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2. TEORETISK RAMMEVERK OG FORSKNING

2.3 REVISORS RISIKOVURDERING

A fadiga pode ser definida como a redução da capacidade de manter a força ou a potência (VOLLESTAD et al., 1988; GREEN, 1990; GANDEVIA, 2001; KRUSTRUP et al., 2006). Em algumas condições, a fadiga pode contribuir para a interrupção do exercício (VØLLESTAD et al., 1988; BIGLAND-RITCHIE et al., 1986; HUNTER et al., 2004). De maneira geral, a força tende a apresentar redução desde o início do exercício. A fadiga tem sido quantificada em jogadores de futebol tanto em condições de protocolos de exercícios específicos realizados no laboratório, como também durante as partidas. A redução da capacidade de produção de força ou potência muscular tem sido considerada importante não somente pela sua contribuição para a redução da performance durante o jogo (corridas em alta velocidade e sprints) (KRUSTRUP et al., 2010), mas também pela alteração que esta pode provocar nas razões de pico de torque. De fato, após protocolos de exercícios específicos (GLEESON et al., 1998; RAHNANA et al., 2003), pode ocorrer uma redução

destas razões em função da perda maior de força dos FL em relação aos EX. Portanto, esta é também um importante aspecto da capacidade de estabilização da articulação.

A fadiga pode ser provocada por mecanismos centrais e periféricos (TAYLOR e GANDEVIA, 2006). A participação destes mecanismos tem sido observada em modalidades como a corrida e o ciclismo (MILLET e LEPERS, 2004). No entanto, Rampinini et al. (2011) também verificaram que a fadiga gerada por uma partida de futebol também ocorre por mecanismos centrais e periféricos. Estudos na literatura têm mostrado que os efeitos da fadiga no rendimento podem ser influenciados por fatores como o tipo de contração, duração e intensidade do exercício que gerou a fadiga, como também os grupos musculares envolvidos nos testes subsequentes ao exercício (MILLET e LEPERS, 2004). Em nosso estudo, houve redução significante de variáveis que representam tanto a força quanto a potência muscular. Apesar do protocolo utilizado incluir variações de velocidade, uma limitação deste é que não há corridas de costas e deslocamentos laterais, que são movimentações utilizadas no jogo de futebol. Portanto, a validade ecológica deste tipo de protocolo pode ser menor. De qualquer forma, os dados de alterações no pico de torque, e nas razões convencional e funcional deste estudo concordam com os dados de estudos prévios (THORLUND et al., 2009; DELEXTRAT et al., 2010). A perda de força em nosso estudo nas condições excêntrica e isométrica foi maior do que na condição concêntrica. O fator que tem sido sugerido para explicar a maior perda de força na contração excêntrica (LEPERS et al., 2000), é que este tipo de contração tende a gerar um maior dano muscular (BYRNE et al., 2004; MILLET e LEPERS, 2004). Além da perda de força e potência (WARREN et al., 1999), outros importantes sintomas do dano muscular são a ruptura de estrutura muscular intracelular, sarcolema e matrix extracelular (STAUBER et al., 1990; FRIDEN e LIEBER, 2001), inchaço, dor muscular tardia e o aumento dos níveis de creatina quinase, mioglobina, stiffness (RODENBURG et al., 1993; PYNE, 1994; CHEN et al., 2012).

Em nosso estudo, não foram determinados indicadores metabólicos de dano muscular, como por exemplo a creatina quinase e a mioglobina. No entanto, protocolos específicos de futebol e o jogo envolvem um número considerável de contrações excêntricas, principalmente dos EX e dos FL, que tende a gerar aumento em indicadores de dano muscular como a creatina quinase e a perda de força (MAGALHÃES et al., 2010).

Além da força, a perda na TDF tem sido também encontrada em outros estudos, após partidas simuladas de futebol (THORLUND et al., 2009) como também de handebol (THORLUND et al., 2008). Como mencionado anteriormente, a TDF medida no início da contração pode ser influenciada principalmente pelo drive neural e pelas propriedades contráteis intrínsecas (ANDERSEN e AAGAARD, 2006). Portanto, a redução da TDF verificada em nosso estudo pode ter sido influenciada por mecanismos centrais e periféricos. Como a TDF é uma variável que expressa a potência muscular, a redução desta variável pode ajudar a explicar a diminuição do número de sprints, corridas de alta intensidade e altura de salto após uma partida de futebol (MOHR et al., 2005).

Como a TDF expressa a força explosiva, esta variável tem sido considerada como um fator de proteção contra estiramentos dos músculos FL e a lesão do LCA. Durante o sprint, os FL agem excentricamente na fase tardia do balanço, o que é importante para desacelerar a flexão do quadril e a extensão do joelho (MONTGOMERY et al., 1994). Esta co-ativação dos FL tem sido considerado um importante aspecto do controle do movimento e estabilidade da articulação do joelho nestas condições. Neste momento, há também uma rápida mudança para uma ação concêntrica destes músculos para gerar a extensão do quadril (WOODS et al., 2004). Verrall et al. (2001) sugeriram que, se a TDF estiver comprometida neste momento, a susceptibilidade dos FL à lesão pode estar aumentada. Da mesma forma, como os FL auxiliam o LCA na estabilização do joelho, a redução da capacidade rápida de produção de força dos FL pode também aumentar o risco de lesão do LCA.

Em nosso estudo, tanto a FLcon:EXcon quanto a FLexc:EXcon foram significantemente reduzidas após o exercício intermitente específico do futebol, sugerindo que a capacidade de estabilização da articulação ficou comprometida. Nos estudos de Rahnama et al. (2003) e Delextrat et al. (2010) os autores também verificaram comprometimento destas variáveis após um protocolo de exercício específico do futebol. A reduções nestas razões ocorreram em função do maior efeito da fadiga nos FL, já que estes apresentam um componente excêntrico importante durante o exercício utilizado em nosso estudo, que tende a gerar maior dano muscular. A ação excêntrica destes músculos ocorre para contrabalancear as forças geradas pelos EX, que tendem a empurrar anteriormente a articulação, e também para desaceleração (WILLIAMS, 1985). Um outro aspecto que tem sido também considerado importante para explicar a maior fadiga dos músculos FL é a maior proporção de fibras tipo II (GARRETT et al., 1984), que tendem a ser menos resistentes.

No entanto, apesar das razões determinadas por meio do pico de torque terem sido reduzidas após o exercício, as razões calculadas por meio da TDF a 50 e a 100 ms não foram modificadas, o que concorda com o obtido por Thorlund et al. (2008), que também verificaram manutenção destas variáveis após uma partida de handebol. Estes dados sugerem que a capacidade rápida de estabilização não estava comprometida após o exercício. Alguns fatores podem auxiliar a explicar estes dados. Apesar de existir redução tanto do pico de torque quanto da TDF medida no início da contração, estas variáveis podem não ter uma relação tão direta entre si. Portanto, os mecanismos fisiológicos que determinam estas duas variáveis, quando há fadiga, particularmente no início da contração, podem não ser exatamente os mesmos.

Além das razões calculadas por meio da TDF, a razão FLisom:EXisom também não foi modificada após o exercício. Esta resposta pode ser explicada pela diferença do tipo de contração utilizado tanto para o cálculo desta variável, quanto das razões que utilizam os

valores de TDF. Portanto, mesmo apresentando correlação significante com a performance (JARIC et al., 1989), os efeitos da fadiga nas condições de contração isométrica ou isocinética podem não ser os mesmos.