Chapter 1: Introduction
1.5. Selecting and Analyzing Posters
Nos dias atuais, a política de inclusão é tema fundamental no campo da educação, uma vez que sua discussão perpassa todos os níveis de ensino: Ensino Infantil, Fundamental, Médio e Ensino Superior. Conforme vemos, a Educação Especial na perspectiva da inclusão não está circunscrita a uma área de conhecimento específica, ou a determinados profissionais especializados, pois a mesma apresenta-se como um segmento pertencente a todas as modalidades de ensino e envolve todos os profissionais da educação: gestores, professores, técnicos, especialistas, etc. Essa perspectiva se fundamenta legalmente em documentos oficiais nacionais e através das políticas públicas e programas educacionais destinados a oferta de educação.
Notadamente nos últimos anos, o Brasil tem aderido à proposta de inclusão de pessoas com deficiência nas escolas regulares, em consonância com as metas de Salamanca, bem como das orientações e acordos firmados com agências internacionais, as quais sugerem medidas emergentes para promover a educação para todos. No entanto, o desafio que se
coloca é quanto à efetivação de uma educação verdadeiramente inclusiva, que permita o acesso à escola e às condições para que todos os alunos possam estudar e se desenvolver, tendo em vista que a escola ao longo da sua história tem excluído sistematicamente as diferenças dos alunos.
Diante deste cenário, investigamos as concepções dos professores sobre a inclusão de pessoas com deficiência no sistema regular de ensino, considerando o fato de que o professor é o mediador no processo de ensino e aprendizagem e o agente mais próximo dos alunos no ambiente escolar. E principalmente, por entender que as concepções de inclusão assumidas pelos professores podem ser traços marcantes em sua prática e no tipo de educação que vem sendo oferecida aos alunos atendidos pela Educação Inclusiva. Assim, apresentamos um questionamento aos docentes, cujo objetivo era investigar as idéias e conhecimentos sobre a inclusão. Seguem os depoimentos:
Professores Depoimentos
E 1- 48 anos (...) é trabalhar com a diversidade, respeitando os limites. Mas só, tem inclusão se houver um local adequado para receber essas pessoas.
E 2- 41 anos Eu só vim ter noção realmente, depois que eu fiz meu curso superior, que a professora geralmente falava muito sobre inclusão de crianças com deficiências e aí foi que eu fui tendo uma noção, mas antes mesmo, eu não saberia exatamente que se dava certo uma criança especial estudar em escolas normais, com crianças normais.
E 3- 29 anos É receber na escola pessoas que tem deficiência (...). Só que nós não podemos expulsar elas da escola, que é um direito que elas tem.
E 4- 32 anos Bom, ultimamente os programas que tem passado nas televisões e quando a gente vai para um seminário, congresso (...) eles falam que o aluno com deficiência tem que ser inserido na sala de aula e ser tratado como um aluno normal. Só que na realidade isso não funciona porque você com um aluno assim com uma deficiência, ele não vai acompanhar os outros alunos.
E 5- 48 anos É uma coisa que vai ser incluído. Não é isso? (...) Ta incluindo um projeto, tá aumentando algo na escola que a gente ta fazendo uma inclusão.
E 6- 50 anos Não. Conhecimento específico não.
E 7- 47 anos Inclusão... Já ouvi falar. Tenho algum conhecimento. Pela minha experiência assim, inclusão é colocar na escola (...). Todas as crianças, mesmo com deficiências, mas tem que ter a participação delas na escola.
O primeiro aspecto notável nos depoimentos das professoras é a perspectiva de inclusão associada especificamente à educação das pessoas com deficiência na escola regular. As idéias giram em torno da inclusão como: abertura do espaço escolar para receber as pessoas com deficiência, inclusão como simples ato de “incluir” as crianças com deficiência na escola e inclusão como direito à educação.
A nosso ver, essas concepções mostram-se tímidas e em certa medida ingênuas, considerando o fato de que as discussões atuais sobre a proposta de inclusão têm dimensões
mais amplas do que simplesmente a idéia de “trabalhar com a diversidade”, “colocar na escola”, “direito”, “participação”, entre outras. Percebemos que o discurso assumido pelos professores é fruto do discurso oficial da inclusão, o qual ocupa espaço central nas agendas governamentais das políticas públicas nacionais e internacionais, bem como na propagação de campanhas veiculadas na mídia, nos programas curriculares do Ensino Superior e em grande parte dos eventos ocorridos no campo da educação, os quais apresentam a inclusão como uma proposta democrática de oferecer educação para todos.
Para Silva (2001), discursos como este que se refere à inclusão como a vinculação das pessoas com deficiência às classes comuns sustentam o discurso periférico das políticas sociais, as quais constroem defensores unilaterais desse tipo de visão coerente com a política neoliberal. De acordo com a autora “o cinismo que pode assumir a tônica dos debates toma lugar da defesa da escola para todos, de um projeto de solidariedade, da mesma forma que mantém a discussão à parte do contexto brasileiro e sua permanente crise de expansão, qualidade, exclusão” (p. 189). Em nosso entendimento, a inclusão escolar que está sendo base para as políticas educacionais tem uma matriz neoliberal, que aparece disfarçada pelos discursos de escola e educação para todos.
Outra questão que se sobressai em um dos depoimentos é o fato de o professor não possuir conhecimento algum sobre a inclusão, o que julgamos necessário para atuar na área da educação, especificamente em atividades de ensino. Além desse aspecto, percebe-se ainda em um dos depoimentos a descrença do professor nos resultados da inclusão das crianças com deficiência em classes regulares. Isso revela alguns traços do distanciamento entre a proposta de inclusão e sua efetivação.
A partir dessas constatações, traçamos algumas idéias sobre inclusão. Primeiro, é preciso considerar que a inclusão tem um valor político amplo, pois se relaciona aos grupos marginalizados historicamente, desde os grupos de negros, mulheres, pessoas com deficiência, pessoas de crenças diferentes, etc. (PACHECO, 2007). Nesse caso, a referência da inclusão não deve estar direcionada unicamente às pessoas com deficiência, nem tão pouco ao campo da educação, uma vez que a sociedade atual globalizada é um cenário marcado por múltiplas identidades, ou seja, as pessoas são diferentes e essas diferenças estão presentes em todos os espaços sociais (HALL, 2006).
Compreendemos o fato das concepções dos professores sobre inclusão girarem em torno da educação, afinal, no Brasil há um foco direcionado à inclusão na área da educação, através das políticas educacionais e programas desenvolvidos pela SEESP/MEC. Nesse sentido, o discurso de inclusão na educação tem se apropriado da escola e conseqüentemente
dos professores. Contudo, é preciso problematizar a educação inclusiva para não cair na armadilha de reproduzir o discurso de incluir, aceitar, tolerar a diversidade.
O segundo ponto de reflexão é a compreensão de que inclusão não diz respeito a colocar as crianças, adolescentes e jovens na escola regular, mas mudar a escola para que seja mais responsiva às necessidades de seus alunos e a atuação de seus professores (MITTLER, 2003, p. 16). E nessa perspectiva, postulamos que o conceito de inclusão no campo da educação implica na necessidade de mudanças educacionais profundas, as quais incluem uma nova articulação entre o projeto político pedagógico, o currículo e as ações pedagógicas, pois do contrário, a escola estará usando um disfarce, utilizando novas linguagens, propagando novas idéias, mas contribuindo para a permanência da exclusão do outro em seu espaço.