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3.5 Oppsummering

4.1.2 Manuell rapportering

pesquisadora) nos encontramos numa igreja (risos), então essa é uma outra conquista, que nós temos de certa forma, porque eu que sou o religioso, o E não liga, não é E? para religião, mas eu sim. Faz tempo

que sinto a necessidade, cada vez mais de pertencer a uma comunidade, ter uma comunidade de pertencimento, uma igreja, e

recentemente encontrei essa comunidade: estou na Igreja Anglicana, que é em São Paulo, e é uma paróquia onde eu posso ir. O E tem ido à igreja várias vezes, eu estava no coral, por exemplo agora, e o E foi no dia do coral e todo mundo sabe que somos um casal, acho que isso é

muito importante também. A religião é algo que é muito importante

para muitas pessoas, para mim também. Então, estar numa

comunidade onde eu devesse esconder isso, onde não houvesse essa possibilidade de chegar lá e com tranqüilidade dizer: esse é E meu companheiro; onde as pessoas não vão olhar torto ou então meio que não querendo nada haver conosco, seria algo difícil, seria uma dificuldade, seria um sofrimento.

T reporta-se à religião como um elemento importante em sua vida, desejando espaço para o exercício de sua fé sem que seja contestado ou rejeitado por sua orientação sexual e constituição de sua família, e que seu companheiro possa ser reconhecido como tal, pois caso contrário acredita que se trataria de uma situação de desconforto e constrangimento.

Assim, acredita-se que, como T, inúmeros são aqueles que desejam vivenciar a sua fé, carregam em si uma formação religiosa proveniente dos valores e princípios vindos da família de origem e que chega a se constituir uma necessidade para algumas pessoas que buscam apoio nestes grupos, o que não deixa de ser uma forma de pertencimento e participação na comunidade. Mas, é coerente mencionar que esta inserção social ainda é bastante limitada diante da posição da igreja, que reconhecidamente não admite a constituição familiar entre pessoas do mesmo sexo. Embora tais uniões estejam cada vez mais expostas na sociedade e em busca de aprovação social, provavelmente a igreja será a instância mais difícil em ceder sob qualquer ângulo referente a estas uniões.

Os apontamentos realizados, inclusive estes últimos que se referem à religiosidade, aspecto absolutamente subjetivo de cada ser humano, compõem a apresentação da rede tecida pelas relações cotidianas que envolvem simplicidade e complexidade, comuns à vida de qualquer casal, inclusive os projetos de vida.

T e E não têm, no momento, o projeto de se tornarem pais. Acreditam que cinco anos de convivência é ainda um período curto, de descobertas, de construção da identidade familiar, embora tenha ficado claro que o sentimento e o reconhecimento do casal como família é absolutamente verdadeiro.

A não intenção de constituir uma família com filhos, pelo menos no momento, projeta T e E num horizonte diferente dos casais heterossexuais, sendo este aspecto um diferencial em relação aos outros casais entrevistados, pois a presença de filhos aparece como uma condição de ser família .

Aparentemente o projeto de vida está na conclusão do curso superior de E e nas conquistas profissionais de ambos. O trabalho realizado na ONG também se coloca como projeto de vida, uma vez que, para eles, tem uma dimensão maior por se tratar da luta por direitos que esperam vivenciar no plano particular, já que o casal vive a construção da identidade familiar.

O resultado da militância que exercem hoje é algo a ser estendido para um futuro próximo, mas também para um futuro distante pensado a partir das limitações que podem sofrer com o processo de envelhecimento e até mesmo o falecimento de um deles.

As colocações do casal trazem uma riqueza de aspectos quanto à vida cotidiana e explicitam que a construção da identidade de família se faz no dia-a-dia, nas pequenas e grandes coisas, nas emoções, nas expectativas, frustrações, dificuldades e alegrias que contemplam a vida de cada indivíduo nas esferas pública e privada.

Eis o que pretendem: ter a oportunidade de se descobrirem e se revelarem na medida em que a vivência da união possibilitar descobertas e respostas daquilo que todos os seres humanos buscam: a felicidade.

Cada entrevista, indiscutivelmente, trouxe elementos preciosos para a revelação da identidade de família e o reconhecimento social almejado por todos os casais, não sendo diferente para F e J.

Heller (1972, p.17) nos traz que:

A vida cotidiana é a vida do homem inteiro; ou seja, o homem participa na vida cotidiana com todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nela, colocam-se “em funcionamento” todos os sentidos, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, idéias, ideologias.

J e F trazem a singularidade de uma longa união, são 18 anos de convivência, e experiências de vida bastante diferenciadas, considerando que estiveram residindo fora do país, principalmente J, por diversas vezes, e pessoalmente viveram outras experiências, inclusive com o sexo oposto.

O casal tem hoje uma expectativa voltada para a qualidade de vida, investindo na construção que se deu durante todo esse período em que estão juntos, ou seja, nas afinidades e diferenças, no respeito, no amor e forma de amar de cada um, no trabalho, nas estratégias de enfrentamento junto à família de origem, especialmente a de F, nas conquistas materiais que inegavelmente se fazem presentes e ainda no anseio que trazem para o futuro.

Assim como os outros casais, T e E, TT e C, não houve uma preparação ou um planejamento específico para virem a morar juntos, foi a conseqüência natural de uma permanência que se estendeu:

J) Em relação a parte, por exemplo, social, eu achava, antes de me

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