C5. LIKVIDITET OG SOLIDITET
D. RESULTATANALYSE - REGIONALE
Novos caminhos para fluxos de informação surgem quando novas possibilidades de troca de dados entre sistemas algorítmicos são criadas por novas técnicas e protocolos de programação. No começo foram os robôs de busca que começaram a varrer a Web e colecionar endereços e palavras-chave para gerar listas de links para os usuários. Depois, protocolos RSS permitiram que aplicativos pudessem encontrar conteúdo atualizado e recuperá-lo de maneira estruturada. Em seguida, surgiram técnicas para superar as limitações dos métodos unidirecionais e assim permitir aos programadores trocarem dados e instruções entre sistemas diferentes. Essas técnicas inscrevem nos códigos as condições de comunicação, são as interfaces para programação de aplicações, ou API – Application Programming Interface, que já existiam antes da Internet. Interfaces de programação funcionam como pontes entre os objetos algorítmicos, interligam e controlam a passagem de dados entre eles.
Online, os objetos podem interagir para atender diferentes necessidades de programação. Podem sincronizar dados de usuários em serviços diferentes, ou enviar e receber atualizações de conteúdo, ou modificar valores em uma tabela de preços, ou exibir anúncios publicitários atualizados dinamicamente. Para que os sistemas conectados possam se entender, ainda que sejam programados por pessoas diferentes, é preciso que eles utilizem a mesma linguagem e sigam regras para a troca dos dados, ou seja sigam protocolos de comunicação. Por ser uma linguagem de marcação extensível e similar ao HTML, o XML foi uma entre as primeiras opções para essa finalidade. Com ela é possível marcar dados e adicionar metadados, que acrescentam significados aos dados transmitidos. O código nessa linguagem é legível tanto por humanos quanto por computadores, e suas estruturas são configuráveis por meio da criação de novas tags. O XML foi a origem de outras linguagens e protocolos utilizados em APIs, um exemplo é a WSDL – Web Services Description Language, usada para definir comunicação entre aplicações em serviços na Web (W3C, 2001).
Para a comunicação entre aplicações ser segura e para evitar erros, existem protocolos que definem as regras para alinhamento de todos os atores envolvidos.
Por exemplo, o SOAP – Simple Object Access Protocol, é um protocolo para comunicação entre aplicações baseado em XML e HTTP, adaptável a várias plataformas e linguagens de programação (W3C, 2000). A construção de sistemas e serviços baseados nesse tipo de protocolo pode ser feita tanto para oferecer recursos abertos – por exemplo, para toda a Web, ou apenas para um conjunto definido de sistemas. Com o crescimento da utilização de software em diferentes áreas, em empresas, organizações, departamentos, os programadores enfrentam como dificuldade criar condições de interoperabilidade entre sistemas. Para lidar com ela, uma técnica de programação muito utilizada diz respeito à criação de funções de comunicação com outros sistemas organizados como 'serviços'. Nesse caso, a palavra define funções que são criadas em um objeto com finalidade de servir como interface para serem acessadas por outros sistemas.
Na Internet, em sistemas empresariais, ou nos dispositivos, os objetos algorítmicos interagem entre si em diversos momentos. Como exemplo, é possível descrever uma interação via smartphone: a tela recebe um toque e envia a coordenada desse contato para a interface de usuário, que irá receber e então enviar uma instrução para uma aplicação no servidor, essa irá consultar uma base de dados local para enviar informações a outro usuário conectado em outro dispositivo conectado à rede, a resposta irá retornar até chegar à interface inicial para aguardar a intervenção do primeiro usuário. Muitos objetos diferentes podem ser afetados em uma única interação de usuário. E, eles também podem comunicar- se entre si, sem que seja preciso uma intervenção humana. Fazem isso com base em diversos critérios programados em seus códigos: data e horário recebida de um relógio interno em um dispositivo, geolocalização recebida de um sensor, um estado definido pelo sistema operacional. Quando respondem a esses estímulos, os objetos são capazes de percorrer diferentes listas de instruções, e assim podem fornecer uma ou mais respostas que poderão, por sua vez, alterar outros objetos na mesma rede.
Na perspectiva do usuário, a rede de interações entre objetos, entre um toque na tela e a resposta na interface, é como uma caixa-preta. Os sistemas são construídos para agirem dessa forma, é condição para os efeitos de instantaneidade que eles provocam ou pretendem provocar. Mas, enquanto manipulam a interface,
os usuários aprendem a lidar com as consequências dessa interação, ainda que não conheçam todos os mecanismos envolvidos na cadeia de efeitos que sua ação pode produzir. Em outras palavras, podemos dizer que as pessoas estão atentas aos efeitos que um 'like' no Facebook pode produzir. E, utilizam esse conhecimento para avaliar aquilo que estão lendo na timeline.
A distinção entre usuários e programadores na descrição de papéis em um panorama sobre os sistemas conectados pode ser justificada ao compreendermos que as interfaces de usuário definem uma fronteira na interação dos humanos e dos não-humanos. Isso porque ser usuário não é uma condição definitiva, mas apenas uma posição na rede, ativa no momento da interação. Uma pessoa que escreva um código HTML na interface de um serviço de blog, está programando uma interface – ela é programadora nesta condição mas é também usuária do serviço. Alguém que escreve um projeto com definições para um novo programa – por exemplo, como um analista de sistemas é um programador se considerarmos que o produto final decorrente do seu trabalho é um código na rede. A definição de atores para a Teoria Ator-Rede não é uma definição de papéis sociais mas um método para mapear a rede. Acontece em função do processo de descrição, não como uma condição prévia para essa mesma descrição.