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O processo de implantação do Programa em Várzea Paulista ocorreu de forma diferenciada dos demais municípios. Tendo participado de todo o processo de solicitação de abertura de turmas junto ao campus São Paulo do IFSP, o município foi encaminhado para a abertura de turmas junto ao campus Salto, tendo sido anteriormente cogitada, pela Pró- Reitoria de Ensino, a possibilidade de implantação junto ao campus de Bragança Paulista. A primeira negociação com o campus Salto não se mostrou satisfatória, uma vez que haviam sido identificados problemas em uma experiência anterior de PROEJA FIC realizada em parceria com a cidade de Salto, os quais comprometeram o andamento do curso. Somente após a interferência da Pró-Reitoria junto a essa unidade do IF, viabilizou-se a abertura das negociações para a implantação do PROEJA FIC na cidade de Várzea Paulista; dessa forma, foi acertada a implantação de duas turmas, com início no ano de 2012.

Para além da experiência de implantação e desenvolvimento do PROEJA FIC na cidade de Guarulhos, mais próximo do desenho oficial e inicial do Programa, a implantação

em Várzea Paulista junto ao campus Salto se mostrou mais estável do que as experiências anteriormente descritas. A começar pela escolha do curso, foi possível ao município negociar junto ao IFSP quais poderiam ser os cursos mais adequados, dentro dos limites de oferta do Instituto, relacionados à sua área de atuação. Durante as negociações, o campus Salto solicitou ao gestor municipal uma análise socioeconômica do município. Essa análise foi entregue ao Instituto que, na sequência, requereu ao município a organização de um fórum com os empresários da cidade, a fim de identificar qual era a demanda existente por mão de obra e orientar o Instituto quanto à proposição de cursos adequados às necessidades locais. Após acertos e considerações por parte do gestor da EJA do município quanto às necessidades dos alunos trabalhadores, o PROEJA FIC contemplou os cursos de Gestão Básica de Negócios e Informática Básica. As matrizes curriculares dos cursos FIC foram discutidas entre os coordenadores das áreas e o gestor da EJA do município. Na ocasião, o município de Salto também esteve presente na discussão, uma vez que se encaminhava a possibilidade de oferta nessa cidade. A forma pela qual foi elaborado o Projeto Pedagógico, encaminhado à SETEC/MEC, ocorreu de maneira diferenciada da realizada com o campus São Paulo, pois a experiência vivida com a implantação anterior propiciou que o Projeto reconsiderasse os problemas de encaminhamento.

A implantação das turmas deu-se em meio a um período um tanto conturbado pelo contexto eleitoral existente no município e no IFSP: no município, por se tratar do último ano da gestão municipal vigente, e, no Instituto, pelo processo de eleição para Reitor e Diretor em alguns campi, incluindo o campus Salto. De acordo com G8, esse contexto interferiu no processo de implantação, principalmente no segundo semestre, posto que o acompanhamento, tanto da gestão municipal quanto do IF, sofreu interferência dessa situação.

Os alunos chegaram ao Programa por meio de chamada pública, divulgada em jornais, rádio e televisão. Em um primeiro momento, não houve a procura pretendida, e após dois meses, as turmas foram completadas com parte dos alunos egressos do primeiro segmento do ensino fundamental da EJA.

De acordo com o que prevê o Ofício nº 40/09, foi realizada pelo campus a formação inicial de 40 horas. Essa formação constou da apresentação, pelo Instituto, do PROEJA FIC, bem como de um panorama da EJA, de como o campus Salto compreendia a modalidade, a educação profissional e o acompanhamento do Programa. G8 afirma que, segundo relato dos participantes ligados à Secretaria de Educação, a avaliação foi positiva, na medida em que o

campus apresentou uma concepção de EJA de matriz freireana, indicando proximidade com a

pela Secretaria de Educação, no início do segundo semestre de 2012, com duração de 15 dias, contando com a participação do campus Salto em 2 dias. Integraram a formação os Coordenadores das Áreas de Gestão e Informática, a Pedagoga do campus e o Coordenador responsável pelo PROEJA FIC no campus.

Além das formações, foram realizadas duas visitas de acompanhamento em 2012, sendo que uma delas atendeu à necessidade de esclarecimentos junto aos estudantes sobre o receio que estes demonstravam quanto à troca da administração municipal e, como consequência, a possível suspensão do curso. No que se refere ao auxílio financeiro do IFSP ao Programa, este se restringiu ao repasse das bolsas de auxílio estudantil e ao fornecimento de uniformes do Instituto.

A rede de EJA do município atende ao primeiro e ao segundo segmentos do ensino fundamental. Conforme apresentado em capítulo anterior, a oferta da modalidade na cidade se iniciou no ano de 2008 e, atualmente, o município conta com sete escolas que ofertam a EJA. Os segmentos estão organizados em 1º ciclo (anos iniciais) e 1º, 2º, 3º e 4º termos correspondentes às séries finais, cada termo com duração semestral. Não havia ainda, por ocasião da pesquisa, um currículo organizado para a modalidade, pois a Secretaria de Educação havia promovido um processo de discussão curricular, e a proposta estava em vias de ser finalizada por sua assessoria, sob a responsabilidade da professora Ana Maria Saul, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Ao final do ano de 2012, a proposta curricular organizada chegou às escolas no documento intitulado “Proposta Curricular de Várzea Paulista (SP): em Busca do Inédito Viável”. Esta proposta curricular abarca diferentes segmentos da educação, sendo que a parte destinada à Educação de Jovens e Adultos não se configura ainda como uma proposta curricular, embora se intitule “Proposta de Planejamento para Educação de Jovens e Adultos”. De acordo com o documento, a proposta curricular para a modalidade estava em construção pelo coletivo de professores da EJA I; dentre as dimensões abordadas, observa-se, além da menção aos referenciais legais, as orientações teóricas de Paulo Freire no tratamento de itens como metodologia, avaliação e outros. No que concerne à concepção de educação, afirma a promoção da formação integral do ser humano, tendo como eixo norteador a leitura crítica do mundo do trabalho e a reafirmação da necessidade de programas de EJA articulados com a Educação Profissional, tal como colocado pelo PROEJA FIC (VÁRZEA PAULISTA, 2012, p. 75).

O PROEJA FIC, diferentemente dos demais municípios já apresentados, foi implantado nos anos finais do ensino fundamental. Foram ofertadas duas turmas na CEMEF Prefeito João Aprillanti, que atende o ensino fundamental dirigido às crianças, no período da

manhã e da tarde, e a EJA, à noite, com outras salas dessa modalidade, além das destinadas ao Programa. A escola conta com uma coordenadora pedagógica, mas que não atende à EJA no horário noturno. O acompanhamento do Programa, bem como das demais salas de EJA na escola ficava a cargo do vice-diretor, que não realizava as ações de intervenção pedagógica. Dada a dificuldade inicial de reunir os professores da base comum – Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências – e da formação profissional, estabeleceu-se um dia na semana para o Horário de Trabalho Pedagógico (HTP). Nesse dia, os professores das demais disciplinas (de Língua Espanhola, Educação Artística, Educação Física e Língua Inglesa) assumem as aulas, possibilitando que os demais se reúnam. A responsabilidade pela formação continuada cabia ao gestor da EJA e ao IF. O gestor acompanhou no início, mas não manteve a continuidade na sequência, em função dos compromissos da Secretaria. Dessa maneira, mesmo garantida a realização do HTP, esse espaço carecia de uma coordenação pedagógica. Por essa e outras razões, as quais serão abordadas nos itens adiante, não existiu no desenvolvimento do Programa a formulação de um currículo integrado. O Programa contou com uma grade curricular para sua execução, mas a existência da grade não significou um movimento de integração curricular. A título de ilustração, segue a grade curricular do curso de Gestão Básica de Negócios:

Quadro 3 - Quadro curricular dos componentes técnicos PROEJA FIC Várzea Paulista 2012-2013

ÁREAS DO CONHECIMENTO CICLO III CICLO IV TOTAL

B A SE N A C IO N A L C U MUM

LINGUAGENS 210 horas 210 horas 420 horas

MATEMÁTICA E CIÊNCIAS NATURAIS 210 horas 210 horas 420 horas

CIÊNCIAS HUMANAS 120 horas 120 horas 240 horas

TOTAL DA BASE COMUM 540 horas 540 horas 1080 horas

PA R T E D IVE R SIFI - CADA

LÍNGUA ESTRANGEIRA 60 horas 60 horas 120 horas

continuação

ÁREAS DO CONHECIMENTO CICLO III CICLO IV TOTAL

FORMA Ç Ã O PR O FISS IO N A L IZA N T E

INFORMÁTICA 66,66 horas --- 66,66 horas

VISÃO GERAL DE ECONOMIA,

EMPREENDEDORISMO E MERCADO 33,33 horas --- 33,33 horas

MATEMÁTICA FINANCEIRA 33,33 horas --- 33,33 horas

NOÇÕES DE PLANEJAMENTO E CONTROLE

DE TEMPO --- 33,33 horas 33,33 horas

PLANO DE NEGÓCIOS --- 66,66 horas 66,66 horas

ORÇAMENTO E CUSTEIO --- 33,33 horas 33,33 horas

TOTAL GERAL 733,33 horas 733,33 horas 1466,66 horas Fonte: Arquivo pessoal de PQ3.

Os professores das disciplinas da formação geral são concursados pela rede municipal e, além de atenderem às turmas de PROEJA FIC, também se dividem entre as demais turmas de EJA da escola. Os professores da formação inicial pertencem ao quadro de funcionários do município; uma das professoras tem formação em administração de empresas e atua no setor de recursos humanos e a outra atua na rede municipal, na área de informática, sendo que as contratações para participarem do Programa foram realizadas fora de sua jornada regular de trabalho.

Quanto ao material de consumo para os cursos, esses eram praticamente inexistentes, considerando-se que, além do laboratório de informática já existente na escola, os cursos não demandavam o uso de outros insumos senão aqueles já disponibilizados pela escola aos alunos.

As turmas iniciaram o ano de 2012 com 20 alunos no PROEJA FIC de Informática Básica e 23 alunos na turma de Gestão Básica de Negócios. Ao final de 2012, a sala de Informática contava com 15 alunos e Gestão Básica de Negócios com 14.