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Så litt geometri

In document Begrepsforståelse i matematikkfaget (sider 90-103)

Oppsummering og diskusjon

Oppgave 9 Så litt geometri

No Brasil, a Constituinte buscou, dentre outros objetivos, garantir a reforma do Estado e a descentralização administrativa. Porém, foi a partir de 1995, que ganhou força a política de reforma do aparelho de Estado, estruturada no modelo baseado na tendência mundial, de reforma gerencial, buscando um estado mais eficiente, efetivo e descentralizado. Esse modelo de política tinha como objetivo principal modernizar, moralizar, tornar ágil, eficiente e eficaz o setor público, que estava passando por um processo de descrédito perante a sociedade brasileira (CAVALCANTE et al., 2011).

A reforma do estado, no Brasil, foi amplamente discutida na academia, a partir de vários enfoques (ABRUCIO, 1998, 2005; DINIZ, 1998; ARRETCHE, 1995, 2000; ALMEIDA, 1995). Essas perspectivas convergem no reconhecimento do avanço da descentralização e na complexidade da implementação da descentralização, devido principalmente ao modelo do sistema federativo brasileiro que possui aspectos descentralizadores e centralizadores ao mesmo tempo.

A partir de 1990, o governo federal passou a desconcentrar aos Estados e Municípios tarefas relacionadas à gestão das políticas de saúde, habitação, saneamento básico e assistência social, tomando como pressupostos elementos da administração gerencial (ARRETCHE, 2000). As reformas estruturais e do aparato de funcionamento de governo consolidaram-se, “na década de 1990, por meio da desregulamentação na economia, da privatização das empresas produtivas estatais, da abertura de mercados, da reforma dos sistemas de previdência social, saúde e educação, descentralizando seus serviços, sob justificativa de otimizar seus recursos” (MARTINS, 1996).

As reformas de estado, denominadas da “primeira geração” no Brasil, foram pautadas pela privatização, desregulamentação, desburocratização e descentralização, num esforço para alcançar instituições e práticas que promoveriam,

realizariam e sustentariam o desenvolvimento humano, particularmente dos setores excluídos. Em geral, organismos internacionais de crédito e cooperação, continuam apoiando as reformas da primeira geração, como, por exemplo, o documento elaborado em 1997 por Management and Governnance Development Programme (MGDP), organismo ligado ao Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento. As reformas consideradas da “segunda geração” apresentam ou apresentaram, principalmente, processos de reengenharia institucional e formação de recursos humanos, enfatizando o significado das articulações entre Estado e sociedade civil.

Ambos os aspectos são complementares e estão presentes na análise regional proposta pela pesquisa. Abrucio (1998) e Souza (1999) constatam que as experiências de reformas administrativas no mundo desenvolvido buscaram combinar “atuação regulatória do governo na economia, o equilíbrio fiscal, a eficiência e efetividade das políticas, a democratização do poder público e a redefinição de suas relações com a sociedade, relacionando essa combinação à mudança do perfil do Estado e não a sua redução”. “É bem verdade que a compatibilização destes objetivos por vezes é tensa, levando cada país a acentuar um ou outro ponto de acordo com suas peculiaridades históricas, o que inviabiliza a adoção de um blueprint como paradigma geral de reforma” (ABRUCIO, 1998, p.6).

Destacamos as ideias de Abrucio (1998) quando ele afirma que, ao mesmo tempo em que existe uma necessidade global de se reestruturar o Estado para enfrentar os novos desafios sociais e econômicos, nos moldes das experiências dos países que já implementaram as reformas, é preciso levar em consideração, as especificidades das regiões e países. Portanto, para se pensar em reforma do Estado no caso brasileiro, terá que se considerar o contexto e as mudanças globais sem perder de vista as suas particularidades, nas esferas subnacionais, em especial a de Estados e municípios.

Neste sentido, Abrucio (2010) indica que o processo de reforma do Estado no Brasil deverá responder às questões do equilíbrio fiscal, da democratização do poder público, da modernização do sistema político, da reformulação da burocracia, para tornar-se mais profissional e mais gerencial, e, ainda, da reformulação das políticas sociais. Desta forma, para analisar a possibilidade do projeto reformista, compartilhamos, também, as observações do autor, que afirma que o foco deve estar nas instituições e atores envolvidos no processo decisório. Uma variável indispensável à análise sobre a reforma do Estado no Brasil deverá ser a questão federativa.

As reformas administrativas que vêm sendo realizadas no Brasil, nas últimas décadas, conforme vem acontecendo também em outros países em desenvolvimento, buscaram adaptar-se às condições das economias globais e às limitações fiscais. A reformas têm adotado políticas semelhantes, como a extinção de funções governamentais, corte nas despesas, no custeio e investimentos, redução da folha de pagamento, privatizações e desregulamentações.

Essas ações políticas passaram a ser chamadas de “políticas de ajustes fiscais, reforma estrutural ou reforma orientada para o mercado” (SOUZA, 1999). Porém, todas as iniciativas de reformas foram pautadas pela vontade e/ou necessidade de revisão do papel do Estado, que até então seria de indutor do crescimento econômico e prestador de serviços sociais.

Souza (1999) indica que existem duas gerações de reforma do estado, uma que foi pautada pela abertura de mercados, desregulamentação e privatização “pelo governo federal, e nos países federativos, também pelos governos estaduais; esta geração preocupava-se com a racionalização dos recursos fiscais”. A segunda geração foi pautada pela construção e reconstrução de suas capacidades administrativas e institucionais.

Em relação às capacidades administrativas, mencionadas por Souza (1999), o objetivo seria “aumentar o desempenho dos organismos públicos para obter resultados, e aumentar a satisfação do cidadão que utiliza os serviços públicos”. Outro objetivo seria o de garantir incentivos para aumentar os estímulos para a cooperação, formulação e implantação, sustentando as decisões governamentais.

Estas reformas partiam do diagnóstico da existência de uma crise no Estado em suas instâncias de governo e objetivavam o retorno do desenvolvimento. ”A crise deveria ser combatida a partir de um novo modelo de Estado e com a implementação de mecanismos e instrumentos de gestão semelhantes aos dos Estados Unidos, Grã- Bretanha, Austrália, dentre outros, países que possuíam experiências positivas em suas reformas desenvolvimentistas”. (FERREIRA, 2011).

O debate acerca da reforma do estado no Brasil, conforme argumentou Souza (1999), partiu de três paradigmas:

a) Paradigma da escolha pública (public choice);

b) O governo como empreendedor de Osborne e Neves (1995);

c) Novo gerencialismo público ou modelo pós-burocrático de Barzelay (1992). Na década de 1990, no Brasil, configurou-se um federalismo descentralizador,

de caráter municipalista, incentivado pelas determinações da Constituição Cidadã de 1988, a qual reduziu a esfera de atuação dos governos estaduais no concerto das relações federativas brasileiras. O ajustamento fiscal e financeiro imposto pelo governo federal, no período, aos governos estaduais, como forma de retomada da estabilidade macroeconômica, levou a sério as dificuldades para a construção de trajetórias estaduais de desenvolvimento.

Na década de 2000, a retomada do crescimento econômico – resultado, em parte, do cenário internacional positivo e de uma política nacional de investimentos mais assertiva – possibilitou o ambiente favorável para que governos estaduais retomassem o investimento público. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) significou um processo rígido de ajustamento das dívidas dos estados. E a despeito das condições macroeconômicas e das políticas de crédito governamentais mais propícias ao investimento, a guerra fiscal consolidou-se e continuou a ser intensamente utilizada pelos estados da federação como estratégia de atração de investimentos.

Em linhas gerais, as reformas buscaram melhorar a performance das gestões por meio do ajuste fiscal e da mudança institucional. “A evidência empírica acumulada na produção acadêmica indica que sua implementação gera resultados muito distantes daqueles que delas se esperam e, consequentemente, os governos continuam a exibir problemas de performance, pois novas reformas são propostas a cada governo. Nesse sentido, as políticas de reformas são conhecidas como políticas que têm baixa performance e alta persistência; portanto, são políticas que falham” (BRESSER-PEREIRA, 2010, p.125).

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