1 Innledning
1.1 Å samle på plater
Dada a importância dos conceitos para o funcionamento cognitivo, numerosos estudos vêm sendo realizados sobre a formação de conceitos ao longo dos últimos cem anos. Todavia, em face dos objetivos deste trabalho, esta apresentação se limitará a algumas das pesquisas, nacionais e estrangeiras, que apresentam ao menos uma das seguintes características: procuraram avaliar a formação de conceitos básicos relacionais por crianças em idade pré-escolar, crianças com deficiência ou necessidades educativas especiais; avaliaram o domínio de conceitos básicos (relacionais ou não) por crianças com paralisia cerebral; utilizaram o Teste de Conceitos Básicos de Boehm ou a Escala de Conceitos Básicos de Bracken como instrumento de avaliação; fizeram uso de histórias para a avaliação de conceitos básicos. Dos trabalhos encontrados, serão apresentados sucintamente aqueles realizados a partir da década de 70, visto que a primeira versão do Teste de Conceitos Básicos de Boehm foi publicada no ano de 1971.
Em 1975, Kuczaj e Maratsos avaliaram a aquisição dos conceitos de “frente”, “atrás” e “lado” por crianças norte-americanas. Participaram 45 crianças, sendo 25 meninos e 20 meninas, com idades entre 30 e 49,5 meses. As crianças foram submetidas a diferentes provas, nas quais deveriam posicionar objetos em relação ao seu próprio corpo, tocar as partes solicitadas de diferentes brinquedos e objetos (sendo alguns com características intrínsecas que permitiam o reconhecimento da parte da frente e da parte de trás, enquanto outros não permitiam tal reconhecimento), bem como posicionar outro objeto em relação a estes. Os resultados mostraram um melhor desempenho pelas crianças mais velhas, bem como uma maior facilidade na realização das tarefas relacionadas ao próprio corpo da criança; a aplicação do conceito de "lado" foi difícil diante de alguns tipos de objetos; houve um melhor desempenho em relação aos objetos com características intrínsecas reconhecíveis.
Ault, Cromer e Mitchell (1977) selecionaram 25 das 50 questões do Teste de Conceitos Básicos de Boehm31 e elaboraram uma versão tridimensional que consistia em montagens com peças, formando figuras semelhantes às apresentadas no teste original; tais peças eram encaixadas em uma prancha de desenho, sendo
dispostas na mesma posição que a das figuras do Teste de Boehm. O teste original e a versão tridimensional foram aplicados em 39 crianças norte-americanas, sendo 21 meninos e 18 meninas, com idade média de 60 meses (entre 53 e 71 meses). As instruções verbais eram semelhantes, havendo somente a substituição da instrução “faça um x” por “aponte”. Não foram observadas diferenças significantes entre as duas versões do teste de conceitos. Os autores discutem que a dimensionalidade pode não ser um fator importante para a avaliação cognitiva, ou que a experiência escolar pode ter preparado tais crianças para lidar com estímulos bidimensionais.
Kaufman (1978) examinou os manuais de diferentes testes destinados a crianças pré-escolares, visando determinar quais conceitos básicos são citados nas instruções dadas aos sujeitos na administração dos mesmos. Foram examinados os seguintes testes: Illinois Test of Psycholinguistic Abilities, McCarthy Scales of
Children’s Abilities, Stanford-Binet Intelligence Scale32 e Wechsler Preschool and
Primary Scale of Intelligence33. As suas instruções foram examinadas a fim de
identificar o número de conceitos básicos tidos como dominados pelas crianças (sem considerar os conceitos avaliados pelos testes, mas somente aqueles utilizados durante a avaliação de outras habilidades), tomando-se por base os 50 conceitos avaliados pelo Teste de Conceitos Básicos de Boehm34. Dos testes analisados,
apenas o primeiro não apresenta conceitos básicos em suas instruções; no segundo, encontram-se sete conceitos (“depois”, “igual”, “longe”, “diferente”, “outro”, “sobre” e “inteiro”); no terceiro, cinco conceitos (“igual”, “em volta”, “diferente”, “outro” e “inteiro”) e, no quarto, 14 conceitos básicos (“depois”, “igual”, “diferente”, “mais longe", “metade”, “ordem”, “dentro”, “meio”, “próximo”, “outro”, “fila”, “lado”, “pular” e “em cima”). Os quatro testes incluem outros conceitos que não fazem parte do Teste de Boehm, por serem considerados fáceis para as crianças pré-escolares. Mesmo nas instruções do Teste de Boehm é possível encontrar dois conceitos básicos (“diferente” e “em volta”), um antônimo de um conceito avaliado (“antes”) e outros cinco conceitos fáceis, não avaliados pelo teste. O autor considera que, quando a criança não compreende o que é esperado dela em uma dada tarefa, a avaliação da habilidade envolvida perde a validade, pois se coloca em questão a validade de constructo do teste.
32 Referências bibliográficas não informadas pelo autor.
33 WECHSLER, D. Manual for the Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence. New York: Psychological Corporation, 1967.
Spector (1979) aplicou o Teste de Conceitos Básicos de Boehm35 em 300
crianças norte-americanas, em idade pré-escolar, visando identificar aquelas com possibilidades de desenvolver dificuldades de aprendizagem. Apesar de não apresentar os resultados da aplicação, a autora arrola alguns fatores como possíveis responsáveis pelos erros das crianças: incapacidade em focar a atenção nas palavras-chave das questões, déficits na percepção espacial e vocabulário, incapacidade de distinguir entre conceitos similares, dificuldade quanto ao nível de abstração do conceito, pouca memória auditiva para as sentenças, dificuldade com conceitos negativos, influências sociais e culturais. Para a autora, um déficit na compreensão dos conceitos básicos dificulta a capacidade da criança em receber informações e comunicar suas ideias.
Kavale (1982) avaliou o domínio de conceitos básicos por crianças com dificuldades de aprendizagem, utilizando o Teste de Conceitos Básicos de Boehm36. A amostra foi constituída por 25 crianças norte-americanas com dificuldades de aprendizagem (19 meninos e seis meninas), com idade média de 75,63 meses, identificadas por meio do Meeting Street School Screening Test37 e do Metropolitan
Readiness Test38, e 25 crianças sem dificuldades (15 meninos e 10 meninas), com
idade média de 76,75 meses. Os resultados mostraram que as crianças com dificuldades de aprendizagem apresentavam menores níveis na compreensão de conceitos básicos, bem como uma maior variabilidade no desempenho, quando comparadas às crianças sem dificuldades. Os piores desempenhos, em ambos os grupos, foram observados nos conceitos temporais e mistos. Para a autora, muitos métodos e materiais pedagógicos pressupõem um conhecimento de conceitos básicos, de modo que um déficit nessa área pode agravar os problemas acadêmicos de crianças com dificuldades de aprendizagem.
Bracken e Cato (1986) compararam o desenvolvimento de conceitos básicos por 17 crianças norte-americanas com deficiência auditiva (10 meninos e sete meninas, com idade média de 71,6 meses) e por crianças sem deficiência (10 meninos e sete meninas, com idade média de 71,5 meses), utilizando a Escala de
35
BOEHM, A.E. Boehm Test of Basic Concepts. New York: The Psychological Corporation, 1971. 36Cf. nota 35.
37HAINSWORTH, P.; SIQUELAND, M. Early identification of children with learning disabilities: The Meeting Street School Screening Test. Province. R.I.: Crippled Children and Adults Rhode Island, 1969.
38NURSS, J.; MCGAUVRAN, M. Metropolitan Readiness Test
: Teacher’s manual (level 2). New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1976.
Conceitos Básicos de Bracken39 como instrumento de avaliação. As crianças com
deficiência auditiva, embora não apresentassem deficiência mental associada, tiveram um desempenho significativamente inferior ao do grupo controle, indicando um atraso no desenvolvimento conceitual, principalmente no que diz respeito aos conceitos mais abstratos de espaço/direção e quantidade.
Gallivan (1988) comparou a aquisição de habilidades de leitura com o desempenho de crianças no Teste de Conceitos Básicos de Boehm40 e em um teste de prontidão para a leitura (Gates-MacGinitie Readiness Skills Test)41; ambos os testes foram realizados no início da escolarização. Após três anos, as habilidades de leitura foram medidas por meio dos Gates-MacGinitie Reading Tests42. Participaram da pesquisa 122 crianças canadenses (66 meninos e 56 meninas), que se encontravam, na primeira avaliação, com idades entre cinco anos e 11 meses e seis anos e 11 meses. Os dois primeiros testes apresentaram correlações significantes com a aquisição da leitura, indicando a utilidade do Teste de Boehm como um instrumento preditivo em relação a esse aspecto, principalmente devido à facilidade e rapidez de sua aplicação. Os resultados também indicaram que os déficits na aquisição da leitura podem estar relacionados a dificuldades no desenvolvimento conceitual.
Pilkington, Piersel e Ponterotto (1988) pesquisaram o valor preditivo de avaliações pré-escolares sobre as aquisições de crianças anglo-americanas e méxico-americanas (descendentes de famílias mexicanas) no primeiro ano escolar. Os sujeitos foram 246 estudantes de escolas norte-americanas, com idade média de 62,2 meses, divididos em três grupos de acordo com a língua preferencialmente utilizada em casa: grupo 1 – 97 crianças anglo-americanas – língua inglesa; grupo 2 – 74 crianças méxico-americanas – língua inglesa; grupo 3 – 75 crianças méxico- americanas – língua espanhola. Houve, em cada grupo, uma divisão similar entre os gêneros. As avaliações pré-escolares, realizadas em inglês, no início e no final do ano pré-escolar, foram as seguintes: Teste de Conceitos Básicos de Boehm43; dois
39 BRACKEN, B.A. Bracken Basic Concept Scale. San Antonio, Texas: The Psychological Corporation, 1984.
40BOEHM, A.E. Boehm Test of Basic Concepts. New York: The Psychological Corporation, 1971. 41GATES, A.I.; MACGINITIE, W.H. Gates-MacGinitie Reading Tests – Readiness Skills. New York: Teachers College Press, 1968.
42 MACGINITIE, W.H.; KAMONS, J.; KOWALSI, R.;L.; MACGINITIE, R.K.; MACKAY, T. Gates- MacGinitie Reading Tests, Canadian Edition. Scarborough, Ontario: Nelson, 1980.
subtestes de desenho do McCarthy Scales of Children’s Abilities44 (MSCA); Criterion
Referenced Test (CRT), desenvolvido pelo distrito escolar para a avaliação da
contagem e do reconhecimento de cores, formas, números e letras. No final do primeiro ano escolar, as aquisições matemáticas e de leitura foram avaliadas por meio SRA Achievement Series45. O grupo 1 apresentou um melhor desempenho no
Teste de Boehm, no CRT e na avaliação das aquisições matemáticas, quando comparado aos outros dois grupos. Para o grupo 3, o CRT mostrou um valor preditivo significante para as aquisições de leitura, enquanto que o MSCA se mostrou preditivo para as aquisições matemáticas; o Teste de Boehm mostrou-se preditivo tanto para as aquisições matemáticas quanto para as de leitura, nos grupos 1 e 2. Com exceção do Teste de Boehm, o valor preditivo das outras avaliações variou quando considerados os dados coletados no início ou no final do ano pré- escolar. Observou-se, assim, que o valor preditivo das avaliações variou de acordo com a língua falada em casa e de acordo com o momento em que a avaliação foi realizada.
Rhyner e Bracken (1988) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar a relação entre a aquisição de conceitos, a inteligência e o desenvolvimento da linguagem receptiva e expressiva. Para isso, foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Conceitos Básicos de Bracken46, Preschool Language
Scale47 e Slosson Intelligence Test48. Os sujeitos foram crianças norte-americanas,
29 meninos e 33 meninas, com idades entre 30 e 72 meses (idade média: 51,67 meses), sem histórico de atrasos na aquisição da linguagem. Os resultados revelaram uma correlação de baixa a moderada entre os três instrumentos, sugerindo que eles não avaliam as mesmas habilidades e não podem ser usados de maneira intercambiável para avaliar o desenvolvimento de conceitos, da linguagem ou do funcionamento intelectual em crianças pré-escolares.
44 MCCARTHY, D. McCarthy Scales of Children’s Abilities. New York: Psychological Corporation, 1972.
45 NASLUND, R.A.; THORPE, L.P.; LEFEVER, D.W. SRA Achievement Series. Chicago, IL: Science Research Associates, 1978.
46 BRACKEN, B.A. Bracken Basic Concept Scale. San Antonio, Texas: The Psychological Corporation, 1984.
47 ZIMMERMAN, I.L.; STEINER, V.G; POND, R.E. Preschool Language Scale. San Antonio, TX: The Psychological Corporation, 1979.
48 SLOSSON, R.L. Slosson Intelligence Test. Eart Aurora, NY: Slosson Educational Publications, 1984.
Sterner e McCallum (1988) avaliaram a relação entre a Escala de Conceitos Básicos de Bracken49 e o Gesell Developmental Exam50. Os sujeitos foram 80
crianças norte-americanas, com idade média de seis anos, sendo 37 meninos e 43 meninas. No Gesell, as crianças são entrevistadas e executam algumas tarefas, como escrever o nome e alguns números, desenhar figuras geométricas, completar o desenho de um homem e nomear animais. As crianças também foram avaliadas por meio do Wide Range Achievement Test - Revised (WRAT-R) 51, que mede conhecimentos de aritmética, leitura e ortografia. Foi encontrada uma correlação positiva entre os dois primeiros testes, indicando uma relação forte entre a idade de desenvolvimento e o conhecimento de conceitos básicos. Considerando-se os dois testes aplicados inicialmente, a Escala de Bracken mostrou-se uma melhor escolha para predizer as aquisições avaliadas por meio do WRAT-R.
Bracken et al. (1990) investigaram a validade da Escala de Conceitos Básicos de Bracken52 traduzida para a língua espanhola, tendo como sujeitos crianças de Porto Rico e da Venezuela (cuja única língua era o espanhol), bem como de crianças bilíngues, residentes no Texas – EUA. Participaram 293 crianças com idades entre três anos e sete anos e 11 meses (147 meninos e 146 meninas). Foi observada uma consistência interna forte entre o teste integral e os subtestes, bem como uma intercorrelação alta entre os subtestes. O desempenho foi comparável entre as três amostras latinas e entre as amostras latinas e a amostra de padronização norte-americana, fornecendo evidência da validade da versão espanhola da escala. A similaridade no desempenho sugere, segundo os autores, que o construto avaliado é o mesmo em ambas as versões da escala. Assim como na versão em inglês, na versão em espanhol também se observou uma melhora no desempenho com o aumento da idade, indicando que o constructo avaliado tem uma natureza evolutiva; a sequência de itens em que o desempenho melhorou com a idade também foi similar. Os autores discutem os cuidados que devem ser tomados, devido às dificuldades na tradução de instrumentos de avaliação.
49
BRACKEN, B.A. Bracken Basic Concept Scale. San Antonio, Texas: The Psychological Corporation, 1984.
50 ILG, F.L.; AMES, L.B.; HAINES, J.; GILLESPIE, C. School readiness. New York: Harper & Row, 1978.
51 JASTAK, J.F.; JASTAK, S. The Wide Range Achievement Test (rev. ed.). Wilmington, DE: Jastak Associates, 1987.
Porwancher e Lisi (1993) investigaram a relação entre o Gesell School
Readiness Test53 e medidas independentes de inteligência, comportamento e
habilidades básicas. O estudo contou com a participação de 119 crianças norte- americanas em idade pré-escolar (com mais de quatro anos), sendo 59 meninas e 60 meninos. Além do Teste de Gesell, que avalia habilidades percepto-motoras e verbais (construção com cubos, escrita de números, cópia de formas, desenho da figura humana, encaixe de formas geométricas), as crianças também foram submetidas às seguintes avaliações de inteligência, comportamento, habilidades básicas de leitura/matemática e conceitos básicos: Wechsler Preschool and Primary
Scale of Intelligence – Revised (WPPSI-R)54; Parent Temperament Questionnaire55;
Teacher Temperament Questionnaire56; Comprehensive Test of Basic Skills57; Teste
de Conceitos Básicos de Boehm – Revisado58. Os autores identificaram correlações
significantes entre o Teste de Gesell, o WPPSI-R e o Teste de Boehm, de modo que a criança classificada como mais nova (idade de desenvolvimento) no Teste de Gesell também tendeu a apresentar escores mais baixos nos outros testes; não foram encontradas correlações significantes entre o Teste de Gesell e as demais avaliações.
Scheuer (1993) realizou um estudo com o objetivo de identificar a produção oral de relações espaciais (“dentro”, ”fora”, “em cima”, ”embaixo”, “frente”, ”atrás”, “perto” e ”longe”) por adolescentes com deficiência mental leve, institucionalizados e em fase de escolarização. Participaram 18 sujeitos brasileiros, com idades entre 11 e 15 anos, que foram solicitados a verbalizarem o que observavam nos desenhos de um menino, apresentado em diferentes posições em relação aos objetos. A autora constatou que esse grupo, que se encontrava no período das operações concretas59, apresentou resultados inferiores aos esperados para esse estágio do
53 ILG, F. Scoring notes: The developmental examination. New Haven, CT: Gesell Institute of Human Development, 1985.
54 WECHSLER, D. Manual for the Wechsler Preschool and Primary Test of Intelligence – Revised. San Antonio, TX: Psychological Corporation, 1989.
55 THOMAS, A.; CHESS, S. Temperament and development. New York: Bruner/Mazel, 1977.
56 KEOGH, B.K.; PULLIS, M.E.; CADWELL, J. A short form of the teacher temperament questionnaire. Journal of Educational Measurement, v. 19, n. 4, p. 323-329, 1982.
57 COMPREHENSIVE Test of Basic Skills: Forms U and V: Technical Report. Monterey, CA: McGraw- Hill, 1984.
58
BOEHM, A.E. Boehm Test of Basic Concepts – Revised. San Antonio, TX: Psychological Corporation, 1986.
59 A autora não indica referência bibliográfica, nem o método utilizado para situar os sujeitos participantes nesse estágio do desenvolvimento.
desenvolvimento, podendo ser comparados aos resultados de crianças pequenas, que apresentam uma linguagem oral prática, de ações e funções.
McIntosh, Brown e Ross (1995) aplicaram a Escala de Conceitos Básicos de Bracken60 e a Differential Ability Scales (ABS)61 em crianças pré-escolares
consideradas em situação de risco (aquelas com dificuldades de aprendizagem devido ao baixo nível socioeconômico ou em decorrência de deficiência física ou alterações emocionais). Participaram 35 crianças de uma comunidade rural norte- americana, com idades entre três anos e seis meses e cinco anos e 11 meses, sendo 20 meninos e 15 meninas. Os autores observaram uma correlação moderada entre a Escala de Bracken e a parte referente ao desenvolvimento conceitual da ABS; uma correlação maior foi encontrada entre este instrumento e os itens da escala que avaliam a prontidão escolar (School Readiness Composite). Estes resultados indicam, segundo os autores, o valor preditivo da Escala de Bracken em relação às capacidades cognitivas da criança.
Lomônaco et al. (1996) replicaram parcialmente uma pesquisa realizada por Keil (1989) nos Estados Unidos da América, visando investigar se no desenvolvimento conceitual das crianças ocorre uma mudança de ênfase dos atributos característicos (aqueles que estão comumente presentes nos exemplos de um conceito, mas não o definem de fato) para os atributos definidores (aqueles necessários e suficientes para definir um conceito). No estudo brasileiro, foram incluídas 48 crianças com idades entre quatro e 11 anos. Da pesquisa original, foram traduzidas 12 pequenas histórias que envolviam seis conceitos, sendo que metade das histórias incluia os atributos característicos (mas nenhum atributo definidor) e a outra metade apresentava somente atributos definidores (sem nenhum atributo característico); os conceitos pertenciam a três domínios conceituais (moral, parentesco e refeições). A criança era questionada se o evento narrado em cada história poderia representar o conceito investigado. Observou-se uma mudança de ênfase dos atributos característicos para os definidores com o aumento da idade das crianças, tanto para o domínio de moral quanto de parentesco, sendo identificado um período de transição, no qual ambos os tipos de atributos eram levados em
60 BRACKEN, B.A. Bracken Basic Concept Scale. San Antonio, Texas: The Psychological Corporation, 1984.
consideração. Tal mudança ocorreu em momentos diferentes para os diferentes domínios conceituais, corroborando, de maneira geral, o estudo de Keil (1989).
Pfeifer (1997) comparou a aquisição de habilidades cognitivas por crianças com paralisia cerebral e por crianças sem deficiência. A amostra foi composta por 19 crianças brasileiras, com três anos de idade, divididas em quatro grupos: um grupo era composto por crianças sem deficiência e os demais eram organizados de acordo com a gravidade do quadro motor (hemiparesia, diparesia e quadriparesia). Foram avaliadas as seguintes áreas: associação, vocabulário, memória, esquema corporal, discriminação tátil, orientação espacial (incluindo noções de “atrás”, “na frente”, “acima”, “dentro”, “sob”, “sobre”, “fora”, “grande”, “pequeno”, “alto” e “baixo”) e temporal (“antes”, “durante” e “depois”). A autora constatou uma relação entre o grau de comprometimento e as habilidades cognitivas, destacando a importância das experiências motoras para a facilitação do desenvolvimento cognitivo; esse padrão se manteve na análise isolada da orientação temporal, mas não da orientação espacial (para a qual o grupo com diparesia teve o melhor desempenho, seguido do grupo sem deficiência, com hemiparesia e com quadriparesia). A autora acrescenta que as maiores dificuldades parecem ocorrer quando a tarefa exige que conhecimentos que foram aprendidos em relação ao próprio corpo sejam aplicados em relação aos objetos entre si, o que pode decorrer da pouca exploração ambiental.
Aguiar (1997, 1998) investigou a influência de um programa de jogos recreativos infantis sobre a aprendizagem de conceitos básicos por pré-escolares. Participaram 40 crianças brasileiras, provenientes de famílias com renda média-alta e alta, com idades entre três e cinco anos, sendo 19 meninos e 21 meninas. Foi utilizado o Teste de Conceitos Básicos de Boehm (BOEHM, 1977) como instrumento de avaliação e como guia para a estruturação do programa de jogos. Após o treinamento, foi constatada a eficiência da utilização dos jogos para o domínio e para a generalização dos conceitos treinados. De maneira geral, as crianças apresentaram mais facilidade para as questões que envolviam conceitos de tempo, seguidos pelos conceitos de espaço, mistos e quantidade. Os conceitos mais difíceis foram “mais largo”, “segundo”, “par”, “terceiro”, “à esquerda” e “em ordem”.
Natsopoulos, Stavroussi e Alevriadou (1998) avaliaram a compreensão dos conceitos relacionais “mais”, “menos”, “mais alto” e “mais baixo” por crianças com deficiência mental moderada e por crianças sem deficiência. Cada grupo era
composto por 13 participantes que frequentavam escolas gregas, sendo que o grupo de crianças com deficiência era constituído por nove meninos e quatro meninas, com idades entre oito anos e cinco meses e 13 anos e 11 meses (idade média: 11 anos e