor Hugo, porém tal edição não englobava todo o patrimônio hugoano que

em toda a sua extensão, compreende mais de 18.000 páginas, que abarcam o teatro, o romance, a poesia, a teoria, a crítica, a política, a história; acrescida ainda de sua literatura de viagem, sua correspondência, os fragmentos e textos inacabados, assim como um conjunto de planos e projetos não realizados. (BARRETO, p.85, 2012)

Em se tratando, especialmente, do romance Claude Gueux, sua primeira tradução no Brasil será aquela que compõe as obras completas da Editora das Américas, de 1957, inserida no sétimo volume do total de 44 tomos e traduzida por J. Monteiro. Todavia, pesquisando no site da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) podemos construir o seguinte quadro de traduções da obra em língua portuguesa:

Quadro 1: Traduções de Claude Gueux em Portugal20

Título Tradutor Editora Ano

1 Cláudio Gueux João Huss21 Typ. Elzeviriana 1889

2 A sociedade e o crime Teixeira de Brito Typ. Arthur José de Sousa & Irmão

1890                                                                                                                

20 Não foram incluídos neste quadro os livros repetidos, apesar de alguns serem de anos diferentes segundo o site

da BNP. Foi dado maior ênfase às diferentes editoras.

3 Claude Gueux - Guimarães & Cia 1915

4 Cláudio Gueux - J. Pereira da Silva 192*

5 O último dia dum

condenado/ Gláudio Gueux [sic]

- Livr. Barateira 1930

6 O último dia dum

condenado; Claudio Gueux

- Empr. Literária Universal 1957

7 O último dia de um

condenado / Claude Gueux22

José de Nel-Castro Editorial Verbo 1972

8 Os Trabalhadores do Mar/

Claude Gueux Aureliano Sampaio Livr. Civilização 1976

Ao observarmos o Quadro 1, percebemos que no século XIX já existiam ao menos duas versões de Claude Gueux em língua portuguesa. Apesar de não haver nenhuma evidência concreta de que essas traduções oitocentistas de Claude Gueux tenham sido lidas no Brasil, os trabalhos de Palma (2012) e Garcia (2012) nos fazem levantar a hipótese de que esta obra de Hugo possa ter sido lida por alguns brasileiros, posto que o comércio transatlântico de livros entre os dois países foi efervescente a partir da segunda metade do século XIX.

É interessante notar também no Quadro 1 que as traduções do título desta obra são variadas: há a modificação do título completa ou parcialmente e a manutenção do título tal como no texto de partida, o que revela, talvez, uma certa tendência mais domesticadora na norma cultural de tradução portuguesa. Além disso, de metade das traduções não se sabe quem as traduziu ou mesmo se são reedições de traduções anteriores.

Em relação às traduções de Claude Gueux em português brasileiro, além da tradução efetuada pela Editora das Américas em 1957, há duas traduções mais recentes:

Quadro 2: Traduções de Claude Gueux no Brasil

Título Tradutor Editora Ano Fomato

1 Claude Gueux J. Monteiro Editora das

Américas 1957 Tomo VII das Obras completas de Victor Hugo 2 Cláudio, o indigente Remy de Souza Memorial das Letras

1998 Livro fora de coleção 3 Claude Gueux Natália

Florêncio

Arte e Letra Editora

2011 Revista de Literatura com coletânea de contos estrangeiros traduzidos Examinando o Quadro 2, notamos que o espaço de tempo entre uma tradução e outra é grande: entre a primeira e segunda há 45 anos, entre a segunda e a última há 13 anos, e entre a última e a primeira há 54 anos. Depreendemos daí que essas traduções têm uma historicidade                                                                                                                

e também que, possivelmente, o tradutor de uma não tenha sabido da existência de traduções anteriores a sua.

Também há uma diferença de distribuição/acessibilidade entre essas traduções, quando observamos em qual editora foram publicadas. A publicação da Editora das Américas (que era sediada em São Paulo) tem caráter nacional por ser produzida por uma grande e renomada editora, que visava a distribuição por todo o território brasileiro. Por sua vez, as editoras Memorial das Letras, de Salvador e Arte e Letra, de Curitiba têm caráter regional, uma vez que são editoras menores e desconhecidas em nível nacional e cuja distribuição não cobria todo o Brasil, o que pode justificar a dificuldade de acesso a essas traduções da obra de Hugo, gerando o desconhecimento do texto por parte do leitor brasileiro.

No que tange aos tradutores, a propósito de J. Monteiro não encontramos, até o momento, maiores informações. Quanto aos outros dois tradutores, podemos dizer que são dois acadêmicos: um no final da carreira e a outra no início. Remy de Souza é baiano, filósofo, ex-professor universitário, tradutor, ensaísta e escritor. Natália Florêncio é graduada em Letras e faz mestrado em Literatura Comparada e Francofonia e à época da publicação da tradução de Claude Gueux ela ainda era graduanda de Letras.

No que se refere ao formato e apresentação das publicações brasileiras de Claude Gueux, constatamos que a publicação de 1957 faz parte das Obras Completas de Victor Hugo e no tomo em que ela está inserida também se encontram parte de Os miseráveis (a partir do livro terceiro) e O primeiro Bug-jargal. Vale ressaltar também que a tradução de Claude Gueux de J. Monteiro se encontra conforme ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1945.

A publicação de 1998 é um livro avulso, visto que as outras duas traduções (1957 e 2011) fazem parte de uma coleção própria. Ela tem um prefácio intitulado “Pena de morte? Não! Nunca!” que remete a temática principal de Claude Gueux e que é escrito pelo próprio tradutor. No prefácio, há seu posicionamento acerca da pena de morte e a explicação do porquê traduzir Claude Gueux no Brasil:

[...] nos sentimos felizes em traduzir para o vernáculo uma obra menor no conjunto da portentosa produção hugoana mas nem por isso menos sublime.

Tudo o que o maior poeta romântico francês escreveu revela o dedo do gigante.

A mim me causa admiração a plena atualidade destas páginas vibrantes, escritas há mais de cento e sessenta anos.

Já na França do século XIX se debatia a pena de morte como hoje fazemos no Brasil. Que a voz do insigne bardo gaulês venha, portanto, se juntar a de todos nós que, como ele, acreditamos na força da educação, do trabalho e do amor como única prevenção eficaz contra o crime.

[...]

Aliás, o próprio Victor Hugo já dizia: “Abri uma escola e fechareis uma prisão.” Evitar o crime portanto, extirpá-lo no coração de uma criança antes que nasça, isto sim, já que repará-lo é dificílimo!

Logo, por todas as razões aqui alinhadas e muitas mais, desejo que o livro do grande Hugo que se vai ler penetre nos corações de seus leitores como penetrou no meu. (SOUZA, p. 8-10, 1998)

Já a publicação de 2011 na Revista Literária Arte e Letras Estórias L traz a tradução de Claude Gueux, classificada como um conto. O editorial da revista traz um texto argumentativo a favor deste gênero justificando o porquê de uma editora lançar uma coletânea de contos traduzidos na contemporaneidade:

[...]

A ideia básica é abastecer os leitores de estórias, supondo que uma revista com vários textos mais curtos do que um livro, capaz de apresentar novos autores, publicar contos inéditos, ensaios e traduções de obras que nunca foram lidas em português (mas precisam ser), pode ser atraente. Irresistível até.

Diz-se que o conto é a forma narrativa mais adequada aos tempos atuais, por ser de leitura rápida, dando ao leitor a satisfação de uma história inteira em minutos e não em horas.

A questão do tempo – ligada à extensão do conto – é uma justificativa banal, nada filosófica e, nas palavras do escritor e tradutor Modesto Carone, discutível, “pois ninguém está disposto a confundir importância com volume”. Em defesa do conto, Carone diz que a relevância do gênero como forma de conhecimento está no fato de “se referir a alguma coisa mais completa do que ele mesmo”.

[...]

Diante dessas citações e exemplos, editar uma revista de contos parece uma ideia mais ou menos óbia. Aliás, como várias boas ideias costumam ser.

Seja bem-vindo à nossa ideia mais ou menos óbvia. (TIZZOT, p. 3 , 2011)

Evidenciamos ainda que cada conto da revista - traduzido ou não – tem um cabeçalho no qual constam o título, o nome do tradutor e um parágrafo explicativo sobre a vida, a obra e a importância do autor para o âmbito literário mundial, nacional ou regional.

Como se pôde constatar, as traduções brasileiras de Claude Gueux são bem diferentes e têm peculiaridades distintas, desde seus agentes-produtores (os tradutores), até o produto em si (as traduções). Devido a elas serem bem peculiares, principalmente, comprando-as com o texto fonte; muitos críticos de tradução poderiam classificar tais especificidades como erro de tradução. Por isso, antes de analisarmos estas traduções faremos uma explanação sobre o que é erro de tradução.

In document ENSOMHETENS HUNDRE ANSIKTER (sider 110-115)