Del 3 Teori
3.2. Teori om europeisk integrasjon
3.2.1 Regional Integrasjon
Ao concluir o Mestrado, estava às voltas com uma contradição: o desejo de descansar um pouco e cuidar da vida pessoal, por alguns meses que fosse, antes de pensar no projeto de doutorado que já se desenhava diante das muitas questões que ficaram pendentes no mestrado. Sem maiores pretensões de ingressar logo, fui para UNICAMP cursar uma disciplina do Professor Silvio Gamboa. Além de ser ele uma autoridade em pesquisa educacional, sua tese de doutorado havia sido utilizada por mim na dissertação. Cursei duas disciplinas na UNICAMP, na área de História e Filosofia da Educação. Contudo, o desejo mesmo era voltar para casa, a FE-USP.
Logo no início da disciplina, a orientação para a realização de dois trabalhos: o memorial e uma reflexão sobre uma pesquisa na área de educação. A idéia do memorial caiu para mim como uma luva, que já estava envolvida com o método autobiográfico e com as histórias de vida. Deveria escrever um relato, cujo foco principal fosse a nossa relação com a ciência e, posteriormente, uma reflexão teórica proporcionada pelo curso sobre esse problema. Desde o início, conforme relatei, minha relação coma a escola, a ciência, ou melhor, com o conhecimento foi muito forte e hoje avalio que talvez seja pelo fato de ter sido a única coisa que me restasse. Quem sabe se tivesse outras oportunidades não teria sido artista, estilista, ou optasse por um outro tipo de conhecimento? Mas só mesmo a escola pública, em que pese sua crise atual, poderia alcançar uma garota pobre no meio rural baiano, e com ela o sonho de ser alguém na vida, doutora talvez.
Mas a ciência é muito mais do que ser doutor, é certamente construir um método de vida descobrindo suas entranhas e caminhos mais longínquos, e fazendo uma trilha na mata
fechada que é a vida. Um caminho cuja única certeza é que não há fim e, portanto, o importante é caminhar.
Após terminar o mestrado e perceber os erros cometidos na elaboração da dissertação, posso dizer que esses erros fazem parte do percurso e são, talvez tão ou mais importantes que os acertos, resultado da imaturidade intelectual naquele momento, bem como, das deficiências deixadas por esta escola no decurso de mais de trinta anos. Desse modo, olhar agora para o trabalho desenvolvido e perspectivar um outro não é nada além que o curso natural desta vida que pegou carona com a escola e com a ciência.
As reflexões sobre ciência, métodos e técnicas desenvolvidas no decorrer da disciplina foram, para mim, fundamentais, à medida que me encontrava em meio a um processo de revisão pessoal e profissional, além de me possibilitar a entrada em um campo teórico totalmente novo: a epistemologia, indispensável para quem quer fazer uma ciência fundada num conhecimento libertador, emancipatório, tal como propõe Habermas (1968).
A epistemologia, para autores como, Gaston Bachelard (1951), Jean Piaget (1983), Edgar Morin (1996), entre tantos outros que examinam a questão, são reflexões acerca do conhecimento científico, ou seja, é o conhecimento do conhecimento. De acordo com os autores citados, ela procura um estudo metódico e reflexivo do saber, sua formação, seu desenvolvimento e seus produtos, que podem ser de âmbito geral, sobre todos os conhecimentos científicos e não científicos; como especulativos, ou de âmbito específico no interior de cada ciência.
Para Bachelard (1951, p. 40), a “experimentação no estilo da epistemologia moderna já se tinha tornado a atividade específica necessária para fazer avançar a ciência”. Portanto, a epistemologia parece se situar a meio caminho entre a ciência e a filosofia. Piaget (1983) define sua epistemologia como sendo naturalista, sem contudo, ser positivista, atribuindo toda força ao sujeito, sem idealismo. Ele se apóia também no objeto de conhecimento sem considerá-lo ilimitado, enquanto Morin (1996, p. 32) admite que o problema não está em que cada uma – ciência e filosofia – perca a sua competência, mas que a desenvolva o suficiente para articulá-la com outras competências. Essas, por sua vez, ligadas em cadeia, formariam o anel completo e dinâmico, o anel do conhecimento do conhecimento” o anel epistemológico. Assim ele postula uma epistemologia complexa, pois acredita que conhecer é uma aventura incerta, frágil, difícil e trágica, sendo a vida alimentada de impurezas das quais a ciência tem necessidade.
Desse modo, não é fácil se situar sob a influência das várias ciências para entender o conhecimento científico, tal como propõe a epistemologia. Contudo, foram reflexões
fundamentais para alguém que sempre indagara sobre o ato de conhecer. Tudo isso intensificou o processo de compreender também o meu próprio conhecimento.
A escolha do texto Conhecimento e Interesse de Habermas, para a feitura da uma resenha, proporcionou-me certa tranqüilidade a respeito das idéias que eu vinha desenvolvendo em relação à constatação de que fazer ciência não é fazer a vida e sim, uma parte desta. Com o título original em alemão, “Erkenntnis und Interesse”, o artigo, publicado por Jürgen Habermas, no ano de 1968, em Frankfurt, apresenta um debate apoiado por vários autores relativo às implicações do intérprete com o objeto de investigação ou, ainda, a relação do cientista com o conhecimento e, conseqüentemente, com a ciência.
Em A profissão do Sociólogo (2000), Pierre Bourdieu também trata desse tema e embora constasse da bibliografia do curso, eu não conhecia aquele texto. Mas como a escrita do autor já me era familiar, estava acostumada ao seu estilo rebuscado de escrever e me aproximei da obra. Vejamos o que ele diz:
Pelo fato de que, no momento da observação e experimentação, o sociólogo estabelece uma relação com o objeto que, enquanto relação social, nunca é puro conhecimento, os dados apresentam-se-lhe como configurações vivas, singulares e, em poucas palavras, humanas demais, que tendem a se impor como estruturas do objeto. (BOURDIEU, 2000, p.24)
As duas últimas leituras tornaram-se, para mim, paradigmáticas, e foram retomadas diversas vezes. Entretanto, todas as muitas leituras realizadas no curso foram férteis para a continuidade do meu projeto e eram novidades pra mim, sobretudo as de Gaston Bachelard e Habermans, entre tantas que foram compondo um quadro teórico muito trabalhoso para sintetizar e descrever, não somente pelo volume, como pela intensidade das questões tratadas. Apesar de ser ainda muito cedo para avaliar, posso dizer que estas reflexões, certamente me trouxeram algo mais que as contribuições intelectuais para a continuidade dos estudos, como também um certo modo de conduzir a própria vida. Talvez uma espécie de conhecimento sobre o meu conhecimento, como ele se dá, os resultados obtidos e os investimentos realizados, ao ponto de essas leituras se tornarem uma reflexão nuclear para o desenvolvimento dessa pesquisa. A escrita deste capítulo consiste nada mais do que um esforço de auto-compreensão da própria pesquisadora, o que se fazia imprescindível para a compreensão do objeto de pesquisa, e, portanto completamente coerente com os procedimentos metodológicos adotados, de modo que antes mesmo que se procedesse ao perfil dos pesquisadores e ao seu lugar social, pudesse ser apresentado também o lugar social
da própria pesquisadora. Desse modo, no capítulo seguinte encontraremos a caracterização dos entrevistados.