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2.7 Security Features in GSM
Quando analisamos os fluxos e movimentos naquilo que se diz por movimento natural, tendemos a indagar, para a geração do movimento e definição das rotas, que fatores seriam mais relevantes: as distâncias métricas ou topológicas? Se você estivesse dirigindo ou caminhando e precisasse ir de um lugar A para B, que rota seguiria: aquela mais curta, ainda que labiríntica, ou o caminho mais longo, com um menor número de conversões40? Segundo STEADMAN (2004, p. 484), “as pessoas – que não sejam flaneur ou não estejam vagando – têm a tendência geral de viajarem pelos caminhos mais curtos [...], de forma a ganhar tempo, reduzir o esforço e economizar” (Figura 2.19). Nos modelos tradicionais de transporte e adotados em engenharia de tráfego, a tendência em buscar os caminhos mais curtos é assumida como certa e raramente questionada. Para simulações como aquelas estabelecidas para as alocações, as viagens são associadas a caminhos mais curtos, vinculando diretamente a distância métrica ao tempo utilizado na viagem. Os modelos, na seqüência, são calibrados, ponderando-se outras variáveis que interferem no movimento, como velocidade nas vias, origens e destinos, horários do dia e modelos de transporte. Além disso, o conhecimento das situações reais por parte do pesquisador muitas vezes resulta em calibrações intensas para se alcançar uma validade elevada41.
40
Em transporte, conversão significa a mudança de direção de uma rua para outra.
41
Cf. Utilização do software Simulation and Assignment of Traffic to Urban Road Networks (SATURN) para a alocação de viagens. Críticas detalhadas ao modelo podem ser encontradas em BARROS (2006), que explora
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Figura 2.19 – Os caminhos alternativos no Eixo Monumental, em Brasília. Chamados de “traços de comportamento” pela psicologia, expõem a preferência humana por caminhos mais curtos, usualmente em
diagonais: escolhe-se a hipotenusa e não os catetos. Fonte: Google Earth.
Todavia a dúvida permanece: quais são as estratégias que as pessoas usam para se moverem pelo espaço? O que as pessoas procuram: a rota mais curta em termos métricos (apenas distância) ou outros fatores podem interferir na escolha, que não sejam aqueles de atributos físicos caracterizadores da malha viária?
Imagine que lá está você, esperando para atravessar uma via, quando um carro se aproxima, um passageiro desce e lhe pergunta onde está o banco mais próximo. Existem, de fato, duas rotas: um longo caminho seguindo uma via principal, com uma única mudança de rota para a esquerda, e um caminho muito mais curto com diversas mudanças de rota através de vias secundárias. Qual delas você indica para o indivíduo? A resposta é a rota
comparativamente o SATURN, para alocação de tráfego, em relação à sintaxe espacial, enquanto modelo configuracional.
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mais longa e simples. Tente dar direções com muitas mudanças para a esquerda e direita que o viajante certamente terminará perdido. Talvez devido a nossos cérebros se negaram a trabalhar com muita complexidade, os humanos preferem as rotas mais fáceis àquelas que são labirínticas (WELL CONNECTED, 2000).
A rota mais curta, portanto, teria mais relação com a facilidade em percorrê-la do que apenas a consideração do caráter métrico (Figura 2.20).
Figura 2.20 – A escolha dos percursos: para os seres humanos, rotas menos complexas são sempre mais fáceis de serem percorridas do que aquelas com muitas mudanças de direção ou conversões.
“A simples razão para isto seria que os seres humanos são excelentes juízes para distâncias lineares simples quando, por exemplo, arremessam uma pedra ou jogam uma bola de papel no cesto de lixo. Mas esse julgamento aparentemente seguro se desfaz quando o sistema se torna não linear e envolve mudanças de direção (HILLIER, 2001, p. 02.25)”.
A
B
A
B
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Figura 2.21 – A imagem do labirinto: historicamente o ser humano é atraído pelo desafio em decifrá-lo. Fonte: < http://www.geschichteinchronologie.ch/ps/mandalas-Owusu/erkenntnismandala-Labyrinth-bis-zum-
mystischen-ursprung.JPG > (em cima).
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Resultado é o papel emblemático que o labirinto desempenha para a humanidade, alegoria do que é complexo e indecifrável (Figura 2.21). O labirinto tem a capacidade de provocar confusão nos sentimentos e nas percepções do ser humano, exercendo poder sobre a mente por meio de sua forma incompreensível. A possibilidade do fracasso causa simultaneamente medo e fascínio.
As estratégias de solução vão desde as artimanhas de João e Maria ao jogarem migalhas de pão no meio da floresta – a sua maneira, também um labirinto – como o barbante que Teseu teria usado para se guiar no labirinto do Minotauro (Figura 2.22).
Figura 2.22 – Planta esquemática do Palácio de Cnossos, em Creta (Grécia). Existem variadas hipóteses para o que teria efetivamente inspirado o labirinto do mito de Teseu e o Minotauro. Uma corrente encontra justificativa na forma extremamente complexa do Palácio de Cnossos. Outra afirma que o labirinto seria um ritual que Teseu
deveria performar para que conseguisse vencer o monstro. Fonte: < http://www.dilos.com/dilosimages/image/crete/knossos_plan.jpg >.
Portanto, um ponto de vista redutor seria limitá-lo ao desafio arquitetural. Para DAMÁSIO (2005), os construtores da Antiguidade preferiam o labirinto por suas qualidades artísticas, enquanto Leonardo da Vinci sempre os colocava como plano de fundo de seus quadros. “Jorge Luis Borges o valoriza como um símbolo forte da perplexidade dos homens face aos
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mistérios da vida. Goethe disse que quando o homem não sabe ou não tem nenhuma idéia, passeia na noite através do labirinto do espírito”.
Que atributos emergem de um labirinto ou de estruturas complexas. Seriam cidades coloniais ou medinas árabes labirínticas realmente? Se sim, que fatores trazem consigo e, mais diretamente, o que querem dizer estas formas peculiares de organização do espaço construído sobre o território? O que seria um labirinto urbano? Como caracterizá-lo ou interpretá-lo à luz do fenômeno urbano?
As razões, portanto, para a preferência de um caminho em relação a outro são também cognitivas. A preferência por trajetos mais objetivos e com menor número de conversões ou mudanças de sentido associa-se à estratégia humana em se sentir seguro quanto ao
conhecimento do espaço que percorre. A explicação está bem além daquilo sugerido por LE CORBUSIER (1929, p. 5) ao afirmar que “o homem caminha em linha reta porque tem objetivo e sabe onde está indo; ele define em sua mente o lugar que pretende alcançar, e segue direto”.
E outro exemplo: retornando de longa viagem, o autor-viajante deste estudo resolveu, ao chegar à estação de metrô, retornar para sua casa de táxi – permitam-me a licença para escrever de agora avante em 1ª pessoa. Expliquei o destino ao motorista, que colocou o endereço em um GPS e passou a seguir o navegador automático que eu podia ver pelo vidro que separava a cabine do condutor do espaço do passageiro. Após alguns minutos, percebi que o motorista percorria uma rota diferente daquela que eu faria e a primeira idéia foi estar sendo enganado para que o valor da corrida se dilatasse. Observando o motorista, reparei que seguia fielmente o roteiro estabelecido pela máquina. O táxi, então, precisou mudar de direção de 6 ou 7 vezes até alcançar o destino, enquanto para mim, por uma outra rota que em minha mente seria mais curta, precisaria mudar apenas 3 ou 4 vezes. Ao
chegar em casa verifiquei o mapa da cidade e descobri que o trajeto seguido pelo táxi era realmente menor do que aquele que eu tinha em mente, que seria minha escolha. Continuei
intrigado.
A diferença entre a forma de interpretação do que seriam as distâncias nos espaços provoca então uma importante questão científica sobre a psicologia dos estratagemas que as
pessoas usam para navegar pelas áreas urbanas, com destinos em mente ou em vista. Como interpretar esse espaço que nossa mente diz ser mais curto, embora a geometria nos aponte o contrário?