5 Utforming av veg og sideterreng
5.4 skjæringer
No âmbito das ciências sociais existem muitas evidências sobre a importância da influência parental nos comportamentos desenvolvidos pelos jovens. Assim, e por exemplo, as crianças e os jovens tendem a copiar muitos
dos hábitos de saúde dos seus pais, incluindo os de risco. Há estudos que indicam existir uma correlação positiva entre as relações dos hábitos de saúde dos pais (tabaco, alimentação, peso, etc.) e os dos filhos (McElroy, 2002).
Os pais são os esteios de todo o desenvolvimento inicial das crianças e jovens ao nível das práticas de socialização e devem estar sempre atentos para poderem ouvir e entender os apelos e os desafios que os jovens lhes dirigem (Almeida, 2000). Na opinião de Fonseca (2002), a mais séria palavra de confiança e esperança para os adolescentes reside nos adultos que os rodeiam. Os trabalhos de meta análise de Sallis et al., (2000), têm mostrado que os pais mais ativos influenciam de forma mais direta os seus filhos do que os menos ativos. Assim, os pais (homens) parecem funcionar como os principais agentes de socialização para as práticas lúdicas e desportivas dos seus filhos.
As experiências de interação, em diferentes contextos, parecem facilitar o modo como os pais interpretam e respondem adequadamente aos sinais dos seus filhos e desempenham um fator crucial na harmonia familiar.
Desta forma, as crianças organizam os seus comportamentos em torno de ambos os pais e em magnitudes semelhantes (Monteiro & Veríssimo, 2010). Os aspetos centrais que caracterizam este tipo de relações não só estão presentes, como são, também organizadores das interações da criança com duas figuras paternais. Existe maior proximidade e contacto físico em relação à mãe, e no caso do pai os comportamentos de relação estão associados com o lazer, nomeadamente à atividade física e desportiva (Lewis & Lamb, 2003; Grossmann et al., 2002).
Assim, as crianças desenvolvem diferentes expetativas e aprendem diferentes padrões de comportamentos, nas interações com cada figura paternal. Para além deste indicador, Matos & Sampaio (2009) referem que uma cultura familiar centrada na partilha de atividades comuns do gosto de todos parecem ajudar a criar um convívio agradável e muito descontraído.
Neste sentido, a família é fundamental para a socialização dos jovens, na configuração dos seus estilos de vida e na forma como eles vivem os seus tempos livres (Gleitman, 2002). A sua atuação é determinante na definição de atitudes, motivações e comportamentos associados ao envolvimento dos jovens em determinado tipo de atividades nesses períodos de tempo (Sharp, Caldwell, Graham & Ridenour, 2006).
Nesta perspetiva, os pais devem orientar os seus filhos nas práticas de tempo livre, tendo em conta os seus interesses e necessidades, proporcionando a diversidade e estabelecendo um diálogo orientado para o levantamento das carências e para os ganhos e perdas que certas atividades podem trazer (Machado, 2000).
É em casa, no seio familiar que a criança, posteriormente jovem, apreende as suas normas e os seus valores. Os pais têm, assim, obviamente, um papel preponderante na formação dos seus filhos, tendo a capacidade de os incentivar ou de os inibir.
Na opinião de Vasconcelos-Raposo (1993), de todos os agentes socioculturais responsáveis pela formação e educação dos mais jovens, os pais são considerados os mais importantes na transmissão das possibilidades comportamentais de um determinado sistema contextual, podendo intervir através de, pelo menos, três processos: (i) com os seus próprios comportamentos; (ii) porque servem de modelos a serem imitados pelas crianças; (iii) relutantemente, recompensam os comportamentos e progressos realizados pelas crianças e jovens.
Assim, as crianças e os jovens terão de ser educados percebendo quais são os valores mais importantes da vida. Para isso é preciso educar a partir de modelos competentes para que aprendam a forma mais correta de enfrentar os problemas que a vida lhes coloca.
Nesta perspetiva é essencial que os pais, como principais figuras representativas para as crianças, respondam de forma racional e emocional, de forma coerente com o que dizem e o que transmitem. A base é mostrar uma conduta de afeto, de confiança de delegação de responsabilidades aos filhos, juntamente com clareza de normas, de limites, de respeito e de autoridade (Urra, 2011; Sá, 2007).
Desta forma, as interações iniciais da criança com o meio ambiente são, normalmente, em contexto familiar e, em particular, com os pais. As experiências vividas em interação com os pais, são fundamentais no modo como a criança se adapta e, especificamente, organiza os seus comportamentos de base segura, para outras relações e outras experiências (Monteiro & Veríssimo, 2010).
Portanto, podemos referir que é no interior da família que o indivíduo mantém seus primeiros relacionamentos interpessoais com pessoas
significativas, estabelecendo trocas emocionais que são um suporte afetivo importante quando os indivíduos atingem a idade adulta. Estas trocas emocionais, estabelecidas ao longo da vida, são essenciais para o desenvolvimento dos indivíduos (Marujo et al., 2005; Romanelli, 1997).
Assim, os recursos pessoais das crianças podem ser educados, potenciados para o desenvolvimento das suas capacidades para enfrentarem e resolverem os seus problemas, transmitindo-lhes formas para conduzir as suas próprias vidas, sem perder a sua autoconfiança e a confiança nos outros e no mundo (Urra, 2011). Ao interagir, diariamente, com os membros da família, a criança e o jovem aprendem os valores, as atitudes e uma parte significativa do seu estatuto na sociedade, podendo ser influenciadas por um conjunto de práticas fundamentais para a formação das suas personalidades.
Esta interação tende a estar relacionada com maiores índices de bem- estar e de ajustamento na adolescência (Field et al., 2002; Branje et al., 2002) e menor envolvimento em comportamentos de risco e em grupos de pares desviantes (Mounts, 2002; Ardelt & Day, 2002).
Neste perspetiva, os pais que dedicam grande parte dos seus tempos livres a sentirem o gosto em estar com os seus filhos percebem depressa que esse tempo é um dos ingredientes fundamentais de uma família saudável (Sampaio, 2011). Deste modo, a família determina as primeiras relações sociais, bem como o contexto onde ocorrem as aprendizagens, essas relações devem acontecer num sistema dinâmico, sendo influenciado através do desenvolvimento sociocultural e histórico, e pelos ciclos/transição dos seus constituintes (Fernandes, 2008; Bell & Bell, 2005; Sprinthall & Collins, 2003).
Também na adolescência, a ação educativa parental é posta à prova como nunca o fora. Os filhos pugnam pela autonomia, edificam a própria identidade a partir do seu desenvolvimento psíquico interno e das interações que estabelecem com as pessoas do seu universo relacional (Sampaio, 2006b). Uma forte ligação e comunicação entre pais e filhos influenciam as suas atividades de tempos livres. A supervisão parental demonstrou ser importante, bem como os comportamentos dos pais em família, as regras estabelecidas em casa e o envolvimento ativo dos pais nas atividades (Powell & Chaloupka, 2005). A comunicação e o passar tempos conjuntamente são fundamentais para o desenvolvimento das relações intergeracionais. Do mesmo modo, para o
funcionamento adequado da família, é fundamental manter o equilíbrio entre as necessidades de cada indivíduo e as do agregado familiar (Sampaio, 2013). Para tal, o diálogo assume um papel decisivo no ajustamento psicossocial, na saúde mental, no desenvolvimento de competências psicossociais e comportamentos de saúde dos jovens que se revela no equilíbrio emocional, consolidado pelas relações familiares e de amizade (Bassi & Delle Fave, 2004; Ardelt & Day, 2002; Van Well, Bogt & Raaijmakers, 2002).
O resultado do estudo efetuado por Sharp, Caldwell, Graham & Ridenour (2006) sugere que o papel educativo dos pais, bem como o controlo e conhecimento dos tempos livres dos jovens, para além de ajudarem os pais a facilitar o uso saudável desse tempo, pode também aumentar o interesse dos jovens bem como desenvolver-lhes a capacidade de auto regulação. Assim, é fundamental que os pais tenham conhecimentos acerca das suas motivações, interesses e das atividades desenvolvidas nos tempos livres. A questão que muitas vezes se coloca é saber de que modo os pais podem obter tais informações e envolverem-se diretamente nas práticas de lazer dos seus filhos. Neste sentido, Pelck & Masciadrelli (2004) e Lamb (1987) distinguem três componentes do envolvimento: (i) a participação, interação direta com a criança e o jovem no contexto da prestação de cuidados e de atividades partilhadas; (ii) a acessibilidade à criança e ao jovem, quer ocorra ou não interação, os pais estão vigilantes de modo a responder caso seja necessário; (iii) a responsabilidade que cada progenitor assume pelo bem-estar da criança e do jovem.
Segundo Sharp, Caldwell, Graham & Ridenour (2006), os adultos que melhor contribuem para o aproveitamento de todo o potencial formativo das atividades de tempos livres dos jovens não são os que impõem o tipo e estrutura de atividades, mas sim que os conseguem criar um contexto de envolvimento favorável, configurado por um conjunto de princípios e valores que orientam as decisões e comportamentos dos jovens. Os pais devem constituir-se, pois, como bússolas éticas para os filhos, providenciando as referências e os valores acerca do mundo social e do contexto dos tempos livres. A família pode ajudar a desenvolver atitudes apropriadas nos jovens, as quais podem perdurar para o resto das suas vidas.
Por outro lado importa salientar que, relativamente aos tempos livres dos adolescentes, coloca-se a questão sobre a necessidade de se encontrar um equilíbrio entre o controlo do adulto versus o controlo do adolescente ou entre o controlo e a facilitação (Sharp, Caldwell, Graham & Ridenour, 2006). Esta é uma questão que continua a preocupar os investigadores, uma vez que é fundamental a obtenção de mais dados sobre o grau de liberdade que deve ser dado aos adolescentes para que eles sejam os agentes do seu próprio desenvolvimento, ou até que ponto, se esta opção contar com os conhecimentos e conselhos dos adultos, não poderá ser mais valiosa para o desenvolvimento das crianças e jovens.
Segundo Parke & Gladstone (1996) deve-se distinguir claramente o nível de envolvimento nas tarefas de cuidados à criança e nas atividades de lazer diferenciado, deste modo, os contextos e tipos de interação. Tal distinção possibilita uma análise mais específica dos papéis parentais e dos seus efeitos no desenvolvimento da criança. Uma segunda análise ao nível do envolvimento absoluto e relativo, considerando que as famílias onde o envolvimento relativo de mães e pais é semelhante, constituem ambientes muito distintos para as crianças, comparativamente com aqueles em que o nível de envolvimento é muito desigual.
De acordo com a pesquisa desenvolvida por Kerr & Stattin (2000), a opinião dos pais e dos jovens aponta no sentido do desenvolvimento de um ambiente familiar onde os jovens tenham condições para que, livremente e de uma forma aberta, possam falar sobre diversas temáticas, como sendo a melhor maneira para que aqueles possam ter acesso a várias informações.
Num estudo, Torres (2004) verificou que existem grandes mudanças na estrutura tradicional familiar, o trabalho dos pais condiciona as relações destes com os seus filhos, mas que os pais participam cada vez mais ativamente e de forma igualitária, não só nas tarefas domésticas mas, também, na vida dos seus filhos, ao nível das atividades de lazer (mais características das interações pais/criança) mas, também, nas tarefas de organização/cuidados (mais características das interações maternas). O mesmo estudo refere que uma maior participação do pai é fundamental para o desenvolvimento dos seus filhos.
Também, no estudo de Seabra et al. (2004), com uma amostra de 5850 crianças e adolescentes e utilizando o questionário de Baecke, refere-se que a
probabilidade dos filhos praticarem desporto foi maior quando a mãe e/ou o pai praticavam desporto. No ensino secundário foi clara a presença de uma associação estatisticamente significativa entre a prática desportiva dos pais e dos filhos.
Nesta perspetiva, os pais constituem-se como uma das principiais razões pelas quais os filhos se envolvem em determinada atividade, sendo dos principais fatores de adesão dos seus filhos à prática desportiva. É que, cabe aos pais a escolha da atividade desportiva dos seus filhos, centrando os seus interesses naquela que julguem mais benéfica para estes. Além disto, têm, também, em conta fatores como acessibilidades, recursos económicos e transportes. Todas estas variáveis são cruciais na escolha da modalidade desportiva ou de qualquer prática desportiva dos filhos.
São, de facto, os progenitores que servem de modelos aos filhos. Assim, mesmo que inconscientemente, os pais tendem a incentivar à prática de uma modalidade que o pai ou a mãe já praticaram na sua juventude. Acima de tudo, os pais são os modelos dos filhos e daí advém a importância de incentivar no adulto a prática de exercício físico regular, apontando não só os benefícios para si próprio mas também o facto de servir de referência para os seus filhos (Gomes, 2001).
Assim, a orientação motivacional dos jovens para a prática desportiva depende grandemente dos seus outros significativos, uma vez que aqueles, apesar de se orientarem avaliando o seu próprio progresso, têm particularmente em consideração os julgamentos e as avaliações efetuadas pelos outros significativos (Brustad, 1996). Do mesmo modo, a aceitação social e o apoio dos seus pares e outros significativos, incluindo os pais, são razões indicadas pelos jovens para a adesão e manutenção na prática desportiva.
No domínio desportivo, o estilo parental adotado pelos pais, que, por sua vez, traça-se tendo por base as suas orientações cognitivas ou os seus objetivos de realização, induz um clima motivacional determinante no envolvimento desportivo dos jovens (Palffy & Martin, 2008). Efetivamente, e de acordo com Babkes & Weiss (1999), os pais têm um impacto substancial nas experiências desportivas nos seus filhos.
Os momentos de tempo livre, orientados para práticas desportivas, podem e devem ser importantes como reforço da afetividade que regula a relação entre
pais e filhos (Mothé, 1997). São espaços que devem permitir em conjunto, desfrutar de momentos de prazer que a atividade lúdica proporciona, em que as normas são exteriores às partes interessadas ou definidas e acordadas por elas (Machado, 2000).
Num inquérito realizado em França, 70% dos jovens entre os 11 e os 19 anos, declararam que a sua família era fundamentalmente um local de acolhimento, de diálogo e de comunicação (Braconnier, 2002).
Em Portugal, no estudo de Margarida Gaspar de Matos & equipa do projeto Aventura Social e Saúde (2003), feito a crianças e jovens de várias escolas e com idades dos 11 aos 15 anos, sobre os comportamentos de saúde dos adolescentes e os fatores que os influenciam, surgem referências importantes que indicam a influência parental nas escolhas feitas, pelos adolescentes, nos seus tempos livres: (i) são as raparigas e os indivíduos mais novos que mais dizem que os pais sabem quem são os seus amigos, onde vão a seguir à escola e onde vão à noite; (ii) são as raparigas que mais dizem que os pais sabem o que fazem nos tempos livres; (iii) são os indivíduos mais novos que mais frequentemente dizem que os pais sabem como gastam o dinheiro.
Ainda, numa perspetiva de influência da família para a aquisição de hábitos de atividade física, um estudo realizado por Marivoet em 2001, evidencia a importância da transmissão de valores de cultura desportiva na instituição familiar, assim como a aquisição de hábitos desportivos nas gerações mais novas.
Assim, no contexto desportivo, a família tem sido definida como um dos principais mecanismos de influência de prática de atividade física por parte de crianças e jovens. A família, enquanto local de socialização desportiva, pode ser o reflexo de influências culturais, económicas, específicas de cada sociedade (Pate & Ross, 1987; Yang et al., 1996).
A influência das famílias na atividade física e desportiva das crianças e adolescentes tem sido frequentemente avaliada. Os estudos revelam que os membros familiares, especialmente os pais, influenciam os níveis de atividade física. Contudo, estudos há que demonstram influências mais moderadas, acentuando a perspetiva dos pais mais ou menos ativos influenciarem os filhos também a serem mais ou menos ativos (Mota & Sallis, 2002).
Os estudos desenvolvidos no âmbito da dinâmica familiar, têm procurado analisar a influência da evolução da estrutura familiar na formação e atividades de lazer dos indivíduos envolvidos. Assim, tem vindo a gerar um certo consenso sobre o facto da família nuclear fundada no casamento ser a mais vantajosa para as partes envolvidas, principalmente para os elementos mais novos, as crianças (Espada, Gambôa & Branco, 2004; Papalia et al., 2004).