2.5.1 Procedimentos éticos
Antes de redigir a proposta, convém considerar as questões éticas que possam ser previstas e descritas na proposta. Essas questões estão relacionadas a todas as fases do processo de pesquisa. Considerando-se os participantes, os locais de pesquisa e os potenciais leitores, é possível planejar estudos contendo práticas éticas (CRESWELL, 2010, p. 123).
Primeiramente, contatou-se a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do município para solicitar autorização do estudo nas unidades de saúde. Com a autorização da SMS (Anexo 2) em mãos, emitida em novembro de 2015, o projeto referente a este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Humanos (CEP) da Universidade Federal de São Carlos, de acordo com a Resolução nº 466/12 (BRASIL, 2012), em dezembro de 2015, para avaliação da pertinência dos aspectos éticos envolvidos.
No aguardo da avaliação do CEP e em posse da autorização da SMS, a pesquisadora iniciou o contato com as 31 unidades de saúde (UBS e USF). Em março de 2016, o primeiro parecer do CEP foi emitido com a solicitação de assinatura de carta de autorização (Anexo3) dos gestores de cada unidade de saúde. Em abril de 2016, a pesquisadora recebeu o parecer consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de São Carlos (CAAE: 52885215.0.0000.5504) de número 1.440.343 e inseriu-se em campo (Anexo 4).
Em relação às participantes, foi apresentado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) disponibilizado em cópia e lido aos participantes antes do aceite e engajamento na pesquisa – TCLE para maiores (Apêndice 5); TCLE para menores (Apêndice 6); Termo de assentimento para menores (Apêndice 7). Na questão de assinatura dos TCLEs para menores, vale ressaltar que nem sempre foi possível entrar em contato com os familiares, já que houve caso de participante que morava sozinha ou o responsável não a acompanhava em consultas, sendo os seus direitos preservados e garantidos pela assinatura do Termo de Assentimento para aquelas que desejaram participar.
Para garantir as questões éticas envolvidas na análise e interpretação dos dados, o anonimato foi informado e garantido as participantes da pesquisa. Por fim, após a defesa da dissertação, como contrapartida de participação do estudo, os principais resultados serão
redigidos para divulgação do relatório final da pesquisa e entregue a cada unidade de saúde participante bem como a SMS. Do mesmo modo, também será colocada a disponibilidade para agendamento de encontro com cada gestor e unidade participante da pesquisa para discussão e reflexão acerca dos resultados do estudo.
2.5.2 Elaboração e validação dos instrumentos
Em abril de 2016, a pesquisadora solicitou a avaliação de um grupo de seis pessoas (docentes da área de terapia ocupacional, pesquisadores da área de atenção básica e hospitalar e terapeutas ocupacionais da clínica da infância e da adolescência) sobre a validade de uma primeira versão dos instrumentos de coleta de dados (questionário sobre o perfil biopsicossocial da gestante adolescente; instrumento de agenda de uso do tempo atrelado com lista de inquérito de atividades e roteiro de entrevista semiestruturada). Desse grupo, cinco retornaram com considerações.
A partir da devolutiva dos juízes, os três instrumentos foram reelaborados, configurando-se então quatro instrumentos: formulário sociodemográfico, diário de ocupações, lista de inquérito das ocupações maternas e roteiro de entrevista semiestruturada. Além disso, foi acrescido como instrumento de coleta de dados o CCEB.
2.5.3 Localização das participantes e convite para participação
Em um primeiro momento, na tentativa de obter o número total de gestantes e gestantes adolescentes no município, bem como identificar as unidades de saúde a que elas estariam vinculadas, entrou-se em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, solicitando tais dados. No entanto, foi informado que estes não eram centralizados, o que impedia um ponto de partida para iniciar a pesquisa.
Em um segundo momento, tentou-se alcançar esses números pelos dados armazenados em cada unidade de saúde, conforme registro de atendimentos de pré-natal das gestantes durante o contato e pactuação para a realização da pesquisa. Entretanto, cada unidade tem uma dinâmica institucional, e a contabilização desse número pareceu inviável e indisponível, já que as idades nem sempre eram anotadas no diário de agendamento e a cada semana gestantes diferentes iam ao serviço, não sendo possível contabilizar com exatidão a quantidade de gestantes adolescentes nas unidades.
Nesse contexto, uma gestora indicou unidades de grande porte em cada uma das Ares, em que aconteciam assistência ao pré-natal pelo médico obstetra ou ginecologista, e, possivelmente, nelas seriam encontradas gestantes adolescentes já que um número importante de gestantes eram acompanhadas nessas unidades. Assim, elegeram-se como locais para a pesquisa oito unidades do município: UBS Aracy, UBS São José, UBS Santa Felícia, UBS Redenção, UBS Vila Isabel, USF Jardim Gonzaga, UBS Cruzeiro do Sul e UBS Botafogo, visando ouvir e apreender diferentes relatos de experiências de vida dessas mulheres.
A pesquisadora, com autorização da SMS, do CEP e da gestão da unidade de saúde, agendava para permanecer na unidade de saúde e para entrar em contato com a gestante adolescente, fazer-lhes o convite para participar da pesquisa e, em caso de aceite, agendar data e local para a coleta de dados, o que poderia ocorrer na própria unidade de saúde ou na residência da participante. Vale destacar a importância da colaboração das unidades ao cederem uma sala da unidade para a coleta de dados.
Para identificar a presença de gestantes adolescentes nas unidades de saúde, a pesquisadora realizou as seguintes etapas:
1) nas unidades que autorizaram a realização da pesquisa, houve a busca do nome da gestante na agenda de consulta da unidade e posterior busca nos prontuários para identificar a idade;
2) acompanhamento do atendimento de pré-consulta9 para identificar a idade, número de gestações e trimestre de gestação da adolescente.
As participantes foram selecionadas no interior das unidades de saúde indicadas para realização do estudo: UBS Cruzeiro do Sul, UBS Botafogo, UBS Redenção, UBS Aracy, UBS São José, UBS Santa Felícia, UBS Vila Isabel e USF Jardim Gonzaga. Seguem abaixo como se sucedeu cada visita às unidades.
1) Para selecionar as gestantes adolescentes, foram utilizados procedimentos de entrada em campo, em que a pesquisadora usava jaleco (conforme recomendação da gestora) com a intenção de propiciar a formação da relação de confiança e
9 Em algumas das unidades de saúde, a pré-consulta é o momento em que é feita a pesagem e aferição da pressão
vínculo entre ela e as possíveis participantes, durante o acompanhamento de suas pré- consultas.
2) A seleção das participantes aconteceu no interior das unidades de saúde do seguinte modo: a pesquisadora ia à unidade nos dias de consulta de pré-natal, acompanhava às pré-consultas ou a chegada da gestante na unidade de saúde, pedia colaboração da equipe para informar a idade e o número de gestações da gestante que elas acompanhavam, e posterior apresentação da pesquisadora por elas à adolescente. Nos casos de atender aos critérios de inclusão, a gestante era convidada a participar da pesquisa.