pou oàdeà tato .àTe à ueàse àalgu à ueàle aàjeito,à a osàdize àassi .àEàaà gente vai... como diz o ditado, com o andar da carroça as abóboras vão se ajeitando. Até muito pouco tempo havia uma mentalidade de que o padre ordenado sabia de tudo. Isso não é verdade. Mas para além disso, na área da administração é necessário um pouco de gosto e um pouco de tato. E então há a necessidade eclesial. Eles nos convidam e a gente se põe a serviço. Depois a gente vai correndo atrás de formação. (Administrador de Região Episcopal de São Paulo, em entrevista)
Podemos dizer que as funções administrativas requerem qualquer coisa de habilidade individual,à do ,à tale to ,à o aç o à ouà o oà seà uise à ha a à – além de experiência. No entanto, as necessidades práticas da função incutem necessidade de formação – ou de assessoria de especialistas. É então que o valor da técnica adentra o escritório da paróquia e da diocese. Pela infinidade de procedimentos legalmente regidos, o conhecimento especializado passa pautar as atividades rotineiras. E de tão
181 arraigados nos parâmetros de legitimidade modernos (e seculares), a adequação a tais procedimentos é vista quaseà ueà o oà atu al e teà e ess ias .à ásà p ti asà administrativas rotineiras se ligam umbilicalmente às jurídicas – então erros ou lacunas técnicas são vistas não somente como erros, mas também como injustiças. E esta é uma dimensão tão imbricada nas organizações seculares, que se torna difícil suspender aàp essupostaà o iedade àdessasà oti as.àEàpou aài po t iaà à o fe idaàaoàpapelà que possuem na injeção de procedimentos burocráticos dentro das organizações religiosas.
Um aspecto curioso do termo Contabilidade é o fato de que, em inglês, Accounting significa também relatar. Contar é relatar. E daí temos a expressão derivada, accountability, tão usada em Ciência Política, no sentido de relatos feitos pelo poder público à sociedade civil, comumente traduzida como transparência. O direito das pessoas saberem sobre aquilo que é do interesse coletivo é critério definidor do que é cívico. E um dos argumentos principais que emergem na defesa dos procedimentos contábeis é que a contabilidade tornaria transparente a gestão do dinheiro da Igreja. Não só entrevistados pontuaram essa questão, como também o próprio ecônomo da CNBB – e de uma forma bastante expressiva:
Sempre soubemos que se a coisa está nas mãos do padre ou está nas mãos do bispo, ela está em boas mãos. Então não tem perigo. Então quando você chega numa paróquia e a administração lá não está segundo as novas normas técnicas, não é porque ali tem corrupção e coisa mal feita. É porque talvez o padre está mais voltado para a pastoral, ele é um pastoralista e não tem aquela preocupação e às vezes nem tem formação para administrar. [...]. Você deve ter ouvido bastante que quando a coisa é do Estado o povo fala:à Issoà àdi hei oàpú li oàeàdi hei oàpú li oàpodeàjoga àfo a .àN oà àisso?à Tem aquela coisa pejorativa. No entanto deveria haver zelo justamente porque aquilo é público! E eu digo mais, quando é o dinheiro da Igreja: o dinheiro da Igreja, para mim, não só é um dinheiro público sagrado. E normalmente quem mais contribui com a Igreja são as pessoas mais pobres. [...] Se é um dinheiro sagrado, aí é que eu tenho que administrar bem, para ele ser bem empregado. (Ecônomo da CNBB, em entrevista).
Oà di hei oà à sag ado :à aà sa aliza-se do ícone mais profano da esfera do mercado, tornando-o meio de praticar a ação religiosa. De uma forma muito branda se critica o clero que é inapto administrativamente. Faz-se questão de dizer que não há maldade e e à o upç o.à Oàpad eà à o fi el d. No entanto, o domínio técnicou seria a forma
182 aisà espeitosa à deà seà t ata à daquilo que é sagrado – ou melhor, daquilo que é públicoc e sagradoi – além de valiosom, obviamente. Exagerando um pouco, quase se poderia dizer que a contabilidade se torna uma forma ritual, o que nos remete ao conceito de tabu.
Assim, crescentemente, sistemas informáticos de contabilidade e finanças tomam conta dos escritórios da Igreja; por garantirem precisão, apoio técnico, rapidez. Na época das entrevistas com os ecônomos da Arquidiocese eu não havia tomado conhecimento da existência desses softwares, por isso não lhes perguntei sobre isso. No entanto, espontaneamente, um dos entrevistados mencionou fazer uso de um determinado sistema – e mais tarde, durante a ExpoCatólica, pude entrevistar os fabricantes. O relato de um dos programadores é bastante ilustrativo das tendências apontadas acima:
Do ponto de vista do dízimo, não é muito difícil um padre que adquire o nosso sistema – ou, às vezes, até um outro sistema – vir nos falar que o dízimo aumentou, duplicou. Hoje mesmo nós conversamos com uma paróquia ali do interior de São Paulo que tinha um dízimo de 80 mil e que quando passou a usar o sistema, esse valor passou para 250. Qual é o milagre? Não é o sistema, mas a transparência que ele passou a ter. E o fiel ainda recebe um recibo, tem uma prestação de contas mensal disso. Normalmente tem outras medidas que a paróquia toma, conselhos que ela cria... E quando se pede o dado, pronto... está ali, já se prestou conta. A questão da fé pública da Igreja é muito importante. Quando a Igreja informatiza, ela tem condições de concretizar isso. No mundo em que a gente vive, é tanta igreja pegando dinheiro para isso e pra aquilo [riso], que o fiel católico fica meio ressabiado. Quando você coloca isso claro, as pessoas têm mais confiança em ofertar, em participar da vida da Igreja. (Fabricante de Software de Gestão Eclesial, em entrevista).
O ritual da contabilidade e o milagre da multiplicação do dízimo através do gerenciamento sistemático – figuras de linguagem que codificam muito bem a fusão dos significados eclesiais e seculares e mostram como a técnica se liga aos objetivos religiosos ao produzir recursos para ação. O sistema garantiria transparência num sentido duplo: primeiramente ligado à clareza e rigor dos cálculos, permitindo maior consciência no processo de lida com o dinheiro do dízimo; em segundo lugar, por garantir uma prestação de contas. Tudo isso permitiria que a Igreja se tornasse economicamente grande – o que é uma condição para obras espirituais também
183 grandes. E além de tudo, a mencionada tra spa iaàga a ti iaà f àpú li a d-f à Igreja – termo, aliás, muito sugestivo, quando aplicado a uma religião.
* * *
Fica claro que o isomorfismo da Igreja com relação às empresas não se traduz somente nas práticas pretensamente mais expressivas, como aqueles grandes eventos citados anteriormente. A contabilidade e as pressões legais em muito impeliram as religiões a adotarem procedimentos administrativos empresariais. E nesse bojo entram as leis de filantropia, as regulações com respeito ao terceiro setor, a lei do voluntariado, a legislação trabalhista, as normas fiscais. O Planejamento Pastoral está agora cada vez mais acompanhado de outros tipos de planejamentos eclesiais – Planos de Manutenção, Planos de Comunicação Interna, Orçamentos; além daqueles planos mais ligados à idéia de gestão eclesial propriamente, que podem ou não implicar no uso de marketing.
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Capítulo 4 – Secularização e Escolha Racional: prestando
contas às abordagens do mercado religioso
É corriqueiro e natural associar a idéia de p ti asà e p esa iais à à o epç oà deà e ado .àN oà àe t oà -toa que, para muitos, casos dos tipos que apresentei logo t aga à pa aà asà dis uss esà te osà o oà e a tilizaç o à eà e adoà eligioso .à Ocorre, porém, que esse último, utilizado de forma tão assídua e habitual (chegando a se tornar desgastado e algo esvaziado), era, em sua origem, parte de uma teia conceitual tecida com vistas a armar um cerco a questões e fenômenos muito específicos. No que concerne a pretensões explicativas, nenhum uso assistemático, solto ou impróprio de qualquer significado ou representação pode ser satisfatório; por isso,àa uelasàapa iç esàalgoàf e üe tesàdaàe p ess oà e adoà eligioso ,àdesp o idasà e descoladas de intuito teórico, não serão consideradas aqui. O propósito deste capítulo é o de então responder à pergunta: as chamadas teorias do mercado religioso estão aptas a fornecer um arcabouço de relações e argumentos que possibilitam melhor explicação e compreensão acerca de fatos como os relatados acima?
Essas teorias não são exatamente dirigidas para a explicação do comportamento de organizações – formulam diagnósticos sobre diversas dimensões da vida religiosa, incluindo-se aí a questão das dinâmicas das igrejas. O que chama a atenção são suas conclusões, pretensamente de caráter preditivo e prognóstico: a partir de análises das condições e motivos que levam igrejas a se adaptarem face ao pluralismo religioso, definem expectativas mais ou menos precisas quanto às direções dessas mudanças. Desta forma, julgo oportuno que essas teorias sejam devidamente localizadas, explicitadas e criticadas.
O formato deste capítulo se dá como o seguinte: inicio pela exposição dessas teorias, apresentando seus principais pressupostos, desenvolvimentos e limitações. Mostro em seguida os pontos em que se encontram e desencontram – problemáticas encruzilhadas, que dão vazão àqueles usos assistemáticos, sem mesmo que se perceba. Devido aos limites explicativos dessas abordagens, bem como às suas
185 divergências, alguém pode ficar tentado a pe sa à ueà e o ta à eà ola à asà pa tesà ap o eit eis àdeà adaàu aàdelasàpodeàge a àu aà o pilaç oàf utífe a.àJusta e teà para contra-argumentar qualquer intuito de iniciativa dessa natureza, demoro-me um pouco em discussões teórico-metodológicas sobre a abordagem da escolha racional, que sustenta a vertente mais recente sobre o mercado religioso. Essa demora se dá por dois motivos. Em primeiro lugar porque não tenho visto muitos trabalhos dentro da Sociologia da Religião produzida no Brasil que visem ler essa proposta de forma aisàap ofu dada,à istoà ,àdeàposseàdeàu aà g a ti a àaà espeitoàdosàfu da e tosà das inferências da explicação econômica. Essa lacuna nas discussões pode gerar posturas extremas: uma adesão ou uma rejeição pouco refletida aos pressupostos teóricos envolvidos. Em segundo lugar, justamente porque a nova teoria do mercado eligiosoà seà olo aà o oà su stituta à daà a te io ,à faze à u aà leitu aà i u iosaà à também apontar os problemas que permaneceram não resolvidos. A pretensão não é joga àfo a àasàteo iasàdoà e adoà eligioso,à asà ost a à o oànão se aplicam a todos os usos correntes.
Esse capítulo representa uma pausa nas análises desenvolvidas nos dois capítulos precedentes. Mas configura-seà o oà u aà e dadei aà te tati aà deà p estaç oà deà co tas à sà teo iasà ueà ge al e teà seà asso iam ao estudo das adoções de práticas empresariais pelas Igrejas. Todas as explicações propostas até aqui não fizeram recurso algum ao tema do mercado religioso – e isto certamente pode parecer completamente descabido para alguns leitores. Deste modo, mesmo que pareçam ser um desvio de percurso, as discussões desenvolvidas aqui se movem pela intenção de o stitui à u à a poà deà dis uss esà te i asà ueà oà pa eça à desa isadas à ouà negligenciar um conjunto relativamente amplo da produção sobre o mesmo tema.