2.2 Modell for sårbarhetsvurdering
2.2.4 Sensitive enheter for dyreliv
Para Dewey (1959, p. 2), a vida humana, além de subentender uma existência física de um ser, em sua concepção antropológica, ela também “[...] subentende costumes, instituições, crenças, vitórias e derrotas, divertimentos e ocupações”. Seguindo este raciocínio, é por meio da transmissão de experiências que a vida pode ser continuamente renovada, tanto nos seus aspectos físicos, quanto em seus aspectos sociais. Desta forma, a comunicação das experiências e conhecimentos dos adultos aos seres mais novos e imaturos, expressa a relevância da educação, a qual contribui com a continuidade da vida característica de determinada comunidade.
Conforme o progresso da civilização, este processo educativo torna-se mais complexo, abrangendo então tantoas aptidões e habilidades essenciais à vida física, quanto às capacidades técnicas, artísticas, científicas e morais, atribuindo então uma função muito importante à escola, visto que ela se constituirá como um meio que intermediará esta transmissão.
A sociedade subsiste, tanto quanto a vida biológica, por um processo de transmissão. A transmissão efetua-se por meio da comunicação – dos mais velhos para os mais novos – dos hábitos de proceder, pensar e sentir. Sem esta comunicação de ideais, esperanças, expectativas, objetivos, opiniões, entre os membros da sociedade que estão a sair da vida do grupo, e os que na mesma estão a entrar, a vida social não persistiria. Se os membros adultos de uma sociedade vivessem indefinidamente, poderiam educar os novos membros mas seria uma tarefa inspirada mais pelo interesse pessoal do que pelas necessidades sociais. Como as coisas são, educar é uma questão de necessidade (DEWEY, 1959, p. 3).
Na sociedade a educação se encarregará de transmitir as coisas que as pessoas possuem em comum umas com as outras e que propiciam a vida em comunidade. Considerando que a sociedade é composta por várias comunidades, o autor explica que a sociedade não é constituída pelo convívio próximo entre as pessoas, mas sim pelos fins em comum que elas compartilham entre si. Desta forma, quando não há coparticipação de objetivos e nem comunicação de interesses, não há relações sociais, em razão de que os interesses que existirem serão particulares. Dewey (1959, p. 4, grifos do autor) mais especificamente diz que “A sociedade não só continua a existir pela transmissão, pela comunicação, como também se pode perfeitamente dizer que é transmissão e é comunicação. Há mais que um nexo verbal entre os termos comum, comunidade e comunicação”. Logo, para o autor, a vida social é educativa, tendo em vista que nela, por meio da comunicação, as pessoas estão constantemente adquirindo e compartilhando as experiências dos mais diferentes tipos e formas11.
De fato, os seres humanos novos são tão incapazes que, abandonados a si mesmos, sem a direção e o amparo dos mais velhos, nem mesmo adquiririam as habilidades rudimentares necessárias à existência material. Comparados com os filhos de muitos animais inferiores, os seres humanos tem tão minguadas aptidões, que a própria habilidade requerida para a alimentação física precisa ser adquirida por meio de ensino. Quanto mais no que diz respeito à aquisição das capacidades técnica, artística, científica e moral da humanidade (DEWEY, 1959, p. 4).
Assim, vamos percebendo a importância da linguagem, pois esta se manifesta no compartilhamento de experiências, estabelecendo uma transmissão física de pensamentos e conhecimentos de um indivíduo a outro, por meio de uma transmissão de sons, sinais e códigos reciprocamente inteligíveis – considerando que, na linguagem, esses sons, sinais e códigos em relação às coisas abrangem as mesmas acepções, sentidos e valores para as pessoas (DEWEY, 1959). Nesta perspectiva, sem a comunicação não nos é possível pensarmos na existência da sociedade e muito menos na educação, a qual sustenta sua manutenção.
Dentre a educação, podemos notar uma subdivisão que a distingue em “educação natural” ou “casual” – aquela que se dá na convivência conjunta entre as pessoas, conhecida pelos educadores como “educação informal” – e a “educação
11 Assim, Dewey (1959, p. 6) nos explica que a comunicação se assemelha a arte, em razão
intencional” – aquela direcionada aos mais novos, conhecida na esfera escolar como “educação formal”. O valor da educação casual se dá pela ampliação e pelo aperfeiçoamento da experiência. Já no que se refere à educação intencional, pelo motivo da evolutiva complexidade dos conteúdos a serem transmitidos às crianças, as matérias foram gradativamente sendo criadas, ao mesmo tempo em que determinadas pessoas também foram sendo capacitadas para tal encargo nas escolas. Isso por que:
Sem essa educação formal é impossível a transmissão de todos os recursos e conquistas de uma sociedade complexa. Ela abre, além disso, caminho a uma espécie de experiência que não seria acessível aos mais novos, se estes tivessem de aprender associando-se com outras pessoas, desde que livros e símbolos do conhecimento têm que ser aprendidos (DEWEY, 1959, p. 8).
Considerando que o termo educação para Dewey (1959, p. 11) “[...] significa exatamente um processo de dirigir, de conduzir ou de elevar”, entendemos que a educação na sociedade proporciona condições de crescimento para os indivíduos. Desta forma, a educação modela e nutri os indivíduos por meio de “[...] interesses, intuitos e ideias correntes no grupo social [...]” (DEWEY, 1959, p. 11), através da transformação das condições da experiência.
Contudo, o ambiente e os meios que se constituem nas condições necessárias para que uma determinada atividade se realize ou se iniba. Em suma, “[...] o meio ambiente consiste naquelas condições que desenvolvem ou embaraçam, estimulam ou inibem, a atividade característica de um ser vivo” (DEWEY, 1959, p. 12, grifo do autor). As coisas serão estimadas, desprezadas ou desvalorizadas de acordo com os interesses e as ocupações do grupo social, sendo assim, o ambiente social exercerá grande influxo formativo e educativo na vida daqueles que vivem em comunidade, de maneira que aquele que não participar da vida do grupo ao que pertence, será considerado como um ser estranho ou incapaz. É nesse sentido que o ambiente social exerce influências determinantes sobre as atividades e as tendências das pessoas.
Um ser cuja atividade se acha associada à de outros tem um ambiente social. O que ele faz e pode fazer depende dos desejos, exigências, aprovação e reprovação dos outros. Um ser ligado a outros seres não pode desenvolver a própria atividade sem tomar em linha de conta a atividade dos outros (DEWEY, 1959, p. 13).
Portanto, atitudes, sentimentos e pensamentos são, por essência, sociais a partir do momento em que implicam relações associadas entre os atos de outras pessoas. Segundo Dewey (1959), o ambiente exerce um influxo forte, mas ao mesmo tempo inconsciente nos hábitos de linguagem, nas maneiras e no bom gosto e apreciação estética: os “hábitos de linguagem” são formados durante as relações cotidianas; as “maneiras” constituem-se em meio aos estímulos habituais através da mentalidade ambiente, dos atos habituais e da boa criação; já o “bom gosto e apreciação estética” são constituídos por meio de constantes exposições de coisas agradáveis ao olhar do indivíduo, desenvolvendo então maior apreço. Por esta razão, muitas vezes é necessário tomarmos uma postura crítica por aquilo que achamos que é correto, pois “[...] as coisas que aceitamos como certas sem exame ou reflexão são precisamente as que determinam nosso pensamento consciente e nossas conclusões” (DEWEY, 1959, p. 20).
Diante deste quadro, a educação, segundo Dewey (1959, p. 25), “[...] serve de direção, controle ou guia”: como “guia”, por meio da cooperação, a educação auxilia as aptidões naturais dos indivíduos guiando-os; como “controle”, a educação exerce uma força que atua exteriormente contra algum tipo de resistência em relação ao objeto dominado e proporciona capacidades em relação ao domínio e a regulação; já como “direção”, a educação orienta uniformemente as tendências individuais e cativas dos dirigidos para algum sentido determinado. Contudo, a função fundamental da educação é a direção, pois além de ela ter a tendência em tornar-se um auxílio condutor, por outro lado extremo-oposto, ela tende a tornar-se uma regulação ou se transformar em regras.
O controle deve ser utilizado para que os indivíduos aprendam a subordinar seus impulsos naturais aos fins públicos e comuns. Isso porque existem inúmeras vantagens em se participar das atividades uns dos outros, por meio das ações conjuntas e das cooperações nas realizações comuns – fato que torna possível a existência da comunidade. Em suma:
Controle, em verdade, significa apenas um encarecimento da direção de forças ou capacidades e compreende não só a regulação e domínio conseguidos por algum indivíduo por meio de seus próprios esforços como também a que se produz quando outros assumem a direção (DEWEY, 1959, p. 26).
Portanto, diante de tais elucidações, o autor explica que “Em geral, todo o estímulo dirige a atividade. Não somente a suscita, como também a dirige para um objeto” (DEWEY, 1959, p. 26), por meio de provocações de respostas, as quais estarão se correspondendo – e não apenas reagindo ou protestando – de maneira reciprocamente adaptadas.
Seguindo tal lógica, no campo da educação, Dewey (1959) distingue os “adestramentos” ou “treinos” do ensino verdadeiramente “educativo”. Nos adestramentos - que por sinal são muito comuns na esfera escolar - os instintos do indivíduo “[...] ficam presos aos objetos que lhe originaram a dor ou o prazer” (DEWEY, 1959, p. 14), enquanto que nos ensinos que de fato são educativos, o indivíduo participa da atividade comum dentro do grupo social de forma intelectualmente harmônica, sentindo os triunfos e frustrações do grupo como seus próprios. Esta perspectiva nos ajuda a entendermos as críticas de Dewey (1959) às metodologias tradicionais na educação e a necessidade de olharmos para o processo de ensino-aprendizagem a partir de uma perspectiva que valorize a influência das experiências na mentalidade dos educandos para a construção de significados pelo que vivencia e pelo que pode colaborar para com seu crescimento e para o desenvolvimento de seu grupo social.