B. Estimating Prices of Risk
V. Recent Stock Market Movements
Pode-se observar que há pelo Brasil distintas experiências nos diferentes dispositivos de saúde mental. As práticas apresentadas foram divididas em três categorias: aquelas voltadas aos usuários, que descrevem intervenções realizadas com os mesmos; as voltadas aos profissionais, que são formas de amenizar as lacunas da formação e também de auxiliar nesse processo de transição entre o modelo tradicional e o modelo preconizado pelo movimento que ficou conhecido como a reforma psiquiátrica; e, por fim, ao sistema
37 de saúde mental brasileiro, que é composta por ações que permitiram a melhor adequação dos mesmos. As diversas práticas relatadas ao longo das publicações serão apresentadas na árvore de associação de sentido do quadro 2 a seguir.
Quadro 2: Árvore de associação de sentido sobre práticas relacionadas aos serviços de saúde mental relatadas nas publicações.
Práticas nos serviços de saúde mental Voltadas aos usuários Voltadas ao sistema de saúde mental Voltadas aos profissionais
Ferramentas tecnológicas e Oficinas de informática
Implementação de uma rede concisa de serviços e encaminhamentos
Acompanhamento terapêutico Alta-assistida
Oficinas e Grupos operativos e terapêuticos.
Acolhimento e triagem Exercício do protagonismo e participação social de usuários (coletivos)
Psicanálise Ações territoriais
Psicologia de orientação
Apoio institucional
Educação permanente e trocas multiprofissionais
Modelo assistência reestruturado (deslocamento do hospital
psiquiátrico para diversos níveis de complexidade)
Economia solidária e Oficinas de trabalho
Articulação entre os serviços de atenção básica e os de saúde mental
38 Estas práticas parecem revelar uma tentativa de inovação. Mesmo as mais tradicionais como a psicanálise, por exemplo, são rediscutidas para se reafirmarem como importantes neste contexto (Dassoler & Palma, 2011). A clínica passa por reelaborações importantes. Os dispositivos de saúde mental se abrem para funcionar como uma nova expansão da psiquiatria no espaço extramuros, e para isso utiliza-se de métodos mais sutis de controle que opera tanto a partir das instituições de saúde quanto da própria subjetividade dos usuários (Rauter & Peixoto, 2009).
No contexto atual da atenção à saúde mental, assim como na psicologia em geral, observamos diferentes modelos clínicos – clínica do sujeito, clínica transdisciplinar, clínica ampliada, psicanálise, entre outros. Além disso, abre-se espaço para diferentes abordagens, a exemplo da psicologia positiva, que se apresenta como uma “prática fundada num novo olhar sobre o sujeito, buscando a ênfase e o desenvolvimento de aspectos ‘virtuosos’ como possibilidade de alcançar a saúde em seu sentido mais pleno, caminhando junto à promoção de saúde” (Lemos & Cavalcante, 2009, p. 233), o que a caracterizaria como diferente em relação a práticas tradicionais em psicologia voltada para a saúde mental.
Referente às práticas voltadas aos profissionais, destacamos a importância da gestão. O apoio institucional parece crucial para a consolidação das novas práticas, provocando efeito nos modos de trabalho das equipes (Dimenstein & Bezerra, 2009). Há uma necessidade de reflexão dessa atuação, considerando a formação de muitos profissionais, onde este cuidado diferenciado dos modelos tradicionais, a partir dos projetos terapêuticos individuais que consideram aspectos além da doença, muitas vezes não são ensinados ou valorizados (Queiroz & Delamuta, 2011). É neste aspecto que se faz necessária menção a importância da continuidade dos estudos e do constante contato com outros profissionais.
39 Ao estudar o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, Queiroz e Delamuta (2011) avaliaram que se, no processo de trabalho, os profissionais do serviço possuíssem espaços de conversa mais sistemáticos sobre os projetos terapêuticos e a história de vida dos usuários, facilitaria e os deixaria mais à vontade para transitar além de suas especificidades profissionais, promovendo uma prática menos compartimentada e mais compartilhada e inventiva.
Ainda nesta linha, da necessidade profissional e do debate da prática, Tanikado e Maraschin (2012) mostram uma intervenção a partir de ferramentas tecnológicas. Eles realizaram uma oficina com os profissionais da rede pública de atenção à saúde mental que resultou na construção de um website pelos trabalhadores. Essa tecnologia funcionou como um dispositivo de virtualização das práticas do serviço, que levou a problematização das mesmas. Eles destacam que “um desses analisadores [produzidos na problematização fomentada pelo website] foi a coabitação de discursos dicotômicos sobre o cuidado em saúde mental, derivados do modelo manicomial e do proposto pela reforma psiquiátrica” (p. 143).
Referente aos sistemas de saúde, percebemos a necessidade da integralidade entre os diferentes aparatos. Esta concepção faz parte dos princípios do Sistema Unificado de Saúde (SUS), mas extrapola a normatização da estruturação dos serviços de saúde brasileiro, e ganha novo significado a partir das concepções da reforma psiquiátrica, pois é através desta possibilidade de acesso a diferentes serviços sociais e de saúde que o sujeito tem garantias da cidadania, ponto chave para este processo. Além dos benefícios para os usuários, os profissionais podem encontrar nesta rede, bem articulada, amparo para suas práticas cotidianas, em constante intercâmbio com outros profissionais e instituições que complementam e viabilizam este novo modelo de saúde mental.
40 Neste aspecto a estratégia denominada Apoio Matricial parece se destacar nas publicações pesquisadas. Esta estratégia busca o funcionamento efetivo da rede, onde os CAPS, enquanto serviço de Saúde Mental, devem atuar como articulador, trabalhando em conjunto com as Unidades Básicas e com outros setores. Em publicações mais antigas, como a realizada em Natal em 2009 por Dimenstein e col., os profissionais, embora reconhecessem a importância desta colaboração entre as equipes, não conseguiam perceber efetivamente um trabalho articulado, haja vista a necessidade de se superar a forma de relacionamento, burocratizada e hierarquizada, entre os serviços.
Mais recentemente, em 2013, a estratégia do apoio matricial foi positivamente avaliada. Prates, Garcia e Moreno (2013), em uma experiência realizada em São Paulo, concluíram que esta metodologia contribuiu para a construção de práticas baseadas na lógica de reabilitação psicossocial. Não foi possível constatar se a diferença entre a avaliação e efetivação da estratégia foi diferente pelo decorrer do tempo ou pelas diferenças no contexto das cidades pesquisadas.
Ressaltamos aqui que, para além do CAPS, outros serviços passaram a serem ofertados, novas demandas foram aparecendo desvelando questões mais amplas, referentes à saúde e direitos, que ainda precisam ser debatidas. Isto explica a necessidade das redes de saúde serem bem articuladas, bem consolidadas, facilitando este processo psicossocial, que posteriormente extrapola as discussões legais e retorna a questão da saúde.