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REKEFISKET VED FLEMISH CAP 1993-1995. TONN

Como já denunciara Rudolf von Ihering, a função do Direito é

realizar-se, não podendo ser Direito o que não é realizável.252 Sabedor dessa situação, profere Carlos Lessona:

“La ciencia del derecho, dejando a la psicología el estudio de los órganos del conocimiento humano y a la lógica el de los procesos intelectuales íntimos, con los cuales el hombre ejercita dichos órganos cognoscitivos para llegar a dicho conocimiento, se limita a reconocer la existencia de una necesidad práctica, a saber, que en las controversias civiles es menester probar los hechos alegados ante el juez.”253

Colin e Capitant ensinam que o papel fundamental da prova é

constatar a existência do fato jurídico. Nas suas palavras: “Pour pouvoir, en

effet, exercer un droit, il faut être à même d’en établir au besoin l’existence,

c’est-à-dire de démontrer quels sont les faits, actes matériels ou juridiques, qui

251 MELO, José Eduardo Soares de. Curso de direito tributário. 6.ed. São Paulo: Dialética, 2005, p. 276. 252 Cf. IHERING, Rudolf von. La dogmática jurídica, p. 40-1.

253 LESSONA, C. Teoría general de la prueba en derecho civil. 4.ed. Tradução de Enrique Aguilera de Paz.

lui ont donné naissance. Un droit dont on ne peut faire la preuve ne présente

aucune utilité. Il est comme s’il n’était pas.” 254

Nessa mesma linha posiciona-se Trabucchi: “Il fatto giuridico si

manifesta con elementi esterni; ma spesso la sua rilevanza e la sua valutazione

dipendono dalla ricerca di elementi interni al soggetto. In ogni caso però, sia

l’esistenza del fatto, sia gli elementi che influiscono sulla sua valuntazione

hanno valore concreto per la realizzazione del corrispondente diritto solo in

quanto si possa dimostrarne l’esistenza. Basta questo accenno per capire

l’importanza che riveste la materia delle prove... La prova serve ad accertare

l’esistenza di fatti giuridici (fatti naturali e atti umani)...” 255

Enfatiza Michele Taruffo que não se pode falar em “fato”

afastando-o completamente do Direito, ou esquecendo suas implicações

jurídicas. Para o autor é o Direito que define e determina o que será considerado

como “fato” no processo.256

Com isso não se pretende trazer à baila a velha polêmica

envolvendo a relação entre fato e direito. A referida celeuma, aliás, resulta de

erros metodológicos perpetrados em situações nas quais não foram avaliadas as

peculiaridades de cada ordenamento jurídico, buscando-se definições absolutas

254 COLIN, A; CAPITANT, H. Cours élémentaire de droit civil français, Tomo I, p. 91. 255 TRABUCCHI, A. Istituzioni di diritto civile, p. 230-231.

256 Diz Taruffo: “Siendo así, se intuye fácilmente que no se puede hablar del ‘hecho’ separándolo completamente

del ‘derecho’ u olvidando sus implicaciones jurídicas. [...] en el proceso los hechos de los que hay que establecer la verdad son identidicados sobre la base de criterios jurídicos, representados esencialmente por las normas que se consideran aplicables para decidir la controversia específica. Para usar una fórmula sintética: es el derecho el que define y determina lo que en el proceso constituye ‘el hecho’”. (TARUFFO, M. La prueba de los hechos, p. 91-92.)

onde era necessário sopesar cenários distintos. É o caso, por exemplo, dos

ordenamentos da common law, onde a distinção law/fact se cinge, apenas, às

atribuições do juiz e dos jurados. Daí porque lecionam Friedenthal, Kane e

Miller: “It is commonplace to say that it is the jury’s responsibility to determine

what the facts are. The law/fact dichotomy has come to represent the division

between the functions of the court and those of the jury... Today, the law/fact

distinction is well established, but the administration of the line between the two

is extremely difficult. The division necessarily is imprecise and varies with the

nature of the litigation and from jurisdicition to jurisdiction. This is well

illustrated by an examination of the functions performed by the jury in contract

and negligence actions.” 257

Logo no início deste trabalho, procuramos destacar que sem

linguagem seria impossível juridicizar um fato qualquer fazendo-o existir para o

direito. Mantendo coerência com a premissa apontada, podemos assentar que no

sistema jurídico positivo a articulação lingüística dos fatos é feita por meio de

provas. As provas – anota Alessandra Gondim Pinho – são segmentos de

linguagem indicados pelo direito para a constituição do fato jurídico. 258

Sem maiores delongas na explicitação desse assunto, vamos

preferir a objetividade, dizendo que o fato só será fato jurídico quando for

257 FRIEDENTHAL, Jack H; KANE, Mary Kay; MILLER, Arthur R. Civil procedure. 2.ed. Minnesota: West,

1993, p. 479-480.

expresso em linguagem competente e descrito conforme as provas admitidas em

Direito.

Em Direito Tributário não é diferente, sobretudo porque antes de

ser tributário o chamado “fato gerador” é um fato jurídico. Resumindo: ocorrido

o fato previsto no antecedente da regra tributária geral e abstrata, no mundo

fenomênico, a Administração Pública deverá (e o contribuinte “poderá”)

descrevê-lo em linguagem competente, formalizando a obrigação jurídica

tributária e identificando o sujeito passivo que deverá suportar as conseqüências

delineadas na referida norma. Na mencionada empreitada, a Administração tem

à sua disposição todos os meios e recursos suficientes a permitir uma adequada

“construção” do fato jurídico tributário, entre os quais o direito de produzir e

valorar a prova desse fato.259

Estará viciado, por erro de fato ou de direito, podendo ser anulado

pela via administrativa ou judicial, o lançamento que for sedimentado em provas

falsas, insuficientes ou mal interpretadas pelo agente administrativo.

259 Diz Traibel: “Acaecida la hipótesis de incidencia en el mundo fenoménico, la Administración, según nos

enseña nuestro Maestro José Souto Mayor Borges, debe verificar la ocurrencia del hecho jurídico tributário, para poder determinar la deuda e identificar el sujeto pasivo. Para ello, contará con todos los medios que la legislación ponga a su alcance, y entre ellos, producir y valorar la prueba de estos hechos”. (TRAIBEL, José

1.10 DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO E PRIMEIRAS