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Research philosophy, design and approach

3. Methodology

3.1 Research philosophy, design and approach

À medida que os problemas eram solucionados caminhos abriam-se para a ordenação e delegação de funções para os componentes do grupo de professores denominados professores pesquisadores.

Expor que as dificuldades durante os encontros iniciais poderiam ser tratadas como objeto de pesquisa e que os professores seriam esses pesquisadores foi fator importante para que o Grupo iniciasse as ações de forma coesa. Apesar de discussões anteriores sobre a elaboração de projetos, os professores não tinham claro as etapas que o compõem e como construir a proposta de pesquisa.

Começamos então discutir como fazer um projeto, partimos da condição inicial da escola, o que poderia ser utilizado com elemento para elaboração de uma

proposta que realmente atingisse a comunidade escolar. Uma das professoras colocou que a escola é pobre e os estudantes precisam de recursos e a grande maioria vê na escola a possibilidade de aprender uma profissão.

A discussão seguiu por mais um tempo e um dos professores comentou que era necessário levar à comunidade a pensar o problema do ambiente e da poluição no bairro. As idéias foram surgiram em profusão sem uma ordem de relevância ou temporal. Os professores propuseram trabalhar com horta, reciclagem do lixo escolar, cultivo de plantas ornamentais e plantas para recuperação da mata ciliar do Rio Furninhas que corre próximo a escola. Também se propôs a elaboração de jornal em que o corpo editorial seria composto por estudantes das diversas séries, elaboração de filmagens e entrevistas com a comunidade e autoridades municipais, entre outras.

Propus a ordenação das idéias dentro de uma seqüência lógica e também a atribuição de funções aos componentes da equipe, três questões precisavam de resposta: o que fazer, quem e como fazer. Os professores entreolharam-se com uma expressão de dúvida, e o pesquisador colocou que esse processo envolve a elaboração do plano de ação ou do projeto e, evidente que todas as ações devem estar relacionadas às práticas e a experiência dos professores.

Ainda coloquei que esse processo é a reflexão, ação e reflexão, algo que normalmente deve ocorrer na prática pedagógica e em alguma medida relaciona-se a práxis. Todos assentiram com um movimento de cabeça, todavia era preciso investigar se o conceito de práxis era conhecido dos professores.

Nas reuniões seguintes recebemos um incentivo que potencializou e acelerou a organização do projeto: chegou à escola um convite para participar de um concurso denominado Minha Comunidade Sustentável, promovido pela revista Carta na Escola publicada pela Editora Confiança Ltda., já relatado no capitulo 1 desse estudo. Os professores viram nesse concurso a possibilidade de conseguir financiamento para o desenvolvimento do projeto. O prazo para a elaboração das propostas era curto: havia a necessidade de acelerarmos as atividades para que pudéssemos escrever a proposta e encaminhar para a revista. Iniciamos pela seleção dos itens levantados em reuniões anteriores, respondendo a questão qual ou quais das propostas estão mais de acordo com as necessidades e condições físicas da escola. Os professores optaram pela elaboração de um viveiro com mudas

de plantas ornamentais e cultivo de vegetais próprios da mata ciliar do rio que corre próximo à escola.

Além dessa ação ainda optaram pela elaboração de um programa de reciclagem de lixo escolar com vistas à comercialização e o capital arrecadado seria utilizado para compra de cestas básicas as famílias mais carentes que tinham seus filhos na escola.

A partir daí iniciou-se a divisão de tarefas entre os professores componentes do grupo. As coordenadoras se encarregaram da gestão do projeto, isto é, da organização de cada passo ou etapa de forma a buscar identificar e apresentar ao Grupo os fatores importantes do ponto de vista da implementação da proposta. As professoras de geografia explicaram a toda a comunidade escolar, estudantes, funcionários da escola e pais e direção o que era o projeto, quais suas ações e o que cada um poderá fazer para contribuir.

As Professoras de ciência e de biologia estimularam a participação dos estudantes e os selecionou, tendo como critério o interesse dos mesmos em participar. As professoras de química e física optaram em cuidar da preparação do solo, material orgânico, composteira, e discutiriam junto aos estudantes os diversos aspectos ligados a correção de solo e introdução de mudas e seu cultivo. As professoras de história trabalharam com a história do bairro. Do córrego, buscariam informações em relação às pretensões dos órgãos públicos a respeito do córrego. Os professores de educação física visitaram à casa da agricultura do município e o horto em busca das primeiras mudas e informações sobre a elaboração de estufas para o cultivo. Em conjunto elaborou-se um plano de inserção de lixeiras para a coleta seletiva e também se buscou patrocínio para conseguir os conjuntos de lixeiras adequadas para coleta seletiva.

O projeto recebeu o título de “Promovendo a sustentabilidade em minha escola: instrumentalizando para construir um futuro possível” (Anexo1). Evidenciou-se alguns os princípios relacionados à sustentabilidade segundo os professores. E também explicitou as funções dos componentes do projeto.

Esse evento desencadeou um conjunto de atividades que integradas ao projeto e gerou os primeiros passos para implementar a Agenda 21 na Escola (anexo 2). Esse (Agenda 21 na escola) passou a ser o principal projeto do Grupo de Professores Pesquisadores incorporando a diversas ações que já ocorriam na escola a outras organizadas para a construção desse documento.

Verificou-se a possibilidade direta do envolvimento da comunidade nas ações e o caminho para ocorrência dessa participação estava em levar os estudantes a se envolverem no processo. Cada vez ficava mais claro que os professores pesquisadores sentiam que a participação da comunidade daria a força que sua proposta necessitava para se concretizar.

Diante dos problemas de horário dos professores, a coordenação e o pesquisador nos propusemos a organizar o grupo de estudantes que participariam no projeto. Organizou-se uma reunião com estudantes do ensino fundamental segundo ciclo, nesta participaram várias crianças. A coordenadora apresentou-me e auxiliei na apresentação do evento e esclareci como proceder para participar. Reafirmando, não houve participação dos professores nessa reunião, pois essa ocorreu fora dos horários de HTPC enquanto os mesmo estavam em sala de aula.

Os esclarecimentos do evento seguiram de uma extensa descrição dos estudantes sobre as condições do ambiente de bairro e do entorno da escola, coincidindo com as declarações dos professores sobre essas questões. Todavia os estudantes pareciam mais interessados em como os problemas surgiram e como poderiam ser resolvidos e menos preocupados em apontar culpados. Descreveram a condição do córrego alvo de ação no projeto Promovendo a sustentabilidade em minha escola: instrumentalizando para construir um futuro possível, evidenciando os diversos usos inadequados do corpo de água, comentaram o desmatamento, as queimadas, o lixo depositado em terrenos baldios.

Na seqüência da reunião, organizou-se o Grupo de Trabalho, catorze crianças se prontificaram a participar na elaboração das ações para a instituição da Conferência na Escola, em que participaria toda a comunidade escolar para a eleição do delegado que representará a escola no evento. A cada estudante foi designada uma função no sentido de organizar a Conferencia na Escola. As funções foram as seguintes:

Elaboração de um cartaz que retratasse o evento; Pesquisar sobre temas da conferência;

Divulgar a conferência na escola;

Buscar interação com estudantes de outras escolas promovendo a integração entre elas;

Divulgar para os pais e responsáveis o evento; Organizar em conjunto com a coordenação o evento;

Algumas dessas funções já estavam previamente determinadas na proposta do MEC e MMA e somente foram adaptadas para serem desenvolvidas na instituição.

Os resultados dessa reunião foram levados posteriormente aos professores para discussão e enquadramento dentro da proposta inicial. Foi boa a aceitação da proposta entre os estudantes e algumas sugestões chamaram a minha atenção. A primeira era a de tornar o grupo de alunos os principais articuladores das ações do projeto de elaboração do viveiro. A justificativa para a sugestão anterior foi que esse grupo sempre é participativo e se propõe a fazer aquilo que lhe pedem. Outros alunos não colaborariam tão facilmente nas tarefas que poderiam ser-lhes designadas.

Outra colocação foi a de que a Conferência na escola deveria ocorrer o mais rápido possível, atrelando a urgência ao prazo para cadastro da conferência na escola no site do MEC. Notou-se que os professores pareciam preocupados com sua agenda, fruto da preocupação com a programação e com as avaliações, não somente internas, isto é, as aplicadas aos estudantes, mas as avaliações externas que a escola sofreria.

Tivemos após esse momento duas outras reuniões em que tratamos de discussões sobre ética e ambiente e também as diversas concepções de ambiente e educação ambiental. Os professores mostraram ligeiramente dispersos nessas reuniões, evidentemente a falta de fundamentação teórica é um aspecto muito presente e há, por parte dos professores, certa dificuldade para lidar com termos e idéias mais complexos.

À medida que as discussões se processam as dúvidas foram colocadas e esclarecidas de forma a gerar inquietudes, por exemplo, questionar ao professor sobre o desenvolvimento de políticas públicas e como ele colocaria tal abordagem para seus alunos, que estratégias metodológicas utilizaria. Dessa forma houve maior participação e interação o que leva a aprofundar a compreensão de como pensam os professores e como, a partir desse pensar explicitam sua atuação.

Em relação às discussões sobre políticas e participação, os professores se apresentaram ainda conservadores, com argumentos permeados pela ideologia das classes dominantes e idéias que veiculam na grande mídia.

As reuniões encerram-se um pouco mais cedo que o previsto em função do SARESP. Os professores estavam muito ocupados com a preparação para enfrentar esse exame. Havia uma verdadeira correria, listas de exercícios eram elaboradas, muitos professores corrigindo listas e outros elaborando materiais de consulta e

estudo. Constantemente nomes de estudantes eram colocados em cena, e a eles atribuindo perspectivas de bons, regulares e insuficientes.

Neste clima encerramos nossa participação no semestre. O retorno a escola ocorreu após as férias escolares. Entretanto houve ligeiro atraso no início das aulas e o pesquisador foi orientado pela Coordenadora a esperar as reuniões de planejamento concluírem-se.

Contudo, o planejamento das atividades relacionadas às duas ações (Agenda 21 na escola e o projeto Promovendo a sustentabilidade em minha escola: instrumentalizando para construir um futuro possível) foram incluídas no plano de ação ambiental da escola e, portanto fizeram parte do planejamento.

A Organização do processo pedagógico tendo por base princípios da educação ambiental na vertente considerada nesse estudo deu-lhe legitimidade, diferente do que ocorria antes da inserção da proposta por nós elaborada, uma vez que atividades envolvendo essa temática ocorriam de forma esporádica e pontual atendendo a comemorações em datas específicas relegando as atividades de educação ambiental a um segundo plano.

Consideramos essa etapa um avanço que possibilitou a implementação do projeto e sua avaliação por parte dos professores pesquisadores. Apesar das dificuldades expostas ao longo desse capítulo é inegável a dedicação dos professores em seguir adiante com o trabalho desencadeado. Também devemos ressaltar que tal dedicação chegou, muitas vezes, próxima do ativismo que consideramos inadequado do ponto de vista da pesquisa por que não apresenta a fundamentação teórica necessária ao enfrentamento das questões pertinentes relativas a esse estudo. Da mesma forma, queríamos ir além do verbalismo, dos discursos cheios de intenções, mas carentes de ações, buscávamos a práxis, a ação fundamentada nas teorias sistematizadas que possibilitassem a apropriação das objetivações genéricas para si com o intuito de forjar os elementos da transformação social que supere o modo de produção capitalista causa da desorganização socioambiental atual.

O momento foi significativo para minha formação, enquanto pesquisador. Evidenciei as muitas dificuldades e, várias delas intransponíveis, dentro das condições materiais que se apresentavam e, ainda se apresentam no espaço escolar. Entendo que esse processo foi apenas um ponto de luz para orientar outros possíveis trabalhos, mas que tudo está por fazer, o que não se pode é deixar de

acreditar na possibilidade da mudança, da transformação. Em suma é a utopia que nos move.

C

APÍTULO

4-

B

USCANDO A FORMAÇÃO DE EDUCADORES AMBIENTAIS