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Selection and mortality in Nordic trawl fisheries (this project has also discard

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3.4 Escape mortality (FE)

3.4.1 Selection and mortality in Nordic trawl fisheries (this project has also discard

São três docentes que ensinam na escola, duas professoras e um professor todos quilombolas do Fojo, descendentes da história e da memória da família Santos e Gomes. Ao conhecê-los, compreendemos que fazem parte de uma geração que luta pelos direitos sociais, econômicos e educativos do seu povo, possuem as marcas do contexto histórico e social que passou e passa a

comunidade. Enquanto docentes quilombolas estão produzindo os sentidos e os significados de serem responsáveis pela educação escolar da comunidade.

Foram com as professoras que a pesquisadora manteve o maior número de encontros durante o período da inserção na comunidade, a escola é para todos o lugar de chegada da comunidade, ali quem chega inicia os cumprimentos e as primeiras conversas. A cada chegada, iniciávamos um novo encontro; com muita cordialidade e receptividade, os vínculos foram ficando mais próximos. A professora 1 sempre ensinou nessa escola, tem 27 anos, três de experiência docente, é casada e tem um filho de 3 anos, o esposo, que é de Itacaré, trabalha na roça da família. Mora em frente à escola, das conversas que aconteceram no terreiro da escola, ela sempre participou. Passou a infância na comunidade e foi morar com uma tia na cidade vizinha de Ibirapitanga onde cursou o Ensino Médio com habilitação no magistério das séries iniciais. Em entrevista, disse “gosto tanto daqui que parece que nunca sai”. Começou a fazer o curso de Pedagogia, na modalidade a distância, em uma faculdade particular do sul do país, mas, em março de 2012, desistiu com a justificativa de que a faculdade “cobrava uma mensalidade de alto custo para nada”, pois nada oferecia para sua aprendizagem.

A professora 2, tem 27 anos e quatro de experiência como docente na escola da comunidade, é casada, seu esposo trabalha em outra cidade e passa a semana fora, tem dois filhos, um menino de sete anos e uma menina de três, mora a uns 300 metros da escola. Cursou o Ensino Médio na cidade de Itacaré, na época em que não havia transporte escolar, disse ter conseguido terminar o curso porque tem casas de parentes na cidade para ficar. Revelou que foi a primeira professora da própria comunidade a ensinar na escola, e que foi ela quem convidou a professora 1 e o professor para ensinarem nas outras turmas. Essa decisão foi tomada junto com a associação da comunidade, que reivindicou ao prefeito da cidade a sua contratação, “não poderiam continuar com a situação das turmas sem professores porque não tinha quem queria vim pra cá”. Revelou-nos que não tinha certeza se queria ser professora, sabia que era bom para a comunidade e para ela que estava desempregada. Começou a cursar Pedagogia a distância, e também desistiu pelos mesmos motivos da professora 1.

O professor tem 21 anos, dois anos de experiência como docente, mora com o pai, a mãe e o filho de um ano. Caçula de uma família de nove filhos foi morar em uma cidade vizinha quando tinha sete anos para continuar os estudos,

com a mãe, seus irmãos e irmãs. Quando terminou o ensino médio, recebeu o convite da professora 2 para assumir a turma da noite na escola da comunidade, ele diz:

Professor: – Meus alunos são todos meus primos e meus cunhados, cunhados são maridos de primas minhas, aqui o pessoal estava querendo estudar, já faz algum tempo, porque eu acho que tinha um ou dois anos parados, que não tinha aula à noite por falta de professor, e acabou que eu cheguei, como uma esperança, sabe que eu cheguei quase sendo uma esperança, o pessoal queria estudar (Fragmento de entrevista 30/4/2012).

Pela manhã, ministra aulas para crianças de cinco a dez anos na fazenda em frente ao Fojo, do outro lado do rio, relata, com entusiasmo, o percurso de dois quilômetros de caminhada todo dia para pegar a jangada e atravessar o rio para as aulas, também desistiu do curso de Pedagogia pelos mesmos motivos das professoras.

O exercício no magistério para os três docentes não foi uma escolha profissional pessoal, foi uma oportunidade de emprego que surgiu, mesmo para a professora 1 que cursou o magistério no ensino médio. A realidade da vida de estudante do (as) professor (as) mostra a necessidade de afastarem-se da comunidade para conseguir terminar os estudos, esse afastamento poderia ter levado a não voltarem para a comunidade, como ocorreu com tantos outros filhos do Fojo que saíram em busca de estudos e emprego. Nesse contexto, o esforço para estudar e concluir o ensino médio representa o rompimento com a história da evasão escolar que leva ao analfabetismo funcional, comum aos moradores da comunidade que cursaram, no máximo, até o 5º ano do Fundamental I.

No depoimento da professora 2, “aqui não temos muita escolha, mais gosto de ensinar as crianças”, fica evidente que o aceite para ser professora representa para ela o rompimento com a trajetória das mulheres que precisam trabalhar fora de casa e tornam-se empregadas domésticas, vendedoras de produtos na feira ou serventes em empresas na cidade. Estar professor (a) na própria comunidade é um exemplo de superação de quem estava fadado (a) ao trabalho de “menor” status social e menor rendimento.

Na falta da formação específica para a docência, tendo somente o ensino médio como escolaridade, fica evidente que o exercício da profissão docente é cheio de dificuldades, equívocos e ausência de conhecimentos e saberes que

deveriam estar presentes durante a realização da prática pedagógica. A escola da comunidade vive uma total ausência de políticas públicas para a educação, que vão da necessidade de implantação da educação infantil até a formação adequada dos professores. Em entrevista, as professoras denunciam o abandono da secretaria de educação do município, dos diretores e coordenadores pedagógicos em relação ao acompanhamento das suas práticas e da escola; a falta de material didático para elas planejarem as aulas e para os alunos que só foram receber o livro didático em maio, sendo que o ano letivo iniciou em março.

Verificamos, no cotidiano da sala de aula, que as professoras apresentam um compromisso político-social para com as crianças; não foi possível verificar o professor no seu cotidiano de ensino porque não ficamos para coleta de dados à noite. Cabe destacar que o fato de serem quilombolas da comunidade contribui para estabelecerem relações de confiança e de particularidades com os alunos, as professoras conhecem as dificuldades individuais e familiares de cada criança. Essa estreita relação social da escola e das professoras com a comunidade colabora com o sentimento de pertença dos alunos.

Os alunos são todos residentes da comunidade do Fojo; ao observar a escrita e a leitura deles em sala de aula, verificamos que as professoras, mesmo com dificuldades pedagógicas para o ensino, devido à falta de formação adequada, conseguiram resultados positivos na aprendizagem dos alunos, todas as crianças estão na idade/série corretas, leem e escrevem com desenvoltura.

Um dos momentos de grande significado para a pesquisadora durante a investigação foi quando assumiu a sala de aula, nos dois turnos. Durante todo período, desenvolvemos atividades nas duas turmas que suscitassem aspectos da vivência na comunidade, relações com a escola e com a família, a fim de perceber o desenvolvimento da autoestima e do sentimento de pertencimento das crianças em relação à comunidade.

Combinamos com as professoras o planejamento dessa atividade, levamos papel metro, lápis de colorir e giz cera para a atividade de desenho. No primeiro momento da atividade, conversamos com as crianças sobre a escola, o rio, as frutas e as brincadeiras que mais usam no dia a dia. Quando perguntamos sobre os estudos, uma criança disse “professora, aqui todos gostam de estudar!”, achamos interessante ela responder por “todos”, e verificamos o quão verdadeira é a sua afirmativa, os onze alunos da manhã e os doze alunos da tarde estavam integrados

e interagindo com os conteúdos escolares satisfatoriamente. Fizemos atividade de leitura, escrita e desenho. No segundo momento, as crianças apresentaram, individualmente, seus desenhos e a pesquisadora filmou a apresentação; no final da apresentação, projetamos a filmagem na parede para todos assistirem, inclusive a merendeira e o administrador da escola.

Com essa atividade foi possível constatar que as crianças gostam da escola, respeitam as professoras e não apresentaram dificuldades de aprendizagem para as tarefas de escrita e leitura, todas desenvolveram as atividades com curiosidade e alegria estampadas na face.

Em frente à escola, árvores frutíferas como a jaqueira e o jambeiro são usadas para as brincadeiras no horário do intervalo, o espaço externo da escola é lúdico e propicia a todas as crianças oportunidade de brincarem com seus colegas, correndo de um lado para o outro, explorando a amplitude do terreiro escolar. Os contatos com as crianças não foram suficientes para uma avaliação mais criteriosa sobre as aprendizagens, mas pudemos inferir que, no ambiente da escola da comunidade, elas sentem segurança afetiva, social e cognitiva.

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