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Reisevaneundersøkelse og spørreundersøkelse

2 Problemstilling

4.1 Reisevaneundersøkelse og spørreundersøkelse

Neste estudo, pretendemos compreender tanto o sentido atribuído pelos alunos ao processo, bem como verificar possíveis mobilizações do conhecimento matemático desses alunos. Além disso, importa-nos compreender se e como os alunos alteram sua percepção acerca da cultura africana, de sua própria identidade afrodescendente e do valor dessa cultura para a formação do povo brasileiro.

Utilizamos, então, as técnicas de coleta de dados que consideramos mais adequadas:

70 - diário de campo,

- gravações em áudio e vídeo (autorizadas por pais, alunos e escola) de momentos dos encontros,

- registros produzidos pelos alunos ao longo do trabalho.

Após a aplicação dos instrumentos citados acima e levantamento dos registros das atividades, analisamos os dados coletados associando nossas observações com as referências teóricas determinadas pelo estudo bibliográfico anteriormente realizado. Procuramos verificar quais foram as contribuições da pesquisa. Consideramos como contribuições a verificação do surgimento de elementos que caracterizam a absorção de conhecimento dos conteúdos trabalhados na pesquisa. Também parecia relevante observar a participação, interesse e envolvimento dos alunos. Utilizamos ainda a triangulação de dados, visando aumentar a confiabilidade da análise ao contrastar evidências coletadas por diversas técnicas. Segundo Maxwell (1996 apud AZEVEDO; OLIVEIRA; GONZALEZ; ABDALLA, 2013, p. 3), a triangulação “reduz o risco de que as conclusões de um estudo reflitam enviesamentos ou limitações próprios de um único método”, pelo que conduz a “conclusões mais credíveis”. Para esses autores,

[...] triangulação não é uma ferramenta ou uma estratégia de validação, é uma alternativa à validação. A combinação de diferentes perspectivas metodológicas, diversos materiais empíricos e a participação de vários investigadores num só estudo devem ser vista como uma estratégia para acrescentar rigor, amplitude, complexidade, riqueza, e profundidade a qualquer investigação (DENZIN e LINCOLN, 2000 apud AZEVEDO; OLIVEIRA; GONZALEZ; ABDALLA, 2013, p.4).

Dessa forma, a triangulação significa que estamos olhando, a partir de mais de uma fonte de dados, para o mesmo fenômeno, o que pode diminuir os vieses pessoais e metodológicos da pesquisa. (DECROP, 2004 apud AZEVEDO; OLIVEIRA; GONZALEZ; ABDALLA, 2013). Essa metodologia possibilita a combinação de diferentes métodos e fontes de coleta de dados, como: entrevistas, questionários, observação e notas de campo, documentos, além de outras. Também pode ter diferentes métodos de análise dos dados, como: análise de conteúdo, análise de discurso, métodos e técnicas estatísticas descritivas e/ ou inferenciais etc. Neste estudo, optamos pela triangulação dos métodos de coleta de dados através do diário de campo, observações e registros produzidos pelos alunos.

Buscamos, como propõe Azevedo et al (2013, p. 4), “contribuir não apenas para o exame do fenômeno sob o olhar de múltiplas perspectivas, mas também enriquecer a nossa compreensão, permitindo emergir novas ou mais profundas dimensões”. E,

71 ademais, de acordo com Kelle (2001 apud AZEVEDO; OLIVEIRA; GONZALEZ; ABDALLA, 2013, p. 8), o que se pretende com a triangulação é “produzir um retrato do fenômeno em estudo que seja mais completo do que o alcançado por um único método”. Finalmente, organizamos nossa análise em categorias, que serão apresentadas no Capítulo 6.

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Capítulo V:

O trabalho de campo – descrição dos encontros

Neste capítulo, apresentamos – de modo sucinto – o processo vivido. Para isso, descrevemos de modo mais detalhado os primeiros encontros e brevemente os demais. Nosso intuito é dar a conhecer o trabalho realizado, dando voz aos participantes. De modo a proporcionar uma visão geral das tarefas realizadas ao longo dos encontros, mencionamos as principais:

A árvore genealógica

Nessa atividade, iniciamos contando a história da constituição familiar da pesquisadora, evidenciando suas origens étnicas. Desenhamos a árvore genealógica no quadro, contando a história de seus ancestrais e dispondo as fotos de cada um.

Em seguida, convidamos os alunos a começarem a construção de suas próprias árvores e propusemos tirar uma foto de cada aluno na sala. Eles gostaram da ideia e sugeriram que fôssemos ao pátio, próximo a uma árvore, para que as fotos ficassem mais bonitas, as fotos foram tiradas neste local.

Para o encontro seguinte, pedimos que trouxessem fotos de seus ancestrais (pais, avôs, bisavôs, tataravós) e que conversassem com seus pais sobre as histórias da família: de onde vieram, de como eram, qual a aparência de seus ancestrais mais distantes etc.

Iniciamos o encontro seguinte entregando uma cartolina para cada aluno. Disponibilizamos também réguas, canetas hidrocor, cola, durex colorido e as fotos que tiraram no último encontro. A maioria trouxe as fotos dos parentes (pais, avós, bisavós). Aos que não trouxeram, sugerimos que montassem o trabalho deixando os espaços para colar as fotos no próximo encontro, ou que fizessem caricaturas, ou ainda que escrevessem características dos seus antepassados. Conversamos um pouco sobre as histórias e as fotos trazidas pelos alunos. Foi um momento de muita euforia. Todos queriam falar ao mesmo tempo e todos queriam contar suas histórias, especialmente para as pesquisadoras. Procurando organizar um pouco o ambiente, propusemos que se reunissem em pequenos grupos, de modo que todos conhecessem as histórias de alguns colegas e nós ficaríamos circulando entre os grupos.

73 Propusemos, então, que cada aluno pensasse em estratégias para a construção dos cartazes, de forma a aproveitar o espaço do papel, a valorizar o trabalho. Sugerimos que centralizassem as fotos. Todos os alunos produziram o cartaz, no entanto, somente alguns quiseram socializar seu trabalho através de uma apresentação ao grupo. Essa atividade teve a duração de três encontros (1º, 2º e 3º), com cerca de duas horas cada.

Conhecendo o continente africano

Começamos a atividade apresentando o mapa do mundo, no globo, com o intuito de localizarmos o Brasil, a África e Portugal. Contamos uma história resumida da descoberta e da formação do povo brasileiro. Mostramos, no mapa, as trajetórias descritas nas viagens de navios para o Brasil.

Entregamos um mapa do mundo impresso aos alunos e pedimos que localizassem o Brasil e colorissem todo o país com a cor que achassem mais legal. Apenas ressaltamos que não poderia ser usado o azul, pois essa é a cor do oceano. Depois de colorido o Brasil, pedimos que colorissem Portugal, usando outra cor. Tiveram dificuldade em localizar Portugal no mapa, então, mostramos novamente no globo a localização desse país. Logo em seguida, pedimos que ligassem Portugal ao Brasil por uma linha. Pedimos aos alunos que já estavam terminando para colorir o oceano de azul. Os alunos incitaram uma discussão sobre o lugar onde os portugueses chegaram no Brasil. Nós, então, o localizamos no mapa.

Mostramos outro mapa, com as rotas marítimas entre África e Brasil, mostramos os lugares na África de onde foram retirados os africanos escravizados transportados para cá. Os alunos iniciaram uma discussão sobre o tempo de viagem entre Brasil e África, o que gerou uma pesquisa na internet, realizada por eles mesmos. Os dados da pesquisa foram anotados no quadro e, como foram encontrados valores muitos diferentes em relação a dois meios de transporte, avião e navio, houve primeiro uma discussão dos possíveis motivos para essa diferença. Propusemos que medissem nos mapas as distâncias entre Brasil e África entre Brasil e Portugal e construíssem uma tabela na qual fizessem a transformação das unidades de medidas de tempo de dias para horas. Essa atividade ocorreu no 4º e início do 5º encontro.

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Conhecendo casas em barro

Iniciamos o assunto com uma conversa sobre a construção das casas dos índios, dos materiais que eles usavam, do estilo de construção e da formação da aldeia. Falamos um pouco como eram os estilos de casas dos portugueses e dos africanos.

Após o depoimento de um dos alunos, sobre a casa de seu avô ser de barro e se comprometer em trazer fotos para mostrar para a turma, pedimos aos outros alunos para também pesquisarem em casa, com seus pais e avós, e que trouxessem fotos das casas de seus antepassados.

Mostramos slides de fotos antigas de Betim. Com fotos da comunidade quilombola dos Arturos, imagem de uma vila antiga e imagem de uma família tradicional. Essa família era composta por negros, brancos, mulatos e índios. Pedimos que observassem bem as casas, os estilos das construções e fizemos uma discussão. Mostramos também imagens antigas de outros lugares de Betim, uma delas foi a da Casa de Cultura, localizada na praça central da cidade.

A seguir, perguntamos e escrevemos no quadro algumas questões para debate: Qual o formato das casas? Por que escolher construir uma casa com esse formato? Que tipo de materiais eles utilizavam? Por que são diferentes das nossas casas? Que tipo de materiais eles deveriam ter à sua disposição? Seriam que os mesmos que nós temos hoje? Observem o tamanho das casas, há diferença com as nossas casas de hoje? Conseguem estipular a altura dessas casas? É uma casa com muitos cômodos?

Neste momento, deixamos os alunos se expressarem, reforçando as ideias elaboradas. As intervenções foram apenas para enriquecer a discussão. Procuramos levá- los a pensar, mais profundamente, que as condições do ambiente influenciam nas escolhas. Essa atividade iniciou-se no final do 4º encontro, estendeu-se a todo o 5º encontro e finalizou-se no início do 6º.

Construção de casas de base retangular, herança cultural africana

Iniciamos a atividade com a apresentação de Power Point. Com algumas imagens de casas brasileiras que utilizaram o barro como principal material de construção. Focamos as casas que utilizaram a técnica construtiva taipa de mão. Mostramos como é a construção usando essa técnica. Após a apresentação iniciamos a construção da planta baixa.

Para a construção da planta baixa, formamos os grupos, sendo que cada grupo faria uma planta. Distribuímos o material para a construção. Pedimos que fizessem uma

75 escala para a construção da planta. Para essa escala, pedimos aos alunos que estabelecessem medidas adequadas das dimensões de uma casa retangular, de acordo com as imagens mostradas na projeção. Ou seja, um tamanho real adequado para a casa. Depois que realizaram as medidas, fomos ao quadro e fizemos a escala da planta com eles. Então, pedimos que realizassem a construção das plantas baixas.

Em seguida, convidamos os alunos para que cada grupo construísse uma maquete da casa desenhada na planta baixa. Para essa construção, pedimos que utilizassem argila (barro) e desenvolvessem a técnica de construção de taipa. Essa construção se desenvolveu em três momentos, a construção da estrutura em madeira (palitos de churrasco) da casa, a aplicação da argila na estrutura e a construção do telhado. Toda a atividade se desenvolveu ao longo dos 6º, 7ºe 8º encontros.

Construção de casas de base circular tradicionais de alguns grupos africanos

Iniciamos a atividade, distribuindo cópias das imagens de casas típicas de grupos africanos25 (as duas folhas juntas em uma cópia colorida grande, com a reprodução de

ambas as páginas em uma folha de A3). Demos um tempo para que cada aluno lesse e visse as imagens. Depois, pedimos que cada qual lesse um pequeno trecho e, então, comentassem o que entenderam. A seguir, perguntamos: Qual o formato das casas? Por que escolher construir uma casa com esse formato? Que tipo de materiais eles utilizam (e utilizavam)? Por que são diferentes das nossas casas? Que tipo de materiais eles deveriam ter à sua disposição? Será que os mesmos que nós temos?

Nesse momento, deixamos os alunos se expressarem, reforçando as ideias elaboradas. Trabalhamos também as noções espaciais e formas geométricas presentes nas imagens, para, então, questionar: Por que você disse que é um quadrado? Não seria um retângulo? Qual a diferença? Círculo, circunferência etc.? Qual o instrumento de medida utilizado? Como deveriam conseguir fazer as casas circulares, que instrumento utilizavam?

Propomos a construção de uma das casas presentes na imagem, cada aluno realizando uma construção. Essa construção foi dividida em três fases: construção da planta baixa, construção da base (paredes) e construção do telhado. Para a construção da planta baixa, iniciamos simulando a construção da planta de uma casa real de base

25 Imagens reproduzidas do livro África – O despertar de um continente, Jocelyn Murray, Editora Folio, p.

76 circular. Com o barbante, medimos e marcamos no chão uma circunferência de 3 metros de diâmetro (medida estipulada pelos alunos). Logo após, propomos as seguintes questões: Com que altura se deveria construir essa casa, imaginária? Com essa medida, como poderíamos encontrar uma boa escala para fazer a maquete? Assim, estabeleceram uma escala e construíram a planta baixa utilizando o barbante. Reconstruímos a planta baixa da casa de base circular utilizando um compasso, devido à dificuldade de se construir a planta baixa de suas casas circulares utilizando o barbante. Após a construção da planta, medimos o comprimento da circunferência utilizando o barbante, para sabermos as dimensões da placa retangular da argila. Após a realização das medidas, construíram suas casas.

Para a construção dos telhados, propusemos que trouxessem material para a realização da tarefa. Deixamos que cada aluno descobrisse, investigasse formas de construir seus telhados. Construímos também um muro para abrigar todas as casas. Auxiliamos os alunos a desenvolverem estratégias para essa construção. Toda a atividade se desenvolveu ao longo dos 9º, 10º e 11º encontros.

Passamos, a seguir, à apresentação de alguns encontros de modo a evidenciar sua dinâmica.26