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3. Estudio del debate español

4.3 La selección de los miembros del consejo: el panel en la Fundación

e do agronegócio nacional

Vários economistas agrícolas chegaram à conclusão de que o setor primário não tem a mes- ma importância de antes. A base para tal afirma- ção é a participação da agropecuária no produto interno bruto (PIB), conforme a Tabela 1. É certo que parte do PIB do emprego e parte das exporta- ções são atribuíveis à agricultura. Uma das razões levantadas é a de que a contabilidade nacional passa a registrar, fora da agricultura, tarefas que antes eram executadas nas próprias fazendas, como o beneficiamento e o armazenamento do produto.

Mesmo com a produtividade do fator de produção terra elevando-se por cada novo período

de safra, por meio da utilização de modernas tecnologias desenvolvidas nas áreas de sementes, de preparação do solo e de mecanização, ocasio- nando o crescimento da quantidade produzida, sem que se tivesse de elevar a área plantada (ver Fig. 1), o PIB do setor agrícola, em relação ao PIB total nacional, não consegue decolar em razão da depressão dos preços internacionais.

O conceito do agronegócio tem implicação profunda na organização econômica do Brasil, pois mostra a dimensão estratégica da agricultura. Dentro dessa nova estruturação, o setor agrícola não é visto como uma atividade-estanque, cujo valor adicionado representa apenas uma pequena

Tabela 1. Produto interno bruto por setores (valores

em R$ milhões). Fonte: IBGE (2004). Agropecuária Indústria Serviços PIB total

Setores 2002 PIB – 2003Setores/

104.908 459.306 710.263 1.274.477 9,6 % 36,7 % 53,7 % 100,00 % 2003 137.875 523.998 768.318 1.430.191

Fig. 1. Produção e área plantada.

Fonte: Conab2

parcela do produto interno bruto (PIB), conforme visualizado na Tabela 2.

Vinculam-se, ao agronegócio, agentes que participam de uma cadeia produtiva que envolve desde a fabricação de insumos, a produção nas fazendas, a transformação ou processamento industrial e a distribuição do produto até o consumidor. Essa cadeia incorpora ainda todos os serviços de apoio, desde a pesquisa e assistência técnica, processamento, transporte, comercializa- ção, crédito, exportação, serviços portuários, bolsas de mercadorias até o mercado atacadista. Percebe-se que a soma dos valores agregados nos setores secundário e terciário supera, normalmente, o valor do que é produzido estritamente dentro dos limites da fazenda. Entretanto, se não houvesse aquele produto agrícola, os demais não teriam razão de existir.

A agricultura é o elemento central do agronegócio, por ser a fonte primária das mercadorias da cadeia alimentar e de fibras para fins energéticos. N o entanto, o setor de distribuição vem assumindo um papel cada vez mais importante no funcionamento desse sistema, ganhando renda e poder em relação ao setor de processamento e à agropecuária.

Conforme dados da pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), em 2003, o PIB do agrone- gócio brasileiro alcançou R$ 508 bilhões. A Tabela 2 mostra que o segmento de distribuição

representa mais de 31,99% na participação da composição do agronegócio total, enquanto os segmentos da indústria de processamento e da produção correspondem a 30,32% e 31,12%, respectivamente, demonstrando a importância do setor de distribuição no PIB do agronegócio brasileiro.

Esse conceito de agronegócio tem implica- ções profundas na organização econômica do País, pois mostra a dimensão estratégica da agri- cultura. Esse setor é visto como o centro dinâmico de um conjunto de atividades do qual participam vários agentes econômicos interconectados, significando mais de 36,4 milhões de pessoas ou 52% da população economicamente ativa.

Cadeia produtiva da soja em Mato Grosso

São várias as cadeias produtivas que constituem o complexo agroalimentar, destacan- do-se entre elas a da soja. Na publicação Conjun- tura Econômica Agropecuária de 2003, a Funda- ção Getúlio Vargas estimou que a cadeia produtiva da soja participa com pelo menos 11% do PIB do agronegócio nacional, correspondendo a mais de US$ 55 bilhões ao ano, demonstrando a importân- cia econômica desse produto agrícola para o País. A Tabela 3 apresenta a produção agrícola brasileira em 2001-2002, 2002-2003 e 2003-2004, onde se pode visualizar que a soja vem passando por uma extraordinária expansão, sendo a cultura mais plantada no País no último ano, seguida do milho. A importância estratégica da produção de

Tabela 2. PIB do agronegócio e dos agregados em 2002 e em 2003 (em R$ milhões).

Fonte: CNA e Cepea-USP (CNA, 2005).

Agronegócio total

Insumos não agropecuários Agropecuária

Produção usada como insumo Produção vendida Indústria Distribuição PIB do agronegócio 2002 Participação do segmento em 2003 477.095 29.596 141.431 21.446 119.989 149.769 156.296 100,00% 6,57% 31,12% 30,32% 31,99% 2003 508.273 33.399 158.197 24.020 134.177 154.061 162.617 Ano

oleaginosas, além de suprimento da demanda mundial de óleos vegetais, reside na capacidade de ofertar proteínas para a produção de carnes a preços competitivos.

Em 2001-2002, a produção nacional de soja foi de 42 milhões de toneladas, e em 2002- 2003, de 52 milhões de toneladas, ou seja, 24% maior. A previsão de safra para 2003-2004 foi de 49,8 milhões de toneladas (ver Tabela 3), em conseqüência da seca no oeste do Rio Grande do Sul e do ataque do fungo-da-ferrugem na Região Centro-Oeste. Contudo, a cada ano, a soja vem

alavancando sua produtividade, com o crescente uso de insumos modernos e a participação do Cerrado, no Centro-Oeste (Tabela 4).

A produção de soja no Brasil vem sofrendo movimento contínuo de migração da Região Sul para as novas fronteiras agrícolas, tipicamente compostas por cerrados. Esse processo iniciado no final da década de 90 deve continuar em decorrências da grande disponibilidade de terras cultiváveis a preços competitivos, bem como do desenvolvimento de infra-estrutura de produção e de escoamento.

Tabela 3. Produção agrícola brasileira por cultura – 2001-2002 e 2003-2004 (em 1.000 t).

(1)Previsão3. Fonte: Conab. Caroço de algodão Arroz Feijão Milho Soja Trigo Outros Brasil Cultura 2001-2002 1.244,90 10.626,10 2.983,00 35.266,80 41.916,90 2.913,90 1.795,10 96.746,70 2002-2003 1.364,80 10.367,10 3.205,00 47.410,90 52.017,50 5.552,20 2.951,40 122.868,90 2003-2004(1) 2.038,70 12.808,40 3.003,30 42.186,10 49.770,10 5.851,30 3.469,30 119.127,20 Participação 2003-2004 1,71% 10,75% 2,52% 35,41% 41,78% 4,91% 2,91% 100,00%

3 Dados fornecidos pela Conab, em 2005. Banco de dados de acesso interno. 4 Dados fornecidos pela Conab, em 2005. Banco de dados de acesso interno.

Tabela 4. Produção de soja 2002-2003 e 2003-2004 por Unidade da Federação (em 1.000 t).

Fonte: Conab4. Rondônia Pará Tocantins Maranhão Piauí Bahia Paraná SantaCatarina Rio Grande do Sul Minas Gerais São Paulo Mato Grosso Mato Grosso do Sul Goiás Distrito Federal Brasil Unidade da Federação 2002-2003 123 44,2 377,7 654,9 308,2 1,556,20 10.971,00 738,5 9.631,10 2.332,50 1.735,10 12.949,40 4.103,80 6.359,60 119,7 52.017,50 2003-2004 177,9 72,4 606,6 924,1 396,7 2.218,10 10.036,50 656,7 5.559,40 2.659,20 1.815,20 15.008,80 3.324,80 6.147,10 132,4 49.770,10 Var (%) 44,63 63,80 60,60 41,10 28,71 42,53 -8,52 -11,07 -42,27 14,00 4,61 15,90 -18,98 -3,34 10,61 -4,32

Por sua característica, o Cerrado exige o uso de tecnologias modernas, que em conjunto com um regime de chuva relativamente regular, possibilita obter uma produtividade para soja que varia de 2.500 a 3.300 kg/ha. Nessa região, a possibilidade de expansão dessa cultura é bastante elevada, pois apenas 10% das terras disponíveis são empregadas na produção de grãos.

A Fig. 2 apresenta o crescimento da produção das novas fronteiras agrícolas que já chega a ser maior do que a das regiões tradicionais. Fica latente que está havendo um deslocamento dos capitais destinados ao cultivo da soja para o interior do País, fazendo com que o fluxo de produtos entre as novas fronteiras e os centros urbanos seja intensificado com a necessidade de um apoio de infra-estrutura para movimentação desses grãos.

vera do Leste – Rondonópolis, com destino final ao porto de Paranaguá.

Em referência à Balança Comercial do Agronegócio em 2003, observa-se que a soja e seus derivados semi-industriais e industrializados, correspondem a 26,51% do total dos produtos do agronegócio exportados, conforme a Tabela 5. O segundo produto mais comercializado no mercado externo é a carne, que apresenta valor exportado 30% menor que o da soja.

Fig. 2. Evolução da participação relativa da

produção de soja (regiões tradicionais x novas fronteiras).

Fonte: Conab5

Na cadeia agroindustrial da soja, existem certos corredores, onde se encadeiam a produção, o processamento e a comercialização, que podem ser considerados muito importante na formação de preço no mercado interno. Em Mato Grosso, maior estado produtor de soja do país, destaca-se o seguinte corredor, onde são produzidos 52% da soja daquela Unidade da Federação: Sorriso – Campo Novo do Parecis – Diamantino – Prima- 5 Dados fornecidos pela Conab, em 2005. Banco de dados de acesso interno.

Tabela 5. Exportação dos principais produtos do

agronegócio – 2003.

Fonte: MDIC (BRASIL, 2004).

Soja e derivados Carne Açúcar Madeira Café Demais produtos Total

Produto US$ milhõesExportação Participaçãosobre o total

8.125 5.451 4.091 2.465 2.291 8.215 30.638 26,51% 17,79% 13,35% 8,04% 7,47% 26,81% 100,00%

O Brasil é o segundo maior exportador do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, maior produtor mundial (Tabela 6). Em 2002, a safra americana alcançou pouco mais de 78,6 milhões de toneladas e a de 2003 foi de 75,0 milhões de toneladas. Como principais importa- dores de soja, destacam-se a União Européia e a China.

Tabela 6. Países produtores de soja (em milhões

de toneladas). Fonte: Usda (2005). Estados Unidos Brasil Argentina China Índia Paraguai União Européia Outros Total País 2001 75,06 39,50 27,80 15,40 3,50 5,25 1,19 8,26 175,96 2002 78,67 43,50 30,00 15,41 3,55 5,40 1,31 7,30 185,14 2003 75,01 52,01 35,50 16,51 4,50 4,00 0,89 8,67 197,09

O mercado externo exerce uma grande influência na formação do preço interno. As cotações da Bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade) fazem oscilar os preços nacionais em conseqüência dos quase 45% da quantidade de soja produzida no Brasil destinar-se ao mercado internacional, além de 60% do farelo gerado no País.

Os instrumentos de análise para os produtos que compõem o agronegócio vêm sendo ampliados de maneira a propiciar aos tomadores de decisão (produtores, industriais, comerciantes, governos, entre outros) maior compreensão dos custos agregados aos produtos, desde sua produção agrícola, passando pelas diversas fases de manipulação, transformação, processamento industrial, desde a fonte de matéria-prima até o centro atacadista, formador do preço de mercado. Esses instrumentos permitem que decisões de produção, de comercialização e de industriali- zação possam ser tomadas em conjunto, pelos diversos agentes econômicos que participam da cadeia produtiva, concentrando os esforços para

a melhoria da produtividade por meio do acesso a melhores insumos na quantidade desejada, troca de informações de padrão de tecnologia, medidas de eficiência e à maior possibilidade de complementaridade de propósitos.

Conforme a Fig. 3, a cadeia produtiva da soja envolve as atividades de produção agrícola propriamente dita (lavoura, pecuária e extração vegetal), aquelas relacionadas ao fornecimento de insumos nas ligações a montante, as relacio- nadas com o processo agroindustrial e as que dão suporte ao fluxo de produtos até o consumidor final, nas ligações a jusante.

Assim, no suporte à produção, vinculam-se com o setor agrícola as indústrias de fertilizantes, defensivos, máquinas e equipamentos agrícolas, financiamentos (crédito rural), pesquisa agrope- cuária e os transportes desses insumos.

Na fase de distribuição e processamento, vinculam-se os transportes dos produtos agrícolas, a agroindústria, as instituições financeiras que apóiam a comercialização, os armazenadores e o comércio (atacadista e varejista).

Fig. 3. Cadeia produtiva

da soja.

Fonte: Fluxograma desenvolvido para este artigo.

O objetivo desse estudo é utilizar o enfoque analítico de cadeia produtiva para diagnosticar o desempenho dos diversos elos que compõem o fluxo de insumo, o sistema produtivo e a distri- buição (exportação) da soja em grão, atualmente submetida a um cenário de acirrada concorrência no mercado externo.

O sucesso da inserção da cadeia da soja brasileira no mercado internacional pode ser explicado por vantagens comparativas devidas à dotação de fatores de produção, combinadas com as políticas públicas de incentivos e a capacidade de exploração de economias de escala no sistema produtivo. Os principais problemas referentes às vantagens comparativas no País são de natureza de transporte e infra-estrutura portuária.

Nesse contexto, o tema se reveste de capital relevância, pela necessidade de adoção de medidas que reduzam os custos da economia que afetam as vantagens comparativas da soja em grão para exportação.

Para melhor diagnosticar a competitividade da soja, foi apresentada uma cadeia produtiva desse produto, onde se podem observar todos os agentes e segmentos que participam dessa cadeia como componentes (Fig. 3). Para nosso estudo, parte da cadeia será levada em consideração por onde flua a soja em grãos, desde a produção até o mercado internacional.

Fluxo de materiais e capital