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KAPITTEL 4 : ANALYTISK RAMMEVERK

4.5. S PRÅKLIGE STRATEGIER FOR POSITIV SELVPRESENTASJON

Esta categoria será analisada a partir da percepção dos agricultores levando- se em consideração o entendimento de Sachs (2007) em que o desenvolvimento deve ser socialmente justo, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado.

Nota-se que todos os entrevistados (100% da amostra) apontaram as mudanças ambientais como as maiores contribuições do projeto Tipitamba. A técnica da agricultura sem queima (trituração da capoeira) trouxe uma mudança na percepção ambiental dos agricultores, na “paisagem vivida”, já conceituada por alguns autores dentro do movimento humanístico da geografia, que teve Yi-Fu Tuan24 como precursor. Segundo Guimarães (2002), o conceito de paisagem vivida está diretamente relacionado aos “processos de cognição, percepção, afetividade, memória, alienação e construção de imagens” (GUIMARÃES, 2002, p. 124). A ideia de paisagem vivida vai além da dimensão espacial e temporal. Conceituar paisagem vivida é se permitir compreender uma relação “corpo/espírito/paisagem com os espaços que se prolongam em sua própria existência às dimensões do imaginário, do mítico, do simbólico porque delineados e coloridos pelos sentimentos” (GUIMARÃES, 2002, p. 125).

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De acordo com Pereira e Fernandes (2011) Yi-fu Tuan destacou-se no pioneirismo de um humanismo sem precedentes na geografia e com a publicação da obra Humanistic Geography, em 1976, Tuan lança definitivamente um novo olhar, uma nova abordagem na Geografia: a Geografia Humanística, definida “por ele como uma Geografia que busca entender melhor o Homem e suas condições” (PEREIRA; FERNANDES, 2011, p. 54). Para esses autores, a principal característica da obra de Yi-fu Tuan é a “excepcional relevância cultural no projeto existencial” (PEREIRA;

Partindo desse conceito, percebe-se o quanto os agricultores estabelecem um laço afetivo com a paisagem do seu sítio, do seu terreno, da sua região, associando à técnica da agricultura sem queima mudanças que proporcionaram um “bem estar” ambiental, uma qualidade ambiental como expressam esses agricultores ao comentarem sobre os benefícios decorrentes da trituração da capoeira:

Tem muita sombra [...], na frente de casa mesmo tem uma areazinha que eu plantei urucum, no meio do urucum , eu plantei uns pé abacaba, ai já tem açaí , já tem uns pés de coco, de pupunha (Agricultora, 40 anos - Comunidade São João) ;

Antes, quando nós fomos pra essa área a capoeira era pequena. Agora já tem álvore grande, vc chega lá é sombra pra todo lado. Ficou bom (Agricultor, 66 anos - Comunidade São João);

Pra mim principalmente no ambiental, o terreno ficou com mais mato, [...] Perto da minha casa tem uma área bonita (Agricultor, 50 anos - comunidade Nova Olinda).

Mas observa-se que apesar de todos os entrevistados (100% da amostra) terem respondido que confiam na tecnologia do Tipitamba, 22% deles ainda queimam, ainda usam o fogo para preparar a terra, sendo que alguns estão há mais de sete anos no projeto, o que revela uma contradição . 50% da amostra (9 dos 18 agricultores entrevistados), responderam que não perceberam ainda aumento de renda com a substituição da queima pela trituração da capoeira.

Eles também apontaram pontos “negativos” na gestão do projeto em si, questões que na visão deles, acabam dificultando o andamento do projeto tais como: falta de adubo e de mudas; ausência de visita técnica; falta de retorno sobre a coleta de pesquisa do solo; demora ou atraso na máquina de trituração25; e falta de união entre os próprios agricultores. Quanto aos problemas apontados pelos agricultores é interessante destacar que o “ Raízes da Terra ”surgiu para garantir financiamento e continuidade às práticas da agricultura sem queima iniciadas com o Tipitamba, mas a partir dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) e tendo os próprios agricultores como gestores do projeto por meio de associações.As instituições de pesquisa tal como a Embrapa seriam parceiras. Por isso, como foi exposto nesta dissertação, o projeto foi proposto pela Associação de Desenvolvimento Comunitário de Nova Olinda (ASDCONO), tendo outras quatro associações como parceiras: a

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A máquina que faz a trituração ainda é da Embrapa. Os agricultores dependem desse trator para fazer a trituração da capoeira.

Associação de Desenvolvimento Comunitário Novo Brasil, a Associação Comunitária Nossa Senhora Aparecida e a Associação de Desenvolvimento Comunitário Nossa Senhora do Rosário (em Igarapé-Açu) e a Associação Comunitária Rural São João). A ideia era que os próprios agricultores assumissem a gestão desse projeto, cuidando eles próprios de um viveiro de muda para que as espécies pudessem ser distribuídas para todos os envolvidos. Mas percebe-se que os agricultores não assumiram esse papel integralmente. Não existe um sentimento forte de grupo organizado como ressalta este agricultor:

A maioria nossa, é assim, se junta esperando um dinheiro que caia, mas pra gente ser forte, a gente tem que ter um grupo forte, pra discutir [...], mas nosso povo é assim, a expectativa é sempre sobre o dinheiro. A dificuldade que nós temos é no ajuntamento do nosso povo. Ninguém acredita mais em nada (Agricultor – comunidade São João).

Os órgãos de pesquisa, parceiros do projeto, que deveriam ajudar com apoio técnico também estão ausentes ou, pelo menos, não atuam como os agricultores esperam. Isso fica claro quando eles reclamam da falta de visita técnica e de como isso vem trazendo reflexos na produção deles. Percebe-se pelas “falas” que os entrevistados se sentem abandonados, sem assistência técnica como argumentam esses agricultores:

Nós não temo técnico lá (Nova Olinda),.... então, na hora da gente tá no trabalho da gente, muitas vezes , no plantio da gente, não chega aquele técnico e diz olha isso aqui tá com problema, esse pé de pranta tá com problema” (Agricultor, 50 anos - comunidade Nova Olinda);

Vem estudante fazer pesquisa, faz coleta de solo, faz coleta de água, só que o resultado não está chegando pro agricultor. Tem agricultor que até brinca: eles estão quase pra levar o solo do meu terreno quase todo e nunca chegou resultado (Agricultor, 30 anos – comunidade Nova Olinda). Há de se ressaltar que além da Embrapa, outros órgãos tais como EMATER, UFRA e UEPA também são parceiros do projeto Raízes da Terra e deveriam prestar assistência técnica, o que não vem ocorrendo, segundo os agricultores.