5 Greenland (Denmark)
5.3 Oil spill response
Por muito tempo, houve um questionamento com relação à origem dos PEAMLs, acreditando-se que estes pudessem ser gerados por respostas miogênicas. Atualmente, está claro entre os pesquisadores da área que elas contribuem na contaminação dos traçados captados dos PEAMLs (GOLDSTEIN & RODMAN 1967; KRAUS et al 1985; KRAUS et al, 1995). Situações em que o eletrodo referência é colocado na mastóide representam maiores riscos e a possibilidade de interferência de respostas musculares sempre deve ser considerada (MUSIEK, 1989). O componente Po reflete a atividade muscular pós-auricular e não é um
componente neurogênico. Por isso, atualmente o mesmo não é um verdadeiro componente das PEAMLs (HALL, 1992). Considerando as evidências das pesquisas realizadas, pode-se acreditar que as respostas dos PEAMLs são essencialmente neurogênicas.
Estudos indicam que o lobo temporal contém a maior parte dos geradores dos PEAMLs (COHEN, 1982; OZDAMAR & KRAUS, 1983). Por outro lado, outros mencionam o fato de que lesões bilaterais do lobo temporal não produzem ausência total da onda Pa, apenas deformação na morfologia da onda. Logo, várias estruturas são apresentadas como possíveis geradores neurais dos PEAMLs. Assim, a eliciação dessa resposta elétrica cerebral exige a participação simultânea de múltiplos geradores. Participam conjuntamente o colículo inferior, corpo geniculado medial, formação reticular e o lobo temporal (giro de Heschl - área auditiva primária). Também estão envolvidas áreas de associação e corpo caloso. A formação reticular estaria amplamente relacionada às vias auditivas centrais primárias e não primárias (KRAUS et al, 1992).
A captação desses potenciais reflete a atividade cortical envolvida nas habilidades de audição primária (reconhecimento, discriminação e figura-fundo) e não primária (atenção seletiva, seqüência auditiva e integração auditiva/visual). No entanto, não é possível especificar, separadamente, quais são as habilidades prejudicadas, já que os PEAMLs parecem ter geradores múltiplos que trabalham concomitantemente na geração das respostas. Participam da geração dos PEAMLs, com menor colaboração, o colículo inferior e formação reticular, e em maior escala as vias tálamo-corticais (KRAUS, KILENY & McGEE, 1994) e córtex auditivo (MUSIEK, BARAN & PINHEIRO, 1994).
A onda Na tem origem subcortical profunda (MÄKELÄ et al, 1994), do colículo inferior e corpo geniculado medial (FISCHER et al, 1995) com pequena contribuição cortical (LÉGEOIS-CHAUVEL et al, 1995).
Pa tem origem cortical e subcortical (POLYAKOV & PRATT, 1994). Estudos de topografia craniana e de pacientes com lesão cortical têm mostrado a participação do lobo temporal para a geração da onda Pa (COHEN, 1982). No entanto, há evidências de que geradores talâmicos e projeções tálamo-corticais participam da geração das respostas (WOODS et al 1987). A onda Pa pode ainda ser afetada pelo estado de estimulação e sonolência, devido à participação da formação reticular na geração da resposta (KRAUS et al, 1992; KRAUS, KILENY & McGEE, 1994).
O córtex auditivo não-primário ou córtex associativo e a formação reticular são geradoras neurais da onda Pb (BUCHAWALD et al, 1992; McGEE & KRAUS, 1996). Na idade entre 06 e 08 anos de idade o componente Pb é a onda cortical dominante, porém, mudanças nos valores de latência e amplitude da onda Pb continuam a ocorrer até a idade adulta. Parece ser uma onda robusta e de fácil identificação (McGEE & KRAUS, 1996).
Buchwald et al (1991) estudaram o efeito dos agonistas (fisostigmina) e antagonistas (escopolamina) colinérgicos nos PEAMLs. A aplicação intravenosa de agonistas colinérgicos fez com que os sujeitos avaliados permanecessem apenas sonolentos e com os olhos abertos durante a captação dos registros, produzindo o completo desaparecimento da onda Pb e um aumento da amplitude de Pa. Um efeito inverso foi observado com o uso de antagonistas colinérgicos, os sujeitos apresentavam-se despertos e foram observados o reaparecimento da onda Pb com amplitude aumentada e a diminuição da amplitude da onda Pa. Concluíram que a onda Pb reflete a atividade elétrica do sistema central de alerta do sistema de ativação reticular ascendente, o qual é dependente de mecanismos colinérgicos.
De acordo com Kraus, McGee & Comperatore (1989), a melhora da detectabilidade da onda Pa em crianças mais velhas pode ser atribuída aos fatores maturacionais e ao desenvolvimento dos geradores neurais auditivos tálamo-corticais, e seria um indício da participação destas estruturas na geração dos PEAMLs.
Para Mcgee & Kraus (1996), há dois sistemas de geradores neurais responsáveis pela geração dos PEAMLs. Um sistema se desenvolve mais precocemente e é parte da via auditiva subcortical. O outro apresenta um tempo de desenvolvimento mais longo, e faz parte da via auditiva primária cortical. Mudanças na detectabilidade das ondas estariam relacionadas ao curso de desenvolvimento dos múltiplos geradores dos PEAMLs e aos estágios de sono. Em crianças menores há maior dependência do estado de sono, já que nesta população a geração das respostas é predominantemente subcortical (formação reticular) (KRAUS et al, 1995).
Há uma variabilidade nos PEAMLs relacionados ao local de captação dos mesmos, ou seja, poderemos obter diferentes respostas conforme a localização dos eletrodos de superfície. Além disso, parece que diferentes posições de eletrodos produzem participações de estruturas neurais diferentes, na geração das respostas. Mcgee et al (1991) estudaram a contribuição das vias tálamo-corticais, da formação reticular e do colículo inferior, utilizando lidocaína para selecionar e inativar as áreas neurais. Para eles, as vias tálamo-corticais são importantes para a geração dos PEAMLs, por outro lado, o córtex auditivo participa principalmente da modulação da atividade elétrica destes potenciais. Littman et al (1992) afirmaram que não só os geradores são diferentes, como a resposta temporal reflete principalmente a atividade neural do caminho auditivo primário e a linha mediana reflete o caminho não primário. Kraus, Smith & Mcgee (1988), em pesquisas experimentais, demonstraram que as respostas captadas na linha mediana e lobo temporal são originadas por diferentes estruturas neurais, sendo que os componentes de linha mediana são gerados por áreas subcorticais e os componentes do lobo temporal são gerados pelo córtex auditivo. Kraus et al (1995) mencionam que as repostas de linha mediana são mais difusas, profundas e simétricas, ao passo que as respostas do lobo temporal são mais superficiais, próximos da superfície e mais assimétricos em relação às respostas de linha mediana. Kraus, Mcgee, & Comperatore (1989) e Mcgee et al (1991) acrescentam ainda que a captação dos PEAMLs na linha mediana em crianças tem a formação
reticular como área geradora primária. Arehole, Augustine & Simhadri (1995), num resumo da literatura recente sobre o assunto, concluíram que há duas respostas possíveis para os PEAMLs: temporal e de linha mediana. A resposta temporal estaria associada ao córtex auditivo primário e inclui a porção ventral do corpo geniculado medial. A resposta da linha mediana seria atribuída à porção não-primária do tálamo e formação reticular.
Dado à diversidade dos geradores neurais e à possibilidade de geração de respostas subcorticais e corticais primárias e não primárias durante a pesquisa dos PEALMs, é importante que sejam utilizados ao menos dois canais de registro e mais de uma derivação. Musiek (1989) sugere que os eletrodos devem ser colocados em cada hemisfério e não só no vértex (Cz) para otimizar a aplicação. O eletrodo colocado no local da lesão provê a melhor indicação do déficit.