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SOL- OG SKYGGEFORHOLD

DELKONKLUSJON - TILGJENGELIGHET

4.7 SAMMENDRAG STEDSANALYSE

Os saberes da corporeidade são saberes vivenciais, analisados em um contexto de entrelaçamento no Ser que aprende, ao mesmo tempo em que convive, conhece e faz.

Inicialmente, o “saber criar” é o foco, é aquele que recebe o destaque analítico na fonte dos Saberes da Vida, enquanto os outros – saber brincar, saber

sentir, saber pensar e saber humanizar-se – participam como complementares.

As práticas pedagógicas que os professores aqui analisados realizam são refletidas a partir, dentre outros aspectos, do que eles vivenciam, corporalmente, em seu Curso de Formação. O pensar sobre, nasce com a vivência corporal, que passa a ter um sentido para ele. Aqui, as reflexões oriundas das vivências corporais, ao relacionarem-se mais especificamente com o saber criar, trazem para si um elemento essencial que é a curiosidade. O que será que elas provocam para despertar, em quem delas participa, um olhar mais amoroso em relação a si, aos

outros e à vida?

A curiosidade aqui abordada caminha no sentido do conceito Curiosità apresentado pelo artista Leonardo da Vinci, e inclui tanto a insaciável busca da vida, quanto a incansável vontade de conhecimento. Assmann (2004, p. 17) considera que o desenvolvimento criativo se dá a partir de um fator elementar: “o prazer de pensar”. Gardner (1996, p. 23) recorre à psicóloga social Teresa Amabile para afirmar “que as soluções criativas dos problemas ocorrem com maior freqüência nos indivíduos empenhados numa atividade por puro prazer, do que quando eles o fazem por possíveis recompensas externas”. Um curioso entrelaçamento do saber

pensar com o saber criar, trazendo também, para essa relação, o prazer de brincar.

Brincar com o saber, saber brincar, brincar com o conhecimento para dele se apropriar com a criatividade e dar-lhe sentido, sentido para a vida.

A insaciável busca da vida e a incansável busca do conhecimento, objetos da curiosidade que dão origem ao saber, são inerentes ao Ser, já que, segundo Assmann (2004, p. 21), “todos os seres humanos nascem com o desejo de aprender”. O autor ressalta que existe um desejo intenso de ver, ouvir, saber, experimentar alguma coisa, e que a sensação de descobrir coisas é positivo e dá prazer, afirmando categoricamente que “a curiosidade representa a base da disposição para aprender, da busca do conhecimento” (ASSMANN, 2004, p. 26).

Trazer a curiosidade para junto dos saberes da corporeidade passa pelo entendimento de que aprender com curiosidade de aprender é, para Assmann (2004, p. 39), “o despertar do prazer de conhecer, de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento, ter curiosidade”. Especificamente em relação ao saber criar, a curiosidade é mola propulsora dessa ação, pois, como uma função psíquica estruturante, segundo Byington (1996), ela ajuda o Ser a elaborar seus

símbolos criativamente. É a subjetividade humana no saber criar, já que Régis de Morais (2003) tão sabiamente defende que o novo mora primeiramente no coração e só depois na idéia. É subjetivo para depois tornar-se objetivo. É sentido para ser vivido e é vivido para ser sentido.

No Ensino Tradicional, predominantemente racional, professores e alunos embotam sua criatividade em nome da formalidade e em conseqüência da fragmentação alienante dos saberes. É preciso dar-se conta dessa realidade, e Byington (1996, p. 25) chama atenção para esse fato ao afirmar que

[...] quando nos damos conta do não-aproveitamento da criatividade dos alunos, percebemos também que, com esse ensino racional, a criatividade de muitos professores também não está sendo aproveitada. Ela está em grande parte ainda embutida, esperando um ensino integral para desabrochar. Trata- se da formação e do desenvolvimento do professor, através da vocação de transmitir amorosamente o saber com toda sua emoção e criatividade existencial.

A relação que existe entre a criatividade do adulto e da criança é analisada por Gardner (1996) que considera a necessidade de o adulto ter formação e raciocínio “adequado” para responder às perguntas de uma criança talentosa. Como característica da criatividade, ressalta o fato de que “importantes dimensões da criatividade adulta tem suas raízes na infância do criador” (GARDNER, 1996, p. 26).

Na fonte dos Saberes da Vida, bebendo das águas humanescentes ou banhando-se nelas, os professores em formação brincam e dançam, manifestam-se em sua totalidade. Vivem a plenitude da infância e permitem, muitas vezes, o florescimento da criança que habita o seu Ser. É possível considerar que ocorre uma interseção do infantil e do maduro, que Gardner (1996, p. 9) defende ser condição

essencial para a descoberta criativa, acrescentando que “importante num estudo da criatividade é a sensibilidade às maneiras inovadoras de aproveitar a visão de mundo da criança pequena”.

O banho na fonte dos Saberes da Vida é a síntese de um Ensino integral, que sob o pressuposto da corporeidade se propõe desafiador e gerador da criatividade, por entender que é necessário que o corpo assuma um lugar central na aprendizagem, a fim de que os alunos aprendam a comunicar-se corporalmente, sem se envergonhar de suas atitudes, recuperando o direito de serem criativos e de tornarem-se agentes e sujeitos de transformação. Segundo Pierrakos (1990, p. 18), “a inteligência e harmonia da criação aponta para uma consciência que é, ao mesmo tempo, totalmente abrangente e minuciosamente específica”, considerando que “toda existência forma uma Unidade que se move em direção a uma evolução criativa, tanto do todo como dos seus inúmeros componentes” (PIERRAKOS, 1990, p. 15).

A criatividade é, para Gardner (1996, p. 10) um processo dialético, que ocorre na interação entre o indivíduo, o objeto de trabalho e os outros indivíduos, constituindo o que o autor denomina de “triângulo criativo”. Em suas palavras, “toda a atividade criativa se origina, primeiro, da relação entre o indivíduo e o mundo objetivo do trabalho e, segundo, dos laços entre o indivíduo e os outros seres humanos”. É interessante essa ressalva, pois muitas vezes se imagina que os indivíduos criativos trabalham em isolamento. No entanto, o papel das outras pessoas é determinante em seu desenvolvimento.

O ser criativo, na concepção de Gardner (1996, p. 30-31), caracteriza-se como “uma pessoa que regularmente soluciona problemas, cria produtos ou define novas questões num domínio de uma maneira que inicialmente é considerada nova,

mas que acaba sendo aceita num determinado ambiente cultural”.

O método racional e a exclusão da subjetividade são enormemente responsáveis pelo modo como se tornou o ensino e conseqüentemente a aprendizagem, ou seja, entediante e previsível. A criatividade inesperada, a sensibilidade e o divertimento devem ser saberes presentes no desenvolvimento humano.

O prazer de aprender advém da consciência da capacidade de criar, com emoção, um pensar criativo que torne o Ser cada vez mais humano.