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As variáveis do estudo são dados agregados coletados no nível dos municípios do estado do Rio Grande do Norte. As variáveis dependentes correspondem aos óbitos por causas específicas em indivíduos de 60 a 69 anos (idosos mais jovens) e 80 anos ou mais de idade (longevos), segundo local de residência. Para tanto, as Causas Básicas de Óbito foram consideradas agrupadas de acordo com os Capítulos CID- 10ª Revisão descritos no quadro 1.

Quadro1 - Descrição dos Capítulos CID-10ª Revisão, correspondentes às variáveis dependentes do estudo sobre perfil de mortalidade em idosos. Natal-RN, 2014.

Capítulo Descrição

I Algumas doenças infecciosas e parasitárias II Neoplasmas [tumores]

III Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários IV Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas

V Transtornos mentais e comportamentais VI Doenças do sistema nervoso

VII Doenças do olho e anexos

VIII Doenças do ouvido e da apófise mastóide IX Doenças do aparelho circulatório

X Doenças do aparelho respiratório XI Doenças do aparelho digestivo

XII Doenças da pele e do tecido subcutâneo

XIII Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo XIV Doenças do aparelho geniturinário

XV Gravidez, parto e puerpério

XVI Algumas afecções originadas no período perinatal

XVII Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas

XVIII Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte

XIX Lesões, envenenamentos e algumas outras conseqüências de causas externas XX Causas externas de morbidade e de mortalidade

Os capítulos XIX (Lesões, envenenamentos e algumas outras conseqüências de causas externas) e XXI (Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde) são utilizados exclusivamente para a classificação de dados de morbidade (BRASIL, 2013). Sendo assim, tais capítulos não foram abordados no presente estudo. Quanto às Causas Mal Definidas, correspondente ao capítulo XVIII (Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte) e ao sub-registro das mortes, identificado pelas baixas taxas, optou-se por não utilizar técnicas para minimizá-los. Tais dados são considerados importantes para o trabalho, uma vez que indicam a qualidade do SIM, gerando informações sobre o nível de saúde e desenvolvimento das regiões estudadas (ABREU; SAKURAI; CAMPOS, 2010, p. 85 e LAURENTI; MELLO JORGE; GOTLIEB, 2004, p. 911).

As variáveis dependentes do estudo, caracterizadas no quadro 2, foram medidas em função do risco de morte segundo causa para os dois grupos de idade em questão, expressado pela estimativa do Coeficiente de Mortalidade Específico por Causa e Idade (CMId). Ademais, foi calculada a mortalidade Proporcional segundo a Causa do Óbito para fins de análise descritiva, que permite identificar mais claramente as principais causas de óbito e orienta a definição da escala de prioridades.

Quadro 2 - Caracterização das variáveis dependentes do estudo sobre perfil de mortalidade em idosos. Natal-RN, 2014.

Nome Fonte de Dados Período

Coeficiente de Mortalidade Específico por

Causa e Idade- CMId SIM e IBGE 2001 a 2011

Mortalidade Proporcional segundo a Causa do

Óbito- MP SIM e IBGE 2001 a 2011

O CMId é calculado a partir da razão entre os óbitos por uma causa y e a média da população referida no início e no fim do período estudado, representados pelos anos de 2001 e 2011, em uma base de 10.000 habitantes, conforme a figura 3.

Número de óbitos devido à causa y, da área A, no período P

MPy= x 100

Número de óbitos por todas as causas, da área A no período P Figura 3 - Cálculo do Coeficiente Específico de Mortalidade por Causa e Idade

Fonte: Adaptado de Medronho, 2009. Fonte: Adaptado de Medronho, 2009.

Para o cálculo da MP, faz-se a razão do número de óbitos devido a uma causa y e a relação total de óbitos na mesma área e período, segundo a expressão da figura 4.

Figura 4 - Cálculo da Mortalidade Proporcional segundo a Causa do Óbito

Fonte: Adaptado de Medronho, 2009.

As informações sobre mortalidade foram obtidas através do SIM, capturadas no sítio do Departamento de Informática do SUS (DATASUS) e oriundas da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. Já os dados referentes à população residente são oriundos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimados com base nos resultados do Censo de 2000 e 2010.

As variáveis independentes do estudo foram consideradas nos níveis individual e contextual (ou agregado), bem como variáveis relacionadas à qualidade do SIM. No nível individual, as variáveis foram utilizadas exclusivamente a fim de se obter a caracterização da população estudada. As mesmas estão descritas no quadro 3 e foram obtidas a partir do preenchimento do Blocos I- Identificação e III- Ocorrência da Declaração de Óbito, disponibilizadas pelo sítio do DATASUS (www.datasus.gov.br).

Número de óbitos devido à causa y, da área A, no período P

CMIdy= x 10.000 habitantes

Quadro 3 - Caracterização das variáveis independentes individuais do estudo sobre perfil de mortalidade em idosos. Natal-RN, 2014.

Nome da

Variável Definição Escala de medida

Sexo

Conjunto de caracteres que permite classificar os seres vivos em macho e fêmea

Masculino Feminino

Estado Civil

Situação jurídica em relação à família e sociedade, resultante da filiação, sexo e casamento.

Solteiro Casado Viúvo Divorciado Outro Ignorado

Escolaridade Número de anos completos de estudo Anos

Raça/Cor

Grupo de indivíduos cujos caracteres biológicos são constantes e passam de uma a outra geração.

Branca Preta Amarela Parda Indígena Local de

ocorrência Área física onde ocorreu o óbito.

Hospital

Outro estabelecimento de saúde Domicílio

Via pública Outros Ignorado.

As variáveis do nível contextual foram oriundas de dados do IBGE referentes ao censo do ano 2000 tanto em sua forma bruta quanto transformada em indicadores pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e DATASUS. Partiu-se de um universo de 64 variáveis , que foram submetidas a uma análise da distribuição dos dados através de histogramas e boxplots, bem como foi realizada a correlação de Pearson, eliminando aquelas variáveis

com uma distribuição insatisfatória dos dados e com correlação superior a 0,8. Diante disso, restaram 20 variáveis agrupadas em dimensões relacionadas à renda, educação , desenvolvimento humano, demografia e habitação, conforme descritas no quadro 4.

Quadro 4 - Caracterização das variáveis independentes contextuais do estudo sobre perfil de mortalidade em idosos. Natal-RN, 2014.

Nome da Variável Definição Escala de

medida

R

enda

Índice de Gini Grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. 0 a 1

Índice L de Theil

Grau de desigualdade segundo o logaritmo da razão entre as médias aritmética e geométrica da renda domiciliar per capita dos indivíduos.

0 a 1

Transferência de renda

Participação percentual das rendas provenientes de transferências governamentais (aposentadorias, pensões e programas oficiais de auxílio, como renda mínima, bolsa-escola e seguro-desemprego) na renda total do município.

Porcentagem

Indigentes

Percentual de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$37,75, equivalentes a 1/4 do salário mínimo vigente em agosto de 2000.

Porcentagem

Renda < ¼ de Salário Mínimo

Proporção de pessoas com renda menor que ¼ de salário mínimo, considerando-se o valor de referência de 2010 (R$510,00).

Porcentagem

E

du

caç

ão Analfabetismo Proporção de analfabetos na população total. Porcentagem Analfabetismo em

idosos

Continuação do quadro 4. D es envo lvi m en to H uma n o IFDM

Média simples dos IFDMs de "emprego & renda",

"educação" e "saúde”. 0 a 1

IFDM Saúde

Média ponderada de indicadores extraídos do Ministério da Saúde: número de consultas pré- natal; óbitos por causa mal definidas e óbitos infantis por causas evitáveis.

0 a 1

IFDM Emprego e Renda

Média ponderada de indicadores extraídos de duas bases do Ministério do Trabalho: geração de emprego formal; estoque de emprego formal e salários médios do emprego formal.

0 a 1

IFDM Educação

Média ponderada de indicadores extraídos de duas bases do Ministério da Educação (MEC): taxa de matrícula na educação infantil; taxa de abandono; taxa de distorção idade e série; percentual de docentes com ensino superior; média de horas aula diária e resultado do IDEB.

0 a 1

IDH-M Média geométrica dos índices das dimensões Renda,

Educação e Longevidade, com pesos iguais. 0 a 1

D

em

ogr

af

ia

Proporção de idosos Relação entre a população de 60 anos ou mais e a população residente total. Porcentagem

Grau de Urbanização

Proporção da população da área urbana em relação à

população total. Porcentagem

Razão de dependência

Razão entre o segmento etário da população definido como economicamente dependente (os menores de 15 anos de idade e os de 60 e mais anos de idade) e o segmento etário potencialmente produtivo (entre 15 e 59 anos de idade, multiplicada por 100.

Porcentagem

Razão de dependência > 75%

Razão entre as pessoas que vivem em domicílios nos quais a razão de dependência é maior do que 75% , multiplicada por 100.

Continuação do quadro 4. H abi taç ão Acesso à energia elétrica

Razão entre a população que vive em domicílios particulares permanentes com iluminação elétrica e a população total residente em domicílios particulares permanentes multiplicado por 100.

Porcentagem

Acesso à coleta de lixo

Razão entre a população que vive em domicílios com coleta de lixo e a população total residente em domicílios particulares permanentes multiplicado por 100.

Porcentagem

Acesso à banheiro e água encanada

Razão entre a população que vive em domicílios particulares permanentes com água encanada em pelo menos um de seus cômodos e com banheiro exclusivo e a população total residente em domicílios

particulares permanentes multiplicado por 100.

Porcentagem

Densidade domiciliar >2

Razão entre a população que vive em domicílios particulares permanentes com densidade superior a 2 e a população total residente em domicílios

particulares permanentes multiplicado por 100.

Porcentagem

Já a qualidade do SIM foi avaliada a partir do seu grau de cobertura no ano de 2010 e pela completude das Declarações de Óbito, medida pela proporção de Declarações de Óbito com o campo referente à escolaridade “em branco”, que corresponde àquele com maior deficiência de preenchimento. Para medir o grau de cobertura, utilizou-se as proporções de sub-registros inferidas pela metodologia do estimador bayesiano empírico, cujos dados derivam do estudo de Justino (2010). A caracterização das variáveis a respeito do nível em questão é apresentada no quadro 5.

Quadro 5 - Caracterização das variáveis independentes relacionas à qualidade do registro dos óbitos do estudo sobre perfil de mortalidade em idosos. Natal-RN, 2014.

Campo escolaridade não preenchido para idosos de 60 a 69 anos

Proporção de Declarações de Óbitos de pessoas de 60 a 69 anos com o campo de escolaridade

ignorado.

Porcentagem

Campo escolaridade não preenchido para idosos de 80 anos e mais

Proporção de Declarações de Óbitos de pessoas de 80 anos ou mais com o campo de escolaridade ignorado.

Porcentagem

Sub-registro

Proporção estimada de falecimentos não registrados

em cartório. Porcentagem