Os museus contemporâneos, como os conhecemos, são herdeiros dos museus do século XIX. Podemos afirmar, a existência de um consenso entre diversos pesquisadores9 que se debruçaram sobra história dos museus, em apontar, ainda que sob pontos de vista diferentes, “que os museus contemporâneos são o resultado do humanismo do renascimento, do iluminismo do século XVIII e da democracia do século XIX” (BRUNO, 2007, p.2).
Porém, esses mesmos museus do século XIX, como espaços de referências patrimoniais, são fruto, por sua vez, de um longo processo histórico que remonta às primeiras práticas de colecionismo em voga na antiguidade clássica. Para tanto, apresentaremos alguns aspectos dessa trajetória, envolvendo instituições, famílias e Estados que, de formas diferenciadas buscaram coletar, armazenar e preservar diferentes objetos, documentos e vestígios, transformados e reconhecidos como patrimônio cultural de suas respectivas sociedades.
Em diversos momentos da história muitos homens buscaram colecionar artefatos, documentos, espécimes da natureza botânica ou mineral, amuletos, espólios de guerra, dentre milhares de registros produzidos pela humanidade e pela natureza. Muitos fragmentos desses registros acabaram, depois de passados décadas ou séculos, por vir a fazer parte de grandes museus, especialmente, na Europa.
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ALEXANDER, E. Museums in motion: na introduction to the history and functions of museums. Nashville:American Association for State and Local History, 1979;BAZIN, G. Le temps des musées. Bruxelas: Desoer, 1967; BREFE, A. C. F. O Museu Paulista. Affonso de Taunay e a memória nacional 1917 – 1945. São Paulo: Editora UNESP, 2005; LOPES, M. M. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as
ciências naturais do século XIX. São Paulo: HUCITEC,1997; POMIAN, K. Coleção. IN: Enciclopédia Einaudi. Lisboa, 1984; SCHAER, R. L’Invention des Musées. Evreux: Gallimard, 1993.
Por meio da Arqueologia foi possível descobrir e estudar que, no chamado mundo antigo, imperadores e faraós, acumulavam coleções de objetos. Verdadeiras coleções-tesouros que, em tempos de conflitos e guerras funcionavam como reservas econômicas, e em tempos de paz, eram utilizadas como instrumento de poder e prestígio social.
A palavra museu, como utilizada nos tempos atuais, é derivada etimologicamente de
mouseion que, na antiga Grécia, era o nome dado ao templo das musas. Segundo a mitologia
grega, as musas10 eram filhas de Mnemosine, a divindade da memória, e de Zeus, a representação do poder. A relação entre memória e poder, ainda que imperceptível para muitas pessoas, acompanhou e ainda se faz presente nos museus conforme aponta Chagas:
“Estes dois conceitos estão permanentemente articulados em toda e qualquer
instituição museológica (...) os museus podem ser espaços celebrativos da memória do poder ou equipamentos interessados em trabalhar democraticamente com o poder da memória.” (CHAGAS, 1999, p.20)
O mouseion tinha como função principal servir de templo de contemplação das musas
e, também, em segundo plano, ser um espaço voltado para a pesquisa, a filosofia e as artes. As obras de arte existentes neste templo objetivavam muito mais reverenciar e agradar às divindades do que servir de espaço de observação para o público.
No Egito, século III AC, em Alexandria, durante a dinastia dos Ptolomeus, foi construído um mouseion formado de um conjunto de vários prédios, que tinha como objetivo principal o saber enciclopédico. O Museion de Alexandria almejava ensinar todo o conhecimento existente na época. Além de ser um local de discussão e reflexão de todo o saber existente, ou seja, abarcar o conhecimento nas áreas de religião, filosofia, medicina, zoologia, geografia, mitologia, dentre outras:
“O mouseion de Alexandria possuía, além das estátuas e obras de arte,
instrumentos cirúrgicos e astronômicos, peles de animais raros, presas de elefantes, pedras e minérios trazidos de terras distantes, etc., e dispunha de biblioteca, anfiteatro, observatório, salas de trabalho, refeitório, jardim botânico e zoológico. E entre os grandes trabalhos por ele abordado figuravam um dicionário de mitos, um sumário do pensamento filosófico e
um detalhado levantamento sobre o conhecimento geográfico de então.”
(SUANO, 1986, p. 1)
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As musas, em número de nove, eram reconhecidas como protetoras das artes e do conhecimento, a saber: Clio (História), Euterpe (música), Talia (comédia e poesia ligeira), Melpômene (tragédia), Terpsícore (dança), Érato (lírica coral), Polímnia (retórica e arte mímica), Urânia (Astronomia) e Calíope (poesia lírica,épica e eloquência). GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da Mitologia Grega. São Paulo: Cultrix, 1999; KURY, Mário da Gama.
O acesso ao Mouseion de Alexandria foi restrito a bolsistas mantidos pelo Estado. Aproximava-se, guardadas as devidas proporções físicas e conceituais, do que hoje entendemos por universidade ou centro de pesquisas. Este mouseion deixou como herança às instituições que se seguiram, ao longo da história, uma perspectiva de acesso seletivo de público, às suas respectivas coleções. Apenas membros ligados à aristocracia podiam frequentá-lo. Pensadores renomados do período, como Arquimedes e Euclides, chegaram a residir neste Mouseion (ALEXANDER, 1979, p. 6-7).
Em Roma, a palavra museum foi usada no sentido restrito para designar o espaço da comunidade local, onde ocorriam discussões filosóficas. Nesses templos, eram depositadas obras de arte e objetos confiscados em guerras de expansão do império. Muitos cidadãos da aristocracia romana passaram, também, a acumular objetos de valor, em suas casas, como símbolo de prestígio e ostentação social.
É também da Roma antiga, a origem da palavra patrimônio. Derivada de patrimonium que, na sociedade romana, representava a tudo o que pertencia ao pai e que podia ser legado como herança, via testamento. Lembrando que neste período a família, a mulher, os filhos, os animais, os escravos, os bens móveis e imóveis faziam parte do patrimonium do senhor.
O conceito de patrimônio, surgido no âmbito privado do direito de propriedade, estava intimamente ligado aos pontos de vista e interesses aristocráticos. Entre os romanos, a maioria da população não era proprietária, não possuía escravos; logo, não era possuidora de patrimonium. O patrimônio era um valor aristocrático e privado, referente à transmissão de bens no seio da elite patriarcal romana. Não havia o conceito de patrimônio público. Ao contrário, o Estado era apropriado pelos pais de família. Nesse contexto, pode-se compreender que os magistrados romanos colecionassem esculturas gregas em suas casas. O patrimônio era patriarcal, individual e privativo da aristocracia. (FUNARI; PELEGRINI, 2006, p.11)
A perspectiva de se acumular bens visava a não apenas obter prestígio social, como também, enaltecer e referendar o poder político desses colecionadores.
Na Idade Média, a prática do colecionismo, que tanto marcou a aristocracia romana, também ganhou adeptos entre imperadores e reis. Mas, será a Igreja, com sua ascensão e supremacia política e ideológica, a principal acumuladora de acervos. Ao pregar junto a seus fiéis, o despojamento dos bens materiais, ela passou a receber grandes e valiosos acervos como doação. Por outro lado, ao defender a intocabilidade desses acervos, a Igreja restringiu o acesso apenas a artistas e a membros da elite governante (SUANO, 1986, p. 14).
A Igreja, ao estender o seu poder por toda a Europa, viu seu acervo de bens e relíquias aumentar em grandes proporções. Estes tesouros passaram a ser usados pela Igreja, visando a manutenção de sua hegemonia política sobre o mundo ocidental por meio do financiamento de guerras contra Estados e povos inimigos, assim como, pela formalização de alianças e pactos políticos.
Já no fim da Idade Média, com o crescimento do comércio e enriquecimento de diversas cidades, alguns príncipes de cidades europeias, especialmente italianas, como os
doge de Veneza, os duques de Bologna e os Médici de Florença, passaram a acumular e
formar verdadeiros tesouros privados. O chamado renascimento cultural engendrou novas práticas culturais. A ênfase a uma cultura laica, em oposição a até então hegemônica visão escolástica do universo, a valorização da razão e da ciência levaram o novo mundo urbano e burguês a buscar referências no período da antiguidade clássica. Objetivando sepultar os valores medievais da Igreja Católica, o movimento renascentista resgatou na antiguidade uma visão de mundo antropocêntrica que melhor se adequava aos novos tempos da vida comercial e urbana. Esta perspectiva se refletiu na valorização dos objetos antigos como estátuas, vasos e pinturas com temáticas relacionadas à antiguidade que passaram a ser cobiçados pelos grandes colecionadores.
O período renascentista também permitiu uma abertura para que cientistas e pesquisadores transformassem essas coleções principescas nos chamados gabinetes de curiosidades.11 As navegações e consequentes descobertas de novas terras proporcionaram um incremento não só de novas mercadorias, novos saberes, mas, também, de novos objetos para estes acervos. Além dos artefatos e utensílios da nobreza, passaram a fazer parte dessas coleções reais e particulares objetos diversos oriundos das novas terras recém descobertas, como livros, esculturas, moedas, armas, instrumentos musicais, astronômicos e óticos, gemas, mapas, porcelanas, especiarias, dentre outros.
Para os museus desse período, a razão de existirem estava na possibilidade de aumentar e incrementar cada vez mais suas coleções. Quanto maior o número de objetos e de lugares diferentes, maiores as possibilidades de decifrar o mundo, classificando-o. Com o crescimento exponencial dessas coleções e a necessidade de espaços adequados para seu
11 Os gabinetes de curiosidades, também chamados de câmaras de maravilhas reuniam uma infinidade de objetos
e animais empalhados da mais diversas tipologias, alguns fabulosos ou até mesmo insólitos: fósseis, camafeus, objetos exóticos, bibelôs, adereços de cabeça de penas, retratos, múmias, minérios, dentre outros. Segundo Adalgisa Lugli eles eram similares aos chamados “Schatzkammers germânicos e, também, os Studiolo italianos que reuniam menor número de raridades e de espécimes de história natural, animal e humana”. LUGLI, Adalgisa. Naturália et Mirabilia – Les cabinets de curiosités em Europe. Paris. ADAM BIRO: 1983.” p.137/8
acondicionamento, a palavra museu passou a designar não apenas a coleção, como também, a identificar o espaço, o prédio onde se abrigavam os objetos.
Ser detentor de grandes acervos, assim como o foi para a aristocracia romana, dava a esses colecionadores renascentistas poder e reconhecimento social. Esta perspectiva influenciou diversas famílias importantes que passaram a acumular grandes acervos e, também, a adotar artistas, pintores, escultores, visando a produção de obras de arte.
A partir de uma política protecionista, em pleno período de renascimento do comércio e das práticas mercantilistas que movimentaram a economia europeia, muitos Estados incrementaram políticas educacionais e culturais. Este processo foi responsável pela criação de academias de arte, abrindo os acervos das coleções reais para estudo, aprendizado e inspiração de seus artistas nativos. O objetivo principal estava direcionado ao fato de se permitir que os artistas locais produzissem dentro de seus territórios, evitando, com isso, a fuga de riquezas com a compra de obras de arte de artistas estrangeiros.
Para alguns colecionadores do período, o que se valorizava não era a qualidade, mas sim, a quantidade de objetos. Como exemplo, o Duque de Berry, na França, chegou a encher seus dezessete castelos com documentos manuscritos, objetos, pedras preciosas e mesmo relíquias diversas, dentre as quais, algumas de procedência duvidosa, como “um suposto anel de noivado de São José e um dente de leite da Virgem Maria” (SUANO, 1986, p.14). Esse exotismo e o hábito de acumular objetos, tão comum no período renascentista, fazia parte do ideário burguês. Ser detentor de grandes acervos denotava status político e social.
Apesar do crescimento do número de colecionadores e do interesse de muitos Estados em criarem e aumentarem seus acervos, foi somente a partir do final do século XVII e início do XVIII que passou a ocorrer, ainda que de forma seletiva, um aumento do número de galerias reais que davam acesso ao público. Um exemplo disso foi a abertura, em 1681, para estudantes e artistas da Galeria de Apolo no Palácio do Louvre, em Paris. Em 1750, o acesso de parte da coleção pertencente à realeza francesa passou a ser aberta a todo o público, durante dois dias da semana, no Palácio de Luxemburgo, também em Paris. Estudantes e artistas continuaram a ter acesso em todos os dias da semana.12
Muitas dessas coleções reais, eclesiásticas e principescas, formadas durante o Renascimento se transformaram, posteriormente, nos grandes museus do século XIX. Aos poucos, estas instituições passaram a ser caracterizadas como espaços de guarda de objetos
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Suano (1986, P.26) aponta para a existência de pressões para uma maior abertura no acesso às coleções reais: “Em 1747, o polemista Frances Lafont de Saint-Yenne escreve um panfleto contra o segredo das coleções reais, onde os “não iniciados”, isto é, os “não artistas”, não tinham acesso.”
que visavam a documentar e a preservar os registros materiais do passado e do presente, referendando a versão da historiografia oficial.
O Ashmolean Museum pode ser considerado o primeiro museu público na Europa. Criado em 1683 e com sede em Oxford, na Inglaterra, este museu, apesar de público, tinha acesso limitado para artistas, estudiosos e estudantes universitários autorizados. O acesso restrito a este museu inglês era uma prática muito comum entre as instituições congêneres do período. Dentre as justificativas, estavam a questão da segurança para evitar roubos, e do fato de que, no período, a maioria da população era analfabeta. O comportamento dessa população iletrada, acostumada a circos e a feiras, nos quais se tinha a liberdade de se falar alto e comportar-se de maneira festiva, irritava muitos proprietários de museus que passaram a fazer exigências visando ao afastamento deste público. Como ilustração dessa prática temos esta nota, publicada em jornais ingleses em 1773, por Sir. Ashton de Alkrington Hall:
Isto é para informar o Público que, tendo-me cansado da insolência do Povo comum, a quem beneficiei com visitas a meu museu, cheguei à resolução de recusar acesso à classe baixa, exceto quando seus membros vierem acompanhados com um bilhete de um Gentleman ou Lady do meu círculo de amizades. E por meio deste eu autorizo cada um de meus amigos a fornecer um bilhete a qualquer homem ordeiro para que ele traga onze pessoas, além dele próprio, e por cujo comportamento ele seja responsável, de acordo com as instruções que ele receberá na entrada. Eles não serão admitidos quando Gentlemen e Ladies estiverem no Museu. Se eles vierem em momento considerado impróprio para sua entrada, deverão voltar em outro dia. (SUANO, 1986, p.27)
Para a maioria dos estudiosos sobre a história dos museus, as transformações sociais, econômicas e culturais, ocorridas durante o século XVIII na Europa Ocidental, tiveram grande impacto na formatação do modelo de museu existente nos dias atuais. Nesse período, o museu, enquanto instituição, passou a ser cada vez mais utilizado como espaço de guarda e exposição de objetos com a finalidade de documentar o passado e o presente dentro de uma perspectiva de celebração da “ciência e historiografia oficiais”. (SUANO, 1986, p. 23).
A formação dos Estados Nacionais, que teve como marco a revolução francesa, trouxe para o mundo dos museus mudanças, não só de amplitude, conceituação e de acesso, mas, também, a transformação dessas instituições em lugares de memória da nação.
A necessidade de consolidar estes novos Estados passava pela unificação linguística, territorial, assim como, pela formação de uma identidade histórica comum. Com isso, os museus, arquivos e bibliotecas nacionais passaram a ocupar um importante papel de legitimadores das novas nações ao mesmo tempo em que se transformaram em espaços de
consolidação da memória das elites dirigentes. O fim do direito divino, que legitimava o poder real, abriu espaço para a consolidação dos direitos do cidadão. Dentre eles, o direito de acesso aos arquivos e museus.
O período compreendido entre o final do século XVIII e o início do século XIX ficou marcado pelo surgimento dos principais museus europeus: Museu Britânico em Londres (1759), Museu Pio Clementino no Vaticano (1782), Museu do Louvre em Paris (1793), Museu de Belvedere em Viena (1783), Museu Real dos Países Baixos em Amsterdã (1808), Altes Museum em Berlim (1810), Museu do Prado em Madri (1819), Museu Hermitage em Leningrado (1852), Museu Nacional Alemão em Nuremberg (1853), dentre outros (SUANO, 1986, p.29).
A maioria desses museus tinha um caráter enciclopédico, com ênfase nas ciências naturais, sendo que, aos poucos, passaram a ser instrumentalizados pelos respectivos Estados para se transformarem em espaços de aprendizagem, cultura e lazer. O modelo conceitual adotado nos museus dos principais países europeus serviu de exemplo padrão e influenciou os novos museus criados pelo mundo, especialmente, aqueles de suas respectivas colônias e ex- colônias.
A preocupação em recolher, estudar e classificar objetos e espécimes do mundo mineral, vegetal e animal, assim como, artefatos de povos considerados, pelos europeus, como “primitivos”, levou ao surgimento de inúmeros museus etnográficos. Diversas sociedades de Etnologia e de Antropologia foram criadas nos diversos países europeus.
Este direcionamento museológico se justificava, na época por estar inserido em uma perspectiva cujos propósitos, buscavam evidenciar o desenvolvimento e o progresso da sociedade europeia como referência no quadro evolutivo da história do homem. A primazia dos museus etnográficos, neste período, com ênfase na história natural, sobretudo a partir do uso de parâmetros biológicos de investigação, foi resultado da influência dos modelos evolucionistas de pesquisa e de análise, assim como, da repercussão da obra Teoria da
Evolução de Herbert Spencer, publicada em 1852. Esta obra teve grande ascensão sobre as
áreas de Arqueologia, História e Antropologia (SUANO, 1986; SCHWARCZ, 1993).
O século XIX também foi o período de criação e desenvolvimento de novos museus fora da Europa. Como fenômeno colonialista, esse processo referendava uma visão eurocêntrica da história mundial. Na América do Norte, especificamente nos Estados Unidos tivemos a criação do Museu de Charleston (1773), considerado o mais antigo do país, o Museu Peale da Filadélfia (1782) e o Metropolitan de Nova Iorque (1872). Na América Latina, o primeiro museu criado foi o Museu Real do Brasil, em 1818. Alguns anos mais tarde
foram criados, em 1823, o Museu de História Natural de Buenos Aires e o Museu Nacional de Bogotá.13
O século XIX, configurou-se na história, como o período no qual os chamados museus históricos se consolidaram, tanto na Europa, quanto em outras partes do mundo. Já, o século XX, entrou para a história como o “século dos museus”. Foi no século passado, especialmente, no período pós Segunda Guerra Mundial, que surgiu a maioria dos museus, atualmente, existente no planeta.
O século XX ficou, ainda, marcado por um período de grandes modificações que influenciou profundamente as instituições museológicas. A industrialização, e suas constantes e aceleradas transformações, passou a ditar o ritmo da vida de milhões de pessoas. O aparecimento do objeto descartável, a obsolescência dos artefatos, as criações, as mudanças e aperfeiçoamentos dos mais diferentes meios de comunicação, sem falar no impacto que o mundo eletrônico e da informática trouxe para a sociedade, importantes questões relacionadas à cultura material. Este cenário em constante ebulição, de especialização do conhecimento e de aceleração do tempo, obrigou aos museus a repensarem suas práticas e seus conceitos. Desde então, passou a ocorrer uma fragmentação no universo museal com a criação de museus especializados em determinados temas e objetos.