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Sikkerhet

In document Årsrapport 2010 Oslo, 11. mars 2011 (sider 12-15)

A escolha pela Análise de Conteúdo (AC) se justifica pelo fato de que esse método é capaz de evidenciar, com auxílio da perspectiva estatística, as tendências e padrões de apresentação das notícias.

A AC encara os textos jornalísticos como dados passíveis de interpretação, a partir dos quais são construídas categorias e unidades de análise que correspondem a determinadas características a serem investigadas. No caso desta pesquisa, por exemplo, um dos objetivos específicos foi entender se o noticiário sobre crimes violentos vitimando jovens varia de acordo com a presença de informações pessoais ou socioeconômicas da vítima, relacionando esses vieses a outros, como o destaque recebido pela matéria, o tamanho, a veiculação de fotografias, entre outros.

Nesse sentido, quando confrontados com cada matéria analisada, esses informes acabam se traduzindo em indicadores numéricos, como frequências e porcentagens, e fornecem subsídios gerais para discussões e inferências qualitativas posteriores. Unem-se, assim, os aspectos quantitativo e qualitativo.

Por esse olhar, a pesquisadora Heloiza Herscovitz (2007) destaca que, mesmo diante de um grande volume de dados, a AC reduz a complexidade do corpus a resultados os mais diretos possíveis, a partir das unidades de análise (o que se busca perguntar ao objeto) construídas e descritas pelo pesquisador, de modo que essa explicitação permita que o estudo seja replicável e verificável. É bastante útil, portanto, na comparação entre produtos midiáticos, como se fez com o Correio e com o Jornal da Paraíba.

[A AC] serve também para descrever e classificar produtos, gêneros e formatos jornalísticos, para avaliar características da produção de indivíduos, grupos e organizações, para identificar elementos típicos, exemplos representativos, discrepâncias e para comparar o conteúdo jornalístico de diferentes mídias em diferentes culturas. (HERSCOVITZ, 2007, p. 123)

Bauer (2002) exemplifica algumas conclusões a que Análises de Conteúdo podem chegar. Explica o autor que, se a repetição de palavras, expressões ou temas pode passar despercebida no olhar do leitor comum, o trabalho do pesquisador consegue identificá-las como indícios que se referem a prováveis intenções ou identificações do objeto analisado, como atingir determinado público ou enfatizar certos pontos de vista. “Tais conjeturas podem inferir os valores, atitudes, estereótipos, símbolos e cosmovisões de um texto sobre o qual pouco se sabe” (BAUER, 2002, p. 193). Da mesma forma, no jornalismo, a atenção voltada a

certos assuntos ou a escolha de determinadas abordagens também pode refletir o tipo de interesse – ou valor-notícia – dado aos temas.

Uma boa definição do que vem a ser a Análise de Conteúdo é trazida por Herscovitz (2007).

Método de pesquisa que recolhe e analisa textos, sons, símbolos e imagens impressas, gravadas ou veiculadas em forma eletrônica ou digital encontrados na mídia, a partir de uma amostra aleatória ou não dos objetos estudados, com o objetivo de fazer inferências sobre seus conteúdos e formatos, enquadrando-os em categorias previamente testadas, mutuamente exclusivas e passíveis de replicação. A identificação sistemática de tendências e representações obtém melhores resultados quando emprega, ao mesmo tempo, a análise quantitativa (contagem de frequências do conteúdo manifesto) e a análise qualitativa (avaliação do conteúdo latente a partir do sentido geral dos textos, do contexto onde aparece, dos meios que o veiculam e/ou dos públicos aos quais se destina). (HERSCOVITZ, 2007, p. 126-127)

A definição da autora reúne uma série de visões acerca do método, que já vem sendo aplicado há bastante tempo. Embora remeta oficialmente ao início do século XX, a história da Análise de Conteúdo tem suas raízes no século XVII. Conforme observa a pesquisadora francesa Laurence Bardin (2009), há registros, nesse período, de casos isolados que parecem ter sido ACs prematuras. Em 1640, por exemplo, a investigação acerca de 90 hinos religiosos, na Suécia, debruçou-se sobre variáveis como temas, valores, modalidades de aparição (favorável ou não) e complexidade estilística. De igual forma, lembra Bardin, entre 1888 e 1892, o francês B. Bourbon trabalhou o livro bíblico Êxodo e, entre 1908 e 1918, estudou-se sociologicamente a integração de emigrantes polacos na Europa e na América.

Somente nos primeiros 40 anos do século XX, porém, a Análise de Conteúdo se desenvolveu, nos Estados Unidos. A disseminação do método se deu a partir da Escola de Jornalismo de Columbia, investigando temas como grau de sensacionalismo das publicações jornalísticas. Com a Primeira Guerra Mundial, o estudo da propaganda passou a ser uma das temáticas centrais nas pesquisas com AC, o que veio a se intensificar com a eclosão da Segunda Grande Guerra. A figura de Harold Lasswell – um dos fundadores dos estudos midiáticos nos Estados Unidos – aparece associada à origem da AC aplicada à comunicação. Segundo lembra Herscovitz (2007), Lasswell a via como um método capaz de descrever, com precisão, o que era dito sobre um determinado tema, em um dado espaço.

Dada a influência positivista e o alcance do behaviorismo28 nas ciências psicológicas àquela altura, a Análise de Conteúdo, em seus primeiros momentos, esteve muito ligada à

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Conforme descreve Bardin (2009), o behaviorismo “rejeita a introspecção intuitiva em benefício da psicologia comportamental objetiva. Trata-se de descrever o comportamento enquanto resposta a um estímulo, com um máximo de rigor e cientificidade” (p. 17).

ideia de cientificidade, rigor e comprovação dos dados apresentados. Na prática, isso se fez muito visível com a aplicação do método nas ciências políticas. Segundo observa Bardin (2009), nos anos de 1940, 25% dos estudos empíricos que utilizavam a AC, nos Estados Unidos, pertenciam a essa área. A preocupação era, sobretudo, de identificar, com uma garantia que se prometia científica, jornais e demais periódicos suspeitos de propaganda subversiva/nazista.

Oscilando momentos de confiança e descrédito, por sua preocupação estatística, o método ganhou novos contornos com o interesse de pesquisadores de áreas variadas, durante as décadas posteriores. Não mais a simples descrição de resultados passou a ser o objetivo da AC, pois a inferência qualitativa ganhou espaço. Um aliado nessa expansão foi a tecnologia, já que a invenção e popularização de computadores, ao final na década de 60, permitiu a contabilidade de dados antes inimagináveis, se feitos manualmente.

O fato é que, conforme destaca Herscovitz (2007), o enfoque quali/quanti segue garantindo à AC o contínuo interesse de pesquisadores ao longo dos anos, por trabalhar com os conteúdos manifestos (visíveis através das porcentagens) e os latentes (ocultos ou subentendidos). Viabiliza-se, portanto, que “se compreenda não somente o significado aparente de um texto, mas também o significado implícito, o contexto onde ele ocorre, o meio de comunicação que o produz e o público ao qual ele é dirigido” (HERSCOVITZ, 2007, p. 126).

Foi essa a intenção abraçada por este trabalho. Os dados estatísticos obtidos a partir dos estudos do Correio da Paraíba e do Jornal da Paraíba foram apenas o primeiro passo da investigação. À identificação das tendências de apresentação das notícias sobre jovens vítimas de crimes violentos, seguiu-se uma segunda fase, em que se discutem as significações dos fenômenos postos em destaque pela verificação de frequências, nos dois periódicos.

In document Årsrapport 2010 Oslo, 11. mars 2011 (sider 12-15)