R211 Feltundersøkelser
1.2.5 Slangesetningsmåling
Quando a instituição possuía um material informativo sobre a área expositiva e/ou site, fazíamos a observação de alguns elementos no intuito de complementar as informações obtidas pela entrevista e pela observação da área expositiva. Assim, o objetivo não era fazer uma análise do instrumento em si, mas utilizá-lo como fonte de dados para complementar a descrição e caracterização das instituições. Buscamos informações sobre o histórico da
1. Fotografar a entrada da instituição
2. Há recepcionista na entrada? É distribuído algum material informativo? Se houver material informativo disponível ao público, solicitar um exemplar para analisar.
3. Como é a área expositiva? Ampla, arborizada, outras características? Há estrutura para visitação como bancos, banheiros, etc? Há placas orientativas?
4. Há elementos que trazem o histórico da instituição?
5. De maneira geral como são os recintos? Há vegetação interna? Como é o solo? Que tipo de barreira física é utilizado? Eles aparentam ser mais novos ou mais antigos? Há elementos de enriquecimento ambiental? 6. Qual é o enfoque do plantel do zoológico? Há animais exóticos de grande porte?
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instituição, sobre o programa de educação ambiental, sobre ações de conservação, sobre ações relacionadas à onça parda e sobre a área expositiva, conforme consta na figura 11.
Figura 12.Quadro com o roteiro de análise do material informativo e/ou site institucional dos zoológicos visitados.
Fonte: elaborado pela autora A análise dos dados
4.
A análise envolveu as três fontes de dados. Os dados obtidos pelas três fontes foram transformados em textos e utilizamos a abordagem de análise textual qualitativa de Moraes (2003, 2007) e Moraes e Galiazzi (2011) para construir os dados e chegar aos resultados. A observação da área expositiva e a leitura do material e ou do site permitiram complementar as informações levantadas pela entrevista. Nos estudos de caso e nos estudos etnográficos esse procedimento, no qual a pesquisadora ou pesquisador confronta, confirma ou complementa os resultados por mais de uma fonte de dados é chamado de triangulação (STAKE, 1995; LÜDKE; ANDERÉ, 2012; ANDRÉ 2013).
Um aspecto importante de especificar nesse momento é o recorte que Moraes e Galiazzi (2011) delimitam para a análise textual qualitativa que propõem. Nesse trabalho a proposta é definida como análise textual discursiva. O autor e a autora explicam que ela é um tipo de análise textual qualitativa, que não se configura como análise de conteúdo e nem análise de discurso, mas está entre uma proposta e outra, estando suas especificidades associadas à postura hermenêutica em sua origem.
Os argumentos apresentados pelo autor e pela autora aproximam a análise textual discursiva mais da análise de conteúdo, do que da análise do discurso. Isso é condizente com a discussão de Carvalho, I. (2007) sobre as diferenças entre a hermenêutica e a análise do discurso. Tomando como parâmetro a corrente de Michael Pêcheux de análise do discurso, a autora mostra que, apesar de ambas terem origem no movimento chamado giro linguístico, que critica a filosofia da consciência (metafísica) para se centrar no signo como referência do sentido e significado, elas possuem diferenças quanto à crítica que fazem ao estruturalismo e ao papel da interpretação e da descrição no processo de construção da compreensão.
1. O histórico da instituição é mencionado? Qual é? Fazer uma breve descrição. 2. A missão da instituição é mencionada? Qual é?
3. São relatadas ações de conservação e educação ambiental?
4. Quais são as características da expositiva apresentada? Qual o enfoque do plantel? 5. O material ou o site abordam alguma coisa sobre a onça parda?
133 De acordo com a autora, a análise do discurso faz a crítica dentro do estruturalismo, mantendo alguns de seus aspectos. Já a hermenêutica, por ser uma filosofia e não uma ciência, faz a crítica de um ponto externo. Segundo a autora, a hermenêutica busca superar a antinomia estrutura-acontecimento, relacionando linguagem, sentido e acontecimento. Com relação à interpretação, ela mostra que na análise do discurso busca-se a compreensão de como o texto produz sentidos, por meio de sua análise linguística, enquanto a hermenêutica busca identificar os sentidos que as pessoas atribuem às coisas por meio da linguagem.
Assim, Moraes e Galiazzi (2011, p. 145) consideram que a análise textual discursiva se aproxima da análise de conteúdo, porém, “sua interpretação tende principalmente para a construção ou reconstrução teórica, numa visão hermenêutica de reconstrução de significados a partir de uma diversidade de sujeitos envolvidos na pesquisa”. Com relação à compreensão e à crítica, identificam proximidades com a análise de conteúdo, pois, a análise textual discursiva busca a construção de compreensões sociais e culturais relativas ao fenômeno que se investiga. Mesmo sendo crítica, nessa abordagem olhar interpretativo tende a se produzir desde o interior do fenômeno, assumindo assim, uma perspectiva mais próxima à hermenêutica.
Entendemos que essa metodologia, por seu caráter hermenêutico, tem conexões evidentes com a fenomenologia e com a etnografia. Ao mesmo tempo, entretanto, tendo em vista assumir geralmente uma perspectiva transformadora das realidades que pesquisa, também se aproxima de perspectivas dialéticas. Nesse sentido, as transformações que pretende constituem-se nos próprios movimentos de construção de novas compreensões dos fenômenos e discursos com que se envolve, não exigindo teorias externas para orientar suas ações de transformação. Nisso a autoria e competências argumentativas assumem papel central (MORAES, GALIAZZI, 2011, p. 151).
Assim, nessa seção, serão apenas alguns trechos das transcrições e algumas fotos. A maior parte do relato é no formato descritivo e com pequenas sínteses sobre o que foi observado, obtido nas entrevistas e nos documentos consultados. Essas sínteses servem de substrato para discutir temas que fomos considerando importante ao longo do processo.
Considerações finais do capítulo 5.
Esse capítulo buscou registrar como foi o processo de delimitação do território da pesquisa e das instituições participantes. Dos 8 zoológicos existentes na região, 5 se enquadravam no perfil buscado e foram convidados a participar da pesquisa. Mediante autorização, agendamos uma visita a cada instituição para realizar entrevistas com as equipes e conhecer a área expositiva.
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Com a finalidade de dar embasamento à escolha dos procedimentos dessa etapa da pesquisa, fizemos um aprofundamento teórico sobre as entrevistas em estudos de caso qualitativo, a observação de exposições em zoológicos e a análise de documentos. Descrevemos os principais critérios definidos, como: a produção de pequenas narrativas nas entrevistas; a observação da estrutura dos recintos; observação da composição do plantel; identificação de quais informações eram disponibilizadas sobre a instituição; dentre outros.
Por fim, descrevemos a proposta da análise de dados, tendo como parâmetro critérios trabalhados nos estudos de caso qualitativo e na pesquisa em educação, acrescidos da proposta de análise textual discursiva. Com isso, foi possível detalhar o procedimento teórico- metodológico que fundamentou a apresentação dos resultados e sua discussão nos próximos capítulos dessa seção.
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CAPÍTULO 4. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS ZOOLÓGICOS VISITADOS
Introdução 1.
Nesse capítulo apresentaremos os primeiros resultados dessa fase, algumas características gerais dos zoológicos visitados. Optamos nesse momento por fazer uma descrição ampla de cada instituição, para que a leitora ou o leitor tenha uma visão geral sobre cada uma delas.
Abordaremos algumas características da localização, do histórico, da área de visitação, das coleções de animais, dos recintos de onça parda e da estrutura de educação ambiental que cada instituição possuía na época da pesquisa. Vale ressaltar que apesar de fazermos essa descrição no presente na maior parte do texto, as instituições não são estáticas, passando por transformações ao longo do tempo. Nesse sentido, algumas dessas características podem ter se alterado.
Ao final faremos uma discussão sobre esses aspectos, comparando as instituições e refletindo sobre potencialidades de cada uma na educação ambiental para a conservação da biodiversidade. Deixaremos registrado também algumas reflexões que não puderam ser aprofundadas nessa tese, mas que podem ser investigadas futuramente trazendo contribuições para a pesquisa em educação ambiental em zoológicos brasileiros.
Apresentação geral dos zoológicos visitados 2.
Os zoológicos visitados são instituições públicas, de responsabilidade do governo municipal. Esse dado segue o padrão encontrado no Brasil, em que a maioria dos zoológicos (85%) é administrada por governos municipais, conforme observamos na lista de sócios da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil - (SZB, 2014b). Em nenhum dos zoológicos participantes dessa pesquisa é cobrado taxa de entrada e a visita pode ser realizada de terça a domingo, durante o dia. Todos estão localizados em área urbana, sendo que alguns se encontram em regiões centrais da cidade.
Eles possuem estrutura de visitação com banheiros, áreas de descanso, bancos, bebedouros e local para alimentação. Possuem equipe de tratadoras e tratadores dos animais, pelo menos um profissional de biologia e um de veterinária e programas de educação ambiental, como determina a instrução normativa do IBAMA nº4/02 (BRASIL, 2002b). Em alguns casos a equipe de educação ambiental faz parte do próprio quadro do zoológico e em outros trabalha em parceria.
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Em todos os zoológicos havia placas informativas em cada recinto sobre a espécie, como determina a instrução normativa nº 04/02 (BRASIL, 2002). Porém, em alguns elas estavam mais conservadas do que em outros.
2.1. Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner"
O Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", em Catanduva, está localizado em uma área bastante urbanizada, próximo à região central da cidade (figura 13). De acordo informações da equipe, ele possui uma área de aproximadamente 2,7 hectares. Como informa sua placa fundamental, ele era originalmente um bosque, criado em 1958 com finalidade de lazer para a população. Observamos por exemplo que algumas árvores e plantas eram identificadas. A equipe contou que ele preservou árvores nativas da Mata Semidescídua que existiam na área e só mais tarde iniciou o recebimento de animais, mas não souberam informar o ano exato em que isso se deu.
Consultamos alguns recortes de jornal antigos guardados pela instituição com matérias sobre o zoológico, o mais antigo que faz menção à existência de animais nele é de 1982, citando aves e mamíferos. Porém, há uma notícia de 1980, que convida a população para a inauguração do novo bosque, mencionando a existência de novas atrações e da realização do 1º Encontro de Criadores de Curiós e Sabiás, que sugere, que já nesse ano poderia haver animais na instituição.
Figura 13. Vista aérea do Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", em Catanduva - SP.
Fonte: Imagem de satélite do Google maps.
A equipe informou também que, visando atender a instrução normativa do IBAMA nº 4/02 (BRASIL, 2002b), a instituição realizou as adequações necessárias para obter registro junto ao IBAMA e que estava na fase final do processo de regularização junto ao órgão
137 ambiental. Na época, a instituição não possuía página na internet e não havia distribuição de material informativo, mas havia uma placa de orientação sobre as regras de utilização do espaço no portão de entrada e pessoas da instituição trabalhando na área de visitação, solícitas a fornecer informações, além do pessoal da segurança (figura 14).
Figura 14. Entrada do Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", Catanduva - SP.
Fonte: fotografia feita pela autora
A área expositiva da instituição não é muito grande e os animais abrigados pelo zoológico de Catanduva são da fauna nativa regional , em sua maioria, de médio e pequeno porte, sendo os maiores a onça parda (Puma concolor), o lobo guará (Chrysocyon brachyurus) e o tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Há principalmente aves e mamíferos, tais como o veado catingueiro (Mazama gouazoubira), capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), ema (Rhea americana), seriema (Cariama cristata), pequenos primatas e psitacídeos. Em um recinto há quelônios e em outro jacarés.
De felídeos encontramos também o gato do mato pequeno (Leopardus tigrinus) e o parente mais próximo da onça parda, o gato mourisco (Puma yagouaroundi). De canídeos além do lobo guará, há o cachorro do mato (Cerdocyum thous) e de mustelídeo, a Irara (Eira barbara), que também é predador. Segundo informações da equipe, enquanto a instituição não tiver finalizado o processo de regularização eles só podem receber animais dos órgãos ambientais, mas mesmo depois, afirmaram que gostariam de trabalhar apenas com a fauna nativa regional.
Alguns recintos são mais antigos e outros mais novos, isso porque segundo a equipe, parte de uma reforma do zoológico já havia iniciado. Os recintos são de modo geral compostos por solo natural, com uma parte de alvenaria e área coberta. As barreiras são de tela, sendo fechados nos casos de alguns animais (figura 15). Muitos deles possuem elementos de enriquecimento ambiental e bastante vegetação em seu interior.
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Há apenas um recinto de onça parda, abrigando dois indivíduos adultos. O recinto possui uma área em alvenaria ao fundo com abrigos, solo natural, um tanque de água, troncos para o animal escalar e sua barreira era de tela, sendo fechado em cima (figura 16). Ele aparenta ser um recinto antigo e de acordo com informações da equipe no projeto de reforma da área expositiva do zoológico, há previsão para a construção de um novo recinto para esses animais, localizado em outra área do zoológico. Segundo informações da equipe, anteriormente ele possuía mais vegetação no interior e na parte frontal para dar mais bem estar aos animais, mas uma forte chuva teria danificado parte da vegetação.
Figura 15. Área de visitação do Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", Catanduva-SP.
Fonte: fotografia da própria autora
Figura 16. Recinto da onça parda no Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", Catanduva- SP.
139 De acordo com informações da equipe, o programa de educação ambiental do zoológico iniciou-se em 1999 e era conduzido pela bióloga e outras pessoas da equipe, mas não contava com um espaço coberto que desse apoio às atividades. Em 2010 uma escola municipal adjacente ao zoológico que estava desativada foi transformada no Centro de Educação Ambiental (figura 17) e em 2011, houve um concurso público para contratar uma pessoa para coordenar as ações educativas.
Figura 17. Entrada do Centro de Educação Ambiental de Catanduva, localizado no Zoológico Municipal "Missina Palmeira Zancaner", Catanduva-SP.
Fonte: fotografia feita pela autora
Apesar de o Centro de Educação Ambiental estar localizado no zoológico, sua equipe também realiza atividades voltadas a outras temáticas em outros espaços do município. A pedagoga é vinculada à secretaria municipal de educação e ela conta com uma equipe de educadoras ambientais, composta por cerca de cinco pessoas, algumas com ensino médio completo, outras cursando curso superior e também professoras da rede municipal de ensino.
No interior desse espaço destinado à educação ambiental há uma sala com brinquedos, livros e outros materiais para atividades educativas, uma sala temática sobre o principal rio da cidade e alguns elementos expositivos e experimentos didáticos, como uma maquete e um modelo que mostrava o efeito da erosão na água dos rios. Na área externa há um pequeno teatro de arena, um jardim sensorial, com ervas e outras plantas e um espaço com árvores frutíferas.
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