O SSTKaufmann et al. (2008) é um telescópio que observa o Sol em duas frequên- cias com um conjunto de seis radiômetros (2 em 405 GHz e 4 em 212 GHz), instalado no Complexo Astronômico El Leoncito, localizado a 2550 metros acima do nível do mar, nos Andes Argentinos. As eĄciências de abertura estão próximas de 20% e 35% com HPBW (half-power beam width) aproximado de 2 e 4 minutos de arco em 405 e 212 GHz, respectivamente, com uma resolução temporal de 5 e 40 milissegundos, veja Figura 11.
Figura 11 Ű A parte da Ągura à esquerda: mostra detalhe do o telescópio de ondas sub- milimétricas SST, que é composto por um reĆetor Cassegrain de 1,5 m em uma montagem altazimutal. À direita mostra os detalhes dos seis feixes do SST projetados no disco solar.
Os dados são gravados em 4 tipos de arquivos:
∙Integrated: Arquivos na extensão Ť.rsŤ, a amostragem está dada em valores de ADC em 40 milissegundos, 25 amostras por segundo (1 arquivo por hora).
∙ Fast: Arquivos na extensão Ť.rfŤ a amostragem é dada em ADC a cada 5 milisegundos e obtém 200 amostras por segundo (1 arquivo por 10 minutos).
∙ Instrumental: Arquivos Ť.biŤ com uma amostra por segundo, (1 arquivo por dia).
∙Log: Arquivos Ť.logŤ (Arquivo de texto), em que incluem dados metereológi- cos, posicionamento, mudanças de apontamento, operação do equipamento entre outros. Contém 1 amostra a cada 15 minutos (1 arquivo por dia).
Capítulo 4. Recursos Observacionais 39
gidos pela atenuação atmosférica (opacidade). A conĄabilidade das observações depende muito da opacidade á em nepers, determinada várias vezes por dia, usando a técnica Ştip- pingŤ que consiste em medir a temperatura do céu em diferentes ângulos de elevação. A opacidade atmosférica é derivada da variação da temperatura de brilho do céu, com o ân- gulo de elevação. Isso funciona muito bem em 212 GHz, mas para 405 GHz (para á > 2, 2 nepers) a atenuação é melhor calculada a partir da relação á(405) = 0, 09 + 4, 43á(212) determinada a partir das técnicas de extinção e de brilho aparente. A primeira mede uma fonte externa à atmosfera para diferentes ângulos de elevação onde a opacidade atmos- férica é derivada da variação da temperatura de brilho da fonte. E a segunda consiste em medir uma fonte localizada fora da atmosfera que apresenta temperatura de brilho conhecida, em qualquer ângulo de elevação, supondo temperatura conhecida do Sol e eĄ- ciência do feixe. Utiliza-se o ângulo de elevação e temperatura da fonte para determinar a opacidade atmosférica Melo et al. (2005).
A temperatura de antena é corrigida para a posição da fonte em relação às posi- ções dos feixes convertidos em unidades solares de Ćuxo (solar Ćux units, 1 sfu = 10⊗22
Wm⊗2 Hz⊗1) para 405 GHz e para 212 GHz, supondo que as eĄciências de abertura
são de aproximadamente 0,2 e 0,35, respectivamente. Utiliza-se a técnica de múltiplos feixes, deduzida a partir da sobreposição parcial dos canais 2, 3 e 4 (212 GHz), para determinar a densidade de Ćuxo, independentemente da posição de deslocamentos da fonte (Herrmann et al. (1992), Giménez de Castro et al. (1999)). O SST também pro- porciona o índice de cintilação, útil para a rápida detecção de pulsações de natureza solar, variações de opacidade atmosféricas ou intrumental. Os dados estão disponíveis em
<http://www.casleo.gov.ar/sst/sst.php>, acesso em 19/05/2015, para o interesse da co- munidade cientíĄca, fornecendo dados de novembro de 2006 até o presente.
4.2.1 Metodologia - Redução de dados e calibração
Para o evento no dia 8 de março do 2011. O SST estava monitorando a região do hemisfério norte, compreendendo as regiões ativas (RA) NOAA 11164 e 11163. Foram utilizados os dados integrados e instrumentais (em extensão Ş.rsŤ e Ş.biŤ) dados que contém registro desde às 12:00 UT até 22:00 UT nos 6 canais (4 a 212 GHz e 2 a 405 GHz). Nesse dia foram realizadas 5 tipos de calibrações (de rotina): Hot/Col Load, Mapa do Sol, Scan Tau, Scan centro do Sol, Centro do Sol, identiĄca-se algumas delas na Figura 12.
Figura 12 Ű Mostra algumas calibrações de rotina para o dia 8 de março de 2011 realizadas entre às 12:56 até 13:04 UT
Para o nosso trabalho foram consideradas as calibrações mais próximas ao evento que aconteceram por volta das 18 horas. O procedimento para a calibração dos dados foi da seguinte maneira: Conversão dos dados brutos (valores em ADC) a temperatura de antena com a seguinte relação.
��= (���1ℎ�� ⊗ ���1���)/(�ℎ�� ⊗ ����) (4.4) onde adc1hot e adc1amb são valores que representam duas diferentes temperaturas ob- tidas pela seleção dos pontos máximo e mínimo para cada canal (umas mais quente e outras mais frias), e para thot e tamb são considerados valores téoricos correspondentes as temperaturas medidas das fontes quente e fria de 78,3 e 26,5 K.
Depois de realizar a mesma operação para cada canal, o resultado obtido será dividido pela variávél onde se encontram os dados em ADC. Assim obter os valores em temperatura de antena, com a seguinte relação.
��1 = ����.������(1)/�1 (4.5)
O segundo passo é a correção da atenuação atmosférica quando foram considerados os valores do FIT TAU que se mostram a seguir, para cada canal.
O ângulo de elevação foi de � = 0, 83◇ para o momento onde ocorreu o evento. Com os
valores obtidos até o momento se fez a correção considerando a seguinte relação:
Capítulo 4. Recursos Observacionais 41
Tabela 2 Ű FIT TAU
Ch = 1 Tau = 0,46 +/- 0,00 Ch = 2 Tau = 0,47 +/- 0,00 Ch = 3 Tau = 0,47 +/- 0,00 Ch = 4 Tau = 0,47 +/- 0,00 212 GHz tau = 0,47 +/- 0,00 Ch = 5 Tau = 1,95 +/- 0,34 Ch = 6 Tau = 1,56 +/- 0,21 405 GHz Tau = 1,67 +/- 0,18
O cálculo da densidade de Ćuxo aplicando a técnica de múltiplos feixes1, determina a
posição da fonte de uma explosão quando sua extensão angular é menor em comparação com o tamanho do feixe, por meio da técnica de triangulação (Giménez de Castro et al.,
1999) e a posição da fonte, esta dado pela seguinte expressão:
É muito eĄcaz para eventos pequenos devido ao fato que muitas vezes o sistema de equações do múltiplos feixes usado para calcular o Ćuxo diminui o valor obtido pela metade. Para o evento em análise, consideramos que o valor do Ćuxo obtido pelo múltiplo feixe seria o dobro do encontrado por esta equação, usando as variações em tempertura dos canais 2, 4 e 5. Na Tabela 4 se mostram os valores considerados para nossa análise.
Tabela 3 Ű Valores considerados para a análise Evento do dia 8 de Março de 2011
Evento Pico (UT) Elevação (Deg) Duração (seg) á212(��) á405(��)
08 Março 2011 18:09:24 UT 15.0 60 0,47 1,62