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CAPÍTULO TRIGÉSIMO PRIMEIRO

DO QUE SE DIZIA DE FILOMESTO E FILIDOR, QUE SE FORAM DESTA ILHA A LONGES TERRAS FAZER PENITÊNCIA. E DE UM ROMANCE ANTIGO, QUE DAQUELE TEMPO

FICOU DE SUA HISTÓRIA

Despedido Filidor por esta maneira, assi da musa Calíope, como das mais musas e do cavaleiro da Rocha, como também neste tempo havia sucedido o falecimento de Natónio, seu grande amigo, se foi ter com Filomesto, e (como em um romance antigo, que por fim de suas coisas logo direi), despedidos ambos estes dois tristes amigos desta terra, enfadados do mundo e de suas saudades, dela se foram pera muito longe, onde ninguém deles pôde mais saber parte, nem novas, nem recado.

Quem bem considerar no discurso dos feitos destes dois amigos e o grande amor de Filomesto, tão mal galardoado de Tomariza e tão pouco ditoso com Gurioma, posto que não entenda juízos de Deus, entenderá tudo ser feito pera exemplo nosso: que ninguém, enquanto vive, se pode chamar bem afortunado, senão quando os casos da Fortuna nele não têm poder, que é depois da morte.

Parece que o nome de Filomesto era pronóstico verdadeiro de todolos seus acontecimentos tristes.

Diziam seus amigos desta sua despedida muitas coisas, e que lá, onde quer que a terra os tinha, dera Deus a Filomesto uma boa ventura, com que ainda fora alegre; mas certo é, e contínua experiência temos (e ainda mal, muitas vezes, porque o não queremos acabar de entender, posto que muitas mais o provamos), não ser, nem haver nenhuma boa ventura no mundo que pouco ou muito, tarde ou cedo, não venha ser aguada com alguma parte de tristura.

Outros contavam que, depois da morte de Gurioma, tanta mágua e saudade tiveram, havendo já passadas outras muitas, que determinaram de não empregar no mundo o que da triste vida lhe ficava, pelo que se foram ambos fazer outra vida de penitência lá nas bravas serras dos altos montes de Arménia, onde nunca fossem vistos homens tão sem ventura.

Querem dizer alguns, e com alguma razão, que foram eles buscar aquele lugar, onde, escapando, tomou porto a Arca de Noé no tempo do grande dilúvio, pera ver se poderiam nele achar dela alguma távoa, em que pudessem escapar e sair a nado das grandes e importunas tormentas de tristezas e máguas, em que muitas vezes se viram quase afogar no mar deste mundo e desta vida.

Mas cuido eu que quem se perde em alto pego de desinquietas ondas, onde não vê a imóvel e quieta terra dos olhos (como eles se perderam e sossobraram em tristezas altas, sem ver nenhum descanso firme), no meio do mar ou no ventre de algum peixe faz a sua triste casa e morada pera sempre. E já que alguma sua ventura os trouxesse apegados em algum pedaço de távoa de esperança, seria pera mor desaventura dos coitadinhos, no tempestuoso e tormentoso mar deste mundo, o seu nadar, nadar, e vir por fim morrer à praia, sem prazer, sem remédio e sem ventura, cheios de tristíssimas saudades da esperança de algum descanso ou contentamento, que nunca tiveram, e quanto procuraram e desejaram ter, até morrer sem ele.

E este é, senhora, o romance, que da história do sem ventura Filomesto se cantava naquele antigo e triste tempo, cheio de tantas máguas e saudades.

Quem contará vossas máguas, cavaleiro de valor?

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quem as contará sem dor? Em as armas extremado, em batalhas vencedor, vencestes a todo mundo, mas venceu a vós Amor. Contra as armas do Cupido não há quem se possa poor. Chorastes dentro no ventre, sem verdes luz derredor; a quem tal sinal foi dado adivinha mal maior; antes de nascer chorastes, nascido chorais melhor, tendes nome Filomesto, porque sois triste amador. Vosso pai vos mandou fora, à sombra de um mercador, aprender jogar das armas pera serdes sabedor. Do mar na terra saístes, onde não sois morador, em um ermo só ficastes, inda de idade menor; dois lobos vos cometeram, de que fostes matador; de pastores sois achado, que vos levam com louvor diante do gram Narfendo, daquela terra senhor; tanto na corte aprendestes, que já sois superior;

de quantos vestem as armas vós só sois de mais valor. Amava-vos Ricatena, sem lhe vós terdes amor; se a livrais dos imigos, não a livrastes de dor. Livrais, depois, de ladrões o irmão do mercador que vos levou desta terra e vos perdeu, com temor do sopro do bravo vento do grande mar movedor, da fúria do vento grande das ondas revolvedor. Amastes a Tomariza, sem dela alcançar favor; indo caçando a vistes, caça sois, não caçador; mui baixo ofício tomastes, por lhe dizer vossa dor; ides a terras estranhas por fugir de seu furor. Com vosso amigo Aénio, livrais lá o lavrador da pena de sua esposa, que as rãas lhe queriam poor. Chorando lágrimas tristes, vos conhece Filidor, ambos venceis o dragão,

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obra do encantador;

pôs-se em vossas mãos Grimaldo, gigante d’alto grandor,

casai-lo com Mirabel, sendo d’antes ofensor. E qualquer de vós foi tido por ladrão salteador, mas os vossos sobressaltos são de amoroso teor. Indo depois ver Narfendo, o fizestes vencedor de um rei seu inimigo, mais poderoso senhor, mas mais quer ele só ver-vos, que ver-se triunfador;

presto se acaba seu gozo, pois o deixais no melhor. Tornais outra vez tentar, se tem amor outra cor, se vos ama Tomariza, de deixou já seu rancor. Vendo que não vos amava, amais outra dor maior, a fermosa Gurioma, que, morta, vos dá mor dor; dentro na tumba a levastes, por ser dissimulador

da gram mágua que passáveis, sendo seu sepultador.

Fugindo d’antre a gente, por chorar com mais rigor vossa mágua tão crescida, que não pode ser maior, encontrastes no caminho o Eco respondedor;

depois, falais com as águas do ribeiro corredor;

chorando lágrimas tristes, vos ouvia Filidor;

querendo-vos consolar não quereis consolador; ides mudo à sepultura, onde se poos seu louvor. Desterrai-vos desta terra, Lá vos sigue Filidor, fazer outra vida santa, com que louveis ao Senhor; dizem lá terdes ventura, se aguada com mal não for, porque quem nasceu sem ela, e dela merecedor,

pouco lhe vale merecê-la, se não acha seu favor; vem assi ser abatido o que é digno de louvor, e vai alcançar o prémio o baixo vil sem primor; e pois já não tem valia o que tem todo valor e vemos ser enxalçado

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o indigno inferior;

mais vale onça de ventura que quintal de sabedor. De Cupido vos queixastes, que vos foi cru e tredor. Tanto sempre lamentastes, que sois outro Lamentor. Esta paga dá o Mundo a qualquer seu servidor; Tudo enfim são saudades deste mundo enganador. Quem contará vossas máguas, amigo de Filidor?

Vossas coisas, Filomesto, quem as contará com dor?

Acabada a triste história destes dois amigos desta ilha de São Miguel, com amigas palavras e húmidas lágrimas, cheias de saudades do que deles contei, e às vezes com silêncio, considerando a miséria da vida humana e vaidade de seus pensamentos, honras e gostos, que tão tristes fins deixam, enfastiadas da mesma vida, nos chegamos à grande ribeira, em cujas margens, colhendo dos agros agriões e aprazíveis rabaças, por serem ervas nascidas e criadas nas águas (como em lágrimas são envoltas todas as coisas do Mundo), as comemos ali, bebendo das águas em que elas se criaram, auguando-as (sic) também com as dos nossos olhos tristes.

E, assi, tristemente, nos recolhemos à triste e escura cova, com tristíssimas palavras passando a noite quase toda até que, amanhecendo, tornadas ao longo da mesma ribeira, como os dias atrás passados fazíamos, me pediu a Fama que, antes de passar adiante, a ver as outras Ilhas de Baixo, lhe desse alguma notícia delas, para melhor as saber ver e notar o que nelas havia, o que eu de boa vontade brevemente fiz, desta maneira dizendo.

Apêndices

APÊNDICES

Apêndices – Primeiro – 123

PRIMEIRO

DE UMA ÉGLOGA QUE SE FEZ SOBRE OS AMORES DE FILOMESTO COM TOMARIZA (123)

En una gran serranía, donde habia muchos prados, andaban muchos ganados de um pastor de nombradia; Juan pastor él se dicía, por más que todos valer, y solia alegre ser. En las luchas vencedor, en los juegos más artero, y en holgar era el primeiro, y en las bodas tañedor, era en fin mayor pastor rico, alegre y de saber, de agasajo y de placer. Éste en viendo una serrana, que despreciaba pastores, aunque no sabe de amores, preso queda por su gana; Ninfa era de Diana, preciabase de lo ser, y aun de pastores perder. Perdióse Juan por verla, cosa que no se pensaba, y cuanto más él la amaba menos le quería ella; cresció tanto su querella, por desamada se ver, que perdió el solía ser (sic). Desde el dia, que la vio a si mesmo aborrecía, ni comía, ni bebía, tanto el amor lo venció; del ganado se olvidó y no le aprovechó saber, para dejar de se perder. Los pastores sus vecinos, viéndole tan triste andar, no sabian qué pensar, sino llamarse mesquinos; que éste abria los caminos para el ganado pacer, y a todos daba placer.

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Unos dicen que es doliente de enfermedad nunca oída; otros, que oveja perdida le hace sentir lo que siente; hablan amigablemente, por su Juan tan triste ver, de qué puede triste ver. Otros dicen que su mal es un amor voluntario; otros que él es cuartanario; otros que es gota coral; viendo andar el triste tal, da cada uno parecer de su mal, cuál puede ser. Ninguno le osa hablar, sino un su grande amigo, que se llamaba Rodrigo, que era más su familiar; viéndole este triste estar por su tristeza saber fuelo así a reprender.

Rodrigo

Quién te hizo, Juan pastor, sin gasajo, y sin placer, que alegre solías ser? Quién te dio tanto cuidado, que sin él andar solías, dó los tus alegres dias en que estabas descansado? quién te hizo tan mudado, sin gasajo, y sin placer, que alegre solías ser? Cómo tan libre cantabas sin recelo de dolencia, que es aquesta diferencia, que tú la más recelabas, siempre alegrias pensabas; di quién te hizo sin placer, que alegre solías ser? Dó tu rabel tan preciado, que era sin su semejante? dó tu alegre semblante, tu seso tan libertado? dó lo tienes trastornado sin gasajo, y sin placer, que alegre solías ser? Eras alegre garzón, bailabas en todas bodas; mas tus alegrias todas se han mudado en aflición, no sé de que conjunción quedaste tan sin placer, que alegre solías ser.

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Siendo la cabeza triste, luego entristecen los pies; todo se vuelve al través, todo de dolor se viste, después que tu mal sentiste, todo has hecho sin placer, lo que alegre solia ser. Piensan que andas acabando tus amigos compañeros; y son tristes los vaqueros, por te ver andar penando; andas tanto imaginando, que se te olvida el comer, todo agasajo y placer. A solas andan paciendo tus ovejas sin pastor, los mastines sin señor déjanlas, y van huyéndo; lobos las andan siguiendo, y no las quieras valer, aunque las veas comer. Los cabritos, y corderos de las madres apartados no pacen los verdes prados balando por los oteros mueren todos tus carneros, no los guía él sin placer, que alegre solía ser. Piérdese todo el rebaño, tú también estás perdido; y tal tienes el sentido, que no te dueles del daño. Di cuál es el mal tamaño, que te ha hecho sin placer, que alegre solías ser? Sientes dolor de costado, o qualquier otro dolor? dilo, dilo por mi amor quiza serás remediado; dímelo, Juan amado, quién te hizo tan si placer que alegre solías ser? Tienes gota por ventura, que te aqueja el corazon? o quiza te da pasión el amor y su tristura? sin duda tal desventura te quitó todo el placer, que alegre solías ser. Viéndote tal sin sentido No sé qué pueda pensar, sino que debes amar en lugar desconocido; de amor debes ser asido,

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amor te hizo sin placer que alegre solías ser. Lloras las noches escuras, traes la cara amarilla, de ti no tienes mancilla, de tu ganado no curas; de amor son estas locuras, que el amor quita el placer, al que alegre solía ser. A ratos con trabajar te veo muriendo vivo y veo que andas cautivo y que solías mandar; no me quieras, Juan negar quién te hizo tan si placer, que alegre solías ser. Si para darte alegria algún remedio bastar, yo te lo iré buscar,

aunque muera en la profía; habla, Juan, que en este día no me tengo de volver, sin tu mal de ti saber.

Juan pastor A la fé, hermano Rodrigo, mi mal bien lo sé sentir, mas no lo puedo decir, que no traigo a mí conmigo, otro me trae consigo; y también trae el placer, del que alegre solía ser. Vame tú buscar la muerte, si me quieres dar remedio, que yo no siento mejor medio, con que sane mal tan fuerte; es tal la mi triste suerte, que antes de mi muerte ver, nunca sano pienso ser. Juan amado me llamaste, porque amas este triste, mas con eso mal me hiciste, y mi mal más renovaste; porque de ahí me acordaste, cuán fuera estoy de me ver tal cual tu me dices ser. Después que vieron mis ojos una zagala gentil,

sentí disfavores mil, que crecieron a manojos; tantos y tales enojos han asolado el placer del que alegre solía ser. No me hizo mal el amor,

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que si el amor solo fuera, nunca mi placer muriera; mas matome el desamor, éste fue el ejecutor, que degolló mi placer, que yo alegre solía ser. Si mi amor fuera solo, a matarme no bastara, si el amor no desamara no sintiera desconsuelo; mas no quiere ya consuelo, ni agasajo ni placer

el que alegre solía ser. Repastando mis ganados solían ser mis cantares alegres, mas de pesares son ahora acompañados; llevaron mis tristes hados de mi pecho mi placer que harto alegre solía ser. Hallo tristes las canciones, las verduras y las flores, y hallo que para amadores los tesoros son carbones; sólo amor y sus pasiones quitar puede, o dar placer, o alegre, o triste hacer. Sôlo de esto yo me espanto, cómo puede mí dolor doler a ningún pastor, pues a mi me duele tanto; porque es tal mí duelo y llanto, que pienso en mi junto ser todo el mal, sin más haber. No trabajo por dineros, ni hago cuenta de haberes, dame uno de tus placeres, darte he todos mis carneros; los trabajos carniceros, que destruyen mi placer, son por muerto amanecer. Piensas tú, Rodrigo hermano, que es gran pérdia el ganado? si su dueño está hurtado, no es mal más deshumano? bien hablas, porque estás sano mas al pobre de placer

todo le hace entristecer. Ya no curo de riquezas, ni se me dá por hacienda, tanto quiero esta contienda, que me aplacen sus tristezas; mis manjares son crudezas, y con ellas quiero ser

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tributario a mi querer.

Este gran mal, que en mí siento, y este dolor, que me aqueja, ni me acaba, ni me deja, ni yo dejo su tormento; era alegre y muy contento: mas ya no siento placer, ni soy ya quién solía ser. Viendo quién por mi mal vi, vi la muerte de mi vida, vi mi libertad perdida, vi lo siento y sentí; asi no sólo perdi mi agasajo y mi placer, mas aún quién solía ser.

Rodrigo Para hacerte a ti decir que tú no eres quién eres, no tienen poder mujeres, pues vives con tu vivir; no quieras tu consentir dejar robar tu placer, y serás quién solías ser.

Juan Pastor Bien dices si me valiera, mas si la primera madre no moviera a nuestro padre, nunca del pomo comiera; si mujer no me venciera, quiza pudiera querer ser como antes solía ser.

Rodrigo Este amor amodorrido, que a hembra da tanta fuerza, que ele querer del hombre tuerza, como a leño sin sentido

cuando a su lucha es venido, no te dejes tú caer,

y serás quién solías ser. Que acá entre los garzones derrocabas tú cualquiera, si tu fuerza falleciera, consentiera en tus razones; pero pues vences peones, vence un niñito sin ver, y serás quién solías ser.

Juan Pastor

Dicen que es ciego el niñito, no por no ver más que vemos,

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mas porque más nos ceguemos en su dolor infinito;

al princípio es el flaquito, mas después de asido haber, nadie puede no caer.

Mi cuerpo en pie se quedó, no me duele pie, ni mano, el cuerpo bien quedó sano, mas la mi alma enfermó; mi querer amor venció, si no venciera el querer, fuera yo quién solía ser.

Rodrigo

Que pueden vencer amores, pues Dios nos puso en poder el querer y no querer, de que nos hizo sñores; porque haces vencedores los que no pueden vencer, lo que está en tu escoger.

Juan Pastor Ya no manda la razón, aunque ésa es la verdad, mas manda la voluntad, que nos puso en sujeción; de aquí nace mi pasión, de mi voluntad querer dejarse de amor vencer. La razón es sujetada con todos nuestros sentidos. para ser todos regidos por la voluntad dañada; ya razón es olvidada, voluntad tiene el poder para hacer y deshacer. Es voluntad muy amiga de hacer lo que ella desea, y como ella señorea, hace con que lo consiga, aunque nos sea enemiga, hace y cumple su querer, y ella se toma el poder.

Rodrigo

Tómalo porque se lo damos, mas tu vas por otra via, déjate de esta profia del amor, de que hablamos; que si nos no procuramos nuestra libertad haber, mal se puede ella volver.

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Juan Pastor Cómo vives engañado, mira bien, Rodrigo hermano, que no está en nuestra mano salir de este lazo dado; puede amor ser no aceptado, pero después de lo ser, mal se puede remover. Quién la libertad perdió, como yo supe perderla, no podrá ya más haberla, si en amor se confirmó; si luego, cuando amé yo, me pudiera retraer, quedará el solía ser. Como cuando el eslabón hiere en duro pedernal, flaquitas centellas son, mas después arde el sayal; asi al princípio el mal parece flaquito ser,

mas después viene a crecer. Si al princípio no podemos desasirnos de este lazo, después con muy poco plazo más enlazados nos vemos; y ya cuando conocemos, que nos vamos a perder, no es posible volver. Como la llaza reciente es más fácil de curar, y la vieja suele dar mayor cuidado al doliente; así quién nuevo amor siente, si no sabe aborrecer, muy mal puede guarecer. También los rios caudales tienen nado al nacimiento, mas después con crecimiento, hácense a la mar iguales; así Amor y sus males bien se atajan al nacer, mas después no puede ser.

Rodrigo

Ya que no puedes cobrar la libertad, que perdiste, no vivas asi tan triste, procura de te alegrar; pues te fuiste cautivar trabaja bien por hacer de este tu mal menor ser.

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