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6. Nasjonal strategi for bustadsosialt

6.1 Sammendrag

As ideias Freinet da Escola Moderna atribuem à criança um papel ativo na aprendizagem. Como já referimos foi, sobretudo, em Ferrière que Freinet se inspirou, embora, como dissemos, não se possam descurar outras experiências pioneiras que ocorriam na altura, em Inglaterra, Suíça, Áustria. Acima de tudo, pretendia o autor organizar uma escola viva que fosse uma continuação natural da família, da aldeia, do

182 meio. Uma escola em que as crianças poderiam manifestar a sua personalidade e que fossem elas a propor, a ditar e a impor, o ritmo da escolarização.

Freinet mostra-se, já nesta altura, preocupado com os diferentes ritmos de aprendizagem que existem numa sala de aula, onde alguns revelam particular dificuldade em desenvolver uma inteligência especificamente escolar. Pergunta ele, se o êxito escolar dos alunos numa escola tradicional ronda os habituais 5-10%, o que acontece aos outros que não têm uma tendência intelectual, nem aptidões para o êxito escolar? “Na educação de amanhã procuraremos antes pôr a técnica na formação em profundidade de cada indivíduo (...) Quem sabe se, em virtude dos erros de método não actuam influências nervosas e psíquicas fazendo que face a problemas escolares, estas crianças sintam como que um mal estar fisiológico que desencadeia uma verdadeira alergia de que a Medicina devia estudar a natureza.”368

O inimigo principal da escola moderna é a explicação exaustiva das matérias pelo professor. Em sua substituição deverão ser fornecidos a documentação e os materiais necessários que permitam aos alunos chegarem por si ao conhecimento. Mesmo os melhores alunos, que existem tradicionalmente em cada escola, aprenderiam mais ainda se lhes fosse oferecida uma pedagogia que não visasse essencialmente a preparação para os exames, mas uma espécie de ciência de viver em relação permanente com o seu meio e a sua época.

Freinet revê-se, ele próprio, nos alunos que sofrem a dificuldade de adaptação a uma escola que não corresponde aos seus anseios e para a qual não estão minimamente sensibilizados. “...E é como adulto criança que descubro, através dos sistemas e métodos com que tanto sofri, os erros duma ciência que esqueceu e não reconhece as suas origens”. “Já notámos que grande lugar ocupam as cores, os sons e os sonhos na linguagem e nos escritos de crianças? Tudo é luminoso, aéreo, livre e fresco como água a correr. E nós apressamo-nos a fazer uma barragem, a extinguir a luz, a ofuscar o esplendor das paisagens, a rebaixar obstinadamente para as pedras e a lama, os olhos que teimavam em contemplar o espaço e o azul.”369

368 Idem: 18 e 20

369

183 Torna-se compreensível que as propostas de Freinet para a escola moderna, contrariamente ao que faz a escola tradicional, coloquem a tónica na aprendizagem a partir do indivíduo. Há uma inversão em relação aos moldes clássicos de ensino: já não é o educador que controla absolutamente as aprendizagens previstas no programa, mas deverá ser a própria criança, a partir das suas motivações e do seu questionamento sobre a realidade, que vai despoletando a evolução da aprendizagem.

Mas, então, quer dizer que na escola moderna cada aluno só faz o que quer e o professor torna-se um ser passivo que só responderá aos estímulos provocados pelos alunos? É isso que é a educação em liberdade? Como diz Freinet, os educadores sentem-se inquietos porque ouvem falar numa liberdade total que se aproxima da anarquia e ficam confusos acerca da necessidade da disciplina. A este propósito, destaquemos um pequeno trecho do autor sobre o assunto:

“Não fomos nós que divulgámos as palavras suspeitas que reclamam uma liberdade incondicional para as crianças. A responsabilidade disso cabe a teóricos sem crianças ou a educadores de excepção com condições particularmente favoráveis de trabalho... Somos partidários da disciplina escolar e da autoridade do professor, sem os quais não poderia haver nem instrução, nem educação. Mas é preciso determinar qual a forma de autoridade e de disciplina... Ela é uma consequência natural de uma boa organização do trabalho cooperativo e do clima moral da aula. A experiência mostrou- nos que quando a aula está bem estruturada, quando as crianças realizam todas, individualmente ou em grupo um trabalho interessante que se inscreve no quadro da vida escolar, alcançamos a harmonia quase ideal... Um dos benefícios mais importantes das nossas técnicas advém da resolução definitiva do problema da disciplina escolar.”370

Naturalmente que o modelo proposto para a escola moderna para lá da didática, vai chegar aos métodos de avaliação e, também aqui, as diferenças são substanciais. Já não é o saber de cor, nem a correção de trabalhos a tinta vermelha, nem a tirania da nota, através dos quais se fazia a seleção entre os alunos e que lança nos mais fracos um perigoso sentimento de inferioridade. Também a avaliação deverá ser feita de forma conjunta, num processo em que os alunos participem da sua própria avaliação. A avaliação não deve ser feita exclusivamente sobre o resultado formal obtido, mas também pela qualidade do esforço produzido. Conforme uma expressão de Freinet,

184 sempre que o aluno faz o melhor de que é capaz, deverá ser credor da nota máxima, seja qual for o resultado.

Mas Freinet, com todo este espírito revolucionário na avaliação, acaba por não pedir o fim dos exames, como seria de esperar, e acaba por considerá-los indispensáveis, pelo menos para a sua época. A sua principal preocupação é a oposição dos pais. No entanto, sempre vai dizendo que os exames avaliam geralmente conhecimentos que são intensivamente preparados nas escolas, mas descuram o importante da vida prática. Quer dizer, avalia-se o acessório, não o essencial. “Os malogros nos exames têm consequências nas crianças de ordem afectiva e psíquica bastante graves. Os exames bem compreendidos deviam revelar todas as qualidades e todas as aptidões, fazer que todos se afirmassem, que todos fossem incluídos no conjunto de uma cultura harmoniosa, em vez de obrigar alguns a desenvolver-se à margem desta cultura, o que acentua o hiato lamentável existente entre a escola e a vida que não cessamos de denunciar.”371