A escolha das estratégias teórico-metodológicas que utilizamos para realizar uma pesquisa está condicionada a muitos fatores. Dentre eles, citamos o objetivo do estudo, o tipo de fenômeno observado, as crenças e valores do pesquisador, e o que é, ou não, aceito pela área de pesquisa em que o projeto se insere. Desta forma, essa escolha é sociohistoricamente situada. No caso desta pesquisa, seu contexto nos possibilitou algumas opções de estratégias de investigação e nos impossibilitou outras, mas vamos aqui nos concentrar apenas nas que adotamos.
Esta pesquisa investiga o discurso na sala de aula de Matemática, observado na interação verbal. Como destaca Bakhtin, a interação verbal não pode ser compreendida e explicada fora da situação concreta de produção. A interação verbal, que está sempre acompanhada por atos sociais de caráter não verbal, tais como os gestos, entonação, etc, deve ser estudada não só na situação imediata, mas também, através dela, no contexto social mais amplo.
Para estudos como este, Bakhtin propõe um método sociológico de análise do
enunciado, onde:
“a ordem metodológica para o estudo da língua deve ser o seguinte:
1. As formas e os tipos de interação verbal em ligação com as condições concretas em que se realiza.
2. As formas das distintas enunciações, dos atos de fala isolados, em ligação estreita com a interação de que constituem os elementos, isto é, as categorias dos atos de fala na vida e na criação ideológica que se prestam a uma determinação pela interação verbal.
3. A partir daí, exame das formas da língua em sua interpretação lingüística habitual.
É nessa mesma ordem que se desenvolve a evolução real da língua: as relações sociais evoluem (em função das infra-estruturas), depois a comunicação e a interação verbais evoluem no quadro das relações sociais, as formas dos atos de fala evoluem em conseqüência da interação verbal, e o processo de evolução reflete-se, enfim, na
mudança das formas da língua.” (BAKHTIN, 1992, p. 124)
Esse método nos parece o mais adequado para o tipo de pesquisa que estamos realizando, pois traça um roteiro, que vai da situação social ou de enunciação para o gênero/enunciado/texto e, só então, para suas formas lingüísticas relevantes. O que nos chama a atenção, em particular, nessa perspectiva é a idéia de que, apesar de valer a interpretação linguística habitual, a ordem metodológica privilegia as instâncias sociais.
Rojo (2002) dá indicações de como proceder nesta perspectiva bakhtiniana de análise:
“aqueles que adotam a perspectiva dos gêneros do discurso partirão
sempre de uma análise em detalhe dos aspectos sócio-históricos da situação enunciativa, privilegiando, sobretudo, a vontade enunciativa do locutor – isto é, sua finalidade, mas também e principalmente sua
apreciação valorativa sobre seu(s) interlocutor(es) e tema(s)
discursivos – e, a partir desta análise, buscarão as marcas lingüísticas (formas do texto/enunciado e da língua – composição e estilo) que refletem, no enunciado/texto, esses aspectos da situação. Isso configura não uma análise exaustiva das propriedades do texto e de suas formas de composição (gramática) – buscando as invariantes do gênero –, mas uma descrição do texto/enunciado pertencente ao gênero ligada sobretudo às maneiras (inclusive lingüísticas) de se configurar a significação. E de um outro texto/enunciado; e de um outro; e assim por diante. Assim, talvez o analista possa chegar a certas regularidades do gênero, mas estas serão devidas não às formas fixas da língua, mas às regularidades e similaridades das relações sociais numa esfera de comunicação específica. Será sempre um estilo de trabalho mais “top-down” e de idas e vindas da situação ao texto e nunca um estilo “bottom-up” de descrição exaustiva e paralela de textos, para, depois, colocá-los em relação com aspectos
da situação social ou de enunciação” (ROJO, 2002, p.16).
Essa estratégia de pesquisa proposta por Rojo (2002), nos conduziu a um desenho de pesquisa que se inicia por uma análise do contexto mais amplo, fazendo uma investigação sobre a constituição sócio-histórica dos gêneros presentes na aula de Matemática, identificando algumas crenças e valores presentes. Em seguida, identificamos algumas marcas linguísticas que caracterizam esses gêneros, e que refletem a ideologia, conjunto de valores e crenças presentes nestes.
Desenho geral da Pesquisa
Para operacionalizarmos este roteiro apresentado por Bakhtin e Rojo, dividimos a pesquisa em duas partes: uma teórica, investigando a literatura; e uma empírica, a partir da observação em sala de aula. Na análise das interações discursivas, tentamos estabelecer uma relação entre as observações realizadas, em sala de aula, e a literatura sobre o discurso e a comunicação na sala de aula, bem como a específica sobre a aula de Matemática.
O estudo teórico teve como objetivo identificar na literatura elementos que nos ajudassem a compreender como se constitui o discurso presente na sala de aula de Matemática nos dias de hoje, identificando as ideologias presentes no campo e as principais marcas do discurso.
Para a apresentação neste texto, o estudo teórico está dividido em quatro partes: as tendências da Educação Matemática e o discurso, a constituição do formalismo, as marcas do discurso identificadas na literatura e a pesquisa sobre discurso na Educação Matemática. A literatura não foi estudada de forma linear, mas sempre teve em tela esses quatro temas.
Inicialmente, o estudo tinha como objetivo descrever, de forma bastante sucinta, o processo histórico que constituiu o atual discurso presente na sala de aula de Matemática, tentando identificar elementos que nos possibilitassem fazer uma análise dos aspectos sócio- históricos aí envolvidos. Para tanto, iniciamos um estudo do processo histórico de consolidação de idéias, que consideramos centrais na formação dos gêneros da matemática acadêmica, que têm grande influência, ou presença, nos discursos da sala de aula de matemática. Nesse estudo, nosso objetivo era identificar como surgiram, e ganharam espaço, as principais tendências da Educação Matemática e como estas lidaram com o discurso na sala de aula.
O estudo das tendências na Educação Matemática e de pesquisas sobre o discurso na sala de aula de Matemática nos revelou o importante papel que o movimento formalista desempenhou nas esferas tanto da produção matemática, quanto do seu ensino. A partir deste conhecimento, passamos a estudar a constituição do movimento formalista, bem como de suas principais características. Fizemos também um estudo sobre a relação das diversas tendências e os ideais da concepção formalista, bem como a reação ou incorporação dessas idéias nas tendências. Nossa pesquisa foi eminentemente bibliográfica, sem a pretensão de fazer uma análise direta das fontes históricas primárias.
Investigamos na literatura, principalmente de Educação Matemática, quais eram as principais idéias sobre a linguagem matemática e o seu ensino. Tentamos identificar quais são as principais marcas do discurso na sala de aula de Matemática que vêm sendo enunciadas por pesquisadores da Educação. Consideramos que essas marcas podem revelar as crenças e os valores presentes na sala de aula. Por esse motivo, a identificação de tais marcas na sala de aula é, a nosso ver, de fundamental importância para que possamos fazer a análise de como o contexto social mais amplo se faz presente na sala de aula e para criarmos nossas categorias de análise.
A construção de nossas categorias, que chamamos de marcas do discurso na sala de aula, emerge do confronto entre a literatura de pesquisa estudada e o componente empírico desta pesquisa, que diz respeito às observações das aulas. Essas marcas que identificamos, portanto, nascem após uma análise preliminar das observações empíricas.
Fizemos também uma revisão da literatura de Educação Matemática, visando traçar um painel da produção que tem como foco o discurso em sala de aula. Esse painel tinha como objetivo situar esta pesquisa no contexto atual de pesquisa sobre o discurso na Educação Matemática. Buscamos fazer uma revisão a partir das principais revistas e eventos nacionais e internacionais. Esse painel nos possibilitou identificar quais são as principais correntes de pesquisa, bem como quais são as abordagens utilizadas por cada uma delas ao analisar o discurso na sala de aula de Matemática. Esse estudo, além de situar nosso trabalho, nos permitiu refletir sobre a possibilidade de compatibilizar contribuições que outras perspectivas apresentam, e que consideramos serem de interesse para o desenvolvimento de nossa pesquisa.
Por sua vez, o estudo empírico teve como objetivo compreender e explicitar a situação concreta de produção do discurso e as diversas formas de enunciação presentes na sala de aula de Matemática, através da observação e da filmagem das aulas. Dessa forma, nossa observação visou analisar um discurso que ocorre nas interações que se dão em um contexto bastante especifico – a sala de aula de Matemática.
Consideramos a sala de aula de Matemática como um campo discursivo, pois é um espaço estruturado, com suas próprias leis de funcionamento e suas próprias relações de força. Esse campo é ideologicamente constituído, com diversos atores, cada um com seus valores próprios. Nele circulam vários discursos trazidos de outros campos, tendo cada um deles valores próprios que se explicitam nas interações.
Essa observação da situação imediata de produção dos discursos é fundamental,
pois, como aponta Rojo, as “três dimensões dos gêneros discursivos são determinadas pelos
parâmetros da situação de produção dos enunciados e, sobretudo, para Bakhtin/Volochinov (1929), pela apreciação valorativa do locutor a respeito do(s) tema(s) e do(s) interlocutor(es)
de seu discurso” (2002, p.13); desta forma, “os gêneros e os textos/enunciados a eles
pertencentes não podem ser compreendidos, produzidos ou conhecidos sem referência aos
elementos de sua situação de produção” (2002, p.13).
No nosso entender, a observação do discurso em um campo específico deve ser feita utilizando-se uma abordagem que permita uma análise que leve em conta a complexidade da condição concreta onde este se realiza. Estes discursos ocorrem em um contexto social específico, que, por sua vez, está inserido em uma realidade histórica, estando sob uma serie de determinações. Assim, esse discurso vai se revelar no cotidiano do campo, pois é nele que as ações se concretizam e que os conflitos ocorrem, tornando-se importante
Para observar essa complexidade, entendemos ser necessário uma imersão no campo a ser pesquisado, para podermos identificar as práticas, as posições sociais e os valores. Desta forma, consideramos apropriado adotar uma metodologia com caráter etnográfico, já que a etnografia procura compreender a situação cotidiana e a descrição de uma cultura local.
Sabemos que nossa pesquisa não é estritamente etnográfica, no sentido clássico vindo da Antropologia, mas podemos considerá-la uma “pesquisa de tipo etnográfico” (ANDRÉ, 1995). Os instrumentos da pesquisa etnográfica que utilizamos são: a observação, a triangulação de dados e o caderno de campo. Por outro lado, não houve intervenção direta do pesquisador no campo de pesquisa. Como tínhamos por objetivo observar a interação na sala de aula, esta funcionou normalmente sem qualquer ingerência nossa que provocasse alguma mudança, exceto pela presença de uma pessoa estranha ao contexto, que fazia anotações e filmava. Já o tempo de permanência em campo foi reduzido em relação ao usual nas pesquisas etnográficas; no entanto, o pesquisador já atuava no mesmo.
Com efeito, mesmo que não optando por essa abordagem, estaria presente um caráter etnográfico, já que estávamos observamos as interações na sala de aula e o pesquisador, que fez as observações, era professor da escola estudada há treze anos, e era coordenador da disciplina de Matemática no primeiro ano44. O fato de o pesquisador ser professor dessa escola foi um dos elementos que motivou a escolha dela para o desenvolvimento da pesquisa. Assim, o pesquisador já tinha inserção no campo e estava familiarizado com as concepções de Matemática, Educação e Educação Matemática ali presentes. Ele tinha um contato longo e direto com a realidade que estava observando, uma vez que era um participante desse contexto social. Deste modo, seu olhar sempre seria o de
alguém “de dentro”, com todas implicações que isto acarreta.
Cameron (2001) aponta que a etnografia é uma forma de investigação de uma
cultura através da observação participante. Nela, o investigador é ao mesmo tempo “de dentro” (insider) desta cultura, no sentido que está imerso no seu dia a dia, e “externo” a ela
(outsider), pois procura entender a forma como os seus membros pensam e agem. Consideramos que, apesar de nossa participação nas observações não se dar de uma forma direta, pois procurávamos não intervir nas interações, ela acontecia de uma forma indireta,
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O coordenador de disciplina nesta escola tem como atribuição organizar o material didático, coordenar as atividades didáticas e avaliações, orientar os professores na execução das atividades e ser uma primeira instância no caso de desacordo entre aluno e professor da disciplina.
através do papel que o pesquisador exercia na escola e das conversas com os sujeitos da pesquisa.
Segundo Cameron (2001), o que vai caracterizar uma pesquisa como etnográfica é o fato de o pesquisador ter um contato regular e um certo grau de participação na cultura estudada; de ela ser feita no seu local natural; e de ter claro que o objetivo não é a coleta objetiva de dados factuais sobre a forma de vida de um grupo, mas o entendimento da forma de vida do grupo e de como ela é entendida pelos mesmos. Deve-se ressaltar que o trabalho do pesquisador vai muito além da simples descrição, devendo buscar a compreensão dos significados culturais através das falas, comportamentos e ações dos sujeitos envolvidos. Dessa forma, a pesquisa etnográfica deve compreender os significados que têm as ações e os eventos para as pessoas ou os grupos estudados (ANDRÉ, 1995). Gostaríamos de ressaltar que entendemos que o pesquisador deve compreender a realidade como é entendida pelo grupo observado, mas do ponto de vista dos seus referenciais teóricos e não dos valores desse grupo.
A familiaridade do pesquisador com o contexto observado, quando ele faz parte do mesmo, como era o nosso caso, faz necessária a busca por um estranhamento do seu cotidiano, o que nem sempre é fácil, pois envolve suas crenças e afetividades construídas naquele mesmo contexto. Para isso, o pesquisador deve buscar, em seu esforço de análise, desnaturalizar o cotidiano da sua atividade, para identificar as relações e as interações que constituem o dia-a-dia da sala de aula, bem como os valores e as crenças aí presentes. Nesse processo, deve ficar atento aos acordos entre os participantes da interação, que são explícitos, mas também, e principalmente, os não ditos. Esses acordos tácitos só podem se revelar através de uma observação longa, com uma reflexão cuidadosa que mantenha um certo distanciamento do cotidiano.
Nessa pesquisa, esse processo de distanciamento, pelo menos, durante o período de observações, foi em alguns momentos dificultado pelo fato de o pesquisador não estar afastado de suas atividades acadêmicas. Em alguns momentos, ele não participava como observador do processo, mas como ator no campo de pesquisa. Por vezes, durante a observação, o pesquisador era chamado, pelos alunos ou professora, por seu papel de coordenador da disciplina, apenas para esclarecer dúvidas sobre conteúdos, ou para resolver problemas nas atividades ou de relacionamento entre professora e os alunos. Quando envolvido em resolver problemas entre professora e alunos, a observação se encerrava, pois não era mais possível o distanciamento necessário para continuar as anotações, nem seria
Por outro lado, o fato de o pesquisador ser professor há muito tempo na escola foi fundamental em termos de sua familiaridade com a realidade da escola, não só a registrada nos documentos, mas também, e principalmente, a não explícita, a associada aos valores e crenças que se fazem presentes nessa comunidade como um todo. De certa forma, isto torna impossível medir o tempo de imersão no campo pelo número de dias em que a observação foi feita, já que sua análise traz impregnada toda sua vivência na escola. O tempo de permanência em campo da pesquisa do tipo etnográfica pode variar de acordo com, entre outras coisas, os objetivos da pesquisa, a disponibilidade do pesquisador, e sua experiência com pesquisa (ANDRÉ, 1995). Assim, consideramos que o que vai determinar o fim da observação é a avaliação, por parte do pesquisador, de que tem material de análise suficiente para responder suas questões.
O pesquisador, na pesquisa etnográfica, é o principal instrumento de coleta e análise de dados, já que é através de sua observação do cotidiano que se pode relacionar o observado com a questão de pesquisa. O que orientou nossa observação foi o interesse em analisar as interações entre os alunos e entre estes e o professor, do ponto de vista dos gêneros do discurso. Buscamos, então, observar quais eram os elementos que, naquele momento, nos pareciam favorecer a análise sobre como os enunciados produzidos na aula de Matemática se relacionam, buscando caracterizar a forma e o estilo dos mesmos.
Na pesquisa etnográfica, o pesquisador vai a campo com uma perspectiva de observação e análise; porém, na interação que tem com os sujeitos da investigação e com os fatos que ocorrem, ele pode revisar suas escolhas teóricas (TOMAZ, 2008). Consideramos que, a partir dessa interação com o contexto do campo, o pesquisador deve rever não só suas escolhas teóricas, mas também sua própria questão de pesquisa, não necessariamente para mudá-las, mas adequá-las ao observado.
Nesta pesquisa, iniciamos o trabalho de campo com uma questão, relacionada a identificar os gêneros discursivos presentes na sala de aula. Do diálogo com a pesquisa empírica, durante a observação das aulas, a questão se reconstrói e emergem outras questões. Elas se mostraram importantes para que pudéssemos caracterizar os gêneros e, além disso, anteriores a sua descrição, tornando-se, desta forma, centrais em nossa análise. São elas: como se dão as relações de poder nas interações discursivas; e quais as marcas que caracterizam o discurso da aula de Matemática.
Na construção teórica desta pesquisa, utilizamos o que Tomaz (2008), usando Paul Cobb, define como bricolage, que é a estratégia de adaptar “idéias oriundas de diferentes autores e perspectivas teóricas motivadas pelas questões que emergem do próprio campo
empírico”, lançando mão de “tudo que está disponível: teorias e metodologias com diferentes procedimentos de coleta de dados e de análise” (idem, p. 3). Nesse processo de bricolage em
nossa pesquisa, utilizamos, além das idéias de Bakhtin que compuseram sua estrutura geral, os trabalhos de Bourdieu que nos ajudaram a compreender, principalmente, as relações de poder. Além destes, pesquisas fundamentadas em Halliday, nos ajudaram a identificar as marcas do discurso na aula de Matemática.
Dessa forma, a investigação teórica que fundamenta a análise foi desenvolvida em dois momentos distintos. O primeiro, anterior à ida a campo, onde buscamos estudar, baseados principalmente na teoria de Bakhtin, como os discursos são produzidos em um campo específico, no nosso caso na sala de aula de Matemática, e principalmente como os gêneros do discurso se constituem e se refletem nos enunciados. O segundo momento se deu após uma análise preliminar do material coletado na observação. Nele se refletem as novas questões que surgiram no campo durante a etapa de investigação empírica, tais como as sobre as relações de poder e as marcas que caracterizam o discurso da aula de Matemática. Essas novas questões e os novos referenciais nos trouxeram uma nova perspectiva de análise, reorientando a pesquisa em função das observações, porém sem alterar as bases teóricas que nos subsidiavam.
Consideramos que a escolha do campo de observação, como todas as escolhas que fazemos em uma pesquisa, é político-metodológica. Tal escolha, além de contribuir para que a investigação se dê de forma eficiente, revela a opção por uma determinada realidade, que não pode ser considerada como neutra, nem como exemplar.
No nosso caso, escolhemos a escola onde o pesquisador que faria as observações era professor, pelo fato de lhe estar garantida, já de início, uma inserção no campo, o que