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4.1 Brukernes rolle-IP

4.1.2 Samarbeid om IP

Tendo feito estas resenhas detalhadas dos dois trabalhos tipológicos de referência sobre posse predicativa, nossa tarefa poderia ter se restringido ao exame da aplicação ou não dos resultados dos autores, a exemplo de Abdoulaye (2006) para o Hauçá. Por outro lado, resolvemos nos lançar a uma empreitada que poderia ser um pouco mais desafiadora e satisfatória, seguindo nossas intuições.

O tratamento tipológico de Heine (1997a) e Stassen (2009) e a evidência de que pelo menos quatro domínios são os mais recorrentemente utilizados pelas línguas para a expressão de possessivos nos incentivaram a examinar mais seriamente outros estudos que tivessem se ocupado estritamente dessa relação, e isso independentemente da orientação teórica em que o problema seria encarado. Essa pretensa ousadia de lidar com as teorias que se ocuparam de possessivos adveio, de certo modo, de outra constatação. A de que as diferentes teorias arregimentadas para dar conta da relação entre possessivos, locativos e existenciais simplesmente não se cruzavam. A menção a outros trabalhos divergentes dos de cada autor geralmente se dava de forma despretensiosa.14 Deixaremos essa discussão para mais adiante, no Capítulo 4 especificamente. Por hora nos ocupamos de explanar o como partimos de trabalhos de cunho tipológicos para então nos envolvermos nas intrincadas propostas que tentaram solucionar o seguinte questionamento de Heine (1997, p. 205) para o problema dos possessivos: “… como se pode explicar o fato de que em muitas línguas, dois, três ou todos os quarto esquemas recebem a mesma codificação?”15 Neste caso, o autor estava discutindo a relação feita na literatura por ele consultada sobre a relação entre Localização, Posse, Propriedade e Existência e os esquemas que dão origem a essas construções. Como um mesmo verbo usado para possessivos poderia também entrar nas construções de locativos e existenciais, como é o caso do verbo ter no português do Brasil? Nas palavras de Stassen (2009, p. 7):

14 Freeze (2001) em uma publicação posterior ao trabalho de Heine (1997), faz menção a este trabalho, no

entanto, sem fazer qualquer réplica às críticas do africanista: “Here we give a structural analysis of existentials, leaving aside pragmatic or funcitional explanations (for the latter type of analysis, see, e.g., Heine 1997).”

15“... how can the fact be explained that in many languages, two, three, or even all four schemas receive the same

Ficará claro que a relação entre possessivos e outros domínios conceituais, assim como os mecanismos diacrônicos que moldam essa relação, constitui-se uma fascinante área de pesquisa. No entanto, ficará claro também que essas questões estão além do escopo da presente investigação [...]16

Tomando como questão de pesquisa as motivações das relações entre o domínio dos possessivos com domínios conceituais vizinhos, uma primeira hipótese de trabalho foi a de procurar sistematizar as possíveis relações indicadas na literatura sobre possessivos. Constatamos, porém, como será visto no capítulo 4, que a ênfase das investigações se concentrava não na tentativa de entender como se dão as relações entre cada um dos domínios envolvidos, mas na busca por um denominador comum entre todas as construções. Por fim, mantivemos o objetivo inicial de verificar o funcionamento estrutural da relação de possessivos e seus vizinhos conceituais. Em grande parte, esse seria nosso principal desafio teórico. Como desafio descritivo, percebemos que fora os dois trabalhos tipológicos resenhados neste capítulo, praticamente nenhum outro trabalho se ocupou explicitamente do lugar do domínio do Comitativo na expressão de posse predicativa, exceção o trabalho Stolz (2001) e de Stolz, Stroh e Urdez (2006). Pode parecer contraditória a afirmação de que nenhum outro trabalho tenha se ocupado da questão sendo que as duas referências acima demonstram o contrário. Podemos dizer, de outra forma, que Stolz e associados produziram trabalhos sobre o Comitativo e outros domínios conceituais, porém, a perspectiva dos autores não era a de discutir a problemática como posta por Clark (1978) e Freeze (1992). O trabalho desses autores se classifica na verdade como uma discussão entre o sincretismo do comitativo com o instrumento, entrando a questão do possessivo, existenciais e locativos como fatos das línguas analisadas. Talvez o primeiro trabalho que realmente se posicionou como parte do debate do Paradigma Localista e que tenha tratado do comitativo seja o de Lisa Levinson (2011).

Frente a essa constatação, nos propusemos a verificar em línguas de possessivos comitativos a forma como se dão as relações entre os domínios conceituais de posse predicativa. Com isso, os dois desafios: teórico e descritivo, não necessariamente nessa ordem, ensejam a produção de uma tese de dupla face. Uma que caracterize individualmente os domínios conceituais de locativos, existenciais, comitativos e possessivos e a partir daí quais as implicações para a descrição de línguas bantas. A outra face seria a de examinar em

16“It will be clear that the relationship between possession and other conceptual domains, and the diachronic

mechanisms that shape this relationship, constitute a fascinating area of research. However, it will also be evident that these issues are way beyond the scope of the present investigation […]”

que as particularidades tipológicas das línguas bantas podem contribuir para um reexame das propostas teóricas que buscaram solucionar o problema das construções possessivas.

3.7 Em síntese

Considerando a impossibilidade de lidar com todas as questões decorrentes das construções de posse predicativa, decidimos verificar melhor, dentro de um conjunto particular de línguas, a relação entre os três principais domínios conceituais envolvidos na expressão de posse predicativa nas línguas do mundo, segundo os trabalhos tipológicos apresentados, os domínios das construções locativas, existenciais e comitativas.

Propusemos, assim, atuar precisamente onde aqueles trabalhos, deliberadamente ou não, deixaram uma lacuna, as motivações cognitivas que une ao mesmo tempo que distingue as quatro principais estratégias de posse predicativa nas línguas. Para atingir esse propósito, é justo que dediquemos um espaço aos trabalhos que se debruçaram sobre possessivos e domínios relacionados.

CAPÍTULO 4

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