PART II INTERNATIONAL EXPERIENCE
13. ECONOMIC RECOVERY AND RECONSTRUCTION
13.5 S TIMULATE THE REGULAR ECONOMY AND GENERATE EMPLOYMENT
Yogue, filósofo e místico, nasceu em Calcutá em 12 de janeiro de 1893, e recebeu o nome de Narendranath Datta (Naren). Mais tarde, adotou o nome monástico de Swami Vivekananda.4 Vivekananda sentiu-se atraído pela religião e
pela filosofia e a sua educação influenciada pela cultura ocidental o fez alternar o seu ceticismo e a sede do divino desde muito cedo. Graduou-se aos 19 anos e pretendia estudar direito, como seu pai, porém, ao conhecer seu mestre, Sri Ramakrishna, e tendo tido já suas primeiras experiências profundas em meditação, acabou desistindo de abraçar a advocacia, passando a se dedicar apenas a seus estudos e à vida espiritual.
4- Swami é um título usado por aqueles que fizeram votos monásticos formais, tal como um padre da Igreja Católica. Ele escolheu o nome Vivekananda onde Viveka significa discernimento e Ananda felicidade divina.
Em 11 de setembro de 1893, como representante da Índia no Primeiro Parlamento Mundial das Religiões, ele apareceu pela primeira vez em público. Aquele jovem de pele morena, com olhos escuros e expressivos, com apenas 30 anos de idade, na abertura fez um pronunciamento profético, que se encaixa bem em nossos dias, principalmente quando nos reportamos ao episódio do “11 de setembro”.
O sectarismo e a intolerância, cuja forma mais terrível de degeneração é o fanatismo – já há muito tempo se apossaram deste belo planeta. Cobriram-no de violência, inundaram-no inúmeras vezes com sangue humano, destruíram civilizações e levaram nações inteiras a desesperança. Se não fosse pela interferência desses terríveis demônios, a sociedade estaria num estágio muito mais adiantado de desenvolvimento. Agora, porém, chegou seu momento final. Espero fervorosamente que o sino que tocou esta manhã em honra desta convenção, anuncie também a morte de todo tipo de fanatismo, de todo tipo de perseguição, seja com a espada, seja com a palavra, e de todo tipo de sentimento inclemente entre pessoas que caminham juntas, com o mesmo objetivo (VIVEKANANDA, 2004:X).
Quando pensamos que este discurso foi realizado há mais de cem anos, nos tornamos um pouco pessimista ... ou talvez os sinos precisem tocar um pouco mais alto para que a humanidade desperte.
Em 27 de setembro, durante a sessão de encerramento do Congresso, Vivekananda concluiu: “Lamento profundamente que alguém possa sonhar com a sobrevivência exclusiva de sua própria religião e com a destruição de todas as outras” VIVEKANANDA, 2004:X)
Presenciamos, hoje, na pós-modernidade, muito deste fanatismo em nome da religião e a tão desejada união entre os credos, ensinada por Vivekananda no século XIX e por sua Santidade, o Dalai Lama, no século XXI, se torna cada vez mais uma utopia.
Foi Swami Vivekananda quem despertou o interesse da massa popular do Ocidente para o Yoga-Meditação. Ele proferiu centenas de palestras principalmente em Chicago, Detroit, Boston e Nova York; escreveu artigos e poemas e correspondeu-se com pessoas em todo o mundo. Foi para França e Inglaterra e em agosto de 1895 retornou para Nova York fundando ali a primeira Sociedade de Vedanta nos Estados Unidos: Vedanta Society
de New York. Naquela época foi convidado para ocupar a cátedra de Filosofia Oriental em
Harvard e também na Universidade de Columbia, tendo recusado a ambas. Voltou para o seu país e lá fundou, em 1897, o Ramakrishna Mission e o Ramakrishna Math (Mosteiro) prestando serviços filantrópicos, educacionais e religiosos. Em junho de 1899, foi para a Europa (Inglaterra) e depois novamente para os Estados Unidos onde permaneceu a maior
parte do tempo. Quando voltou para a Índia, estava muito cansado e doente, vindo a falecer em 4 de julho de 1902 com 39 anos de idade. Atualmente, existem dez centros da Ordem Ramakrishna nos Estados Unidos e um na Argentina, Inglaterra e França.
Vivekananda escreveu vários livros sobre o Yoga entre os quais: Karma-Yoga,
Jnana Yoga, Bhakti Yoga e um dos mais profundos, sobre o Raja Yoga. Na introdução
deste último livro ele relata:
O objetivo de toda ciência é descobrir a Unidade, o Uno, do qual o múltiplo provém, o Uno que se manifesta como muitos. Raja-Yoga determina-se iniciar partindo do mundo interno, estudando a natureza interna, e através dela, controlar tudo – tanto interno como externo. É tentativa muito antiga. A Índia tem sido a sua mantenedora especial, mas também houve tentativas feitas por outras nações. Nos países ocidentais esse estudo foi considerado como sendo ocultismo e as pessoas que desejavam pratica- lo, ou foram queimadas, ou mortas como feiticeiras e bruxas. (VIVEKANANDA, 1967:42)
Essa busca da Unidade, que é parte fundamental do Yoga, é tida como imprescindível na vida de cada ser humano. No mundo ocidental, após um período de preconceito e rejeição, podemos observar uma maior abertura para os temas ligados à Yoga ou à mística. Esclarece Vivekananda que:
Na Índia,(o yoga) por várias razões, caiu nas mãos de pessoas que destruíram noventa por cento do seu conhecimento e tentaram fazer um grande segredo do restante. Nos tempos atuais, no Ocidente, encontram-se falsos mestres, que são piores que os da Índia, porque estes conheciam algo, ao passo que aqueles modernos expoentes nada sabem. Tudo o que for secreto ou misterioso, neste sistema de Yoga, deve ser imediatamente rejeitado. O melhor guia na vida é a força. Em religião, como em qualquer outro assunto, descartemos tudo o que nos enfraquece; o mercadejar com mistérios enfraquece o cérebro humano e quase destruiu a Yoga, uma das mais sublimes ciências (Ibid,42). (O grifo é meu).
O autor demonstra que, há muito tempo, o Yoga tem caído em mãos de pessoas inescrupulosas. Os falsos mestres, ou falsos yogues, ficaram famosos e atraíram para a Índia muitos turistas. Na maioria das vezes, trata-se de “yogues” que conseguiram, através do uso de técnicas do Yoga, desenvolver poderes conhecidos como paranormais e muitos usam dos mesmos para ganhar dinheiro. Paul Brunton, em seu livro Índia Secreta, relata alguns encontros desta natureza e entre eles podemos citar um que muito o impressionou:
[O Yogue] Fecha os olhos injetados de sangue e fica imóvel como se meditasse; abre- os e, compenetrado, introduz o punhal na boca, de ponta para dentro, forçando até que ela saia pela face. Como se não fosse o bastante essa nojenta demonstração, ele a
repete do outro lado do rosto com o outro espeto. Sinto tanta admiração como repugnância. Afinal ele julga ter mostrado o suficiente; retira-se um após o outro e inclina-se em reverência. Desço os degraus da varanda e examino-lhe o rosto. Além de ínfimas marcas de sangue, vejo apenas dois buraquinhos, apenas perceptíveis. Com um gesto, o homem convida-me a sentar. De novo, preparando sua atitude, tranqüilamente, como quem tira o botão da sua roupa, ele agarra com os dedos seu globo ocular direito, tirando-o inteiramente fora da órbita! Recuo com horror, mas ele, imperturbável, continua puxando até que o órgão lhe cai na face, suspenso apenas pela extremidade dos nervos e das veias. Isso é horrível! (BRUNTON, s.d.:157).
Estas pessoas sempre impressionam pelo que são capazes de fazer, mas, do ponto de vista dos grandes mestres, elas acabam se desviando do verdadeiro caminho, pois, o objetivo do Yoga não é desenvolver poderes. Os próprios brâmanes foram os primeiros a se render aos poderes e aos benefícios que o Yoga proporcionava e dele se apropriaram para fins religiosos. Quiseram, então, escondê-lo como um grande segredo e a técnica passou a ser transmitida apenas para pessoas escolhidas em uma iniciação muito especial, o que passou a ser criticado, como já demonstrou o próprio Vivekananda.
A obra mais recente de Vivekananda traduzida para o português, O que é Religião.
(What Religion is), foi publicada pela primeira vez em Londres, em 1963. A respeito do
estudo das religiões ele declara:
Vir a ser religioso significa escalar o próprio caminho, percebendo e compreendendo as coisas por si mesmo. Em épocas remotas havia um grande número de profetas em todos os povos. Tempo virá em que profetas caminharão pelas ruas de cada cidade do mundo. Haveremos de compreender que o segredo da religião consiste em ser capaz, não só de pensar e repetir todos esses pensamentos mas de realiza-los, descobrir outros, novos e sublimes, nunca antes descobertos, e oferece-los à sociedade. O estudo das religiões deveria dedicar-se à formação de profetas. Escolas e faculdades deveriam ser seus campos de treinamento. Até que um homem se torne profeta, a religião é uma paródia (VIVEKANANDA,2004:9).
Este texto, logo no seu início, faz lembrar pessoas como Ramana Maharshi, Krishnamurti e Einstein, pois, os três, cada um no seu tempo e à sua maneira, desenvolveram uma religiosidade profunda “escalando o próprio caminho, percebendo e compreendendo as coisas por si mesmo”. O autor Denis Brian conta que, certa vez, em um jantar, alguém perguntou a Einstein, em tom de deboche: “Professor! Ouvi dizer que o senhor é muito religioso”. Ao que ele respondeu:
Sim, pode-se dizer que sou. Tente penetrar nos segredos da natureza com os meios limitados que possuímos e descobrirá que, por trás de todas as concatenações discerníveis, ainda resta algo sutil, intangível e inexplicável. Venerar essa força que
está além de tudo o que nos é compreensível é a minha religião. Nesse sentido, sim, sou de fato religioso (EINSTEIN, Apud BRIAN,1999:179).
A visão de Vivekananda é por demais otimista no que diz respeito a “formação de profetas” pois as Universidades jamais serviriam para um campo de treinamento deste tipo. O próprio Cristo já teria dito que deveríamos “viver as suas palavras” e não apenas repetí- las como papagaios.
Vivekananda ensinava que nascemos para redescobrir a nossa natureza divina e que “aquele a quem vocês suplicam e rezam nas igrejas e templos é seu próprio Self”.Falava muito pouco sobre os cultos hinduístas e considerava-se um incrédulo com relação a rituais. Dizia que as seitas se multiplicavam a toda hora e que “nada trouxe mais bênção ao homem do que a religião, nem nada trouxe tanto horror quanto a mesma”. Em suas palestras, usava de uma linguagem direta e firme, que foi muitas vezes mal interpretada:
Devo acrescentar que é bom nascer no seio de uma igreja, porém é ruim morrer nela. É bom nascer criança, mas é ruim permanecer criança. Igrejas, cerimônias e símbolos são bons para infantes. Porém, quando a criança cresce, deve ir além da igreja e de si mesma. Não podemos ser crianças para sempre. (VIVEKANANDA, 2004:8).
Vivekananda teve uma vida bastante curta mas deixou um legado importante para o mundo ocidental, se tornando uma pessoa admirada tanto no Ocidente quanto no Oriente, graças ao seu carisma e sabedoria. O foco principal de Vivekananda era trabalhar a mente, isto é, a prática do Yoga-Meditação, que considerava a base de todos os yogas, e as suas críticas com relação ao Hatha-Yoga são muito sutis, como podemos perceber nesta citação:
O não ligar-se a coisa alguma é a base de todos os yogas. O homem que renuncia viver numa casa, usar vestimentas ricas ou comer alimentos delicados, e mora no deserto, pode, não obstante, estar muito ligado. Sua única posse, seu corpo, pode ser tudo para ele, e enquanto viver estará lutando por amor ao seu próprio corpo. O desligar-se não é ação que possamos cumprir com o corpo físico, porém com a mente. A cadeia que nos escraviza ao “eu e ao meu” está na mente (VIVEKANANDA,2000:96). (O grifo é meu)
Alguns adeptos do Hatha-Yoga acreditam que podem alcançar a iluminação com este tipo de prática mas, isto é uma ilusão. Vivekananda esclarece ainda mais:
... a hatha-Yoga que trata exclusivamente do corpo físico, e cujo objetivo é torná- lo muito forte. Nada temos a ver com isso aqui, mesmo porque sua prática é muito difícil. Não pode ser aprendida num só dia e, além do mais, não produz grande
crescimento espiritual. Muitas dessas práticas – por exemplo, colocar o corpo em diferentes posições- encontram-se nos ensinamentos de Delsarte e outros. Seu escopo não é espiritual mas físico. ... O resultado da hatha-yoga é simplesmente permitir que se viva durante muito tempo; a saúde é a idéia-mestra, o único objetivo do hatha- yogui. ... Se um homem vive muito tempo é apenas um animal com saúde (VIVEKANANDA, 1967:48). (O grifo é meu).
Mestre Bohdan sempre nos alertava para o fato de que o segredo de tudo está na mente. Cuidar da saúde do corpo é muito importante mas, mais importante ainda, é cuidarmos da saúde da mente. Afinal de contas é por meio dela que vamos conseguir “nos desligar”, como diz Vivekananda “o desligar-se não é ação que possamos cumprir com o corpo físico mas com a mente” (VIVEKANANDA, 2000:96).
Sri Ramakrishna, o Mestre de Vivekananda, embora nunca tenha saído do seu país, exerceu a sua influência no mundo ocidental através do seu fiel discípulo. Ramakrishna foi um praticante do Yoga-Meditação e do Bhakti-Yoga, ou Yoga da devoção, o que soube transportar para todos os credos. Ele experienciou o Hinduísmo, Islamismo, Cristianismo, o Budismo e ficou muito conhecido por ter alcançado êxtases de forma muito natural em todas elas. Ficou conhecido como “o Louco de Deus”.