4.6 Intervju med utvalgte havner
4.6.8 Sammendrag av intervjuene
O segundo evento deposicional registrado na bacia é representado pela seqüência permiana-eotriássica. De Santa Ana & Veroslavsky (1993) assinalaram três grandes episódios naturais que compõem esta seqüência:
O primeiro corresponde à implantação do mar permiano sobre o escudo Uruguaio - Sul-riograndense, associada à glaciação gondwânica, e que teria se processado através de sucessivos avanços e recuos do nível do mar Eyles, C.H. et al., 1993; Castro, J.C., 1991. A porção basal deste evento deposicional, representado pela Formação San Gregorio (diamictitos, arenitos, ritmitos, e argilitos), corresponde à seção acumulada sob uma grande influência de um regime glacial. O desenvolvimento de lóbulos glaciais, na direção oeste (coincidente com as principais direções assinaladas pelos pavimentos estriados), contribuiu com uma importante massa detrítica. É possível que as áreas fontes se situassem em regiões distantes localizadas a leste e sudeste (África do Sul?). Tal situação favoreceu, nesta parte da bacia, a atuação de processos de transporte com forte componente gravitacional (escorregamentos e turbiditos). A presença destes tipos de depósitos é verificada nos poços da região de Cerro Largo Sul (Andreis et al. 1993; De Santa Ana et al., 1993), e no noroeste do Uruguai, também em subsuperfície.
Contudo, fácies continentais e transicionais são reconhecidas em várias áreas, por exemplo: na localidade de San Gregorio (área-tipo) e, também, na região de Paso del Puerto (Departamento de Rio Negro) onde aparecem diamictitos associados a arenitos com estratificação cruzada acanalada e planar, às vezes cruzada de baixo ângulo, termos que interdigitam-se lateralmente com argilitos e ritmitos (varvitos?).
De Santa Ana & Veroslavsky (1993) e Daners et al. (2003), afirmam que a associação de palinomorfos presentes nos poços de Cerro Largo Sul, quando comparada com os quadros bioestratigráfico e cronoestratigráfico proposto por Daemon & Quadros (1970) para a Bacia do Paraná, permite posicionar esses sedimentos no intervalo I, Artinskiano/Kunguriano (Permiano inferior).
O segundo episódio deposicional representa a fase de “engolfamento”, onde se sucedem arenitos finos a grossos, pelitos e intercalações de níveis conglomeráticos, que se agrupam sob a denominação de Formação Tres Islas.
Estes termos são interpretados como sistemas deltaicos dominados por rios que progradam nas direções oeste e noroeste (Ferrando & Andreis, 1986). A Formação Tres Islas é correlacionável à Formação Rio Bonito nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e Paraná no Brasil (Delaney & Goni, 1963). Uma questão em aberto é o tipo de controle que tiveram esses sistemas deltaicos, desenvolvidos num contexto transgressivo generalizado do mar permiano, sendo possível sua relação ao soerguimento das áreas fontes como resposta à reativação tectônica durante a orogenia tardiherciniana (Fúlfaro, 1971, Schneider et al 1974, Fúlfaro et al. 1980, Fulfaro et al. 1982, Zalan et al., 1986, Zalán et al., 1990, França et al. 1995 ), reconhecida em território brasileiro.
Em seqüência, e retomando o contexto transgressivo, depositou-se a Formação Fraile Muerto, litocorrelata à Formação Palermo, constituída por arenitos finos, siltitos e siltitos arenosos e argilosos, com laminação horizontal, estratificação lenticular e “flaser”, interpretada por De Santa Ana (1989) como ambientes marinhos transicionais sem influência de ondas.
Mais acima, em uma situação de restrição da bacia, depositou-se a Formação Mangrullo, representando dois ciclos rítmicos de siltitos, calcários- calcopelitos, e folhelhos betuminosos com abundante conteúdo de micro e macro fósseis. Esta camada é considerada como um excelente marco cronoestratigráfico em nível regional para a bacia, sendo tradicionalmente correlacionável com a Formação Irati, no Brasil.
O terceiro episódio deposicional corresponde à fase de colmatação da bacia, que começa com a retirada progressiva do mar e seu total assoreamento já no Eotriássico.
A porção basal é representada pela deposição dos siltitos e arenitos finos que compõem a Formação Paso Aguiar, correlacionável à Formação Serra Alta e parte de Teresinha no Brasil, dando início à retirada paulatina do mar permiano. Em direção ao topo, marcando a fase de continentalização da bacia, depositaram-se as formações Yaguarí e Buena Vista correlacionáveis às formações brasileiras Rio do Rasto e Sanga do Cabral, respectivamente, (Acevedo, 1985). Essas unidades caracterizam a passagem gradual de ambientes litorâneos e costeiros para continentais fluviais e de dunas eólicas no topo.
Na Formação Sanga do Cabral, Azevedo et al. (1985) assinalam a presença de anfíbios lidekkerinídeos e Procolophon, constituindo uma típica ocorrência na paleofauna da Zona de Lystrosaurus, da Série Beaufort superior (Triássico Inferior - Scitiano) do Sistema Karoo na África do Sul. Esses autores relatam também a descoberta de alguns restos fósseis nos sedimentos da Formação Buena Vista (em território uruguaio), comparáveis a essa associação fossilífera, o que permitiria posicionar essa unidade e, conseqüentemente, o topo da seqüência no Eotriássico.
No Triássico Inferior é registrada uma importante reativação tectônica que teria provocado a elevação de blocos limitados por falhas de direção NE (Andreis et al., 1991), e NW (de Santa Ana et al. 2001), responsável ainda pela discordância que marca o topo da seqüência. Essa tectônica teve componentes compressivos e transcorrentes, deformando levemente as camadas pré-triássicas (verificado através de algumas linhas sísmicas da bacia levantadas pela Administración Nacional de Combustibles, Alcohol y Portland - ANCAP) e que não afetaram as camadas mesozóicas sobrepostas. Outras feições no interior da bacia, em superfície, permitem supor também movimentações transcorrentes (preferencialmente através das falhas NE), como as sugeridas pelas estrias de falhas observadas nas pedreiras próximas à estrada N° 8, ao sul da localidade de Melo (pedreira "Infrinsa"). Essas feições e ainda outras prováveis, como as denominadas "ilhas cristalinas de Rivera e Acegua", são interpretadas aqui como sendo geradas pela transmissão dos esforços compressivos continente adentro, em resposta ao evento colisional ocorrido na margem sul do Gondwana, representado pela orogenia Cabo-Ventana (Eotriássico). É importante ressaltar que Cobbold et al (1986), Cobbold et al (1991), Cobbold et al (1992), Milani E.J. (1997), Ramos V. (1988), já havia atribuído, para o setor brasileiro da bacia, feições compressivas associadas a essa orogenia.