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THE REDISTRIBUTION PUZZLE

A afirmação da Terminologia como disciplina científica teve início nos anos de 1930, com o engenheiro, industrial e professor austríaco Eugene Wüster (1898-1977), e suas primeiras bases teóricas foram criadas e relacionadas à necessidade de resolver o problema da comunicação das ciências no plano internacional; tinham caráter mais pragmático e eram também mais prescritivas.

Os trabalhos desenvolvidos naquela época na Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia e União Soviética concorreram para a criação das escolas cujos estudos caracterizaram-se pelo

enfoque cognitivo do fenômeno terminológico, como as Escolas de Viena, Praga e a escola soviética, reconhecidas pelo pioneirismo e pela relevante contribuição de seus representantes, respectivamente, o austríaco Eugene Wüster e os russos D.S.Lotte e Drezen. De acordo com Lara (2005, p. 2), “as influências de tais escolas, em suas diferentes ênfases (base lógico-cognitivista, linguística, comunicacional) continuam se fazendo sentir nos trabalhos contemporâneos desenvolvidos no mundo inteiro”.

Especialistas de todas as áreas (técnicos, filósofos, linguistas, documentalistas, etc.) empenhavam-se no estudo dos termos técnicos, objetivando, principalmente, sua normalização, sendo que Wüster interessou-se primeiro pelos métodos de recompilação e normalização terminológica.

Em sua tese de doutorado11, Wüster abordou a necessidade da normalização da linguagem técnica, expôs os motivos que justificavam a sistematização dos métodos de trabalho em Terminologia e estabeleceu os princípios que deveriam reger os trabalhos sobre os termos. Sua preocupação era com o trabalho normativo e metodológico, o que o levou a propor uma metodologia para tratamento de dados terminológicos, baseada na sistematização dos conceitos, para elaboração de dicionários terminológicos.

O desenvolvimento da ciência e da técnica aprofundou o conhecimento, gerando descobertas e invenções que impulsionaram o crescimento exponencial das unidades terminológicas. A demanda por novas denominações, tanto para as criações originais, como também para aquelas que sofreram redefinições, constituíram novos campos e horizontes do conhecimento.

Com a expansão do conhecimento, a informação passou a ter então uma importância capital; sua representação e transferência impulsionaram a criação de instrumentos de padronização dos elementos que canalizavam o conhecimento nos meios técnico, científico, cultural e comercial. Em 1931, Wüster publicou um livro12 baseado nos estudos desenvolvidos em sua tese, que propunha a elaboração de princípios terminológicos e que suscitou a criação da Associação Internacional de Normalização (ISA).

Segundo Felber apud Barros (2004, p. 53), Wüster elaborou uma análise detalhada da Terminologia, considerada por ele como instrumento de comunicação: abordou a natureza e

11

Internationale Sprachnormung in der Tecknik (BARROS, 2004, p. 53).

12

Die internationale Sprachnormung in der Tecknik, besonders in der Elektronik (BARROS, 2004, p. 53).

a descrição (definição) dos conceitos; as relações entre os eles, a formação dos termos; a internacionalização dos conceitos e dos termos, etc. constituindo-se, desta forma, a base da Teoria Geral da Terminologia (TGT).

Para Wüster, a Terminologia era concebida como um ramo da Linguística Aplicada e embora tenha feito esta distinção, preocupou-se em assinalar as diferenças básicas entre a própria Linguística e o campo terminológico, em relação aos seus objetos de interesse: para a primeira, a língua geral em todos os seus aspectos; para a segunda, apenas o léxico especializado, organizando os termos técnico-científicos para favorecer a univocidade da comunicação especializada (KIEFER, 2004, p. 21).

Quase trinta anos após escrever a sua tese, Wüster estabeleceu os pressupostos teóricos da Terminologia, publicando, em 1969, a obra Die vier Dimensionem der Terminologiearbeit, que apresentava, pela primeira vez, as quatro dimensões do trabalho terminológico: o campo de especialidade, as línguas, os objetivos (manipular documentos, usar terminologia, investigar sobre um campo conceitual) e o nível de abstração (CABRÉ, 1993, p.32).

De caráter pragmático, para favorecer a comunicação das ciências no plano internacional, a teoria de Wüster foi objeto de estudos, reflexões e críticas. Segundo Barros:

[...] não deve haver, segundo Wüster, termos polissêmicos, sinônimos ou homônimos. Se para um conceito não existe uma designação aceitável e única, a Terminologia normativa pode criá-la, respeitando os princípios terminológicos preestabelecidos. Para Wüster, conteúdo e expressão são independentes [...] pode-se identificar um conjunto de conceitos de um domínio especializado, organizá-lo em um sistema estruturado e defini-los sem mesmo identificar com precisão os termos que o designam. (BARROS, 2004, p. 55-56)

Apesar de conter uma acurada compreensão dos mecanismos dos léxicos terminológicos, a obra de Wüster não ampliou seu poder explicativo e, com isto, evidenciou a necessidade de uma nova proposta teórico-metodológica para a Terminologia. Também, a intensificação da produção de trabalhos, como a descrição de conjuntos terminológicos e a elaboração de produtos terminográficos, contribuíram para a promoção de reflexões acerca do ser e do fazer da Terminologia, conduzindo outros estudiosos da área às observações sobre as limitações da TGT.

Com proposições prescritivas e normalizadoras, outras concepções sobre os termos e seu funcionamento foram elaboradas e, segundo Lara (2006), essas novas vertentes da Terminologia são socialmente orientadas, destacando-se entre as principais teorias: Teoria Comunicativa da Terminologia (Cabré, 1999); Socioterminologia (Gaudin, 1993); Teoria

Sociocognitiva da Terminologia ou Socioontologia ou, ainda, Teoria Realista da Terminologia (Temmermman, 2001); e a Terminologia Cultural (Marcel Kiki-Kidiri, 2000).

Dessa forma, na última década do século vinte, registrou-se um redirecionamento dos estudos terminológicos, com o início de um novo percurso “pautado pelo incremento de investigações terminológicas de base linguístico-comunicacional” (KIEFER, 2004, p. 34), e levando em consideração o comportamento dos léxicos terminológicos no âmbito das comunicações especializadas.

Com o avanço dos estudos da Terminologia nos últimos anos, os teóricos começaram a perceber nas abordagens textuais das ocorrências terminológicas a possibilidade de se observar o comportamento dos termos sob vários planos e ângulos e no viés desse novo pensamento, um destaque é dado à Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), proposta por Maria Teresa Cabré e o grupo de pesquisadores do Instituto de Linguística Aplicada, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, que será mais bem detalhada no próximo tópico.