An Historical Geography of Mount Elgon – Both Within and Without the State
4.5 Restoring Nature, Revitalizing the State: The National Resistance Movement, International Development, and Environmental Change, 1986-Present
UM NOVO CENÁRIO P Q H $ $ ! B $ $ $ $ 1 2 4 41 , . 1 ; A R ' && 1 , //
Os caminhos que promovem uma nova forma de pensar pressupõem uma constante interlocução com todos aqueles envolvidos. Almejar uma Cultura para a Inteireza do humano nos leva um processo intrínseco, ou seja, nos voltarmos para o que somos e pouco a pouco, desbravarmos a grande casa que cada um encerra.
33 MAZZUCO, Vitório, OFM. Palestra proferida para o grupo de Retiro SEFRAS. Disponível em
http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias_especiais/retirosefras_06/03.php, acessado em 15 de abril de 2009.
O cultivo de cada casa é pessoal, todavia o abrir as portas para partilhar o que está lá, inevitavelmente revelará o cuidado ou então o descuido com tudo aquilo que somos.
Valores dos mais diversos ao longo da história da humanidade foram sendo instaurados, objetivando explicar o racionalismo e o capitalismo que encharca as vidas de desculpas e padrões institucionalizados. Repetimos ciclicamente essas demandas e nos distanciamos do cultivo do que realmente poderia promover um salto de qualidade nas relações humanas e no terreno do
ethos humanus, da casa individual. Um terreno que busca uma transformação
no próprio espectro da sua consciência.
Pessoas que agem com a intenção do cuidado e da preservação, têm uma preocupação e abrem espaços em suas vidas para a compreensão das mais variadas experiências, rompendo justamente com os movimentos uniformes e conectando-se com a auto-expressão do que a casa interior suscita a cada nova vivência.
Ao propormos esse foco de pesquisa, sabíamos naturalmente que não teríamos respostas fáceis ou breves, indubitavelmente, estávamos cientes que iríamos provocar uma instabilidade pessoal e institucional. Não que tenhamos a pretensão de encerrar uma discussão sobre a temática da autoformação humana, pelo contrário, sabemos que o caminho é longo. As questões que envolvem a existência humana persistirão ainda de geração em geração, uma vez que não existe uma única face que possa expressar tudo o que liberta ou aprisiona o homem.
A experiência profissional, principalmente com a formação dos educadores, indicava-me que preencher as suas cabeças com teorias não seria o suficiente, como de fato, o cenário educacional nos mostra. Há uma carência existencial, uma necessidade de compreender-se e saber qual o seu propósito, o que os move, para depois, poder ser um elo entre o seu mundo e o dos alunos. Não convencemos por discursos infindáveis, tocamos o outro por aquilo que somos.
Penso que no seio da educação, nos preocupamos muito com as falas, com os números e com as quantidades e acabamos relegando o principal. Influenciamos a vida do outro e para que não sejamos os algozes do próprio
homem, carecemos produzir diálogos que movimentem inúmeras interlocuções sobre a experiência humana.
Frankl (1985) nos insere nesta dimensão de interlocução ao afirmar:
[...] lo que de verdad necesitamos es un cambio radical en nuestra actitud hacia la vida. Tenemos que aprender por nosotros mismos y, después, enseñar a los desesperados que en realidad no importa que no esperemos nada de la vida, sino si a vida espero algo de nosotros [grifo nosso]. Tenemos que dejar de hacernos preguntas sobre el significado de la vida y, en vez de ello, pensar en nosotros como en seres a quienes la vida les inquiriera continua e incesantemente. Nuestra contestación tiene que estar hecha no de palabras ni tampoco de meditación, sino de una conducta y una actuación rectas. En última instancia, vivir significa asumir la responsabilidad de encontrar la respuesta correcta a los problemas que ello plantea y cumplir las tareas que la vida asigna continuamente a cada individuo. ( p. 79 )
As condutas ou ações que Frankl se refere, quanto aos questionamentos sobre a vida, se associam justamente ao foco de nossa pesquisa, pois para além da compreensão do ser humano, precisamos promover um caminho que contemple uma autoformação reveladora de uma cultura que se institui pela inteireza do homem.
Só passará por esse processo, todo aquele que se dispor a penetrar em seus ethos humanus, não podemos obrigar ninguém a fazê-lo, mas há uma linha tênue que nos auxilia a provocar a desacomodação e fazê-lo ao menos vislumbrar esse caminho.
A vida que está presente em cada um de nós é única e o que fazemos dela precisa estar conectada com as ações inovadoras no campo educacional.
Frankl (1985) destaca ainda, que podem existir situações diversas, mas que elas dependerão, sobretudo de como percebemos o pulsar na vida em nossa vida:
[…] el significado de la vida, difieren de un hombre a otro, de un momento a otro, de modo que resulta completamente imposible definir el significado de la vida en términos generales. Nunca se podrá dar respuesta a las preguntas relativas al sentido de la vida con argumentos especiosos. “Vida” no significa algo vago, sino
algo muy real y concreto, que configura el destino de cada hombre, distinto y único en cada caso [grifo nosso]. Ningún
hombre ni ningún destino pueden compararse a otro hombre o a otro destino. Ninguna situación se repite y cada una exige una respuesta distinta; unas veces la situación en que un hombre se encuentra puede exigirle que emprenda algún tipo de acción; otras, puede resultar más ventajoso aprovecharla para meditar y sacar las consecuencias pertinentes. Y, a veces, lo que se exige al hombre pude ser simplemente aceptar su destino y cargar con su cruz. Cada situación se diferencia por su unicidad y en todo momento no hay más que una única respuesta correcta al problema que la situación plantea. ( p. 79 )
Entrelaçar os saberes e as intuições nos leva a um elemento que tende a esclarecer o sentido da vida preconizado por Frankl, que é a originalidade da pessoa humana. Queremos compreender sim, os cenários educacionais, mas novamente, reafirmo que essa percepção ou comprometimento com as transformações, terão um sentido, se olharmos para o nosso eu e desejarmos conectar as outras dimensões do viver, ampliando as próprias experiências existenciais.
Leloup (1996) contribui brilhantemente com seus estudos sobre o cuidado do ser, quando propõe-se a recontar a história dos Terapeutas de Alexandria, e neste recorte um destaque especial, para Fílon de Alexandria34. Nos primórdios da civilização, com os gregos, identificamos a elevada busca pela essência, pela contemplação e pela comunhão da ciência, da arte, da filosofia e da mística. Era o desejo por uma Antropologia não dual, uma concepção de um ser humano em sua totalidade ( corpo, alma e espírito ).
Assim, Fílon refere-se à condição humana dentro de um quatérnio:
basar, soma, a dimensão corporal; nephesh, alma, a dimensão psíquica; nous,
34Fílon de Alexandria – Não há informações precisas a respeito deste Terapeuta ou Filósofo
Grego, alguns situam seu nascimento no ano 30 a.C. Outros se referem ao início do Legatio ad
Caium, no ano 20 a.C, mas para um tempo aproximado seria correto afirmar que seu
nascimento ocorreu entre 20 e 10 a.C.; importa destacar que foi contemporâneo de Cristo. Enquanto nascia na Judéia o cristianismo, como um movimento de crenças singelas, já se
formava em Alexandria o embasamento racional de sua teologia trinitária que haveria de encontrar três séculos depois uma formulação mais coerente para a concepção de Deus com pluralidade de pessoas.
a consciência sem objeto, a dimensão noética da psique em paz e, finalmente,
rouah, pneuma, o sopro, a dimensão espiritual. Saúde plena, para os
Terapeutas, refere-se ao corpo, à alma e ao nous quando habitados pelo Espírito; é a transparência do essencial no existencial.
A transparência do essencial no existencial associa-se ao processo reflexivo pretendido com esta tese, descer às profundezas do eu e dele fazer renascer uma essência tão resplandecente quanto o cristal.
Poderíamos fazer um tratado sobre a transparência, contudo ela permeia o viver humano, sem ela, não há como evoluir e nem estreitar as relações entre as pessoas, que nos leva a sair do aniquilamento e das amarras que estabelecemos em nosso interior.
Leloup (1996) corrobora a reflexão ao pontuar
[...] que antes de tudo, cuidar do que não é doente em nós, do Ser, do Sopro que nos habita e inspira. Também cuidar do corpo, templo do Espírito, cuidar do desejo, reorientando-o para o essencial; cuidar do imaginal, das grandes imagens arquetípicas que estruturam a nossa consciência e cuidar do outro, o serviço à comunidade, implicando o próprio centramento no Ser. ( p. 09 )
O cuidado que Leloup resgata dos terapeutas de Alexandria, destaca a função que eles exerciam, eram considerados tecelões, cozinheiros, que cuidavam do corpo, das imagens que habitavam nas almas do outro, do que os deuses diziam à alma, um psicólogo. Cuidavam da ética, para que o homem pudesse se tornar um sábio. Também era um ser que orava pela saúde do outro, queriam que a energia do Vivente estivesse junto a todos, para curar qualquer doença. Assim, o terapeuta não curava, ele cuida, a energia maior trata e cura.
Interessante a ótica, pois para eles, o cuidado do corpo se associava a uma mudança de roupa e da alimentação, o cuidar dos deuses era vigiar as imagens que habitavam em cada um, o cuidar do desejo referia-se a reorientá- lo quando esse se perdia e por último, entretanto não o menos importante, o cuidar do outro, uma busca pelo recentramento de si e do outro.
A busca desse recentramento era “Chamar o nome do “Ser que É” sobre
alguém é religá-lo também à sua Fonte de Vida, reconduzi-lo ao campo do Real, a partir do qual ele poderá, senão sarar, pelo menos relativizar seu sofrimento. Orar não é tanto recitar preces e invocações, mas ter seu ser no Ser a fim de que sua Presença se difunda ou se interiorize através dele na pessoa mal-aventurada.” (Leloup, 1996, p. 31)
Novamente, está diante de nós, o passado de mãos dadas com o presente. Esse revolver a essência do que o homem foi e sua contribuição para a história da humanidade, nos leva a perceber que a proposta dos antigos terapeutas alexandrinos, tinha no recentramento do ser, o ideal de cada um Ser e Ser com o Outro, respeitando toda a natureza que os constituía.
Os elos continuam se unindo, não podemos desconsiderar o que se construiu, mas redimensionar, ler com outros olhos e até sentir de outra forma. A transparência existencial exige pensar na originalidade do ser e transgredir a própria natureza para nos conectarmos a uma nova cultura.
Leloup (1996) amplia essa ideia ao sintetizar o cuidado do ser:
[...] não significa ocupar-se com uma Existência, que se poderia apreender ou aconchegar no mais íntimo do ser humano; trata- se de uma transcendência interior, que é sempre dentro de nós o Desconhecido e o Inacessível. O Ser não é um “algo” qualquer, mas um Espaço, um Aberto que importa, manter livre. “ Deus é a liberdade do homem”. Cuidar dessa liberdade, não aliená-la a coisa alguma nem a ninguém, conservá-la viva e humilde... “Deus é a Santidade do ser humano”, isto é, o que nele há de Ser não se pode comparar a nada conhecido ou cognoscível. Conservar puro esse inominado..., cuidar no homem daquilo que escapa ao homem, pois se não houvesse em nós esse espaço, essa liberdade, essa santidade, esse incriado, não haveria saída para o que é condicionado, feito, criado... ( p. 100 )
Poderíamos revisitar todas as correntes históricas, filosóficas, antropológicas ou teológicas para destacarmos os caminhos que o homem decidiu percorrer, principalmente acolhendo a influência racionalista e capitalista na sua forma de ser e agir. Entretanto, estamos diante de um momento de transmutação. O interesse não está tão acentuado na aquisição
de mais comodidade, embora essa não seja ruim, mas há o desejo de pensar no ser humano que sente, fragiliza-se, sofre, alegra-se com as conquistas, com as superações e acima de tudo, carece de uma conexão direta com a sua elevação espiritual. Insisto que não são aquelas vinculadas às práticas das Igrejas, mas toda experiência mística ou não que possibilitará a ampliação dos seus níveis de consciência e compreensão de sua originalidade frente ao outro e a natureza que os une.
Os caminhos não serão os mesmos para todos, pois dependerá da vinculação que cada um fará ao longo de sua trajetória existencial, entretanto a interlocução com os mais diversos seguimentos e vivências tenderão a propiciar um cenário diverso, em que o ser humano possa perceber-se e doravante pautar sua ação profissional, considerando a sua consciência ampliada e o outro como um ser que se constrói mediado pela sua ação que está a desenvolver no seu cotidiano.
Moraes e Valente (2008), torna ainda mais verossímil a argumentação anterior
[...] se realmente reconhecemos a realidade como indeterminada, mutante, complexa, incerta, difusa e, muitas vezes, caótica, constituída de inter-relações e de interconexões lineares e não lineares, precisamos de métodos coerentes com estas características ontológicas. Se a realidade é imprevisível e incerta, precisamos de um observador pensante, reflexivo e criativo, um sujeito estrategista, capaz de criar procedimentos adaptáveis e ajustados à realidade, com possibilidades de enfrentar o novo e o imprevisto que acontecem durante a pesquisa. Tudo isso exige abertura e flexibilidade estrutural por parte do sujeito pesquisador e dos métodos utilizados para que possamos compreender as circunstancias geradas pela pesquisa e responder às incertezas e às emergências, não apenas cognitivo-emocionais, mas também como produto de uma realidade complexa e, verdadeiramente, mutante. ( p. 56 )
Sendo assim, os caminhos respondem na maioria das vezes, a um propósito que carrega o desejo de contribuir para uma mudança e a pesquisa ora destacada, lançou-se tendo como objetivo imbricar duas realidades, a humana e a profissional, para tecer uma ação docente, mas também pensar um ser que necessita da sua auto-realização pessoal, para sentir-se pleno.
6.1 - AS PROVOCAÇÕES METODOLÓGICAS E O IR ALÉM DO