Del II Sametinget
4 Sametingets myndighet og begrepet selvbestemmelse
Cada estudante da disciplina Educação Hipertextual elaborou um trabalho final que consistia na produção de um artigo, uma reflexão sobre um dos tipos de gênero discursivo segundo a lógica hipertextual, de preferência linguagens que fizessem parte de sua área de interesse. Esses trabalhos foram analisados com o objetivo de investigar o modo como os estudantes da disciplina percebiam a lógica hipertextual em seu campo de atuação.
Alguns estudantes apresentaram dificuldades em relacionar a lógica hipertextual com seu campo de atuação, ou interesse. Prenderam-se na descrição de seus objetos de estudo ou do hipertexto, mas não conseguiram estabelecer a relação entre ambos. No entanto, a maioria dos estudantes conseguiu relacionar sua prática com a lógica hipertextual ou, pelo menos, com algumas categorias do Hipertexto
(intertextualidade, interatividade, interdisciplinaridade, dialogismo, não-linearidade, heterogeneidade).
Em alguns trabalhos percebemos que o hipertexto ainda é associado às tecnologias, aos recursos tecnológicos, mas a maioria dos estudantes elaborou o trabalho apoiado nos conhecimentos sobre a lógica hipertextual vista como uma forma de produção e organização do conhecimento, promovida pelos diversos gêneros discursivos. As temáticas (gêneros discursivos) abordadas nos trabalhos foram diversas: música, site, práxis pedagógica, ensino de literatura, literatura infanto-juvenil, problemáticas do trânsito, artigo científico da área contábil, internet, imagem, educação sexual, pensamento complexo, emotividade, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), ciências, alfabetização e letramento, Educação de Jovens e Adultos (EJA), língua Portuguesa, Educação Corporativa, Educação a Distância.
Em todos os trabalhos foram apontadas as potencialidades que a lógica hipertextual, quando trabalhada de forma coerente, traz para o campo da Educação. Como podemos observar no trabalho de um dos estudantes:
a ligação dos temas tratados é a hipertextualidade, como promotora da não- linearidade do processo ensino-aprendizagem, de maneira a construir redes de aprendizado que tragam para a vida dos educandos o ideal de uma educação libertadora, equânime, supra-formadora e completa.31
Podemos identificar em muitos trabalhos a preocupação dos estudantes sobre a formação do professor atualmente. Muitos professores assumem uma postura instrucionista, já que dessa maneira a realização do processo educativo se torna mais fácil e simples, pois não é exigida uma preparação do professor. Todavia, as atividades implementadas não provocam mudanças significativas no processo de ensino- aprendizagem, uma vez que não consideram a maneira como a criança aprende, como ela constrói o conhecimento. Como sugere uma das estudantes:
É relevante a análise do contexto pós-moderno para compreender como as relações virtuais são produzidas [...], sobretudo a constituição de identidades que surgem, além de situar a educação no contexto pós-moderno, do mesmo modo explicitar o surgimento de novas formas de linguagens e gêneros emergentes que são influenciados pelo uso das novas tecnologias, além do papel das redes hipertextuais (suas características) e sua relação com novas formas de aprendizagem.
Assim, foi possível identificar no texto dos estudantes a necessidade de uma nova formação para os educadores, que contemple as novas linguagens, de maneira que
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sejam capazes de promover espaços de discussão, análise e compreensão dos diversos textos e produções culturais. Como narra uma das estudantes em seu trabalho:
Em tempos modernos o professor não é a única fonte de informação do aluno, e esta também não se finda com os livros didáticos. Atualmente rádio, TV, revistas especializadas, o vasto mundo virtual da internet e os livros também são fontes de informações para o aluno. [...] Nessa nova realidade, o educador tem o importante papel de mediador uma vez que é ele que pode mostrar ao aluno a diferença entre informação e conhecimento. O desafio é transformar a informação em conhecimento.
Por meio de uma formação contextualizada, que abranja as novas linguagens, os novos gêneros discursivos presentes em nosso dia-a-dia, será possível o desenvolvimento de um processo educativo que privilegie a formação de sujeitos autônomos, capazes de compreender e posicionar-se frente ao múltiplo universo de mensagens veiculadas por meio dos gêneros discursivos. “A valorização dos educadores é um aspecto que melhorado traz benefícios para a educação de maneira geral.”
Como um dos estudantes aponta seu trabalho, essa atividade de construção textual “pretende concretizar propostas de aprendizagem a partir de uma nova linguagem, respondendo às demandas pontuais e urgentes de construção de conhecimento, características da Era da Informação”. Nos trabalhos escritos surgiram inúmeras propostas educativas envolvendo uma diversidade de linguagens. Essas propostas são direcionadas aos mais diversos contextos: escolar, extra-escolar, virtual, comunicacional, dentre outros.
Além disso, em grande parte dos trabalhos, os estudantes refletem sobre a importância do diálogo no contexto educativo, pois, como afirma uma das participantes: “é através do diálogo que há uma superação do antigo modelo de opressão”. O diálogo possui papel importante no processo ensino-aprendizagem, uma vez que possibilita partilhar experiências, construir e difundir conhecimentos e diminui a barreira entre professor e aluno. Dessa forma, para essa estudante, a
educação hipertextual propõe justamente uma ligação entre os interesses dos indivíduos. Esta se torna um instrumento eficaz de construção de significados através de uma relação coletiva. Esta educação hipertextual não somente está ligada a recursos tecnológicos como o computador e a internet. Este conceito vai além. Define as relações diversas estabelecidas entre os indivíduos e entre o indivíduo e uma fonte de experiência e conhecimento. Essas relações não são lineares e o aprendizado é guiado de acordo com o interesse das partes envolvidas no processo de aprendizagem.
Todos os estudantes perceberam a necessidade de abrir caminhos para a incorporação e integração de ações e projetos que estabeleçam articulações entre as múltiplas linguagens, rompendo com a forma escrita de linguagem de modo a apresentar
propostas para o desenvolvimento de um olhar voltado para o mundo em que vivemos. A escola deve reconhecer a pedagogicidade das linguagens extra-escolares, pois será a partir delas que se poderá educar o sujeito para a realização da leitura crítica de si e do mundo. Como propõe um dos estudantes: “É fundamental a utilização de diversos hipertextos nas aulas. O uso de vídeos, internet, música é necessário na medida em que agem como instrumentos poderosos para resgatar a curiosidade perdida dos alunos”.
Foi entendido por todos os participantes, portanto, que essa orientação teórica e metodológica pode ser aplicada a uma infinidade de produções culturais, sejam livros didáticos ou não, Internet, música, poesia, jornais, revistas, imagens, fotografias, teatro, dentre outras, no sentido de reconhecer a lógica hipertextual, bem como identificar e questionar o discurso monológico presente no processo ensino-aprendizagem. Enfim, como afirma um estudante, “algumas características do Hipertexto [...] podem ser usadas para desenvolver habilidades como leitura e escrita crítica, criatividade e autonomia dos alunos.”
E, devido às lacunas dos currículos de formação identificadas pelos participantes, os estudantes da disciplina Educação Hipertextual perceberam a importância em assumirem o compromisso de se tornarem descobridores de discursos e maneiras de educar, para que os educandos possam se posicionar como agentes reconstrutores da sociedade na qual vivemos.
São vários os sonhos do professor/pesquisador, um deles está em tornar a escola um espaço agradável de construção de conhecimento, em que a relação entre os educadores e alunos esteja sempre em colaboração, com vínculos afetivos que estimulem a criação e autonomia de todos. [...] Procurar novas formas de ensinar, motivar e envolver os alunos nessa beleza que é o conhecimento torna-se a alma do profissional da educação.