5 Oppsummering
5.2 Kan vi rette mer fokus på stemmens betydning i lederrollen?
A tese está estruturada em 6 capítulos. O primeiro trata da Introdução, com a apresentação do contexto da violência de natureza grave envolvendo jovens que,
embora em pequena parcela, cometem crimes de natureza cruel. Trata das reflexões que motivaram o desenvolvimento da pesquisa a partir da Tríade Juventude – Identidade e Violência e apresenta o problema delimitado, o objeto de estudo, o universo empírico e a caracterização da metodologia que será aprofundada no Capitulo 03.
Sob o título Violência e Juventude, o capítulo 2 apresenta uma abordagem acerca dos estudos, concepções teóricas, discussões, linhas de pesquisa existentes e produções científicas sobre a Violência, Juventude e Identidade tratando cada um deles em momentos distintos, mas subsequentes.
Em um primeiro momento, as discussões ocorrem em torno do fenômeno violência e tem início com a análise do conceito e significado do termo, sua ressignificação através do tempo, a dimensão adquirida e as possíveis explicações de suas causas e consequência. Toda essa discussão parte da indagação título da seção: “Mas, o que é violência? ”. Toma como interlocutores Asblaster (1996), Michaud (2001), Porto (2002), Minayo e Souza (2003), Gadea (2015), Dadoun (1998) e Waiselfisz (2012)
O estudo apresenta a classificação dos principais tipos e manifestações de violência na perspectiva da OMS - que diferencia a violência auto infligida da violência cometida contra outras pessoas e as categoriza conforme os modos de manifestações – e na perspectiva sociológica tomando como aporte estudos realizados por Gadea (2015) na área da violência Urbana, Juventude e subjetividades. O autor tipifica a violência como direta, indireta e simbólica e apresenta algumas formas de manifestação sem, contudo, singulariza-las. Ao tipificar a violência indireta e simbólica, trata da estigmatização identitária e das subjetividades, conceitos estes que aliados a conceitos de Goffman (2008) são fundamentais para a análise da violência sob a perspectiva do jovem infrator e que se constitui no objeto de estudo desta pesquisa no Capítulo 5.
Tendo clara a pluralidade, força e subjetividade acerca do entendimento, significado e dimensão do termo violência, bem como das principais formas de tipificação e suas respectivas manifestações enquanto fenômeno, ainda neste primeiro momento em que se trata da categoria da violência, o estudo busca conhecer e dimensionar a violência no Brasil e no estado de Roraima.
Na seção “A Violência no Brasil” procura-se fazer um breve histórico a respeito dos primeiros estudos realizados sobre a temática no país, tomando como
interlocutor Adorno (2002). Esta abordagem possibilitou a compreensão de algumas teorias vigentes, adotadas inclusive por teóricos brasileiros, que apontam a violência e criminalidade como resultado das injustiças sociais, pobreza e vulnerabilidade social. Dando prosseguimento e considerando os argumentos de Zaluar (2001) no que se refere à validade e importância das pesquisas quantitativas para compreensão da dimensão da violência no estado brasileiro, apresentamos “Os números da violência no Brasil” tomando como aporte as pesquisas publicadas nos Anuários Brasileiros de Segurança Pública, nos Mapas da Violência no Brasil e dados estatísticos do IPEA e da IFOPEN.
Somente após contextualizar a Violência no Brasil este estudo ocupou-se de situar a “Violência em Roraima”. A abordagem tem início apresentando o estado de Roraima, ainda pouco conhecido pela maioria da população brasileira, para em seguida tratar do contexto da violência. Desta forma, sob a indagação título “Roraima – Que lugar é este? ”, o estudo apresenta Roraima a partir de sua localização geográfica, transitando pelo contexto histórico de sua ocupação, respectivos conflitos e distribuição espacial das zonas e dos bairros que compõem a capital do estado – Boa Vista -, concomitante à composição da população. Para esta abordagem, nos apoiamos em estudos realizados por Staevie, (2011), Silva (2010) Feltran (2011) e nos dados do IBGE e INCRA. Os problemas de ordens estruturais, econômicos e sociais que podem ser considerados como fatores intervenientes para a estigmatização de moradores de determinadas zonas/regiões de Boa vista, por parte de uma parcela da população e da mídia local, que associa local de habitação e vulnerabilidade social às manifestações e contextos de violência em Boa Vista/RR. Redirecionando o foco para a questão da violência, "A Violência no estado de Roraima”, tem início a partir da narrativa da vivência da pesquisadora - migrante, habitante deste estado desde 1983, período em que a população da capital era de apenas 76 mil habitantes15F15F
16 - a respeito do cotidiano e da relação dos habitantes de
Roraima com a questão da violência nos dos anos 80 e início dos anos 90. Aqui, são retomados alguns aspectos presentes do contexto histórico-geográfico, incluindo as ondas de migrações, numa interlocução com STAEVIE, (2011, p. 68-87), para em seguida apresentar os principais tipos e manifestações de violências em Roraima. Para este fim, esta tese toma como fundamento os estudos de Oliveira (2003 e
2008), da Pestraf (2002) e os números 8º e 9o do Anuário Brasileiro de Segurança pública. Em alguns casos, por falta de bibliografia especifica, foi necessário recorrer a fontes primárias e realizar uma análise dos dados coletados para que se pudesse conhecer e abordar tipos e manifestações de violência ocorridas em Roraima, com a devida fundamentação. Assim, a abordagem relativa ao narcotráfico toma por base os dados estatísticos fornecidos pela DENARC e algumas narrativas de jovens internados no CSE-RR que, dentre outros delitos, participaram do tráfico nacional e internacional.
A abordagem sobre a Violência se encerra com apresentação das situações de violência em Roraima envolvendo imigrantes, especialmente os venezuelanos, e a existência de uma relação do incremento da violência direta com a imigração. Por ser uma situação recente, não existe bibliografias tratando desta temática, por isso a abordagem da questão toma como referência narrativas de brasileiros e venezuelanos, bem como matérias publicadas nos meios de comunicação.
O segundo momento do Capítulo 2 – apresenta-se com o título Jovens, Adolescentes e Juventude. Esta seção começa fazendo um resgate histórico interdisciplinar das raízes das principais correntes e tendências teóricas sobre a juventude, ressaltando concepções e significados que foram construídos e discutidos por diversos autores em um tempo não linear. Aqui a ênfase é na teoria defendida por G. Stanley Hall (1904), na área da psicologia, que aborda a adolescência a partir da perspectiva biológica e psicológica. Tomamos como interlocutores para as discussões acerca dessa teoria autores como Feixa (2006), Pais (1990) e Mead (1935), que questionam a maturação biológica como condição primordial para o estabelecimento de limites cronológicos (por faixa etária) e o caráter de unicidade e universalidade da adolescência e transitoriedade em Stanley (entendimento da juventude e adolescência a partir da perspectiva que ela ocorre do mesmo modo, com as mesmas características em todas as sociedades e cultura).
Dando prosseguimento ao segundo momento, Adolescência e juventude: transitoriedade e faixas etárias, aborda as diferentes formas de entender e conceituar a juventude e o consequente estabelecimento de marcos etários diferenciados. Dentre os autores que questionam os limites etários como determinantes de uma fase da vida, este estudo priorizou Castro e Abramovay (2002). No que se refere às tendências e correntes teóricas, a discussão perpassa pelas correntes classista e geracional na concepção da sociologia da juventude de
Pais (1990) e apresenta as criticas efetuadas às teorias que tomam a juventude como algo imutável com base em Sposito (1999) e Silva e Silva (2011). Por fim, encerra o segundo momento apresentando a concepção de juventude sob o prisma da diversidade como a adotada pela pesquisadora neste estudo e justifica o porquê da escolha.
O terceiro momento dedica-se a discutir ‘O jovem e a violência no contexto brasileiro’. Tem início tratando dos principais estudos no Brasil e apresentando alguns autores que desde os anos 80 se debruçaram sobre a temática. Ressalta algumas linhas de pesquisa de produções acadêmicas levantadas por Oliveira (2008), alocadas em blocos organizativos e prossegue tratando, em especial, do jovem em conflito com a Lei, com Volpi (2010), Adorno (2002).
No item seguinte, faz-se uma abordagem sobre as discussões da maioridade penal por tratar-se de uma questão que vem causando muita polêmica cada vez que há grande comoção social devido a um crime hediondo (nos termos da lei), cometido por um jovem com idade inferior a e 18 anos e noticiado pela imprensa.
Finalizando o terceiro momento do capítulo 2, o estudo apresenta a violência e os jovens no contexto de Roraima. Para contextualizar a “Violência e os jovens no estado de Roraima” e ter noção de sua dimensão, foi necessário realizar uma pesquisa de caráter exploratório, utilizando-se prioritariamente de fontes primárias, uma vez que bibliografias que tratam da violência urbana, principalmente envolvendo jovens de Roraima/Boa Vista, é praticamente inexistente. As pesquisas que tratam da violência no estado de Roraima ocupam-se das questões que envolvem os conflitos entre indígenas e garimpeiros ou entre indígenas e fazendeiros ocorridos em função da exploração de minérios em áreas indígenas e disputas pela posse de terras.
E para que a o capítulo 2 se encerre abarcando todas as vertentes necessárias à fundamentação teórica deste estudo, apresentamos em um quarto momento a seção ‘Processos identitários e reflexividade’ abordando o campo conceitual da ação social e identidade com Schutz (1979 e 1972) e a Mead (1972).
O capitulo três apresenta o percurso da pesquisa sob os aspectos metodológico e de imersão no campo. Sob o aspecto metodológico, aprofunda as questões concernentes aos métodos de abordagens e procedimentos, apresenta os participantes, o processo de seleção com base em critérios estabelecidos a priori e os delineados no decorrer da pesquisa. Trata das técnicas e instrumentos de coleta
de dados, bem como da forma como procedemos para o registro e análise de dados com base nos métodos escolhidos.
Apresenta as dificuldades no percurso da pesquisa, aqui nominada de Portas abertas – Portas fechadas: Percalços e conquistas, a partir das relações sociais estabelecidas no CSE-RR, por meio de descrição densa apresentada em 2 etapas subsequentes. E, por fim, o capítulo três propicia a imersão no campo, por parte do leitor, na seção denominada os cenários da pesquisa em que exploramos tanto o ambiente físico, quanto as relações ali estabelecidas. A contextualização dos cenários é de extrema importância, pois trata-se do lugar de onde os jovens, neste momento, estão e de onde constroem os seus discursos. A estrutura física e os movimentos que ali ocorrem também passam uma mensagem. As pichações nas paredes, a distribuição dos socioeducandos por unidade, bloco e cela, a rotina ali estabelecida, as acomodações, as atividades cotidianas, a escola e todas as atividades por ela desenvolvidas, os funcionários que compõem o CSE-RR e a escola, pessoas estas com quem os jovens se relacionam, todos estes aspectos compõem o cenário onde a pesquisa foi desenvolvida.
O capítulo 04 se ocupa da análise dos documentos contidos nas pastas dos socioeducandos. Por meio delas, foi possível acessar a perspectiva da Instituição sobre os jovens que estão internos no CSE-RR. Com base nos dados coletados e analisados, foi possível a apresentação institucional do jovem a partir de dados gerais como: idade, sexo, nacionalidade (fazemos fronteira com a Guiana Inglesa e a Venezuela), naturalidade, localidade onde mora (município e bairros), aspectos sócio econômicos (renda familiar, responsável pela manutenção do lar), composição familiar, escolaridade, sentenças e reincidências, drogadição, atos infracionais e os crimes cometidos pelo jovem , bem como o que deu causa à apreensão do jovem e à medida socioeducativa pela qual respondem . Este capítulo encerra apresentando o jovem como resultado da leitura das trajetórias de vida contidas no PIA, nos autos e nos relatórios de avaliação, na perspectiva institucional. Da análise deste discurso, é possível inferir a percepção institucional que aponta como principal causa de internação dos jovens a exclusão e vulnerabilidade social, além de culpabilizar a família pela trajetória de vida do jovem em que o crime se faz presente. Ressalta ainda o estigma sobre os jovens desde as peças judiciais e demais documentos analisados, até a comunicação diária estabelecida entre jovens, entre jovens e socioeducadores e entre técnicos.
Os capítulos 5 e 6 apresentam a análise dos dados e apresentação dos resultados acerca da percepção dos jovens sobre si e sobre a violência. O capítulo cinco trabalha as dimensões da identidade sob duas vertentes: a percepção do que é ser jovem e como se situa nesta categoria e a percepção e formação do eu a partir do lugar onde se encontram (o CSE-RR), das relações sociais institucionalmente ali estabelecidas e o resultado desta combinação no discurso do eu institucionalizado. Ainda dentro da vertente da identidade, o estudo apresenta a percepção do eu como resultado de um processo de estigmatização e a percepção do eu idealizado que toma como referência, para formação identitária, indivíduos que vão desde os colegas de cela a familiares (envolvidos ou não com a criminalidade). O capítulo 5 encerra trazendo um resumo das narrativas das trajetórias de vida dos 6 jovens selecionados, com ênfase nos atos infracionais (crimes) cometidos). Esta ênfase objetiva subsidiar a análise do Capitulo 6 que aborda a percepção do jovem sobre a violência de natureza grave. Da análise do discurso, além de abstrair como entendem e concebem a violência, este estudo identifica os sentidos da violência na perspectiva da violência sofrida pelo jovem (com destaque dado por eles a violência institucional – polícia), a violência sofrida por pessoas de seu ciclo de convivência estreita (familiares e amigos), percebida como sendo sobre ele mesmo; e da violência cometida em situações tidas como rotineiras à prática infracional (roubos e assaltos). Essas identificadas como algo inerente à prática (faz parte) e que estão associadas à diversão.
Por fim, esta dimensão encerra abordando o campo dos sentidos da violência cruel nos atos infracionais e crimes que deram causa à internação dos Jovens participantes desta pesquisa, e de outros praticados anteriormente, sob sua ótica. Para tanto, fez-se necessário retomar as narrativas das histórias de vida presentes nas trajetórias dos jovens descritas no capítulo 5.
Antes, porém, foi necessário um recorte abordando a categoria da violência na concepção de violência cruel em Lipovetsky (199[]), para que se possa proceder a uma análise fundamentada. Além de Lipovetsky (199[]), tomamos como interlocutores para a análise deste capítulo Spagnol (2008), Ricoueur (1988), Bataille (1987).