5 Greenland (Denmark)
5.2 Search and Rescue (SAR)
Para a porcentagem de plantas com dano de S. frugiperda na safra de verão 99/00 observaram-se diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos, sendo que em todas as datas avaliadas o tratamento MON diferiu dos demais por apresentar a menor porcentagem de dano (Figura 53). Para o tratamento MON a maior porcentagem de dano observada foi em torno de 17% no dia 10/01/00; nesta mesma data, para o tratamento CCI observou-se uma porcentagem de dano de cerca de 30%, apesar da aplicação do inseticida lufenuron no dia 18/12/99 na dose de 0,3 L/ha. Já para o tratamento CSI a porcentagem de dano atingiu cerca de 40%.
Com relação ao número médio de lagartas pequenas de S. frugiperda, observou- se diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos em duas datas avaliadas. No dia 07/01/00, o tratamento CCI diferiu estatisticamente dos demais por apresentar a maior quantidade de lagartas pequenas. Já no dia 18/01/00 o tratamento CSI apresentou a maior quantidade de lagartas diferindo estatisticamente dos demais tratamentos (Figura 54A). Para o número médio de lagartas grandes de S. frugiperda, observou-se diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos para as mesmas datas, sendo que no dia 07/01/00 o tratamento MON diferiu estatisticamente dos demais por apresentar a menor quantidade de lagartas grandes e, no dia 18/01/00 o tratamento CSI apresentou a maior quantidade (Figura 54B).
Considerando o número médio de tesourinhas, D. luteipes, coletadas nas plantas de milho (Figura 55), das 11 datas avaliadas em apenas duas verificaram-se diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos avaliados. No dia 18/01/00, o tratamento
MON diferiu estatisticamente dos demais por apresentar a maior quantidade de tesourinhas e no dia 29/02/00 o tratamento CSI diferiu estatisticamente dos demais tratamentos por apresentar a menor quantidade coletada.
Na safra de verão 99/00, o milho geneticamente modificado MON810 apresentou a menor porcentagem de dano durante toda a safra, bem como um melhor controle de lagartas pequenas e grandes de S. frugiperda comparado aos demais tratamentos. Além disso, também não foi observado efeito do milho MON810 sobre o predador D. luteipes em condições de campo.
Figura 53 - Porcentagem de plantas com dano de Spodoptera frugiperda para os três tratamentos na safra de milho verão 99/00 em Barretos, SP. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Kruskal-Wallis (P ≤ 0,05). 0 20 40 60 80 100
% Plantas com dano
03/01/00 07/01/00 10/01/00 14/01/00 18/01/00 21/01/00 26/01/00 Datas
MON CCI CSI
a a a b b a a a a a a b c a b c b c b b c a b
Figura 54 - Número médio de lagartas pequenas (A) e lagartas grandes (B) de
Spodoptera frugiperda nos três tratamentos na safra de milho verão 99/00
em Barretos, SP. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Kruskal-Wallis (P ≤ 0,05).
0 2 4 6 8
Número médio de lagartas pequenas
07/01/00 14/01/00 18/01/00 26/01/00
Datas MON CCI CSI a b b a a a a a a a b b
A
0 1 2 3 4Número médio de lagartas grandes
07/01/00 14/01/00 18/01/00 26/01/00
Datas MON CCI CSI b a a a a a a a a a b b
B
Figura 55 - Número médio de tesourinhas Doru luteipes nos três tratamentos na safra de milho verão 99/00 em Barretos, SP. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Kruskal-Wallis (P ≤ 0,05).
Safrinha 00
Com relação à porcentagem de plantas com dano, verificou-se que apenas no dia 04/04/00 não houve diferença estatística entre os tratamentos. Nos dias 07/04/00, 11/04/00 e 24/04/00, o tratamento MON diferiu estatisticamente dos demais por apresentar a menor porcentagem de dano (K = 15,461; P = 0,0004; K = 19,166; P = 0,0001 e K = 19,844; P = 0,0001, respectivamente). Já nas demais datas não foram observadas diferenças estatísticas entre os tratamentos MON e CCI, no entanto, o tratamento CSI, em praticamente todas as datas, diferiu dos demais por apresentar a maior porcentagem de dano (Figura 56). Comparando a safra de verão com a safrinha, observou-se que a porcentagem de dano foi muito maior na safrinha, sendo que o tratamento CCI atingiu uma porcentagem de dano de cerca de 50%, apesar de terem sido feitas duas aplicações do inseticida lufenuron nos dias 09/04/00 e 22/04/00 na dose de
0 5 10 15 20
Número médio de tesourinhas
07/01/0014/01/0018/01/0026/01/0016/02/0018/02/0022/02/0029/02/0004/03/0009/03/00 Datas
MON CCI CSI a bb b a a a a a a a a a a a a a a a a a a a aaa a aa a
0,3 L/ha neste tratamento. Já para o tratamento MON a porcentagem de dano chegou no máximo a 25%.
Isto provavelmente ocorreu porque na safrinha a quantidade do predador D.
luteipes coletada foi menor comparada com a safra de verão 99/00, ou seja, a
participação desse importante agente de controle biológico foi menor. Também porque, em regiões onde se cultiva o milho durante todo o ano, as populações da praga permanecem altas dificultando o controle. Isso pode acarretar em aumento no número de aplicações com inseticidas, conforme observado para a safrinha 00, acelerando a evolução da resistência da praga a inseticida. Assim, o milho geneticamente modificado pode ser uma importante alternativa para o controle de S. frugiperda, visto que no tratamento MON mesmo na safrinha a porcentagem de dano foi bem menor comparada ao tratamento CCI.
Considerando o número médio de neonatas de S. frugiperda, observou-se diferença estatística significativa no dia 28/04/00 (K = 10,359; P = 0,0056) em que o tratamento CCI diferiu dos demais por apresentar a maior quantidade de neonatas e no dia 19/04/00 (K = 12,069; P = 0,00024) em que o tratamento MON diferiu do CSI por apresentar menor número de neonatas (Figura 57). Observaram-se diferenças entre os tratamentos MON e CCI apenas no dia 28/04/00, ou seja, as neonatas estiveram presentes no milho geneticamente modificado, no entanto, isto seria esperado já que a lagarta precisa se alimentar do tecido foliar para ingerir a proteína de Bt.
Com relação às lagartas pequenas de S. frugiperda, não foram observadas diferenças entre os tratamentos MON e CCI nos dias 15/04/00, 19/04/00 e 28/04/00. Já o tratamento CSI diferiu estatisticamente dos demais, nos dias 15/04/00; 24/04/00 e 28/04/00, por apresentar a maior quantidade de lagartas. Nos dias 22/04/00, 24/04/00 e 03/05/00 o tratamento MON diferiu estatisticamente dos demais, sendo que nos dias 22/04/00 e 03/05/00 este tratamento apresentou menor média de lagartas pequenas comparado aos demais tratamentos. No dia 24/04/00, o tratamento MON apresentou maior quantidade de lagartas comparada ao tratamento CCI (Figura 58A). No entanto, no tratamento CCI no dia 22/04/00 foi feita aplicação de inseticida para o controle da lagarta-do-cartucho. Para o número médio de lagartas grandes de S. frugiperda não
foram verificadas diferenças entre os tratamentos nos dias 15/04/00 e 19/04/00 (duas primeiras avaliações). Nos dias 22/04/00 e 24/04/00, o tratamento MON diferiu estatisticamente dos demais por apresentar a menor quantidade de lagartas (K = 8,518; P = 0,014 e K = 17,467; P = 0,0002) e, nas duas últimas datas, o tratamento CSI apresentou a maior quantidade de lagartas, sendo que os tratamentos MON e CCI não diferiram estatisticamente nestas datas (Figura 58B).
Nas duas safras avaliadas observou-se um ótimo controle da lagarta-do-cartucho no tratamento MON. Nesse tratamento as neonatas e lagartas pequenas estiveram presentes em quantidades semelhantes ao tratamento CCI, embora tenham sido verificadas diferenças estatísticas significativas entre eles. Isto porque as toxinas precisam ser ingeridas para serem solubilizadas pelo pH alcalino do trato intestinal e iniciarem o processo de destruição tecidual, levando o inseto à morte. Entretanto, o tratamento MON apresentou menor porcentagem de plantas com o cartucho danificado.
Com relação ao número de tesourinhas (Figura 59), não foram observadas diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos para as 11 datas avaliadas. Considerando o predador D. luteipes, verificou-se na safrinha 00 uma quantidade média de tesourinhas bem menor comparada à safra de verão 99/00, no entanto, isto foi verificado para os três tratamentos.
Apesar do melhor controle de S. frugiperda no milho geneticamente modificado, não foram observadas diferenças na quantidade de tesourinhas coletadas. Isso porque o predador encontrou alimento disponível no tratamento MON durante todo o ciclo da cultura, ou seja, neonatas e lagartas pequenas.